sábado, 20 de janeiro de 2018

As Histórias Não Contadas de Armistead Maupin

"The Untold Tales of Armistead Maupin", de Jennifer M. Kroot (2017) A documentarista Jennifer M. Kroot realizou um belo documentário sobre o escritor americano Armistead Maupin, famoso no mundo inteiro pelos seus livros que retratam a rotina em Sao Francisco. Em "Contos da cidade", seu livro mais famosos, através das crônicas, Maupin fala sobre a comunidade Lgbts nos anos 50, algo até então raro na literatura popular. Muiitos dos personagens eram gays, trangeneros, e descritos de forma realista, sem estereótipos. Maupin nasceu em família conservadora, seu pai era racista e homofóbico. Na sua juventude, Maupin também foi conservador, até que decidiu se mudar para Sao Francisco e se assumir como gay. O filme narra a sua trajetória como escritor e jornalista, e ao mesmo tempo, através de imagens documentais de Sao Francisco dos anos 70, revelar como era a comunidade gay antes do advento do HIV. O livro foi adaptado para a televisão em 93 com Laura Linney, Olympia Dukakis e Ian Mackellen, que se tornaram seus grandes amigos. Outras celebridades também dão depoimentos no filme, como a escritora Amy Tan. A parte mais curiosa do filme, fala sobre o seu casamento com Christopher, um ex-modelo e fotógrafo 30 anos mais jovem, que é dono de um site de namoros com homens mais velhos. Um belo exemplo de amor verdadeiro, no contra fluxo de uma comunidade que em sua grande maioria, visa corpos e sexo anónimo.

Band Aid

"Band Aid", de Zoe Lister-Jones (2017) Um feito e tanto: a Atriz Zoe Lister-Jones escreveu, protagonizou, produziu e dirigiu essa deliciosa comedia dramática que concorreu em Sundance 2017. Anna (Zoe Lister-Jones) e Ben ( Adam Pally) são os típicos Loosers: desempregados, na faixa dos 40, sem filhos. Anna se vira como Motorista da Uber, mas queria ser escritora. Ben fica em casa se virando com pequenos trabalhos no computador, mas queria ser um Artista. O casal vive discutindo por pequenas coisas, até que tem uma idéia: montar uma banda, e as letras falariam sobre temas relacionados a discussão do casal. Para complementar, eles convidam Dave, um vizinho nerd viciado em sexo. Alternando um fino humor com romance e drama, "Band Aid" é a típica produção exibida em Sundance e que a gente adora: trilha sonora cool, fotografia indie, atores desconhecidos porém talentosos, e diretores estreantes que chamam a atenção por falarem de coisas próximas `a sua vida. O filme tem diálogos inspirados e é uma delicia de se assistir.

O Reino de Deus

"God's own country", de Francis Lee (2017) Estou há horas chorando. Que filme emocionante, bem dirigido! O desfecho é apoteótico. "O Reino de Deus" é ´"Brokeback Mountain" com um outro final. E que trabalho fenomenal desses 2 jovens atores, o inglês Josh O'Connor e o romeno , Alec Secareanuo, cujo personagem Georgh é o marido que todo mundo pediu a Deus. Em uma fazenda de Yorkshire, o jovem Johnny cuida de seu pai enfermo, de sua avó e dos animais da fazenda. Jonnhy vive uma vida intensa de muita rebeldia, irritado por conta de tantos afazeres. Ele é alcoólatra e transa com homens anonimamente, sem se envolver emocionalmente. Um dia, o pai de Jonnhy contrata um romeno, Georgh, para ajudar Jonnhy nos partos dos animais. De inicio, Jonnhy maltrata Georgh , chamando-o de cigano. Mas a postura do jovem romeno fará com que Jonhny mude seu modo de encarar a vida, até que se apaixonam. Impressionante que esse seja o filme de estréia de Francis Lee. Ele dirige com extrema sensibilidade e mostra muito talento na direcao de atores, valorizando mais a imagem do que as palavras. No elenco de apoio, Gemma Jonesmo como a avó, e Ian Hart como o pai também estão ótimos. Bela trilha sonora, fotografia deslumbrante e um final absolutamente arrebatador. Preparem os lenços. O filme venceu dezenas de Prêmios mundo afora, incluindo um especial em Berlim e o de Melhor direção em Sundance.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Vende-se essa casa

"Open house", de Matt Angel e Suzanne Coote (2018) Escrito e dirigido pelos Cineastas Matt Angel e Suzanne Coote, essa produção do Netflix pega carona no enorme sucesso da série "13 reasons why" e contratou o jovem Dylan Minette para protagonizar esse filme de suspense. Dylan já havia estrelado um longa de suspense para o cinema, o ótimo "O homem das trevas", esse sim, um roteiro preciso e bem estruturado, com ótimas viradas na trama. Em "Vende-se essa casa", a história parte de um tema mega batido, e que acreditem, fica ainda pior na sua parte final. O carisma do jovem Dylan dessa vez não conseguiu segurar o filme. ele interpreta Logan. Após a morte acidental de seu pai, ele e sua mãe passam por um perrengue, pois ela está sem emprego. ela acaba aceitando a ajuda se sua irmã, que deixa ela ficar um tempo em sua casa, mas montanhas isoladas. Eles são hostilizados pelos vizinhos, e pior, percebem coisas estranhas na casa. Aos poucos, descobrem que algo de muito estranho está acontecendo por ali. O desfecho de fato é o pior do filme, sem pé nem cabeça. Lembra "Funny games", de Michael Haneke, e "Os estranhos". A primeira e segunda parte são arrastadas, e o terço final, percorre um caminho muito louco. Excesso de trilha incidental, anunciando tudo o que irá acontecer.

O amante de um dia

"L'amant d'un jour ", de Philippe Garrel (2017) Os CInemas de Hong Sang Soo e de Philipe Garrel possuem muito em comum. Ambos falam do cotidiano, das traições, das repetições e muito papo bebendo em bares. O olhar de ambos busca o naturalismo nas atuações, e um minimalismo na forma de observar as pessoas e suas ações. "O amante de um dia" foi exibido em Cannes 2017 e Ganhou um prêmio especial na Mostra Quinzena dos Realizadores. Para quem já viu os filmes anteriores de Garrel, já sabe o que encontrar aqui: Fotografia em preto e branco e poucos personagens, `as voltas com casos de traição. Janne é uma jovem estudante apaixonada por Matteo. Ambos estudam na mesma faculdade e dividem um apartamento. Após uma crise de ciúmes, Jeanne resolve ir morar com sue pai, Gilles, um professor. Ao chegar lá, ela descobre que ele está namorando Arianne, uma jovem de sua mesma idade. Jeanne e Arianne medem esforços para chamar a atenção de Gilles, e entre elas rola uma grande rivalidade. O elenco está bem, os diálogos sao inspirados, mas fica aquela sensacao de estar assistindo ao mesmo filme de Garrel desde...seus 3 últimos filmes. Vale pela delicosa trilha sonora.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Freak show

"Freak show", de Trudie Styler (2017) Adaptado do livro de James St. James, "Freak show" é o filme de estréia da atriz Trudie Styler, esposa do cantor Sting. A atriz Drew Barrymore foi uma das produtoras do filme, e o fotógrafo premiado Dante Spinotti foi o responsável pela luz. No elenco, tem as participações especiais de Bette Midler, Abigail Bresling e Laverne Cox, atriz Trans da série "Orange is the new black". Com tanta gente famosa nos créditos, era de se esperar que esse drama sobre aceitação e homofobia fosse algo pleno e emocionante. Infelizmente, o filme não atinge esses objetivos, muito por conta talvez do roteiro que não traz novidades nesse Universo Lgbts. Por ex, o homofóbico se revela um gay enrustido. Hum...original não? Billy Bloom ( Alex Lawther) é um adolescente que desde criança sempre foi muito pegado `a sua mãe, uma cantora ( Bette Midler). Ao ser internada por alcoolismo, Billy vai morar com seu pai, que não aceita a forma extravagante de Billy se vestir e a sua homossexualidade. O pior está para vir: em seu primeiro dia de aula, Billy sofre bulling de todos. Apenas 2 pessoas o aceitam: uma nerd e um jovem atleta, Flip Kelly. A aluna evangélica Lynette (Abigail Breslin) faz de tudo para derrubar Billy. Até que ele decide se candidatar ao concurso de Rainha da escola. Com boas atuações ( Abigail, que é ótima atriz, infelizmente não se encaixa no perfil da Aluna Bitchy), o filme traz também figurinos extravagantes estilo Lady Gaga que são divertidos.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Como você me vê?

