domingo, 18 de fevereiro de 2018

"Pihalla", de Nils-Erik Ekblom (2017) Drama adolescente lgbts finlandês, lembra bastante o famoso filme alemão "Tempestade de verão", de 2004. Durante o verão, os pais de Miku estão fora de casa. Seu irmão mais velho, o rebelde Sebu, resolve promover uma grande festa em casa, convidando a todos. No dia seguinte, a casa está destruída. Os pais de Miku retornam e ficam chocados com o estado da casa. Irritados, resolvem brigar com Miku e o levam para passar um tempo em um chalé afastado da cidade. Lá, Miku conhece Elias, um adolescente assumido. Miku e Elias começam a namorar, e Miku tenta esconder de seus pais que ele é gay. Sem ritmo, roteiro fraco, "A época do verão" vale pela curiosidade de se ver um filme de gênero Lgbts adolescente na Finlândia, e que ainda tenta tirar uma casquinha em comédias tipo "American pie". A receita não dá muito certo, muito por conta da falta de carisma dos atores principais e pela longa duração do filme. Mikko Kauppila, que interpreta Miku, lembra bastante Daniel Bruhl adolescente.

Pantera negra

"Black Panther", de Ryan Coogler (2018) O cineasta Ryan Coogler, que começou com o pé direito em dramas mega independentes, angariou tantos prêmios e prestigio que acabou sendo convidado para dirigir um mega Blockbuster. Depois de "Fruitvalley Staion" e "Creed", em "pantera negra" Ryan Coogler desenvolve um dos filmes de ação e aventura mais críticos e políticos dos últimos tempos. Escalando o seu ator fetiche Michael B. Jordan como o vilão Erik Killmonger, Coogler acerta ao contar em seu elenco com alguns dos melhores Atores negros do momento: Chadwick Boseman, Angela Basset ( que bom esse lindo retorno), Lupita Nyong'o e as duas grandes surpresas: Danai Gurira, como a guerreira Okoye, e Letitia Wright, como Shuri, a irma mais jovem e mega nerd do Rei T'Challa, o Black Panther. Do elenco branco, destaque absoluto para Martin Freeman, o eterno Bilbo de "Senhor dos anéis", como o agente da Cia Ross, e Andy Serkis, mostrando que é muito talentoso também sem fazer CGI. A história todos já conhecem. O filme tem muito humor, ação, personagens carismáticos, efeitos excelentes e o que o diferencia de todos: a sua imersão nos novos tempos de feminismo, conflitos sociais e raciais. O filme é rodado como se fosse um filme realista na parte dramática, discutindo todos esses temas de forma séria. O desfecho de Erik e Black Panther `a beira de um lindo por do sol, é brilhante e emocionante.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Sebastian

"Sebastian", de James Fanizza (2017) Drama indie canadense Lbts, "Sebastian" foi escrito, produzido, protagonizado e dirigido por James Fanizza. Tantas funções para quem estréia em um longa-metragem talvez não fosse a melhor das idéias. Com todas as boas intenções, James Fanizza realiza uma história de amor que remete ao cult inglês "Weekend". Alex é um jovem desenhista desempregado. Ele namora um descendente de argentinos, que apresenta ao namorado o seu primo Sebastian, que veio passar uma semana na cidade. O namorado de Alex precisa viajar e pede para que Alex fique de cicerone de Sebastian durante uma semana. Claro que isso não vai dar certo, e os dois pombinhos irão se apaixonar. Pegando também a ideia de "Antes do amanhecer", porém sem o tempo real de um dia na vida dos personagens, "Sebastian" não funciona por conta de seu amadorismo, tanto técnico, quanto artístico. Os atores são fracos, os diálogos, fracos. O romance entre Alex e Sebastian está baixa voltagem, falta uma química e uma tensão sexual prejudicada pela pouca experiência dos envolvidos. Falta timing, uma edição melhor. Vale apenas por algumas cenas ambientadas em baladas underground onde as pessoas se apresentam dançando Vogue.

Happy end

"Happy end", de Michael Haneke (2017) Concorrendo em Cannes 2017, "Happy end" condensa todo o Universo temático de Michael Haneke: Família desestruturada, angústia, desesperança, rancor, humilhação, fetiche, imigração e muita violência psicológica. A poderosa família Laurent, que tem como patriarca Georges (Jean-Louis Trintignant), segue a linhagem empresarial através da mão de ferro de Anne (Isabelle Huppert), mãe do médico Thomas ( Mathieu Kassovitz) e do complexado Pierre. O filme começa com um grave acidente de trabalho na empresa, onde um empregado fica entre a vida e a morte. Acompanhamos cada integrante da família em suas várias sub-tramas, encabeçadas pela menina Eve (Fantine Harduin, excelente), filha de Thomas, cuja mãe é depressiva. Eve registra com seu celular,a rotina da família, e descobre que atrás da aparência da família feliz, existem segredos que irão destruir a todos. Com um excelente elenco, Michael Haneke faz o que quer. Não é dos seus melhores trabalhos, mas ainda assim vale acompanhar esse drama psicológico que no desfecho beira a uma angustiante cena de redenção.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O insulto

"L' insulte", de Ziad Doueiri (2017) Representante do Líbano no Oscar de filme estrangeiro 2018, o libanês "O insulto", co-escrito e Dirigido por Ziad Doueiri, é um Cinema humanista, na tradição de "Promessas de um novo mundo", documentário que marcou época em 2001, que apresentava depoimentos de crianças israelenses e palestinas acerca do conflito entre as duas populações. "O insulto" parte de uma premissa muito interessante: como uma simples ofensa entre 2 homens, pode tomar dimensões épicas e movimentar um País inteiro? O Líbano é um país que sofreu imigração de refugiados da Palestina, e a maioria se encontra em situação irregular. Os libaneses não encaram com bons olhos essa invasão palestina, pro motivos culturais, sociais e religiosos. Tony Hanna ( ,Adel Karam intenso, excelente) é dono de uma oficina mecânica e casado com Shirine, grávida de 8 meses. Um dia, uma equipe da prefeitura, liderado pelo palestino Yasser (Kamel El Basha, brilhante e Vencedor do Premio de Melhor ator em Veneza 2017) está fazendo obras na rua onde mora Tony, quando são molhados pela calha de Tony, que estava aguando suas plantas na varanda. Aí começa um estopim: Tony agride verbalmente Yasser, que o insulta. Tony resolve processar Yasser porque ele nao aceita pedir desculpas. E daí em diante, tudo vai se tornando numa enorme bola de neve. Esse filme tem tudo a ver com o momento que estamos vivendo no Brasil e no mundo: polarização, ofensas gratuitas, preconceito em todos os níveis. Com um roteiro inquietante, o filme tem atuações excepcionais de todo o elenco, e também, uma edição dinâmica, que mantém o interesse do espectador, mesmo em inúmeras cenas de tribunais. A cena onde os dois personagens saem do tribunal e pegam seus carros, é de doer o coração.

A princesa e o plebeu

"Roman holiday", de Willian Wyller (1953) Uma das mais clássicas comédias românticas da história do Cinema, "A princesa e o plebeu" marca a estréia de Audrey Hepbun no Cinema, em 1953. Gregory Peck, seu parceiro de cena, ficou tão encantado com essa jovem atriz, que pediu para os produtores colocarem o seu nome nos créditos inicias, pois estava certo de que ela ganharia o Oscar de melhor atriz. o que acabou acontecendo. O filme, co-escrito por Dalton Trumbo, na época perseguido pelo Macartismo, acusado de comunista, foi inteiramente rodado em Roma, Itália, tendo os seus interiores construídos nos estúdios da Cinecittá. O filme também levou os Oscar de Roteiro e de figurino, da lendária Edith Head. Audrey está absolutamente encantadora no papel da princesa Ann. Durante uma visita em Roma, seguindo uma turnê européia, ela entra em colapso nervoso, devido `a sua rotina estressante de entrevistas e visitas burocráticas. Numa noite, ela foge, e vai parar no centro de Roma. Sedada pelo médico, ela acaba sendo encontrada pelo jornalista Joe Bradley (Gregory Peck), que a acolhe em casa, sem saber quem ela é. No dia seguinte, Joe acaba descobrindo a identidade da princesa, e chama seu amigo fotógrafo Irving para tirar fotos escondidos dela e venderem por uma grande soma. Mas Joe se apaixona por Ann, e durante um passeio turístico pela cidade, eles se apaixonam. Willian Wyler é um dos grandes cineastaa americanos que primaram pelo seu ecletismo: Diretor de grandes épicos, como "Ben Hur", Wyler era também excelente diretor de atores. "A princesa e o plebeu"' é daqueles filmes que a gente adora rever vez ou outra, e constatar a primazia na direção e nas atuações, principalmente na brilhante cena final da entrevista com a imprensa, nas trocas de olhares entre Audrey e Gregory Peck. Maravilhoso.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Em busca de Fellini