"Como você me vê?", de Felipe Bond (2017) Em algum momento, você como espectador, já parou para pensar que o Ator na sua vida real, pode estar endividado, desempregado, em crise com a sua profissão? Que existe uma grande contradição entre o Personagem Rico mas o Ator que lhe dá vida não ter nem dinheiro para pagar a conta de luz? Esse oportuno e extraordinário documentário dirigido por Felipe Bond, produzido por Cavi Borges e Canal Brasil, expõe as vísceras de uma profissão que precisa separar o joio do trigo, o profissional que faz sacrifícios para a sua Arte do Aventureiro que busca as capas da revista. Através de depoimentos emocionantes, contundentes e de coração aberto, de um Elenco de Atores de enorme grandeza, temas como o que é o Ator, a quem ele serve, a sua função, os sacrifícios e prazeres, o desemprego, a crise da profissão, a frustração, a glória, o Amor, são absorvidos pelo espectador de forma plena. Cassia Kis, Tonico Pereira, Erom Cordeiro, Rodrigo Pandolfo, Luciano Vidigal, Babu Santanna, Stenio Garcia, Gracindo Jr e filhos, Matheus Nachtergaele, Osmar Prado, Dira e Bella Carmelo, Silvio Guindane, Zé Celso, Amir Haddad, Julio Adrião, Pedro Coelho, entre outros, são porta voz dessa luta diária que é se manter na profissão de Ator. Matheus Nachtergaele diz uma frase que simboliza a postura que todos devemos ter com a nossa profissão, independente de qual ela seja: "Nosso corpo é uma estatua de pedra, mas os pés são de barro." Uma cena antológica e brilhante que me comoveu bastante, foi a de Gracindo Jr e seus dois filhos declamando de cor o "Cântico negro". Nessa cena, os Atores deixam explicita o amor `a Arte e ao oficio, e porque eles estão ali. O filme é obrigatório para Atores, Estudantes de interpretação, Diretores e técnicos, para que todos entendam um pouco mais dos anseios e desejos de quem escolheu a Atuação como forma de se comunicar com o público.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Doentes de Amor

"The big sick", de Michael Showalter (2017) Um dos maiores êxitos de bilheteria do Cinema independente americano em 2017 ( custou 5 milhões de dólares e rendeu mais de 55 milhões ao redor do mundo), "Doentes de amor" narra a história real dos protagonistas Kumail Nanjiani e Emily. Ele, paquistanês e ela americana. Moradores de Chicago, eles se conhecem quando Kumail está se apresentando em um stand up. Eles se apaixonam e durante 5 meses, mantém um relacionamento. Emily no entanto, se irrita com Kumail ao descobrir que ele a esconda dos pais dele, uma vez que na cultura paquistanesa os pais é quem escolhem a espoa pro filho, e ela precisa ser muçulmana. Os dois rompem relação. Logo, Emily fica doente e entra em coma, contraindo uma doenca misteriosa, e Kumail fica ao seu lado o tempo todo. O roteiro foi escrito por Kumail, que interpreta a ele mesmo, e sua esposa Emily, hoje roteirista e terapeuta. Emily é interpretada por Zoe Kazan, do filme de terror "Um monstro no caminho". Ambos estão ótimos nesse filme delicioso, que mescla comédia, drama e romance. O filme homenageia os Atores por sua luta diária, e também celebra a união dos povos, livres de preconceitos. Esse tema já rendeu filmes hoje clássicos, como "Casamento grego", e "Banquete de casamento". O grande problema de "Doentes de amor" é a sua longa duração: 2 horas, e esse tempo para uma comedia é a Morte. Já no meio do filme eu queria que estivesse acabando. O filme recebeu dezenas de prêmios, e fez muito sucesso em Festivais como Sundance. A registrar, a excelente performance de Holly Hunter, no papel da mãe de Emily.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Os iniciados

Os
"Inxeba", de John Trengove (2017) Um dos 9 pré-selecionados para o Oscar de filme estrangeiro de 2018, o filme Sul Africano "Os iniciados" tem a curiosa participação de um brasileiro entre os produtores internacionais. O produtor mineiro Elias Ribeiro tem em seu currículo outras participações em produções africanas, como o premiado "Eles só usam Black tie", de 2015. "Os iniciados" ganhou inúmeros prêmios em Festivais internacionais, e exibido nos importantes Festival de Berlin e Sundance. A academia do Oscar gosta de ter entre seus indicados um filme antropológico, que mostra curiosidades e tabus de civilizações quase primitivas. Foi assim ano passado com o Polinésio "Tanna", e agora com "Os iniciados", acompanhamos em linguagem documental, um ritual ancestral de uma tribo africana nos dias de hoje. Xolani é funcionário de uma fábrica em Johhanesburg. Com a proximidade do inicio da data do ritual Xhosa, ele pede licença e segue até as montanhas, onde será o Instrutor de um grupo de jovens iniciantes. Nesse ritual, os instrutores iniciam sexualmente os iniciantes, fazendo a circuncisão e ensinando práticas da vida de um homem. A ideia é que os jovens voltem para a civilização prontos para constituírem uma família. Xolani no entanto tem um segredo: durante o ritual, ele se reencontra com Vija, outro instrutor, e os 2 tem um romance. Xolani é apaixonado, mas Vija não quer se envolver emocionalmente, só quer sexo. Um dos iniciantes de Xolani, Kwanda trazido por seu pai da capital porque ele acha que seu filho é afeminado) testemunha Xolani e Vija fazendo sexo e os chantageia. "Os iniciados" é um filme que dificilmente atrairá o público. Com ritmo lento, focado na antropologia do ritual de forma documental, e tendo como contraponto ficcional o drama da homossexualidade reprimida de Xolani, O ponto de interesse fica por conta da curiosidade da história, da belíssima fotografia e pelo trabalho dos atores, todos em registro naturalista.

domingo, 14 de janeiro de 2018

The strange ones

"The strange ones", de Christopher Radcliff e Lauren Wolkstein (2017) Em 2011, os cineastas Christopher Radcliff e Lauren Wolkstein lançaram o curta homônimo, e ganharam diversos prêmios. O curta é extraordinário, e mostra a relação entre um homem de uns 30 anos e um garoto, supostamente irmãos, dentro de um carro. Quando o carro quebra, eles acabam andando até chegar em um Motel. A atendente os serve, até que o menino chega e diz que foi sequestrado pelo homem, e que provavelmente ele praticava relações sexuais com o criminoso. Logo depois, o menino desmentia, e ria da cara da mulher. O final deixava tudo absolutamente em aberto, e por isso, fiquei muito tempo com o filme na cabeça. Os prêmios provavelmente fizeram subir a ambição dos cineastas, que resolveram fazer um longa da mesma história. Fiquei curioso em assistir, ainda mais que li que ganhou alguns prêmios em festivais independentes. A primeira parte do filme é exatamente igual ao filme. O problema é o que vem depois. Toda a explicação no roteiro sobre de onde vinham os dois, e para onde vão, acabou tornando o filme frágil, sem mistério, sem tensão, bobo. Uma pena. O curta é mil vezes melhor. O longa é arrastado, confuso, a gente fica sem saber se o que vemos é real ou não. De positivo apenas o trabalho dos 2 atores, Alex Pettyfer, o adulto, e James Freedson-Jackson, o jovem.

O touro Ferdinando

"Ferdinand", de Carlos Saldanha (2017) Adaptação do clássico livro de Munro Leaf, americano que o lançou em 1936, e que já teve uma primeira adaptação em um Curta da Disney, em 1938, e premiado com o Oscar da categoria. O Animador brasileiro Carlos Saldanha agora faz uma revisitaçao dessa obra, que na época do seu lançamento, foi visto como um libelo pacifista contra o avanço do poderio do General Franco na Espanha. Ferdinando é criado, junto de outros touros, em uma Fazenda chamada "La casa del toro". Lá, os touros são treinados para que possam posteriormente, lutar nas touradas. Mas Ferdinando é diferente: ele não quer lutar, e sim, cheirar as flores e pregar a amizade. Até que seu pai morre na tourada e Ferdinando, em um ato de desespero, foge, parando na fazenda da menina Nina. Lá, ele cresce, até se tornar um touro enorme e robusto. Mas por um infortúnio, Ferdinando acaba parando de volta nas touradas. O filme, ao contrário das outras produções de Saldanha, foi um fracasso nas bilheterias. O problema é que lhe falta ritmo e graça. As piadas não são tão engraçadas, os personagens forcam um riso que não sai. O roteiro ficou em um meio termo de um filme infantil para crianças pequenas, e um filme que agrade aos adultos: algumas cenas podem provocar certo temor nos pais ( o matadouro, lugar aonde os touros mais fracos acabam indo) e mesmo a tourada, onde luta-se de espadas e armas cortantes. Os personagens coadjuvantes são muito ingénuos, e fica difícil fazer os adultos rirem. E' uma pena, pois o filme tem um colorido e uma visão sobre Madrid muito bonita ( eu considero esse filme um "Madrid", na mesma linha de "Rio", outro filme de Saldanha.) Uma curiosidade: em determinada cena, existe um produt placement do Guaraná Antarctica.

Rifle

"Rifle", de David Pretto (2016) O Cineasta gaúcho David Pretto está acostumado com Prêmios em Festivais. Seu filme anterior, o documentário "Castanha", arrebatou várias conquistas, ao narrar a rotina de Joao Castanha, uma Drag de terceira idade do sul do País. Com "Rifle", David foi pro prestigiado Festival de Berlim. Depois, no Festival de Brasilia, em 2016, arrebatou vários prêmios, entre eles, de Melhor roteiro e som, além de um Premio da Abraccine de Melhor filme. Com um currículo desses era de se esperar que o filme fosse arrebatador. E talvez por essa expectativa, eu acabei me frustrando bastante. David trabalhou com "não atores". Não esperem atuações. Os "atores" atuam de forma totalmente naturalista, como se estivessem conversando com o vizinho sobre qualquer banalidade. O sotaque, um dos principais problemas do filme, torna a experiência de escutar o que os personagens estão falando algo impossível de se entender. O melhor então, é se apegar `a fotografia deslumbrante de Glauco Firpo, que tem tons de um grande faroeste americano épico. O filme se apega aos arquétipos do faroeste: Diones é um homem misterioso. Sem família, ele trabalha em uma fazenda de uma família pobre, e namora a filha do patrão. Sem qualquer ambição, Diones vai levando a sua vida rotineiramente. Um dia, porém, um rico fazendeiro vem propor de comprar as terras de seu patrão. Caso isso aconteça, todos perderão seus empregos. Diante dessa possibilidade, Diones surta, pega num rifle e resolve defender as terras de "inimigos". Dito assim, parece que vai ser um puta filme de ação. Mas não: David trabalha seu filme com um olhar documental, e o filme segue completamente sem ritmo, lento. Em apenas um momento, o filme recorre aos clássicos filmes de ação americanos, desses de atiradores: Diones pega no rifle e sai atirando em todos os carros que surgem pela estrada, atirando como um psicopata. Para se assistir ao filme, o espectador precisa ser bastante condescendente. No mínimo, vai achar curiosa a vida no campo gaúcho, onde não acontece quase nada. E talvez o filme acabe falando justamente sobre isso: o nada.

Meu irmão

“Mi hermano”, de Miguel Lafuente (2015) Curta Lgbts espanhol exibido em diversos Festivais, e que trata do tema da homofobia e suicídio entre os jovens que sofrem bullying. Alberto e Nico forma um jovem casal gay que mora em Berlim. Alberto é ilustrador, e um dia, recebe a ligação de sua mãe dizendo que seu irmão adolescente se suicidou. Alberto retorna para o seu vilarejo no interior da Espanha, e mantém a mentira de que está namorando uma mulher. Aos poucos, vai se revelando a verdadeira razão do suicídio de seu irmão, sufocado pelo conservadorismo de seus pais. Com boas atuações e tratando de temas importantes, “Meu irmão” ainda conta com uma singela mas bela animação no seu desfecho. A trilha sonora prejudica o filme, carregando nas tintas melodramáticas.

sábado, 13 de janeiro de 2018

First night out

"First night out", de Will Mayo (2015) Um curta de apenas 3 minutos (com créditos), realizado com extrema simplicidade, mas com uma bela mensagem. Com apenas um único plano fixo, sem corte, acompanhamos Tonya. Ela está sentada em uma mesa de um restaurante italiano, sozinha. Tensa, irrequieta, Tonya procura "sentir" o que significa para ela, ser a primeira noite como mulher. Afinal, Tonya já foi um homem. Tonya se auto-convida, e procura entender a reação das pessoas ao perceberem a sua condição. Interpretado com sensibilidade pelo Ator Todd Alan Crain ( que é cisgenero), esse belo curta foi exibido em dezenas de Festivais mundo afora. https://vimeo.com/186406583

Jumanji- Bem-vindo `a Selva

"Jumanji: wellcome to the jungle", de Jake Kasdan (2017) Os caminhos de Hollywood são misteriosos. O cineasta Jake Kasdan dirigiu duas comédias sacanas com Cameron Diaz que foram destruídas pela crítica: "Sex tape" e "Professora sem classe". Como ele foi convidado para dirigir a sequencia de "Jumanji", será um eterno mistério para mim. De qualquer forma, o filme é um divertida passatempo que emula 3 grandes clássicos da nostalgia: "O clube dos cinco", de John Hughes, "Os caçadores da arca perdida" e "Jurassic Park", ambos de Spielberg, além de uma pitada de "O senhor dos anéis" ( por conta da pedra preciosa que torna o seu dono um poderoso. O filme começa com um prólogo com os personagens em versão adolescente, no típico estereótipo de Colégio americano: o nerd, a gostosona, o negro atleta e a menina tímida. Quando eles ficam de castigo, eles acabam jogando um game antigo, chamado "Jumanji", que os transporta para um Mundo selvagem na selva. Casa um dos adolescentes se transforma em um Avatar com persona totalmente diferente do que eles eram antes, e precisam fazer de tudo para sairem de lá. Para isso, precisam jogar o game e vencer. Dwayne Jhonson, Jack Black, Karen Gillan ( A Nebula de "Guardiões das Galáxias") e Kevin Hart colocam a platéia abaixo com inúmeras gags hilárias: a mochila poderosa, a aula de como se tornar sexy, as vidas que se perdem no jogo...é tudo bem divertido, com direito a metáfora sobre o início da fase adulta. O tal do "Coming of age" chega aqui de forma totalmente Hollywoodiana, com direito a muitos efeitos.

Lucky

"Lucky", de John Carroll Lynch (2017) Enquanto assistia a "Lucky", ficava imaginando esse mesmo filme sendo dirigido por Ingmar Bergman, estrelado por Max Von Sydow e ambientado na Ilha de Faro, na Suécia. Porque? Porque toca no mesmo incomodo tema, recorrente em toda obra do Mestre do existencialismo: A Morte, inevitável, na terceira idade. "Lucky" não é um filme para todo mundo. Esse drama mexe em feridas e em credos. Lucky (Harry Dean Stanton) tem 91 anos, mora sozinho, não tem família. Lucky é ateu, e vive sua vida na mesma rotina de todo dia. Acorda, fala com vizinhos, e de noite, vai beber em um bar. Todo dia. Até que um dia, ele desmaia. Ao visitar um médico, ele lhe diz que sua saúde está boa, mas que por conta de sua idade avançada, poderá morrer a qualquer momento. Lucky fica apavorado com a hipótese de não existir mais. O filme é dirigido pelo Ator John Carroll Lynch, e é a sua impressionante estréia na Direção. Ele convidou para o elenco de apoio atores veteranos, como Tom Skerrit e Ed Begley Jr.. Mas a grande surpresa fica por conta de David Lynch, no papel de Howard, um homem triste e solitário que quer deixar em testamento toda sua herança para a sua tartaruga, que fugiu. Bela fotografia, Direção, trilha folk e diálogos cruéis. Mas nao tem como imaginar esse filme sem Harry Dean Staton, que morreu pouco antes do filme estrear no circuito americano. A sua fragilidade física e de voz tem tudo a ver com o personagem. Curioso assistir ao filme sabendo que o Ator jea morreu, pois é justamente sobre isso que ele passa o filme todo falando, não existir mais.

Método

"Method", de Pang Eun-jin (2017) Drama Lgbts Sul Coreano, que propõe a discussão de 2 temas relevantes ao universo da classe artística: a vaidade dos Atores/Estrela, e até aonde vai o limite entre Ator e Personagem? Jae-ha é um famoso ator veterano dos palcos. Ele é convidado para co-estrelar a peça teatral "Unchain", ao lado do jovem Cantor pop Young-Woo estreando na atuação. Incomodado com o assedio dos fãs de Young-Woo, Jae-ha passa a assediá-lo profissionalmente, desdenhando de suas qualidades como Ator. O que ele não podia esperar, é que Young-Woo desse a volta por cima e mais do que isso, que se apaixonasse por ele, assim como o seu personagem. Jae-ha começa a duvidar de sua própria sexualidade, e vai além dos limites da atuação. A cineasta Pang Eun-jin propõe discutir um tma muito em voga hoje em dia, que é até onde o Ator deve ir para compor o seu personagem? Fala também do bullying de Diretores e Atores que fazem de tudo para massacrar o colega de cena. Infelizmente, o filme não faz juz ao tema proposto. Do meio pro fim, o filme se transforma num grande novelão, A ética profissional dá lugar a um insosso triângulo amoroso, de certa forma até inverossímil, visto que Young-Woo é um grande astro e aonde ele vai, seria com certeza fotografado por paparazzis e pessoas anônimas.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A dama de Baco

"Jug-yeo-ju-neun Yeo-ja ", de Je-Yong Lee (2016) Comovente drama Sul Coreano, exibido na Mostra Panorama do Festival de Berlim 2016. O filme mostra a sociedade Sul Coreana nos dias de hoje, e fazendo uma crítica cruel ao descaso do Governo com a terceira idade. Sem condições para se manter, muitos se suicidam. No caso da protagonista So-young ( em performance contundente de Yeo-jeong Yoon) , ela e outras idosas se prostituem nas praças da capital, e são chamadas de "Damas de Baco". explico: Baco é uma bebida energética, pra fazer os idosos sentirem mais disposição pro sexo. Elas oferecem a bebida pros homens para terem tesão na hora de transar. So-Young, quando vai para o médico fazer exames, descobre estar com gonorréia: além disso, o médico é atacado por uma filipina que cisma que o filho dela é dele também. Ela vai presa, e So -Young acaba adotando o menino. Ela também é contratada por idosos para ajudá-los-los a se matarem. O filme tem uns breves momentos de humor, mas no geral ele é bastante dramático e o desfecho, muito melancólico e trágico. Fiquei arrasado. Vale pelo maravilhoso trabalho da atriz principal, e também pelo ótimo elenco de apoio.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Uma razão para viver