]\\\ "In search of Fellini", de Taron Lexton (2017) Nancy Cartwright é mais conhecida por ser a voz de Bart Simpson na sua versão original americana. Mas pouca gente conhece a sua história. Criada por uma mãe protetora, que inventava histórias para que ela idealizasse um mundo de conto de fadas, Nancy encontrou nos filmes de Federico Fellini o seu refúgio ideal. A sua paixão pro Fellini foi tanta, que ela foi para a Itália em busca dele, no ano de 1993, quando ele faleceu. No filme, Nancy tem o pseudónimo de Lucy (,Ksenia Solo em um registro muito semelhante a de Audrey Taoutou em "Amelie Poulain"). Aliás, com certeza que o Cineasta sul africano Taron Lexton se baseou em Amelie Poulain" para contar a sua historia. Usando o lúdico e a fantasia o tempo todo, o filme tem na fotografia o seu ponto alto, com imagens belíssimas em Verona, Veneza e Roma. O filme comeca em Ohio, onde conhecemos Lucy e sua mãe, Claire (Maria Bello) e sua tia, Kerri (Mary Lynn Rajskub). entre uma cena e outra, o filme edita cenas de filmes famosos de Fellini, e fico imaginando o quanto de orçamento não foi convertido somente para os direitos de uso de imagem dos filmes. O filme, infelizmente, não alça grandes voos. Com altos e baixos, o filme só acontece mesmo quando Lucy vai pra Itália, mas isso somente acontece na metade do filme e aí já perdeu a simpatia e a paciência do público. Vislumbre as belas locações, pois é isso que vale a pena ver, e claro, a homenagem ao Cinema de Fellini.

Mundo louco

"Yat nim mou ming", de Wong Chun (2016) Que filme triste! Essa premiado drama de Hong Kong trata de um tema muito atual: a depressão. Tung é um jovem corretor da bolsa de valores, prestes a se casar com Jenny. Mas a depressão de sua mãe o corrói. Seu pai a abandona, seu irmão vai morar nos Estados Unidos, e apenas ele pode cuidar dela, apesar da agressividade de sua mãe, que não quer ninguém por perto. Tung acaba contraindo a bipolaridade, e perde tudo o que construiu na vida, indo parar em uma clinica psiquiátrica. Um ano depois, ele tenta reconstruir tudo de novo. Com uma comovente e realista performance dos 4 atores principais, o filem mostra a classe média baixa em Hong Kong, os casos de suicídio por conta da crise econômica e o crescimento da Igreja evangélica. Dirigido com elegância e muita firmeza, o filme apresenta ótimos atores no elenco de apoio e um olhar pouco glamuroso de Hong Kong.
"Paddington", de Paul King (2014) Primeiro filme da franquia do famoso personagem criado em 1958. Paddington mora com seus tios Lucy e Pastoso nas florestas do Peru. Quando um terremoto devasta a região, o Tio Pastoso morre, e Tia Lucy vai morar em um asilo para ursos. Ela aconselha Paddington de ir para Londres procurar um cientista que se tornou amigo deles. Chegando em Londres, Padidngton conhece a família Brown, que o hospeda por um tempo, até ele arranjar um lar. Mas a filha do cientista, Millicent (Nicole Kidman, maravilhosa como a vilã), tem planos para sequestrá-lo e empalhar o urso. Divertido e deliciosa aventura cómica para toda a família, tem um elenco maravilhoso (Sally Hawkins), um roteiro gracioso e uma fotografia e trilha sonora que parecem saídos de um livro de conto de fadas de tão colorido. O filme tem ótimas gagas, e uma cena antológica: quando o Sr Brown se veste de mulher para entrar na Biblioteca. Animação de primeiríssima qualidade.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Sem nome

"Sin nombre", de Cary Fukunaga (2009) Excelente drama dirigido pelo Cineasta e roteirista Cary Fukugana, que dirigiu recentemente o elogiado "Beast of no nation" e a série "true detective". Lançado em 2009, o filme ganhou inúmeros prêmios, entre eles, o de Melhor direção e fotografia em Sundance, do fotógrafo brasileiro Adriano Goldman. Casper é um jovem marginal, que integra uma gang de bandidos que assaltam imigrantes latinos que querem atravessar a fronteira do México para os Estados Unidos. Casper salva a jovem Sayra de ser estuprada pelo líder da gang, matando-o. Jurado de morte, Casper precisa fugir para os Estados Unidos, junto de Sayra. Muito bem dirigido por Cary Fukunaga, que aqui estréia em longas, o filme brilha pela fotografia, crua e realista, e pelo formidável trabalho de todo o elenco. Uma espécie de road movie, o filme é bastante tenso, bem montado, e o tempo todo, um soco no estômago. E' difícil assistir ao filme, devido `a sua crueza, característica que ja vimos em "Beast of no nation".

Bela adormecida

"Belle dormant", de Adolfo Arrieta (2016) Versão totalmente subversiva do clássico conto de fadas dos irmãos Grimm. No ano de 2000, no Reino da Letónia, o Rei governa seu País com muita burocracia. Seu filho Egon ( Niels Schneider, de "Amores imaginários", de Xavier Dolan) tem um único desejo: encontrar a Bela adormecida e tirá-la de sua maldição. O Rei nao acredita nessa historia dizendo ser um conto de fadas. Egon pede ajuda para Gerard (Mathieu Amalric), piloto de helicóptero do Rei, para levá-lo até o Reino de Kentz, onde ele acredita estar a Bela adormecida. Versão adulta da história, o filme lembra "Pele de asno", de Jacques Demy, onde ele misturava conto de fadas com modernidades, sem ter a parte musical. Divertido pela sua ingenuidade, e com uma proposta naturalista na interpretação, se aproximando do cinema de Robert Bresson, "Bela adormecida" só ressente de uma atmosfera mais lúdica e mágica. Vale pela curiosidade, mas esqueça qualquer versão da história, principalmente do clássico da Disney.

Felicité

"Felicité", de Alain Gomis (2017) Vencedor de vários Prêmios Internacionais, entre eles, o Grande Premio do Juri do Festival de Berlin 2017, "Felicité" é o típico filme independente que se consolidou na Europa e na Africa advinda da globalização e de várias Co-produçoes: Franca, Senegal, Alemanha, Líbano e Bélgica. Felicité é uma cantora que se apresenta em bares de quinta categoria em um bairro pobre do Congo. Ela encontra a felicidade nos palcos, lugar onde ela expressa os seus sentimentos. Quando o seu filho se acidenta e está prestes a perder a perna, Felicité precisa arrecadar um montante enorme de dinheiro para poder pagar a cirurgia. Começa um processo doloroso e humilhante para pedir dinheiro a amigos, familiares e desafetos. Com uma atuação extraordinária de Véro Tshanda Beya Mputu no papel principal, alternando momentos de alegria com dor, sofrimento e tristeza, o filme tem um olhar documental sobre o Congo e as suas ruas de terceiro mundo, abandonada pelo Governo e pelo assistencialismo social. Nesse verdadeiro Mundo cão, a lente do Diretor Alain Gomis procura apontar para a fantasia e para o lúdico, recurso utilizado por Feicité para fugir de sua vida desencantada. Um filme forte, sofrido, mas que graças a Deus, em seu desfecho, aponta para uma luz no fim do túnel. Haja sofrimento!

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Trama fantasma

"Phantom thread", de Paul Thomas Anderson (2017) O Cineasta Paul Thomas Anderson é provavelmente, um dos realizadores mais aguardados e cultuados pelos Cinéfilos no mundo inteiro. Cada filme de sua autoria é aguardado com muito burburinho, e também é sinónimo de premiações. Seu filme anterior, "Vício inerente", talvez seja dos menos intensamente aclamados em sua filmografia. Por isso, 4 anos depois, "Trama fantasma" vem cercado de expectativas. Ainda mais com a parceria vitoriosa de Daniel Day Lewis, cujo filme que trabalharam juntos, "Sangue negro", rendeu os Oscars de Fotografia e Ator em 2008. Daniel Day Lewis divulgou recentemente que esse seria seu último filme. A pergunta é: Valeu a pena? E a resposta é:Sim. Dirigindo, escrevendo, produzindo e pela primeira vez, fotografando, Paul Thomas Anderson, narra uma história sobre Poder, assim como em "Sangue negro". Reynolds Woodcock (Day Lewis) é um renomado estilista de alta sociedade na Londres dos anos 50. Perfeccionista e meticuloso, ele é repleto de tiques, além de ser uma figura desprezível e insuportável. Sua irmã, Cyrrill ( Lesley Manville, indicada ao Oscar de coadjuvante) é quem, friamente, administra toda a Mansão de alta costura. Um dia, ao almoçar, Reynolds conhece a garçonete Alma ( Vicky Krieps). Atrapalhada, mas forte e decidida, Alma acaba sendo convidada por Reynolds para ser uma de suas modelos. Alma fica encantada com tudo, mas ao perceber a forte personalidade de Reynolds, ela vira o jogo: ela também é de forte temperamento. Belissimamente dirigido, com atores em plenos pulmões dando o melhor de si ( todos, até os coadjuvantes) , "Trama fantasma" fa;a sobre o mundo obssessivo da moda, mas também fala sobre relações humanas e temperamentos destruidores. Com muita pompa, Luxo e Glamour, o filme concorre em 6 categorias, inclusive, a de ator e de figurino. Vicky Krieps , nascida em Luxemburgo, está ótima, pena que não tenha levado indicação. Linda trilha elegante de Jonny Greenwood, parceiro habitual de Thomas Anderson. O filme evoca momentos de "Rebecca", de ALfred Hitchcock.