"Breathe", de Andy Serkis (2017) Drama biográfico, que narra a história de Robin Cavendish ( Andrew Garfield), um ex-militar inglês que depois entrou para o ramo de comercialização de chá inglês na Africa. Em 1957, aos 27 anos, ele se casou com Diana (Claire Foy, protagonista de "The crown"). Um ano depois, Robin contraiu Poliomielite, deixando-o totalmente paralisado do pescoço para baixo, e tendo que respirar através de aparelho. O médico lhe deu 3 meses de vida, mas Diana resolveu levá-lo para casa e cuidar dele. Robin viveu até os 64 anos, falecendo em 1994, contrariando qualquer diagnóstico médico. Ele ajudou a criar aparelhos que tornassem a vida do portador da doença menos sofrida, e advogou em causas que defendessem pacientes portadores. O filme ficou mais famoso mundialmente por ser a estréia de Andy Serkis, ator que dá vida aos personagens virtuais Cesar, de "O planeta dos macacos" e Smeagul, de "O senhor dos anéis". Andy, curiosamente, resolveu investir em um dramalhão sem efeitos digitais, bem no estilo das produções da Bbc. O único efeito de fato que o filme tem, é o de duplicar o ator Tom Hollander, que interpreta s gêmeos irmãos de Diana. O longa foi produzido por Jonathan Cavendish, filho do casal, que queria perpetua a imagem da família que unida, venceu barreiras. Infelizmente, o filme tem 2 questões: longo, sem ritmo, um verdadeiro dramalhão sem viço. Depois, a maquiagem, que destruiu o trabalho dos atores. Todos envelhecem mais de 40 anos, e continuam com a mesma cara, apenas embranquecendo os cabelos. Ficou horrível, principalmente para Andrew Garfield e Claire Foy, que tem rostos joviais e que ficaram patéticos aos 60 anos de idade. Ficou a boa intenção do projeto. Nem sei como convidaram Andrew Garfield, que nem é um ator inglês.

O destino de uma nação

"Darkest hour", de Joe Wright (2017) Difícil pensar nesse filme sem ter em mente "Dunkirk", de Christopher Nolan. Os 2 filmes se complementam: enquanto "Dunkirk" aposta na ação, "O destino de uma nação" fala sobre os bastidores do Poder que culminaram na decisão de Churchill em convocar civis para ajudar no resgate dos soldados na Ilha francesa. Também absolutamente impossível imaginar outro Ator que possa ter dado vida a Winston Churchill conforme retratado pelo Cineasta de "Desejo e reparação" e " Anna Karenina". Gary Oldman está monstruosamente soberbo, debaixo de kilos de maquiagem e prótese. Seu sotaque, maneirismos, trabalho de corpo, tudo é milimetricamente estudado. No mes de Maio de 1040, a Inglaterra vive um verdadeiro tumulto no Governo: o primeiro Ministro Neville Chamberlain é obrigado a renunciar, e em seu lugar, é aprovado Winston Churchill. Apesar de não ser a escolha do Parlamento, porém acaba sendo a única opção, pois é acolhido pela oposição. Enquanto tenta ganhar a confiança do Governo, Churchill precisa lidar com o eminente avanço do poderio de Hitler, e para isso, toma decisões estratégicas polemicas, que provoca pavor em todo o alto escalão. Tecnicamente, o filme é um acerto em tudo: fotografia de Bruno Delbonnel ( de "Amelie Poulain"), trilha sonora empolgante de Dario Marianelli, além de figurino, maquiagem e edição. O elenco, além de Oldman, brilham Kristin Scott Thomas, como sua esposa Clemmie, Ben Mendelsohn, como o Rei George IV, Lily James, como a secretária Elisabeth e um elenco de apoio com os melhores atores ingleses que existem. A cena do Metro é antológica, quando Churchill, que nunca havia andado de metrô, decide pedir a opinião do povo para a sua decisão.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

O estrangeiro

"The foreigner", de Martin Campbell (2017) O cineasta Martin Campbell dirigiu vários Blockbusters: " A marca do Zorro", 007 Cassino Royale", "Lanterna verde", entre outros. 2m 2010, ele dirigiu "O fim da escuridão", com Mel Gibson, e que se assemelha bastante a esse filme. A trama fala sobre um homem movido pela vingança pelo assassinato de sua filha. Em "O estrangeiro", baseado no livro "The chinaman", Jackie Chan vive esse homem amargurado pela morte cruel de sua filha, em uma explosão reivindicada por uma facção do Ira. Quan (Chan) é um imigrante chinês que fugiu da China para Londres. Dono de um restaurante chinês, ele larga tudo para ir até a Irlanda e descobrir quem são os assassinos de sua filha. Para isso, ele usa táticas de guerra, quando ele serviu no exército. Seu caminho cruza com o de Liam (Pierce Brosnan), agente do governo que se recusa a fornecer os nomes dos supostos terroristas. "O estrangeiro" representa uma virada na carreira de Jackie Chan, não pela qualidade do filme, mas sim pelo gênero. O filme tem cenas de ação, mas são poucas, e ele investe mais no drama. Chan está ótimo, e a gente torce por ele. O problema é que o roteiro investe em inúmeras tramas paralelas ( e são muitas!! ) que não envolvem Chan diretamente, o que faz ele sumir de cena por um bom tempo. Tem diversas tramas de adultério, traições políticas, etc. A gente quer ver cenas de Jackie Chan, e a segunda parte ele quase desaparece, para somente retornar no final. Mas enfim, vale assistir, para quem é fa dele, para encontrar um registro diferente.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Geometria

GEometria
"Geometria", de Guillermo del Toro (1987) Divertido curta-metragem dirigido por Guillermo del Toro em 1987 ( é a sua 2a experiência em direção), o filme é uma homenagem ao cinema de Mario Bava e Lamberto Bava, Mestres do terror trash italiano. Del Toro se utiliza de efeitos de maquiagem toscos e da fotografia repleta de tons azul e vermelho nesse seu conto de terror. Um adolescente recebe nota ruim em geometria. Sua mãe debocha dele. O rapaz resolve evocar um demônio para ajudá-lo na matéria, mas as cosias saem erradas. Morri de rir, tudo no filme é divertidamente trash: a dublagem, as atuações, a maquiagem, os efeitos e a história. Bela estreia do consagrado cineasta mexicano, especialista em filmes de fantasia e terror.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Salto no vazio

"Salto no vazio", de Cavi Borges e Patrícia Niedermeier (2017) O Cineasta Cavi Borges é o mais prolífico realizador do Cinema independente brasileiro. Ele escreve, dirige, fotografa e ainda produz tantos os seus filmes, quanto os filmes de Cineastas-chaves do Cinema autoral: Luiz Rosemberg Filho, Luiz Carlos Lacerda, Sergio Ricardo, entre outros. No final de 2013, Cavi conheceu a atriz e bailarina Patrícia Niedermeier durante o Festival de Cinema do Rio e a parceria aconteceu em todos os níveis: pessoais e artísticos. A partir de então, Patricia protagonizou alguns dos longas do Cineasta Luiz Rosemberg Filho, entre eles, "Dois casamentos" e "Guerra do Paraguay", ambos com excelente crítica e receptividade em Festivais no Brasil e no mundo. Em 2014, Patricia dirigiu sua primeira experiência no cinema: o curta "Beijo azul", cuja inspiração veio do artista plástico francês Ives Klein, que criou um tom de azul chamado IKB (Internacional Klein Blu). O filme apresenta um longo beijo ininterrupto de Cavi e Patricia contra o mar, adornados pelo azul IKB. Esse curta foi o ponta pé inicial para a realização desse belíssimo Longa-ensaio "Salto no vazio", finalizado em 2017. "Salto no vazio" é um filme-ensaio que de imediato me remeteu a filmes clássicos do Cinema que utilizaram o ecrán como porta-voz de suas reflexões acerca do Artista: "La jeteé", de Chris Marker, "Nossa música" e "Adeus `a linguagem", de Godard, "Hiroshima, mon amour", de Alain Resnais. Cavi e Patricia viajaram para vários países por conta dos Festivais de Cinema, e nessa peregrinação, filmaram vários videos-ensaios de Patricia fazendo performances de dança, uma de suas grandes paixões, porém se apropriando de uma linguagem cinematográfica para dar dimensão a suas inquietações. O roteiro de "Salto no vazio" une esses vídeos a um registro ficcional/documental a respeito de um casal ( ela atriz e bailarina, ele fotógrafo de guerra) que se conhecem no Festival de Cannes em 2014 e a partir daí, se encontram pelo mundo (algo semelhante ao recente " Love film Festival", porém, com um olhar mais Cinéfilo e experimental). Em linda narração, a Atriz (Patricia) expõe em carne viva seus anseios, seu amor pelo fotógrafo, seu desejo por um mundo melhor e mais justo. Ela usa como metáfora a cartografia ( o filme apresenta vários Mapas) e assim, ela traça o seu mapa pessoal, emotivo, que a conduzirá para vários caminhos ( do amor, da Arte) e por fim, para um abismo existencial, em antológica cena que fecha o filme ( a Atriz se jogando de um precipício com fundo azul IKB). O personagem do fotógrafo é narrado com precisão pelo ator Alexandre Varella (as fotos foram cedidas pelo espanhol Mano Brabo). Vamos torcer para que o filme seja exibido nos Festivais e no circuito ( o caminho da distribuição do filme independente no Brasil é uma grande tragédia) e assim, poder ser apreciado pelo público, que não pode ficar de fora dessa viagem emocional pela alma e pelo coração de 2 amantes do Cinema.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Abracadabra

"Abracadabra", de Pablo Berger (2017) Diretor de 2 grandes sucessos espanhóis, "De cama para a fama" e " Blanca nieve", o cineasta Pablo Berger escreveu e dirigiu "Abracadabra", que foi um dos finalistas para concorrer ao Oscar estrangeiro 2018 pela Espanha, mas acabou perdendo para "Verão 1993". O filme, assim como as produções anteriores de Pablo Berger, tem um pé no comercial e outro no bizarro. Misturando gêneros ( comédia de humor negro, suspense, drama) que nem sempre funcionam em conjunto, " Abracadabra" tem um olhar nostálgico para os anos 80, através da trilha sonora repleta de hits da época ( "I'm not in love", " Abracadabra") e de ícones (Farrah Fawcet, Pac Man) A história é estranha: um casal, Carmen (Maribel Verdú, musa de Pablo Berger) e Carlos (Antonio de la Torre) moram com sua filha adolescente em um bairro de classe média. Carlos é machista e viciado em futebol. Durante a cerimonia de casamento do sobrinho de Carmen, Carlos se torna voluntário de um hipnotizador durante a festa de casamento. Sem saber, o espírito de um serial killer 'baixa" em Carlos. Carmen fará de tudo para expulsar o espírito. O filme fez grande sucesso na Espanha, e une grande atores do cinema espanhol, tanto nos protagonistas, quanto no elenco de apoio. Infelizmente, a mistura de gêneros e a história não funcionam muito bem. O filme tem alguns poucos momentos divertidos e interessantes, de resto tudo é bastante over ( por ex, a cena do corretor comentando os assassinatos no apartamento alugado). Fico imaginando o Cineasta Alex de la Iglesia, um expert em filmes bizarros, dirigindo esse filme. teria sido bem mais interessante. O desfecho, no universo paralelo, é estranho, muito estranho. Acaba que no final das contas, o filme é um libelo das mulheres contra a ignorância e violência dos homens.

I Still love you

"I Still love you", de Henrique Faria (2014) Curta independente financiado pelo publicitário e Curta-metragista Henrique Faria, totalmente rodado em Amsterdam. O filme faz parte de um projeto do Diretor, que quer rodar um curta em cada País da Europa. Em "I still love you", acompanhamos o romance de Christina e Dolores, duas mulheres que se conhecem ao andar de bicicleta nas ruas da cidade. Elas se apaixonam, se amam e vivem belos momentos juntas, até que uma notícia mudará o rumo da história das duas. Belamente fotografado pelo brasileiro Felipe Meneghel, é um filme de belas imagens, sem diálogos, apenas com atmosfera e sensações. https://vimeo.com/48274609

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Viva- A vida é uma festa

"Coco", de Lee Unkrich e Adrian Molina (2017) Dirigido por Lee Unkrich, do excepcional "Toy Story 3", " Viva - A vida é uma festa" é um hino ao amor à união da família, `a memória dos entes queridos e principalmente, a paixão pela música. Com esses ingredientes, o roteiro com argumento de Lee Unkrich faz todo o Cinema se emocionar e se debulhar em lágrimas de felicidade. Ambientado em uma cidade fictícia do México, o filme acompanha a trajetória de Miguel, um menino de 12 anos que deseja ser músico. Mas um passado familiar ( seu tataravô abandonou esposa e a filha Coco para seguir a carreira da música), fez com que toda a família abolisse a música na família, proibindo Miguel de cantar. Frustrado, e sem poder participar do Concurso musical do Dia dos Mortos, Miguel invade o Museu de Ernesto de La Cruz, famoso músico já falecido, e tenta roubar o violão. Ao primeiro acorde, Miguel é imediatamente transportado para o mundo dos mortos, onde conhece Hector, um malandro. Miguel também reencontra seus parentes falecidos, e pede ajuda a todos para voltar ao mundo dos vivos. Com um roteiro bastante criativo e concepção visual formidável, o filme conquista o espectador com personagens extremamente carismáticos, um vilão odioso e músicas sedutoras, ou seja, tudo o que amamos nos filmes da Disney Pixar. Na verdade, a história chega a ser complexa, e para os pequenos pode soar confusa. O desfecho é absolutamente comovente. Imperdível.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Visage Villages

Visage Villages", de Agnes Varda e Jr (2017) Super premiado documentário dirigido pela Cineasta Agnes Varda e pelo fotografo e artista plástico Jr (Venceu, entre outros, a Palma de Ouro de Melhor documentário em 2017, e Premio especial do Juri na Mostra de Sao Paulo). Agnes Varda dirigiu alguma sobras primas da Nouvelle Vague: " Cleo de 5 `as 7" e " As duas faces da felicidade". Ela tem 89 anos e, em 2015, se juntou ao fotógrafo Jr, de 33 anos, para produzirem projetos em comum. "Visage villages" é o resultado dessa parceria. Ambos saem na van de Jr ( que tem a foto de uma câmera fotográfica estampada na carroceria) e viajam pela França do interior, rural. eles entrevistam anônimos, tira, fotos e ampliam as foto, colando nas fachadas de casas e prédios. A idéia é discutir a memória, fazendo com que os passantes se questionem quem são aquelas pessoas apresentadas nos murais. Muitos dos anônimos possuem histórias de vida emocionantes. Imediatamente me lembrei dos filmes de Eduardo Coutinho, pela forma humanista e carinhosa com que as pessoas são entrevistadas. No meio disso tudo, Agnes Varda e Jr discorrem sobre feminismo, classe operária , morte e principalmente, o Cinema. Godard é um grande homenageado: Varda apresenta o curta que ela filmou com ele como ator em seu filme "Cleo de 5 `as 7', ela vai visitá-lo em sua casa ( e ele não está presente) e homenageiam a famosa cena da corrida dentro do Museu do Louvre no filme "Bande a parte". O curioso é saber que Varda está perdendo sua visão, e Jr nunca tira seus óculos escuros. Através desses olhares tão particulares, somos convidados a testemunhar historias de vida de anônimos e desses 2 famosos artistas franceses.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O presente

"O presente", de Jacob Frey (2014) Emocionante curta de animação, vencedor de mais de 20 prêmios internacionais. Por conta disso, o seu Diretor foi convidado pela Disney para fazer parte de sua equipe de animação. Jacob é o típico adolescente: passa o dia todo jogando games em casa, sem se comunicar com ninguém. Até que sua mãe lhe traz um presente, que de imediato, Jacob recusa: um cachorro deficiente, sem uma pata. Conciso ( são menos de 4 minutos), divertido e comovente, fará a alegria de todo mundo que é apaixonado por animais, além de ter um plot twist no final, que surpreenderá a todos. Recomendado. https://www.youtube.com/watch?v=WjqiU5FgsYc

A guerra dos sexos

"Battle of sexes", de Jonathan Dayton e Valerie Faris (2017) Dirigido pelos Cineastas de "A pequena Miss Sunshine", "A guerra dos sexos" conta a história real da partida de tênis entre Billie Jean King (Emma Stone), a número 1 do Tênis feminino, contra o ex-campeão mundial Bobby Riggs. (Steve Carrel), um assumido machista. A partida ficou famosa em 1973 porque Billie iniciou uma campanha feminista que pregava igualdade de salários e condições para as mulheres: os homens ganhavam 8 vezes mais do que elas. Tecnicamente, o filme é perfeito em tudo: Direção precisa e emocionante, que vai num crescendo de emoção; edição frenética; trilha sonora , direção de arte e principalmente, a fotografia do Oscarizado Linus Sandgren, de "La la Land", que repete aqui os tons azulados do filme. Mas o que mais gostei do filme, foi o sub-plot da paixão de Billie por uma mulher, Marilyn Barnett. Billie fica num grande conflito. Esse tema foi bem explorado, com muita sensibilidade. O que não gosto do roteiro, eé aquela visão de que nenhum homem presta: ou são escrotos, ou machistas, ou fracotes e sem postura, como o marido de Billie. Não tem um homem que seja bacana.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Audition

"Audition", de Adam Tyree (2015) Excelente curta que retrata o assédio indireto de um Diretor/Produtor durante uma audição de um filme de baixo orçamento. Carson (Bret Green) é um jovem ator, aspirante a criar uma carreira. Ele chega para uma audição, e se depara com homens bonitos aguardando o teste. Quando o chamam, ele faz o teste com um Diretor/Produtor ( que nunca tem seu rosto apresentado). Após a costumeira cena com texto decorado, e também, com opção de atuação, o Diretor sem mais nem menos pede pro ator tirar a roupa. Sentindo-se pressionado, ele fica totalmente nu. O Diretor então diz que ele aguarde a resposta em casa, pois terá que fazer testes com outras pessoas. O Ator pergunta o valor do cache: O Diretor diz: ' 40 por dia, afinal é um filme de baixo orçamento". Excelente oportunidade para todos se perguntarem o quanto vale se expor para projetos que talvez nunca vejam a luz do dia. e também questionar porque fazerem cenas de nu em testes, uma vez que ainda nem foram aprovados. Simples, direto, cruel, obrigatório para atores. Acionem a legenda em inglês. https://www.youtube.com/watch?v=ODFjweYZtjA&t=29s

Eu, Tonya

"I, Tonya", de Craig Gillespie (2017) Cinebiografia sobre a incrível história da premiada patinadora americana Tonya Harding, que após ser acusada de ser cúmplice num atentado contra a sua rival, Nancy Kerrigan, foi punida e proibida de patinar pelo resto da vida. Depois disso, ela se tornou boxeadora e atriz. O cineasta Craig Gillespie ´´bem eclético: ele dirigiu a comédia com Ryan Gosling "Lars e a garota real", o terror "A hora do espanto" e a aventura " Horas decisivas". Com essa biografia, Craig Gillespie arranca de seus atores o máximo de performance. Margot Robbie, que protagoniza e também produz o filme, está impressionante, e as cenas da patinação, segundo eu pesquisei, foi ela mesmo ( com exceção d acena do triplo Axel, que houve computação). Allison Janney, no papel de sua mãe megera LaVona Golden também está incrível e tem ganho todos os prêmios de atriz coadjuvante. Sebastian Stan, que interpreta seu marido Jeff, fez o Buck Barnes em "Capitão America". O filme me lembrou bastante " O touro indomável", elo retrato do esportista e da violência doméstica que ela presencia em casa diariamente. Sua mãe e seu marido Jeff constantemente a batiam e praticavam bullying nela. A reconstituição de época e a trilha sonora, repleta de clássicos pop dos anos 80, estão impecáveis. O filme se utiliza da narrativa do Mockmentary, que é o documentário fake: os atores falam pra câmera e narram o filme como se tudo fosse real.