Paddington 2

"Paddington 2", de Paul King (2017) Estou totalmente apaixonado por esse filme. Que filme delicioso! Um presente para os Cinéfilos. Uma homenagem carinhosa ao Cinema de Wes Anderson, Jacques Tati, Charles Chaplin, com gags visuais impecáveis. Continuação do grande sucesso de 2014, agora acompanhamos o urso Paddington, adotado pela família Brown, Mary (Sally Hawkins), Henry ( Hugh Bonneville) e seu dois filhos adolescentes, além da avó Judy. Eles vivem felizes, até um dia que Paddington vai em um antiquário em busca de um presente para sua tia Lucy. ele se encanta por um livro de Londres em 3D. Quando visitam o circo local, eles conhecem Phoenix Buchanan (Hugh Grant, sensacional), um ator charlatão que deseja ter o livro em mãos. que ele acredita ter o mapa de um tesouro. Direção de arte, fotografia, trilha sonora, roteiro, tudo é de um primor, de um requinte, parecendo um grande conto de fadas. Os personagens são todos carismáticos, e o grupo de prisioneiros, entre eles o cozinheiro Montanha, são antológicos. Todos atores de primeira linha, e o filme possui gags em turbilhão, ri tanto que doeu a barriga. E' um filme para se assistir muitas vezes, de tao emocionante e divertido que ele é. Hawkins tem um momento que lembra bastante sua personagem de "A forma da água".

Cinquenta tons de liberdade

"Fifty Shades Freed", de James Foley (2018) O Cineasta James Foley já dirigiu alguns filmes cults: "Caminhos violentos" e " O sucesso a qualquer preço". Também dirigiu alguns episódios de "House of cards". Mas para o grande público, talvez o seu nome seja associado `a franquia milionária de "50 tons de cinza". ele dirigiu o segundo capítulo, e agora, o episódio final, intitulado "Cinquenta tons de liberdade". O filme começa com o casamento de Anastacia (Dakota Johnson, insossa) e Christian Grey (Jamie Dorman, que vale pela sua aparência hercúlea). Logo depois, eles saem de lua de mel. A seguir, descobrem uma trama para sequestrar Anastacia. E aclaro, entre uma coisa e outra, muitas cenas de sexo, ciúmes e sacanagem. Mas para quem viu os filmes anteriores, a sacanagem é toda estilizada, publicitária. Tesão zero. Confesso que ri bastante, pela tosquice do roteiro e do diálogos, desse que é com certeza o pior filme da franquia. Mas me diverti. Anastacia nunca pegou um carro esporte, e de repente, ela pilota como um campeão de fórmula um. Nunca deu tiro, e quando dá, acerta de primeira. E por aí vai. Vale pelo requinte das locações, pelo luxo e glamour. A sacanagem mesmo, vai ficar devendo e muito.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Iboy

"Iboy", de Adam Randall (2017) Primo pobre dos filmes de super-heróis, "Iboy" tem ótimas atrizes no elenco: as inglesas Maisie Willians ( Arya de "Game of thrones") e Miranda Richardson. Se for bem analisado, o filme poderia ter sido uma espécie de "Spider man". Após salvar uma amiga de um ato de violência, Tom, um jovem nerd que sofre bullying na escola, leva um tiro. Estilhaços do celular ficam impregnados em seu cérebro, e por conta disso, ele adquire poderes. Sua avó (Miranda Richardson), ´´quase uma Tia May de "Spider man": doce, dedicada e prestativa. Infelizmente, o roteiro é ruim, o filme tem efeitos fracos e o mais importante, o vilão não oferece perigos dignos de um grande rival, mesmo porque, ele nao tem nenhum poder. Maisie Willians faz o que pode, mas o filme não tem ritmo e nem oferece grandes atrativos. Uma pena.

Sem nome

"Without name", de Lorcan Finnegan (2016) Drama de terror psicológico irlandês, o filme teve seu debut no prestigiado Festival de Toronto em 2016. O que era para ser um bom exercício de gênero, infelizmente se torna um enfadonho exercício de estilo, cujo roteiro simplório não traz qualquer tipo de tensão. Eric é um topógrafo que é contratado por um homem misterioso para demarcar suas terras em uma floresta de Dublin. Com problemas familiares com sua esposa e filho, Eric aceita o trabalho e vai parar em uma floresta misteriosa, se hospedando em uma cabana isolada. Olivia é sua amante e vai até lá trabalhar com ele. Mas estranhos fatos começam a acontecer. envolvendo livros que ele acha escondido na casa. O filme aposta numa história onde pouco acontece e muito se tenta fazer na atmosfera. Mas o filme em momento algum surpreende ou procura prender o espectador. Até determinado momento a gente fica curioso em saber o que está acontecendo, mas depois a gente meio que deixa rolar e quer praticamente seguir ao último minuto do filme para ver se tem algo de fato interessante. E acreditem, nada demais. O filme evoca todos aqueles filmes de terror que acontecem numa floresta isolada. Mas aqui, nada, absolutamente nada. acontece. O desfecho é bastante frustrante. O que valeu a pena foram a fotografia e um trecho no final, que dura menos de 1 minuto, repleto de luzes estroboscóbica e edição frenética, que justifica a cartela inicial do filme, dizendo que quem tem problemas com estrobo devem evitar ver o filme.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Encarando o prato

"Ne gledaj mi u pijat", de Hana Jusic (2016) Escrito e dirigido pela Cineasta Hana Jusic, "encarando o prato" é um drama da Croácia vencedor de dezenas de prêmios mundo afora. O filme, no entanto, é de uma monotonia quase insuportável, provavelmente querendo trazer ao espectador a mesma sensação de vida passiva dos personagens retratados. Marijana ( em bela performance visceral de Mia Petricevic) é uma jovem mulher, que mora com seus pais e seu irmão demente. Pobres, eles moram em um cortiço. Marijana é quem sustenta a todos. O pai está desempregado e a mãe é dona de casa. Marijana é enfermeira. Para conseguir suportar a vida de merda, ela sai `as noites caçando homens e transando deliberadamente sem culpa. Frio, seco e sem qualquer emoção, o filme retrata vidas cinzentas, e a roteirista não tem qualquer piedade com nenhum personagem. Tem uma cena cruel do pai batendo na filha com tolha, e em outra, a mãe e o irmão dando uma surra nela. O desfecho pode irritar muita gente, mas enfim, tem quem goste de sofrer. Ritmo extremamente arrastado.

O ritual

"The ritual", de David Bruckner (2017) Adaptação do livro homônimo escrito por Adam Nevill, "O ritual" é um filme de terror inglês, dirigido por um jovem cineasta expoente do gênero, que já rodou episódios de filmes famosos, como "VHS". O filme tem elementos que lembram " A bruxa de Blair", "Amargo pesadelo" e até mesmo "King Kong". 5 amigos se encontram em um pub e decidem em que lugar cada um quer passar com a turma nas férias. Ao comprarem bebidas em uma loja, Luke e Robert presenciam um assalto. Luke se acovarda e se esconde, e Robert acaba sendo morto. Meses se passam, e os 4 amigos remanescentes estão nas montanhas isoladas da Suécia, lugar onde Robert gostaria d elevar os amigos. Ao retornarem para casa, um dos amigos se machuca, O grupo decide abrir atalho e entrar numa floresta. Porém, um ser estranho surge e passa a eliminar um por um. Bem dirigido e com excelente fotografia, "O ritual' é o típico filme de sobrevivência. Ele só não é melhor porque sue miolo ficou entediante. Mas a atmosfera de suspense que permeia o fllme é muito interessante, e os efeitos estão bem resolvidos. Passatempo recomendado para quem curte filme de terror psicológico.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Saturday church

"Saturday Church", de Damon Cardasis (2017) Negro, pobre e gay. Assim é Ulysses, em interpretação comovente de Luka Kain. "Saturday Church" ganhou diversos prêmios em festivais mundo afora, e foi escrito e dirigido por Damon Cardasis. Em formato de drama e de musical repleto de glitter, o filme apresenta o submundo dos Clubes de Vogue, famoso estilo de dança celebrizado por Madonna e frequentado por negros e latinos pobres. Sao nesses clubes aonde Ulysses se esconde e procura ser feliz, fazendo amizade com outras Drags. em casa e na escola, Ulysses vive um mundo de homofobia e de bullying. Com um excelente elenco de drags, "Saturday Church" é um libelo contra os maus tratos e a discriminação contra jovens gays. Belos diálogos, números musicais que parecem ter saído de um clip de Beyoncé. Tudo visto por um olhar carinhoso com esse universo underground. Fotografia inspirada de Hillary Spera e uma trilha sonora repleta de Música eletrônica.