Incerto

]] "Uncertain", de Luis Fernando Midence (2009) O Cineasta americano Luis Fernando Midence comecou sua carreira trabalhando no Departamento de efeitos visuais de vários filmes, entre eles, " A crônica de Narnia". Diretor de vários curtas, em "Incerto" ele recebeu vários prêmios internacionais. Ele escreveu a história baseada na história real do suicídio de 3 adolescentes na Califórnia: Carl Joseph Walker-Hoover, Eric Mohat e Jaheem Herrera em 2009. Após depoimentos, descobriram que os 3 se mataram por conta do bullying que sofriam na escola e em casa pelo fato de serem gays. No curta, o protagonista é Anson, um menino de 10 anos que está em um carro e é deixado em um enorme campo pelo motorista. Ao descer ali, ele encontra um homem que lhe faz perguntas. Logo, descobrimos que Anson tomou pílulas para se matar e no momento, ele está no limbo, entre a vida e a morte. O filme poderia ser visto como filme espírita. Fala sobre a possibilidade de revermos nossa vida e repensarmos nossa trajetória. Infelizmente, o filme é mal executado e os atores são fracos, inclusive o efeito. Ficou a boa vontade.

Jovem Mulher

Jovem Mulher
"Jeunne femme", de Léonor Serraille (2017) Que maravilha de filme! Adoro filmes sobre personagens loosers, eles são extremamente carismáticos justamente porque nos identificamos com eles. Desemprego, crise no relacionamento, tensão em entrevista de emprego, vergonha de ter aquele amigo reconhecendo você em sub emprego.... Paula ( Laetitia Dosch) está cagando para whastapp, celulares, computadores e redes sociais. Ele quer amor real, ela quer trabalho real. ela é uma pessoa real. Parece um filme anacrónico, mas ela é assim. A sua carência afetiva e profissional, ela desconta de várias formas, mas ao longo do filme, ela passará por um processo de redescoberta,a final, ela não é mais nenhuma menininha sem futuro e mimada e nem quer ser igual a sua mãe. Todo rodado em Montparnasse, o filme tem sketches maravilhosas, como a lésbica que a confunde com uma antiga crush, o segurança africano todo sedutor e educado, a filha da patroa que passa um dia de felicidade com ela num shopping. A atriz Laetitia Dosch, que eu não conhecia, é extremamente apaixonante. Ela compõe esse personagem vibrante visceral, divertido, melancólico com muita garra e cores variadas. Recomendado. O filme ganhou vários premios internacionais, entre eles o prestigiado "Camera D'or", de Cannes 2017, melhor filme.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Em Busca de um Beijo à Meia-noite

"In Search of a Midnight Kiss", de Alex Holdridge (2007) Ufa, pela 1a vez vejo uma cena de um casal que acorda de manha cedo e masca chiclete antes de darem um beijo. Assim, é a deliciosa comédia romântica "Em Busca de um Beijo à Meia-noite", escrita e dirigida por Alex Holdridege. Em um misto de diálogos ácidos e corrosivos de Woody Allen, e a narrativa em tempo real de Richard Linklater e sua trilogia "Antes do amanhecer", o filme acompanha 2 jovens solitários que se conhecem no dia 31 de dezembro, `as vésperas do ano novo em Los Angeles. Wilson (Scoot McNairy) tem 28 anos, está desempregado e passa boa parte do dia trancado em seu quarto. Ele divide o apto com o casal Jacob e Min. Cansados da atitude misantropa de Wilson, o casal o abriga a criar um perfil em uma rede social para que ele possa conhecer alguém no dia 31 de dezembro e não passar essa data sozinho. Descrente, Wilson acaba topando criar o perfil ( na verdade, ele está depressivo pelo término com seu namoro de anos e se fechou pro mundo). Para sua surpresa, ele recebe um chamado de Vivian (Sara Simmonds), que quer conhece-lo. Eles passam então a noite e amanha toda conversando e caminhando por ruas de Los Angeles. Com um excelente roteiro e uma atuação brilhante do casal principal, o filme emociona, diverte e faz pensar bastante sobre os nossos sonhos que por algum motivo não se tornaram realidade (Wilson quer arranjar um emprego, Vivian quer ser atriz). A fotografia em preto e branco intensifica a melancolia dos personagens, e a trilha sonora , composta por rock folk, igualmente traz um tom acridoce. E' uma ótima pedida para se assistira qualquer momento e acompanhar dois belos atores em atividade, trazendo naturalismo `as suas interpretações, com drama e humor. De quebra, um belo passeio cinematográfico pela cidade de Los Angeles.

Something real

"Something real", de Guy Shalem (2012) Divertido curta musical lgbts, com música composta pelo premiado compositor vencedor do Tony (por "Avenida Q"), Jeff Marx. Um jovem deprimido pelo rompimento do seu namoro, resolve ir `a uma balada para fazer uma nova conquista. Chegando lá, ele reencontra o ex, mas falta-lhe a coragem de chegar junto e pedir desculpas. Dividido em 2 partes, "Something real" brinca com a linguagem do musical e da narrativa em primeira pessoa. Na primeira parte, acompanhamos os frequentadores da boite, gente de todos os tipos: musculoso, idoso, negro, oriental, gogo boy, trans, cada um deles tem um pensamento em off sobre o que vê em sua volta. E' de fato, engracadissimo. Logo depois, todos se juntam em um grande musical, cantando e dançando, até que o jovem resolve olhar fixamente para o ex e tomar coragem para falar. Kitsch, é um filme para rir e descontrair, com uma bela mensagem no final. https://vimeo.com/42238318

The obstacle course

"The obstacle course", de Ben Briand (2016) Curta-metragem excepcional, de apenas 3 minutos, todo em primeira pessoa. Metaforicamente, o filme apresenta o ponto de vista de um gay, desde criança até a fase adulta, e todos os obstáculos que ele irá enfrentar na vida. Misturando realismo e fantasia, o filme é um show de direção, edição e fotografia. Trilha sonora comovente. O filme foi financiado pela Ong Inter-Lgbts, da França.

A noite da bruxa

"House of the wicth", de Alex Merkin (2017) Terror adolescente que pela milésima vez usa o tema da casa mal assombrada. em uma cidade americana ( daquelas tipo Stephen King), um grupo de adolescentes resolve passar a noite do Halloween invadindo uma casa que todos julgam ser mal assombrada. Bom, a partir daí, morre um por um..mas será que morreram mesmo? Usando o mote das pegadinhas ( um dos personagens supostamente prega pegadinhas nos colega para que acreditem que a casa seja mal assombrada) , o filme tenta assustar, mas não acontece. O suspense é light, violência branda para adolescentes e o desfecho..enfim..chocolates para quem adivinhar o que irá acontecer. O Diretor Alex Merkin se apropria de todos os cliches de filmes de espíritos : menina chorando, bonecas, inclusive a bruxa que supostamente mora na casa se chama Anabelle. Com tanta "originalidade", o filme talvez mereça seu crédito ( na falta do que assistir).

Mulher molhada ao vento

Kaze ni nureta onna", de Akihiko Shiota (2016) O que mais me impressiona sobre esse filme, é ter sido selecionado para o prestigiado festival de Locarno em 2016. "Mulher molhada ao vento" faz parte de um projeto de 5 longas produzidos pela Produtora Nikkatsu, que no período de 1971 até o final dos anos 80 produziu mais de 1000 filme soft porn, chamados de "Roman porno". Nessa releitura moderna, foram convidados vários Cineastas famosos japoneses, que trouxeram uma aura cult aos filmes. Assim como os filmes originais, foi elaborado um Dogma com regras que eram seguidas `a risca pelos Diretores: mesmo orçamento, mesmo período de filmagem e principalmente, mulheres nuas e ninfomaníacas. Fosse aqui no Brasil de hoje, esses filmes teriam sido execrados pelos vários grupos que condenam esse olhar erotizado e de objeto sexual que esses filmes ajudaram a propagar ( alguém aí falou nas pornochanchadas?" A história é uma bobagem: um jovem escritor resolve sair de Tokyo e ir morar num vilarejo do interior. Ele fica recluso em uma casa, até que conhece a garçonete Shiori, que se sente atraída por ele e fará de tudo para conquistá-lo. Diferente de " Antoporno", filme de Sion Sono que faz parte do projeto, aqui o cineasta Akihiko Shiota investiu em um tipo de humor ingênuo, alimentado por um erotismo barato e sem qualquer tesão. Saudades de "Império dos Sentidos".

Sob a pele

"Beneath the skin", de Aaron Ellis e Michael MacKinnley (2015) O jovem inglês Aaron Ellis, de 23 anos, estréia no longa-metragem com tripla função: Diretor, roteirista e Ator. Um misto de romance Lgbts com um drama sobre bullying e homofobia, o filme tinha tudo para ser um filme popular que atraísse a atenção do público gay. Mas o efeito foi contrário. Apesar de ter ganho alguns prêmios em Festivais de gênero ( não sei como conseguiu esse feito), é mais fácil dele ser reconhecido como uma quase versão gay de "The room", cult americano, considerado um dos piores filmes de todos os tempos. As atuações são péssimas, o roteiro é risível de tão ruim e claudicante e a trilha sonora de piano irrita demais, sendo tocada durante quase o filme inteiro. A história é um absurdo por si só: um jovem americano, Jay, foge de casa após ser flagrado pelos seus pais transando com outro rapaz. Machucado e sem ter aonde ir, ele é convidado por um casal de tatuadores para morar com eles no Canadá. Passa-se 1 ano, e o trio já estava fazendo sucesso com uma loja de tatoo. E' quando Jay conhece Joshua ( Aaron Ellis), jovem inglês que foi enviado pelo pai para estudar no Canadá. Joshua sofre homofobia por parte dos colegas da escola e após de machucar, é salvo por Jay. Os dois se apaixonam de imediato. Aaron Ellis quer ser o novo Xavier Dolan. Ele não esconde isso. Tem uma cena totalmente chupada de "Eu matei minha mãe", primeiro filme de Dolan, que é quando o casal de namorados pinta a casa e se suja todo de tinta azul. Uma pena que o filme seja ruim. Dá pra rir em alguns momentos, por conta das performances canastronas ( atenção pro professor) e pros diálogos podres.

domingo, 31 de dezembro de 2017

Sem Deus

"Bezbog", de Ralitza Petrova(2016) Premiado no Festival de Locarno 2016 com os Prêmios de Melhor filme e Atriz, "Sem Deus" ainda ganhou dezenas de outros Prêmios em festivais mundo afora. Tanto prestígio talvez se deva ao caráter extremamente pessimista da obra. A história se ambienta na Bulgária pós comunismo, e a protagonista é uma enfermeira, Gana (Irena Ivanova, excelente). Morando com sua mãe, desempregada após o fim do comunismo e totalmente deslocada, Gana tem como pacientes, idosos dementes que ela atende `a domicilio. Seu namorado, um mecânico de automóveis, é seu parceiro no crime que Gana comete contra os pacientes: ela rouba as identidades deles e os vende pro mercado negro. Um dia, ao conhecer Yoan, um idoso cantor, ela tem a chance de mudar de vida. "Sem Deus' faz parte daquele tipo de filme que deixa o espectador totalmente arrasado após a projeção. O roteiro de Ralitza Petrova não faz a mínima questão de fazer o espectador se apiedar de qualquer personagem, e nem existe espaço para redenção. Um filme cru, frio, assim como a triste paisagem da cidade. Para quem gosta de filmes depressivos, é um prato cheio.

O artista do desastre

"The disaster artist", de James Franco (2017) Pouca gente sabe, mas o Ator James Franco é um dos mais prolificos Cineastas no Cinema, tendo dirigido dezenas de filmes em poucos anos, a maioria produção independente. Justamente por amar esse Universo dos independentes, que Franco resolveu homenagear o maior de todos, considerado o pior filme de todos os tempos, suplantando "Plan 9 from outer space", de Ed Wood, que por muito tempo ficou com esse posto. Estamos falando de "The Room", um filme de 2003, totalmente financiado, escrito, protagonizado e editado por Tommy Wiseau. Quando foi lançado, o filme foi execrado pela crítica, mas o público fez dele um objeto de culto, a ponto das pessoas saberem as falas de cor, se vestirem igual ao protagonista, etc. Até hoje, sessões são organizadas mundo afora com a presença de Wiseau e de seu amigo Greg Sestero, ator e produtor do filme. O motivo de tanto cainho pelo filme? As interpretações canastras, o roteiro sem pé nem cabeça, os efeitos toscos, a fotografia pavorosa, o cenário cafona, etc. James Franco fez dessa história um Hino de amor ao Artista. Para ele, mesmo o pior Ator do mundo, merece o seu lugar ao sol.O filme homenageia ao mesmo tempo uma época ( a trilha sonora é repleta de clássicos pop dos anos 90 e início dos 2000 ( Finally, Rhytm of the night, Can't get out of my head", etc) , Em uma cena maravilhosa, James Franco ( Tommy Wiseau) e Dave Franco ( Greg Sesterro) cantam "Never gonna give you up", de Ricky Astley, dentro de um carro. O filme mostra a luta de Greg e de Wiseau para se firmarem no mercado, a ida deles para Los Angeles, as várias negativas dos produtores até que Wiseau decide ele mesmo fazer um filme. Ele contrata equipe, elenco, escreve o roteiro e faz de tudo na produção. As cenas de teste de elenco são sensacionais, e o filme dea uma cutucada no cruel Universo dos Atores, que lutam e sofrem para conseguir alguma coisa, até mesmo um teste. O Elenco é repleto de astros: Jacky Weaver, Zac Efron, Seth Rogen, Josh Hutcherson, Sharon Stone, Melanie Griffith. No prólogo, atores, diretores e roteiristas famosos dão depoimento dizendo porque amam o filme original, "The room". entre eles, J J Abrams, Kevin Smith, Danny McBride e Kristen Bell. Emocionante e divertido, garantia de gargalhadas altas e de algumas lágrimas.

Desencanto

"Brief encounter", de David Lean (1945) Obra-prima do Cinema inglês, Vencedor da Palma de Ouro de Melhor Filme em Cannes 1946, "Desencanto" é a adaptação da peça homônima escrita por Noël Coward. Filmes como "La la land", " As pontes de Madison" e a trilogia "Antes do entardecer" de Richard Linklater devem muito a esse filme de David Lean. E' um filme sem final feliz, que narra a aventura amorosa de dois estranhos que se encontram toda as 5as feiras em uma estação de Trem de Londres. Ambos casados, se apaixonam `a primeira vista, e entram em um grande conflito moral. Laura (Celia Johnson) e o médico Dr Alec (Trevor Howard) constantemente marcam encontros fortuitos em restaurantes e salas de cinema, mas eventualmente são flagrados por alguma amiga de Laura, que precisa ficar toda a hora mentindo. Com maravilhosa fotografia em preto e branco, que intensifica o melodrama e a tragédia dos personagens, "Desencanto" é um primor de roteiro e de diálogos. Assistindo depois de "La la land", achei curioso que Damien Chazelle buscou aqui a sua referencia para o "futuro possível", quando um dos personagens imagina uma vida futura com a outra pessoa. David Lean logo depois focaria mais famoso pelos seus grandes épicos: "Dr Jivago", " Passagem para a India", "Lawrence das Arábias".

Três anúncios para um crime

"Three Billboards Outside Ebbing, Missouri", de Martin McDonagh (2017) O cineasta inglês Martin McDonagh é da mesma linhagem de filmes de Tarantino, Irmãos Coen e Guy Ritchie: são filmes que possuem personagens psicóticos, violentos, geralmente morando em um ambiente opressor e que estão em busca de vingança. Ah sim, não podemos esquecer da cultura pop, que é fundamental para os seus filmes. Ou você acha normal um policial truculento ouvir "Chiquitita" de Abba, dançar e achar isso normal? Martin McDonagh. dirigiu os excelentes "Na mira do chefe" e "Sete Psicopatas e um Shih Tzu". Agora, com "Três anúncios para um crime", ele atinge o seu ápice. Seu roteiro é extraordinário, o Elenco, como um todo, está muito foda e a direção, não menos que brilhante, O filme tem pelo menos 2 cenas antológicas, verdadeiras aulas de cinema: o plano sequencia do Policial Dixon ( Sam Rockwell, soberbo) quebrando tudo numa sala de anúncios de classificados, e a cena do incêndio. O filme alterna momentos de tensão, drama e comédia de humor negro, Típico dos irmãos Coen, mas quem viu os outros filmes de Martin McDonagh. sabe que ele sempre foi assim, e o seu humor esta próximo ao inglês. Mildred (Frances McDormand) é uma mulher em busca de vingança. Sua filha foi estuprada e assassinada, e ela culpa a policial local de sua cidade de não avançar no caso. Ela resolve então alugar 3 anúncios na estrada, e isso faz o caso voltar `a tona, incomodando a todos na cidade. E' um deleite assistir tantos atores foda dando tudo de si em interpretações vibrantes. Além de Frances e de Sam Rockwell, temos Woody Harrelson, sensacional, e os jovens Lucas Hedges ( de "Manchester `a beira mar" e "Ladybird") e Caleb Landry Jones. Ah, e quem atua na cena de Chiquitita" é Sam Rockwell, fenomenal.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Quem tem medo de Virginia Woolf?