Lady Bird- A hora de voar

“Lady bird”, de Greta Gerwig (2017) Famoso por ser o filme que por um bom tempo se manteve no ranking da Rotten Tomatoes como a produção que ganhou 100% de aprovação dos críticos ( logo depois suplantada por “Toy Story 2”), “Lady Bird” é o filme de estréia da atriz Greta Gerwig, que também escreveu o roteiro. Impossível assistir ao filme e não pensar que ele é um prequel de “Frances Ha”, filme de Noah Baumbach que tornou Greta famosa no circuito indie cinematográfico. Cristine (Saorsie Rosnan) é uma adolescente de 17 anos que mora com sua família na cidade de sacramento, lugar que ela odeia por estar fora do circuito cultural efervescente do País. Seus pais, a enfermeira Marion (Laurie Metcalf, brilhante e comovente) e Larry (Tracy Letts, ótimo), desempregado e seus 2 irmãos adotivos moram confinados em uma casa na periferia da cidade. Christine, que se auto-denomina “Lady Bird”, vive `as turras com sua mãe, com o colégio católico que ela odeia e quer passar para uma faculdade em Nova York, mas além dela não ser uma boa estudante, seus pais não tem como bancar os estudos. Christine passa a experimentar tudo que uma menina de sua idade deseja: primeiro namorado, primeiro sexo, fumar maconha, ser atriz na escola, ter os melhores amigos. Totalmente amparado no talento da atriz Saorsie Rosnan, no papel principal, que está absolutamente adorável, o filme tem todas as qualidades que a gente espera de uma produção indie: bons atores, bom roteiro e diálogos, trilha sonora envolvente, e principalmente, uma direção que valoriza o material humano e não queira inserir a técnica acima do material humano. E; um filme muito simples na decupagem, na execução, e aí está o grande acerto de Greta Gerwig. Ela sabe o ouro que tem no seu roteiro com diálogos vibrantes, com seu elenco impecável.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Meu amigo Dahmer

"My friend Dahmer", de Marc Meyers (2017) Adaptação da Graphic novel de Derf Backderf, onde ele relata a sua amizade com o então adolescente Jeff Darher, que logo depois, se tornaria um dos maiores Serial Killers dos Estados Unidos, assassinando e estuprando 17 rapazes. Em 1978, aos 18 anos, Jeff Darher (Ross Lynch, um ex-astro do Disney Channel, assustador como o jovem serial killer) mora com sua família em Milwaukee, Wisconsin. Seus pais vivem brigando. Na escola, Jeff sofre bullying por conta de seu jeito estranho. Jeff passa quase o dia todo em seu laboratório, dissecando e dissolvendo animais em ácido. Um dia, um grupo de rapazes liderado por Derf Backderf ( autor da Graphic novel e interpretado por Alex Wolff, de "Jumanji") convida Jeff para fazer parte de sua turma. Jeff por sua vez, tem uma obsessão pelo sedutor medico da cidade, Dr Matthews. Bem dirigido e com um bom time de jovens atores, o filme mostra a génese do que seria um futuro serial killer. De ritmo lento, o filme pode desagradar quem busca um filme violento e repleto de sangue. Pelo contrario, o filme nao tem nada de violento, e no meaximo, uns poucos momentos de suspense. Narrado e apresentado com muita frieza narrativa, para trazer ao espectador um desconforto pertinente `a história contada. O roteiro procura trazer muitas informações que justifiquem o comportamento assassino de Jeff. O filme ganhou alguns prêmios internacionais em festivais de filmes de gênero.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Sonho em outro idioma

"Sueño en otro idioma", de Ernesto Contreras (2017) Ganhador de diversos prêmios internacionais, entre eles, o Sundance de Melhor filme popular em 2017, esse filme mexicano encanta pela mistura de drama, fábula e romance. 2 homens idosos, Evaristo e Isauro, são os últimos remanescentes de uma comunidade indígena que fala a língua Zikril. O linguista Martin quer entrevistá-los, ma descobre que os 2 não se falam, por conta de um incidente que ocorreu há 50 anos a vida dos 2. Em flashback, descobrimos que os 2 eram amantes, mas por medo de se assumir gay, Evaristo se casa com uma jovem, Maria, e passou a vida toda renegando seu amor por Isauro. Bem dirigido, com ótimas interpretações, o filme tem uma atmosfera mágica que procura dar um tom mais lúdico a uma trama bastante cruel: um amor rompido pelo preconceito de uma sociedade conservadora. O filme trabalha bem os momentos de silencio, e as expressões dos 2 atores, já idosos, trazem um olhar duro e comovente.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Crazy all these years

"Crazy all these years", de Jeff Swafford (2016) O roteirista e cineasta Jeff Swafford adaptou a sua peça teatral homônima. Producao independente, "Crazy all these years" acompanha 4 personagens durante o filme todo: Ben, um jovem gay que vem de Nova York para Tennesse cuidar de sua mãe doente, após a morte de sua irmã, que cuidava dela. Ao chegar, ele reencontra Lori, sua vizinha, que sempre foi apaixonada por Ben. Mas Ben era apaixonado pelo irmão de Lori, Joe, e por causa dele, ele resolveu sair da cidade. Joe nunca assumiu a sua homossexualidade. A mãe de Ben, Martha, é tirana e agressiva, e passa o filme todo maltratando Ben pelo fato dele ser gay. Dito assim, parece que o filme é um drama vibrante sobre pessoas que precisam se aceitar e a aprender a assumir as suas escolhas de vida. Infelizmente, o ritmo do filme é arrastado, os diálogos, fracos e as interpretações, frágeis. A parte técnica é correta, mas o filme não alça voos maiores.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Adeus, Christopher Robin

"Goodbye, Christopher Robin", de Simon Curtis (2017) Meu Deus, chorei mil litros vendo esse filme. Cinebiografia de Alan Milne (Domhnall Gleeson, extraordinário), jornalista e escritor inglês, criador do Ursinho Pooh (Winnie, the Pooh), se baseando na imaginação de seu filho Christopher Robin ( um trabalho fantástico do jovem Will Tilston. a cara de Geena Davis). Alan lutou na 1a Grande Guerra e por conta disso, ficou traumatizado. Sua esposa Daphne (Margot Robbie) resolve engravidar, na esperança de que um filho trouxesse a alegria de volta para Alan. Mas a criança nasce, e Alan continua depressivo. Aos 8 anos de idade, tendo a família se mudado para uma casa de campo, junto da babá Olive (Kelly Macdonald, ótima). Christopher brinca com seus bonecos de pelúcia. A imaginação fértil de Christopher inspira Alan a criar o Ursinho Pooh e seus amigos, que logo, se tornaram um fenômeno mundial ( num mundo onde todos estavam tristes por causa da Guerra, a alegria de Pooh e seus amigos foram um antídoto). O que Alan não poderia prever, é que Christopher ficasse irritado, pois com o sucesso, ele entendeu que aquele mundo que ele criou apenas para ele e seu pai, acabou sendo dividido para outras pessoas. Christopher cresceu problemático e sofrendo bullying aonde quer que fosse. Simon Curtis foi o realizador do comovente :Sete dias com Marylin". Com uma linda trilha de Carter Burwell ( Compositor de vários filmes dos irmãos Coen e de "Carol") bela fotografia, o filme , de uma forma correta, conta uma história de sucesso e suas consequências desastrosas. E todo mundo sabe que os atores ingleses são os melhores! Apelando pro melodrama e para o encantamento, típico do universo de Walt Disney ( que décadas depois, se apropriou dos direitos do Ursinho), é um filme para toda a família, apesar do seu desfecho melancólico e que com certeza, fara muita gente chorar.

Roman J. Israel, Esq.

"Roman J. Israel, Esq.", de Dan Gilroy (2017) Escrito e dirigido pelo mesmo realizador do excelente "O abutre", com Jake Gyllenhaal, filme pelo qual ele foi indicado ao Oscar de Melhor ator. Dan Gilroy repete a sua parceria com o fantástico fotógrafo Robert Elswit (Oscar de fotografia por "Sangue negro"). Assim como Jake Gyllenhaal, Denzel Washington também foi indicado ao Oscar para melhor ator. Ele interpreta o advogado Roman J.Israel, esq (Esq é uma contração de "esquire", um titulo honorário). Roman é excêntrico e extremamente idealista. ele acredita na humanidade e em seus princípios. Ele se veste com roupas de décadas atrás, além de não atualizar seu aparelho de celular e seu computador, todos bastante antigos. Trabalhando há 36 anos em uma empresa de advocacia, ele descobre que a empresa vai fechar: seu dono teve um enfarte, e a empresa está falida financeiramente. Desempregado, ele vai trabalhar para a empresa de advocacia de George (Colin Farrel, excelente). Roman também se envolve com Maya, uma professora que trabalha em uma Ong. Cansado de apanhar na vida, além de descobrir que a empresa que trabalhou há décadas estava repleta de falcatruas, Roman decide se corromper e toma uma atitude que lhe trará sérias consequências. Bom drama, prejudicado pela longa duração (mais de 2 horas), o que o filme tem de mais interessante, além da fotografia e do bom trabalho de Denzel Washington ( nada que justifique uma indicação ao Oscar) , é o ótimo trabalho de Colin Farrell, um Ator muito subestimado pela crítica e pala Academia, e a trilha sonora muito foda, repleta de hinos pop soul dos anos 70, como "I'll be there', do The Spinners. O tema da corrupção moral, ja vista em "O abutre", dá o tom de repeteco no filme do mesmo diretor e roteirista. Mas vale assistir pela dignidade do projeto.

Braven

"Braven", de Lin Oeding (2018) Depois do grande sucesso de "Liga da justiça", o ator havaiano Jason Mamoa, que interpretou o personagem Aquaman, começa a protagonizar vários filmes de ação. Mas é melhor o seu agente escolher melhor os seus projetos, pois se forem como esse "Braven", logo ele sucumbirá ao descaso com os críticos. Usando um plot mega batido, Mamoa interpreta o pacato pai de família Joe Braven. Ele mora nas montanhas geladas de uma região do Canadá com sua filha, esposa e o seu pai que sofre do Mal de Alzheimer. Perigosos traficantes escondem cocaína na cabana de Joe, e ele acaba acuado, confrontando os bandidos e tendo que proteger sua família. O filme é a primeira direção de Lin Oeding, famoso Coordenador de cenas de ação de muitos sucessos de Hollywood. Mas ao contrário de outro famoso Coordenador, Chad Stahelski, que estreou com grande impacto na franquia "John Wick", Lin Oeding não tem noção de ritmo e de direção de atores. As cenas de ação não tem dinâmica, os atores estão bastante canastrões e a trilha sonora tenta dar o que a imagem não traz: porradaria, sangue e violência, que é o que o publico quer ver. Jason Mamoa é carismático, mas aqui ele não encontrou um bom roteiro para mostrar o seu potencial. Confesso que ri bastante em vários momentos, principalmente nas cenas de ação e nas decisões malucas dos personagens.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Crepúsculo

"Rökkur", de Erlingur Thoroddsen (2017) Escrito e dirigido pelo Cineasta islandês Erlingur Thoroddsen, "Crepúspulo" ganhou alguns prêmios internacionais em Festivais Lgbts e de Filmes fantásticos. Explica-se: é um filme gay, e também um filme de terror psicológico. Gunnar e Einar formam um casal gay. Logo no início do filme, sabemos que eles se separaram. Gunnar está em nova relação, mas recebe uma ligação estranha de Einar e ele se preocupa com o seu estado mental. Gunnar resolve visitar Einar na caba afastada da cidade, isolada do mundo. Ele encontra Einar, mas fatos estranhos parecem rondar a casa. Alguns problemas do filme: o clichê já batido de acharem que alguém ronda a casa; a longa duração do filme; a falta de ritmo da narrativa, quase um sonífero em se tratando de um filme de suspense; e a falta de carisma dos atores principais. A história também não ajuda muito. Não sei como esse filme ganhou prêmios, pois o único e verdadeiro atrativo do filme, são as lindas locações da Islândia, proporcionando uma fotografia deslumbrante, incluindo uma aurora boreal.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Hi, It’s Your Mother

"Hi, It’s Your Mother", de Daniel Sterlin-Altman (2016) Premiadíssimo curta Lgbts todo feito em técnica Stop motion. Uma mulher, Lisa, está na cozinha cortando cenouras, enquanto seu filho transa com seu namorado gay no quarto. Quando a mãe de Lisa liga, ela se irrita, e acaba cortando o seu dedo. Delicioso, divertido, picante surreal, bem no clima de um David Lynch, "Hi, It's your Mother" tem menos de 5 minutos, mas tempo o suficiente para entreter e provocar algumas boas discussões acerca de pais com excesso de proteção e bipolaridade. A concepção visual é uma graça. Um filme ousado e criativo. https://vimeo.com/164426467

Homens de coragem

“Only the brave”, de Joseph Kosinski (2017) Dirigido pelo mesmo Cineasta “Tron, o legado” e “Oblivion”, “ Homens de coragem” é a reconstituição da segunda maior tragédia com bombeiros depois do 11 de setembro: em 2013, 19 bombeiros do grupamento Hotshot ( elite dos bombeiros) morreram no maior incêndio florestal do Arizona. O filme, em 134 longos minutos, dramatiza a história dos principais bombeiros e mostra o conflito familiar e profissional deles. Com bons efeitos especiais, o filme conta com um elenco estelar: Josh Brolin, Jeniffer Connely, Miles Teller, Jeff Bridges, Andie Macdowell. Além da longa duração, o filme tem um inevitável ufanismo patriótico, além de um excesso de melodrama e estilização de por do sol típico de Michael Bay. Vale pela homenagem feita aos bombeiros, digna e emocionante.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Todo o dinheiro do mundo

"All the money in the world", de Ridley Scott (2017) Baseado em uma história real acontecida em 1973 em Roma, o filme relata o sequestro de John Paul Getty III , o neto do homem mais rico da época, Paul Getty (Christopher Plummer, maravilhoso), um magnata do petróleo. O menino, de 16 anos, foi sequestrado pela máfia italiana, mas a fama do caso foi que Paul se recusou a pagar o resgate. Frio, calculista e mesquinho, Paul ignorou os pedidos de sua nora, Gail (Michelle Willians), vinda de um casamento frustrado e falido com o filho de Paul. O filme, de 134 minutos, poderia ser resumido em duas frases, afinal, tudo se trata sobre o não pagamento do resgate. Porém Rdley Scott transformou essa história que mais parece uma parábola do Tio Patinhas em cinema de entretenimento, aliando drama e suspense. E' um bom filme, mas aquém do que poderíamos esperar desse grande cineasta. Longo, se desdobrando em sub-tramas desnecessárias e pior, com um prólogo confuso. Sao tantos personagens, que muitos deles simplesmente desaparecem da trama, como por ex, o pai do menino, que em momento algum do filme é questionado sobre o sequestro do menino. Mark Whalberg está sub aproveitado e Michelle Willians está correta. Pontos altos: a direção de arte, a fotografia e as locações na Itália. Inexplicável é escalar o ótimo ator francês Roman Duris em um personagem italiano. Para a história do Cinema, esse filme ficará conhecido como o que substituiu o Ator Kevin Spacey a poucos dias da filmagem, e em seu lugar, entrou Plummer, por conta dos casos de assédio sexual.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Late bloomer

"Late bloomer", de Craig William Macneill (2004) Premiado curta americano, exibido em Competição em Sundance, O filme acontece todo dentro de uma sala de aula, de crianças na faixa dos 10 anos de idade. Os alunos terão seu primeiro dia de aula de educação sexual. A professora apresenta a vagina e o penis de uma forma monstruosa, como se fossem entidade do mal, o que assusta a garotada. Narrado por uma voz chatíssima de Clay McLeod Chapman, e totalmente sem diálogos, "Late bloomer" ainda tem o agravante de ser totalmente caricato, principalmente a figura da professora. Mesclando fantasia, surrealismo e humor negro, o curta poderia ter sido um projeto bem mais divertido. A idéia é boa, mas a narração, insuportável, afasta o espectador da história. Talvez assistindo sem som fique mais interessante.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Primeiro aniversário

"Dol (First birthday", de Andrew Ahn (2011) Curta dirigido pelo cineasta Coreano-americano Andrew Ahn, Vencedor de vários prêmios internacionais em Festivais Lgbts. Andrew fez do filme a sua saída de armário. Sua família, tradicional, não sabia que ele era gay, e ele tinha receio de contar para eles. Andrew resolver contar os seus anseios, através do reencontro com a família por ocasião do primeiro aniversario de seu sobrinho. Nick, um americano de descendência coreana, mora com seu namorado, Brian. Nick vai para a festa de comemoração de seu sobrinho e resolve não levar Brian. Durante a festa, Nick age de forma discreta, sem chamar a atenção de seus parentes por conta de sua sexualidade. Rodado de forma minimalista, e se apropriando do naturalismo das interpretações, Andrew Anh revelou ter se baseado na filmografia dos irmãos Dardenne e do chines Edward Yang para narrar o dia a dia simples e sem grandes eventos na vida de pessoas comuns. Um belo filme, com bonita fotografia e boas performances. https://vimeo.com/34502663

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

We keep on dancing

"We keep on dancing", de Jessica Barclay Lawton (2013) Excelente curta australiano, premiado em vários Festivais. Com muito humor e uma boa dose de drama, o filme narra a história de um senhor que leva seu fusca para consertar em uma oficina mecânica. Chegando lá, os 2 mecânicos dizem ser impossível consertar o carro. O senhor diz que ele precisa ir até cemitério, para levar flores para sua falecida esposa, e então, resolve contar a história do amor entre os dois. Com bela atuação dos 3 atores, e diálogos inspirados de Rhys Mitchell ( com direito a um brilhante monologo), "We keep on dancing" emociona pela leveza e simplicidade ao querer contar uma historia sobre amizades e amores perdidos no tempo e na memória. https://vimeo.com/171343268

Dalida

"Dalida", de Lisa Azuelos (2016) Cinebiografia de uma das grandes cantoras do romantismo e do Pop na Europa dos anos 50 a 1987, ano em que Dalida se suicidou. Nascida no Cairo, Dalida aprendeu a falar fluentemente em 10 línguas, e cantando em todas elas. Em sua trágica vida pessoal, ela se relacionou com vários homens, sendo que 3 deles se suicidaram, incluindo o cantor italiano Luigi Tenco, que se matou em um quarto de Hotel após ter sua música rejeitada pelo juri do Festival de San Remo em 1967. Dalida também ficou impossibilitada de ter filhos, após um aborto mal sucedido que destruiu seu ovário. Quando criança, seu pai, um músico, foi preso acusado de ter sido colaborador do nazismo. O filme apresenta todas essas histórias, além de sua relação com seu irmão Orlando ( o astro italiano Riccardo Scamarcio), que se tornou seu fiel empresário. Musicalmente, Dalida cantou clássicos do romantismo, e logo depois, grandes pérolas do pop e da Disco ( "J' attendrai" é considerada a primeira música disco na Franca). Sua versão de "Bang Bang" foi um imenso sucesso. Dalida fez muito sucesso também nos Estados Unidos e no Japão. Quando se matou, Dalida deixou 3 recados: um para seu namorado, um para seu irmão e outro para o público. Como Cinema, o filme é correto, burocrático, e será melhor assimilado para quem é seu fã. Os melhores momentos são as reproduções musicais de suas canções, muito bem filmados, com direito ao glamour e a cafonice da época. Sveva Alviti está deslumbrante como Dalida: Altiva, dando nuances da personalidade conflitante da Diva. Glamurosa, linda, carismática. Uma bela performance.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Bjorg Vs MacEnroe

"Bjorg Vs MacEnroe", de Januz Metz (2017) Para quem perdeu esse filme, como eu, nos Cinemas, um aviso: ele é muito bom. Muito bem dirigido, com excelente trabalho do elenco ( Sverrir Gudnason como Bjorg, Shia Labeouff como MacEnroe e o brilhante Stellan Skasgard como o treinador de Bjorg), o filme tecnicamente é impecável: Edição, fotografia, figurino e direção de arte. O filme narra a histórica partida entre Bjorn Borg, sueco, e John MacEnroe, americano, na final de Wimbledon, em 1980. A partida foi apelidada de "Ice Vs Fire": Bjorn era centrado, introspectivo, racional, e MacEnroe era o oposto: explosivo e impulsivo. O filme apresenta a infância e adolescência de ambos e a disciplina a que eles tinham que se submeter para chegarem aonde chegaram. O desfecho do filme é bastante emocionante, principalmente quando nos créditos aparecem as fotos reais de ambos, que acabaram se tornando melhores amigos.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Eu me lembro de você

"Ég man þig", de Óskar Thór Axelsson (2017) Instigante filme de suspense e terror Islandês, com toques de drama. 2 histórias são apresentadas separadamente, mas convergem para um desfecho onde os personagens se cruzam. Um psiquiatra, Freyr, é chamado para atender o caso de uma idosa que se suicidou. Ele logo descobre que ela na infância fazia parte de um grupo de crianças que praticavam bullying em um garoto, que acabou desaparecendo sem vestígios. Freyr, por sua vez, é pai de um menino que também desapareceu há um tempo. Paralelo, temos a história de um grupo de 3 amigos, 1 casal e a amiga deles, que compram uma casa abandonada isolada da civilização e que desejam construir ali uma pequena pousada. Mas estranhos fatos acontecem, e eles acreditam que a casa é mal assombrada. Bem dirigido e com um belo roteiro assustador, o filme peca no final, que deixa muitas pontas soltas. De fato, o espectador ica instigado para saber como o filme irá acabar e como tudo se conecta ( algo meio "DARK", a série da Netflix). O elenco é bom, a fotografia excelente O filme utiliza recursos batidos de filmes de terror de Hollywood, como trilha sonora repleta de sons estridentes e sustos bobos, como portas que se fecham e pessoas que surgem no fundo do corredor. Mas vale assistir, senão pelo filme, pelas locações esplendorosas.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

The Post- A guerra secreta

"The Post", de Steven Spielberg (2017) Impressionante o domínio da técnica da linguagem cinematográfica de Spielberg. Ele consegue, como poucos, transformar um tema árido e totalmente verborrágico sobre jornalistas e editores `as voltas com a liberdade de imprensa, e transformar em um eficiente thrller politico. Spielberg homenageia um dos grandes clássicos sobre o assunto, "Todos os homens do presidente", de Alan J. Pakula, inclusive em seu desfecho apoteótico. Dramatizando a história real ocorrida em 1971, quando o Presidente Nixon tentou embarreirar a imprensa por terem tido acesso a documentos do Governo que deixavam clara a desastrosa participação dos Estados Unidos no Vietnã, o filme tem também outro tema atual levado por Spielbeg e personificado por uma brilhante Meryl Streep: a luta e a idealização profissional de uma Mulher em um Mundo corporativo dominado por homens. Kay Graham (Streep), dona do The Washington Post, passeia por ambientes onde as mulheres ou são donas de casa ou secretarias. Ben Bradlee (Tom Hanks) é o Diretor do Jornal, que luta pelo direito de divulgar para o público os documentos a que tiveram acesso. As cenas de embate entre Streep e Hanks são formidáveis, verdadeira aula de atuação. Um filme obrigatório para um publico que esteja a fim de pensar e refletir, não é um passatempo.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Telefones brancos

"Telefoni bianchi", de Dino Risi (1976) Dino Risi foi durante décadas, um dos mais populares Cineastas da Itália. Diretor de clássicos dos anos 60 e 70 como "Perfume de mulher" e "Aquele que sabe viver" , Dino Risi teve em Vittorio Gassman o seu Ator fetiche, protagonizando vários de seus filmes. Em "Telefones brancos", de 1976, Risi repete a mesma dupla de perfume de mulher": Além de Gassman, ele escalou Agostina Belli para protagonizar a tragicómica história de Marcella, uma camareira de um Hotel de luxo que sonha em ser Atriz dos "Telefones brancos". Durante a 2a guerra, os "Telefones brancos" eram os filmes realizados pelo regime fascista, onde os protagonistas eram representantes de uma classe alta, e o telefone branco era símbolo de poder. Franco Denza (Gassman) é o sonho de consumo de Marcella, que quer contracenar com ele. Para isso, Marcella faz de tudo para conseguir seus objetivos: ela transa com todos que ela acha que podem lhe dar essa oportunidade: seu patrão no hotel, um oficial fascista que na verdade a leva para se prostituir em um bordel, e finalmente o Duque Mussolini. Hoje em dia, esse filme teria sido detonado pela galera do politicamente correto: os homens se aproveitam de Marcella, e ela também entra no jogo de Poder. Ela oferece seu corpo, eles lhe oferecem oportunidade. Mas o tema que mais me interessou, foi o de Vitorio Gassman. Seu personagem é o retrato da glória e decadência dos atores que trabalharam para o regime facista. Quando a Italia perdeu, os atores do "Telefone branco" caíram em desgraça e foram rechaçados pela população. E' um filme com grande produção, elenco gigantesco. Mas tem um roteiro irregular e um ritmo lento, muito por conta de sua longa duração. Vale pela curiosidade e pelo belo trabalho dos 2 protagonistas. Gassman tem uma cena brilhante quando ele é ameaçado de morte pelos revolucionários.

Era uma vez, Cinema

"Nassereddin Shah, Actor-e Cinema", de Mohsen Makhmalbaf (1992) Escrito e dirigido pelo Mestre iraniano Mohsen Makhmalbaf, o filme é um projeto experimental que faz uma reflexão sobre o que é o Cinema. Realizado em 1992, o filme é uma espécie de "Cinema Paradiso" iraniano, mas com toques surrealistas. Um Cinematógrafo caracterizado de Charles Chaplin, Ebrahim, trabalha para um Rei que odeia Cinema. No entanto, O Rei se apaixona por uma atriz, e não sabe como conquistá-la. Ebrahim introduz ao Rei trechos de vários filmes clássicos iranianos, incluindo fazendo parte integrante das cenas. O Rei, encorajado por Ebrahim, procura se tornar um Ator. Com uma excelente proposta, o filme é todo rodado em preto e branco, para poder mesclar na edição com os trechos de filmes antigos e não sentirmos a diferença. A edição de som também inclui na pista de audio, chiados como se fosse filme de época. A bem da verdade, as inserções de trechos antigos ficaram meio toscas, mas a originalidade do roteiro abafa esses defeitos técnicos. O filme tem planos belíssimos.O desfecho é lindo, homenageando "2001" de Stanley Kubrick. Tres anos depois, Makmalbaf viria a lançar sua obra prima sobre o Cinema: o documentário "Salve o Cinema".

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

A rede

"Geumul", de Kim Ki Duk (2016) O cineasta sul coreano Kim Ki Duk foi durante mais de uma década, referencia do cinema autoral de seu Pais, com filmes premiados em importantes Festivais mundo afora, abordando temas como incomunicabilidade, silencio, morte, misticismo. Foi assim com "Casa vazia", "Primavera, verão, outono, inverno", "O arco", "Folego" e outros. Em "A rede", Kim Ki Duk dá uma guinada em sua carreira e mostra um cinema humano, quase um melodrama. O filme foi exibido em Veneza e em Toronto. Narra a epopéia de Nam Choo (Seung-bum Ryoo, brilhante) , um pescador pobre, casado e com filha pequena, que mora na beira de um rio na Coreia do Norte. Ao pescar em sua rotina, sua rede fica presa no motor e ele não consegue retornar, indo parar na margem do outro lado do rio, pertencente `a Coréia do Sul. Ninguém acredita na história de Nam: Para o Norte, ele é um desertor. Para o Sul, um espião. E na verdade, tudo o que Nam quer, é voltar para a sua família. Com um belo roteiro escrito pelo próprio Duk, tendo como mensagem que independente da ideologia, o extremismo dos 2 lados da Coreia estão errados, "A rede" faz uma linda metáfora sobre como um homem simples pode ser corrompido, mesmo tentando de todas as formas manter a sua ideologia. Forte, intenso, trágico. Um filme que merece ser visto e discutido.

Fúria

"Ikuri", de Lee Sang-il (2016) Drama de suspense de 145 minutos, "Fúria" é um épico sobre a humanidade e os sentimentos de amor e fúria que os conduz. Desenvolvido em 3 histórias independentes, que não se cruzam, mas que possuem um elemento em comum: um grupo de policias em busca de um serial killer, que pode ser o protagonista de uma das 3 histórias. Há um ano atrás, um casal foi assassinado com requintes de crueldade. Acredita-se que o assassino possa ter feito cirurgia plástica e até mesmo mudado seu sexo. Na 1a história, acompanhamos Yohei (Ken Watanabe), um pescador que vai buscar sua filha Aiko em Tokyo, dentro de um prostíbulo. Ele a trz de volta para a ilha onde mora, e lá, ela acaba se apaixonando por Tashiro, um homem misterioso que surgiu por lá e acaba trabalhando com Yohei. Na 2 a história, Yuma, um jovem executivo gay, frequenta boites e dark rooms Lgbt , até que conhece Naoto, um rapaz introspectivo, por quem se apaixona. Sem ter onde morar, Yuma o leva para morar com ele. Na 3a história, a jovem Izumi e seu namorado Tatsuya frequentam uma ilha, e lá conhecem Tanaka, um construtor civil, que se refugia em uma casa abandonada. O filme vai desenvolvendo, de forma inteligente e criativa, as 3 histórias paralelamente, em excelente trabalho de edição e de trilha sonora, de Ryuchi Sakamoto. Trabalhando o Drama e com suspense, acompanhamos as relações de amizade, amor e traição entre os novos relacionamentos que vão surgindo ao longo do filme, culminando em momentos de violência e fúria que alteram o rumo dos personagens. Com bela interpretação de praticamente todos os atores, e com ousadas cenas do universo gay, "Fúria" entrega ao espectador um filme inquietante, apesar de sua longa duração. O filme venceu vários prêmios internacionais.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Backstory

"Backstory", de Joschka Laukeninks (2017) Excepcional curta alemão, vencedor de mais de 30 prêmios internacionais. Em menos de 6 minutos, o filme narra a história completa de um homem: sua infância, adolescência, fase adulta e terceira idade, e num piscar de olhos, tudo acaba. Divorcio dos pais, primeiro amor, sexo, estudo, trabalho....a forma como o Diretor Joschka Laukeninks traduz isso em imagens é emocionante e bastante criativo: nunca vemos o rosto do homem em todas as suas fases...ele é anónimo..e na parte final, quando tudo termina, finalmente vemos seu rosto. E' foda, muito foda! Primor de direção, fotografia, trilha sonora, edição e concepção. Imperdível!

Detroit em rebelião

Fetr
"Detroit", de Kathryn Bigelow (2017) A cineasta Kathryn Bigelow mais uma vez se une ao seu roteirista Mark Boal e dessa vez o tema é uma história real acontecida em Detroit no ano de 1967: no auge das rebeliões segregacionistas que varriam os Estados Unidos, 3 jovens negros foram mortos em circunstancias misteriosas dentro de um Motel em Detroit, durante uma invasão policial. Até hoje, não se sabe com precisão o que aconteceu de verdade, mas o filme se baseia em depoimentos dos sobreviventes. Ao contrário do que parece, John Boyega ( Finn de "Star Trek" não é o protagonista. Aliás, ele está bastante mal aproveitado no filme, que tem dezenas de personagens. Quem carrega o filme e tem um arco dramático que vai do inicio ao fim, é Larry, um postulante a cantor. E' com ele que o espectador se insere nesse clima de terror que se instalou em Detroit, com tiros, saques, revoltas populares e muita porradaria. Kathryn Bigelow é excelente Diretora, comandando a técnica e efeitos de filmes como poucos ( "Guerra ao terror", " A hora mais escura"). Mas aqui ela peca pelo excesso de estilo e uma falta de refinamento no roteiro. Sao muitos personagens, uma caricatura dos policias brancos que comandam durante mais de uma hora uma sessão de torturas interminável. Não havia necessidade desse filme tem 144 minutos! Muito longo, repetitivo, poderia ter rendido muito mais se tivesse pelo menos meia hora a menos. O desfecho, no tribunal, ficou sem empolgação. Bons atores, excelente reconstituição de época, fotografia foda. Mas dessa vez, faltou alma.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Franswa Sharl

"Franswa Sharl", de Hannah Hilliard (2009) Divertido curta australiano, Vencedor de vários prêmios, entre eles, de Melhor Curta da Mostra Geração no Festival de Berlim. O filme é baseado em história real. Duas famílias passam suas férias na Ilha de Fiji. Os pais vivem disputando entre seus filhos, quem é o Campeão em diversas atividades, Greg (Callan McAuliffe) perde todas as apostas, deixando seu pai frustrado. Até que ele descobre que vai acontecer um Campeonato de garota mais linda da Ilha Fiji. Greg decide se vestir de mulher e usa o pseudónimo de Franswa Sharl. Com um humor delicioso e boas performances ( Callan McAuliffe está sensacional), o filme cria uma empatia grande com o espectador, que entende que a competição entre os jovens provocadas pelos pais nunca é sadia. Bela direcao de Hannah Hilliard, que escreveu o roteiro junto do verdadeiro Greg. https://vimeo.com/19685421

A grande jogada

"Molly's game", de Aaron Sorkin (2017) Em primeiro lugar, uma pergunta: porque esse filme precisa ter 140 minutos? Meu Deus, cortassem 30 minutos desse filme e ele poderia ter sido mais interessante. Aaron Sorkin estréia na Direção nesse filme, mas ele também escreve a adaptação do livro de Molly Bloom. Sorkin ganhou o Oscar de roteiro por "A rede social", mas foi responsável por alguns dos filmes mais chatos que vi na vida entre eles, "Moneyball". Não fosse o talento impecável de Jessica Chainstain, que carrega esse filme totalmente nas costas, esse filme teria sido uma chatice sem fim. Mas uma coisa Sorkin precisa levar mérito: ele, como poucos roteiristas, consegue escrever roteiros sobre temas dos mais técnicos possíveis, tentando converter em Cinema assuntos dos mais áridos possíveis. Eu particularmente não entendo nada de Poker. Mas não se preocupe se você não entende, você tem 140 minutos para pelo menos tentar entender que é um jogo de azar e que você pode morrer por isso. O filme é quase todo narrado, sinal de que Sorkin não acreditou que apenas os diálogos fossem o suficiente para contar a história. Todas as ações são explicitamente explicadas por Molly. Molly Bloom ( nome de personagem de "Ulisses", de James Joyce) é uma jovem que desde criança é induzida pelo seus pais a ser uma esquiadora e ganhar prêmios. ( Nisso, o filme se aproxima totalmente de "Eu, Tonya". O quanto que a protagonista sofreu nas mãos de pais carrascos.) Ao sofrer um acidente durante uma competição, ela fica proibida de continuar no esporte. Molly decide se mudar para Los Angeles e lá ela trabalha como garçonete, até que conhece o mundo do Clube do Poker , onde celebridades e milionários apostam alto. Aos poucos, Molly se torna uma organizadora de um Clube, e passa a ganhar muito dinheiro, até que é presa pelo Fbi. O elenco tem a participação de Idris Elba, no papel de seu advogado, e Kevin Costner, como o pai de Molly. Michael Cera interpreta um personagem inspirado em Tobey Maguire, conhecido em Hollywood por participar desses clubes e de ter introduzido Molly a muitos jogadores. O filme é bem dirigido, uma surpresa, em se tratando de filme de estréia. Mas é longo, chato, com um tema sem interesse para quem não curte jogatina. Quando o filme investe no drama familiar de Molly e seus conflitos, o filme se torna mais interessante. Bela fotografia da dinamarquesa Charlotte Bruus Christensen, de "A caça" e "Um limite entre nós".

O jovem Karl Marx

"Le jeune Karl Marx ", de Raoul Peck (2017) Dirigido pelo mesmo realizador do excelente documentário "Eu não sou seu negro", "O jovem Karl Marx" acompanha 4 anos na vida de Karl Marx , então com 26 anos de idade, e a sua relação de amizade com Friedrich Engels, filho de um rico industrial na Inglaterra. Juntos, os 2 lutam pelos direitos dos trabalhadores por melhores condições de trabalho, e fomentando que a burguesia sufoca os trabalhadores e visam comente o lucro em suas empresas, sem se preocupar com o bem estar dos funcionários. O filme segue até o ano de 1848, quando Karl Marx e Engels escrevem o famoso "Manifesto comunista", que reivindicam entre outros pontos, uma menor carga horária para os trabalhadores. O filme também acompanha as esposas de Marx e Engels, ambas fundamentais para a formação do pensamento de seus esposos. Mary, esposa de Engels, foi empregada de seu pai, mas devido a seu caráter de líder, acabou sendo demitida. Engels foi atrás dela e acabaram se apaixonando. Engels fez farta pesquisa sobre condições de trabalho com pessoas próximas `a Mary. Paoul Peck teve uma difícil missão de transcrever em imagens cinematográficas uma biografia tão densa quanto a de Marx e Engels, repletas de literatura e farta carga política. O filme foi duramente criticado aqui no Brasil por ser considerado uma visão burguesa Hollywoodiana sobre esses ícones do movimento comunista. Uma bobagem, é um filme bem estruturado e com excelente atuações. Não vou negar que achei o filme bem pesado e lento, mas dentro de sua proposta, atende bem o quesito de informar. Incrível como os ideais de Marx se mantém tão atuais, nao œ toa o filme termina com uma música pop dos anos 60, "Like a Rolling Stone", com imagens que ilustram a ânsia capitalista em várias épocas.

As Histórias Não Contadas de Armistead Maupin

"The Untold Tales of Armistead Maupin", de Jennifer M. Kroot (2017) A documentarista Jennifer M. Kroot realizou um belo documentário sobre o escritor americano Armistead Maupin, famoso no mundo inteiro pelos seus livros que retratam a rotina em Sao Francisco. Em "Contos da cidade", seu livro mais famosos, através das crônicas, Maupin fala sobre a comunidade Lgbts nos anos 50, algo até então raro na literatura popular. Muiitos dos personagens eram gays, trangeneros, e descritos de forma realista, sem estereótipos. Maupin nasceu em família conservadora, seu pai era racista e homofóbico. Na sua juventude, Maupin também foi conservador, até que decidiu se mudar para Sao Francisco e se assumir como gay. O filme narra a sua trajetória como escritor e jornalista, e ao mesmo tempo, através de imagens documentais de Sao Francisco dos anos 70, revelar como era a comunidade gay antes do advento do HIV. O livro foi adaptado para a televisão em 93 com Laura Linney, Olympia Dukakis e Ian Mackellen, que se tornaram seus grandes amigos. Outras celebridades também dão depoimentos no filme, como a escritora Amy Tan. A parte mais curiosa do filme, fala sobre o seu casamento com Christopher, um ex-modelo e fotógrafo 30 anos mais jovem, que é dono de um site de namoros com homens mais velhos. Um belo exemplo de amor verdadeiro, no contra fluxo de uma comunidade que em sua grande maioria, visa corpos e sexo anónimo.

Band Aid

"Band Aid", de Zoe Lister-Jones (2017) Um feito e tanto: a Atriz Zoe Lister-Jones escreveu, protagonizou, produziu e dirigiu essa deliciosa comedia dramática que concorreu em Sundance 2017. Anna (Zoe Lister-Jones) e Ben ( Adam Pally) são os típicos Loosers: desempregados, na faixa dos 40, sem filhos. Anna se vira como Motorista da Uber, mas queria ser escritora. Ben fica em casa se virando com pequenos trabalhos no computador, mas queria ser um Artista. O casal vive discutindo por pequenas coisas, até que tem uma idéia: montar uma banda, e as letras falariam sobre temas relacionados a discussão do casal. Para complementar, eles convidam Dave, um vizinho nerd viciado em sexo. Alternando um fino humor com romance e drama, "Band Aid" é a típica produção exibida em Sundance e que a gente adora: trilha sonora cool, fotografia indie, atores desconhecidos porém talentosos, e diretores estreantes que chamam a atenção por falarem de coisas próximas `a sua vida. O filme tem diálogos inspirados e é uma delicia de se assistir.

O Reino de Deus

"God's own country", de Francis Lee (2017) Estou há horas chorando. Que filme emocionante, bem dirigido! O desfecho é apoteótico. "O Reino de Deus" é ´"Brokeback Mountain" com um outro final. E que trabalho fenomenal desses 2 jovens atores, o inglês Josh O'Connor e o romeno , Alec Secareanuo, cujo personagem Georgh é o marido que todo mundo pediu a Deus. Em uma fazenda de Yorkshire, o jovem Johnny cuida de seu pai enfermo, de sua avó e dos animais da fazenda. Jonnhy vive uma vida intensa de muita rebeldia, irritado por conta de tantos afazeres. Ele é alcoólatra e transa com homens anonimamente, sem se envolver emocionalmente. Um dia, o pai de Jonnhy contrata um romeno, Georgh, para ajudar Jonnhy nos partos dos animais. De inicio, Jonnhy maltrata Georgh , chamando-o de cigano. Mas a postura do jovem romeno fará com que Jonhny mude seu modo de encarar a vida, até que se apaixonam. Impressionante que esse seja o filme de estréia de Francis Lee. Ele dirige com extrema sensibilidade e mostra muito talento na direcao de atores, valorizando mais a imagem do que as palavras. No elenco de apoio, Gemma Jonesmo como a avó, e Ian Hart como o pai também estão ótimos. Bela trilha sonora, fotografia deslumbrante e um final absolutamente arrebatador. Preparem os lenços. O filme venceu dezenas de Prêmios mundo afora, incluindo um especial em Berlim e o de Melhor direção em Sundance.