"Who's Afraid of Virginia Woolf?", de Mike Nichols (1966) Longa de estréia do Ator e Cineasta Mike Nicholas, lançado em 1966. Um ano depois, Nichols lançaria outro clássico, "A primeira noite de um homem", e daí em diante, seguir uma filmografia de grandes filmes, em comum, com excelente trabalho de direção de atores. Adaptado da peça teatral de Edward Albee pelo roteirista Ernest Lehman, o filme recebeu 5 Oscars em 1966: Melhor atriz (Elisabeth Taylor), Atriz coadjuvante (Sandy Dennis, Melhor figurino, Fotografa e Direção de arte. Nichols perdeu o Oscar de Direção para Fred Zimmerman, de "O homem que nao vendeu sua alma". Uma pena, pois o trabalho de Direção de Mike Nichols é brilhante. Pegar uma peça teatral de quase 2:20 horas de duração, e torna-lo cinematográfico, sem aparentar estarmos vendo uma peca filmada, é uma tarefa para poucos, ainda mais sendo filme de estréia. Sua direção prima pela marcação de atores em cena e pela movimentação da câmera, que segue os personagens em cena. A história acontece toda em uma madrugada: após saírem de uma Festa da Universidade aonde George (Richard Burton) dá aula de história, Martha (Elisabeth Taylor), sua esposa, chega em casa e avisa que convidou um casal para beber com eles. Martha é filha do Dono da Universidade, e por conta disso, ela descarrega todo tipo de humilhação contra George, que em principio acata tudo passivamente. O jovem casal chega: Nick (George Segal), professor de biologia na mesma Universidade, e Honey (Sandy Dennis), sua esposa. Todos bebem bastante e durante a bebedeira, rola uma lavação de roupa para todos os lados, onde todos se agridem verbalmente. Com um trabalho extraordinário de todo o elenco, e uma direção precisa de Mike Nichols, o filme é uma perfeição para onde quer que se olhe. Tecnicamente impecável, os diálogos ácidos e cruéis são cuspidos pelos personagens com muito veneno. Resta ao espectador rir, ficar chocado e se emocionar com esses 4 personagens patéticos. Toda a cena no Bar é antológica. Um filme obrigatório para os Atores assistirem.

Na glória, a amargura

"I could go on singing", de Ronald Neame (1963) Drama musical inglês, mais conhecido por ter sido o último filme da atriz Judy Garland, que morreria 6 anos depois, em 1969. O filme é visto pelos fãs como uma espécie de mea -culpa de Judy: a protagonista, Jenny Bowman, uma famosa atriz, abdica de sua vida pessoal em prol do estrelato. Retornando para Londres para fazer uma série de shows, Jenny reencontra o Dr David (Dirk Bogarde). Há 15 anos atrás, em NY, eles foram amantes e tiveram um filho, Matt. Por conta da carreira, Jenny deixou o filho com Matt, que voltou a morar em Londres. Agora viúvo, David contou ao filho Matt que ele foi adotado, escondendo a existência de Jenny. Agora ela quer conhecer seu filho, mas David a impede. Drama lacrimogêneo ( chorei muito na cena que Matt, o ótimo Gregory Phillips, descobre a verdade). tenta recuperar o prestigio de Judy Garland com seu grande sucesso, "Nasce uma estrela". O filme não tem o mesmo brilho, mas é uma bela chance para os fãs de Judy assistirem `a sua última performance em filmes. Ela canta divinamente vários números musicais, entre eles, a musica titulo, "I could go on singing". Rodado em Londres, é um filme que conta com o talento extraordinário de Judy, e em especial duas cenas, aonde ela traz performance dramática admirável: na cena ao telefone com o filho, e na cena do hospital cm David. No desfecho, ela arrasa cantando nos palcos, com total domínio em cena.

Projeto Flórida

"The Florida Project", de Sam Baker (2017) Sam Baker é daqueles Cineastas que metem a mão na massa e fazem de tudo em seus filmes independentes. Foi assim em "Starlet", depois no premiado "Tangerine" ( famoso por ter rodado o filme com 4 celulares Iphone 6) e agora com o também super premiado "Projeto Flórida". Rodado em 35 mm, apenas na cena final, com as meninas correndo pela Disneyland, ele rodou com Iphone, escondido da segurança da Disney ( ele usou o mesmo recurso do cult de terror "Fugindo do amanhã", de Randy Moore, totalmente rodado `as escondidas na Disney). Sam Baker dirigiu, escreveu, editou e produziu esse comovente drama sobre mãe e filha desajustadas em uma Orlando longe da Fantasia da Disney, Choca, e muito, o talento de Brooklynn Prince, no papel de Moonee, uma menina de apenas 6 anos de idade! Que talento! Além dela, Willen Dafoe, no papel de Bob, gerente do Motel onde elas moram, Bria Vinaite, no papel de Halley, mãe de Mooneey e as outras crianças do casting conferem uma performance naturalista em um filme que mais parece um documentário sobre a sociedade marginalizada dos Estados Unidos, os sem teto brancos, negros e latinos que não possuem qualquer tipo de futuro brilhante em suas vidas. Desemprego, prostituição, trapaças, roubo, vale tudo para sobreviver no dia a dia dos personagens. O filme traz um olhar para uma parcela da população que não tem casa para morar, e vivem em Motéis de 35 dólares a diária. Uma dessas pessoas é Halley e sua filha Mooney. Halley faz de tudo para ganhar um dinheiro suado, desde vender perfumes falsificados até se prostituir. Mooney, por sua vez, se diverte com os filhos de outros moradores. Bob age como uma figura paterna, botando ordem no local e na vida dos moradores. Não é um filme fácil de assistir. Sam Baker não se preocupa se nos, os espectadores, sentiremos pena das personagens, Ele não faz questão de piedade, tanto que mãe e filha são irritantes, mal educadas e mau caráter. Fazem tudo errado e ainda contagiam pessoas inocentes para embarcar nessa viagem louca pelo lado marginal da vida. Sam Baker quer ir além: quer mostrar a falta de assistencialismo do Governo, que não supre as necessidades básicas para os sem teto. Quando a assistência social aparece, vem de forma truculenta, violenta. A melhor coisa do filme, é o paralelo que Baker faz entre o Mundo encantado da Disney para quem frequenta seus parques caríssimos, e o mundo encantado" dos pobres, formado por lojas de 5a categoria, rodovias e parques infestados de pedófilos. Uma cena antológica: um casal de brasileiros ( atores brasileiros mesmo!) levando um susto ao chegarem para o check in no Motel vagabundo e descobrirem que foi tudo um engano ( afinal, o Motel se chama "Magic Kingdom). O filme foi exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2017.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A vida de um Gênio - Rebelde no campo de centeio

"Rebel in the rye", de Danny Strong (2017) Longa de estréia do ator Danny Strong, "A vida de um genio" é a cinebiografia do escritor J.D. Salinger, famoso mundialmente pelo seu livro "O apanhador no campo de centeio", lançado em 1951. Salinger (Nicholas Hoult, de lentes escuras) nasceu em Manhattan, filho de pai judeu e mãe de origem escocesa. Salinger sempre gostou de escrever, para desgosto de seu pai, que queria que ele fosse um comerciante. Sua mãe o estimulou a estudar em uma faculdade, onde começou a escrever contos. Nesse período, Salinger começou a se envolver com a jovem atriz Oona O'neill, que mais tarde veio a se casar com Charles Chaplin, para sua infelicidade. Após ter um conto publicado no The New Yorker, Salinger foi convocado para lutar na 2a Guerra, inclusive tendo participado do Dia D. Ao voltar da guerra, Salinger retornou totalmente perturbado mentalmente. isso, mais o seu contato com a religião budista, o influenciaram na escrita de "O apanhador..", que se tornou um grande sucesso. Salinger se casou, teve um filho, mas o sucesso o tornou recluso, alheio ao público. Salinger acabou indo morar no campo, aonde viveu até 91 anos de idade, no ano de 2010. Tendo escrito poucos livros em vida, Salinger teve uma vida conturbada. Infelizmente, o filme foi dirigido de forma totalmente burocrática. Sem emoção, sem grandes arroubos, apenas flat e rotineiro. Nicholas Hoult interpreta Salinger de forma automática, distante de suas grandes atuações. Kevin Spacey interpreta Whit Burnett, seu professor de literatura na Faculdade. Estranho assistir a um filme de Spacey depois do escândalo de assédio, porque fica impossível olhar para ele e não pensar no caso. Uma pena que um ator tão talentoso tenha tenha se afundado na sarjeta de forma tão melancólica.

Antiporno

"Antiporno", de Sion Sono (2016) Em 2016, o estúdio japonês Nikkatsu comemorou 45 anos de existência. Em 1971, `a beira da falência, ela resolveu produzir softporns, chamados de "Roman porno". Foram produzidos mais de 1000 filmes em quase 20 anos de produção. Os filmes seguiam uma espécie de Dogma: mesmo orçamento, período de filmagem. Como parte da comemoração, foram produzidos 5 longas homenageando essa estética e temática. "Antiporno" foi o primeiro dos filmes a ser produzido. Dirigido pelo cultuado Cineasta SIon Sono, o filme é uma experiência bastante bizarra e experimental. Eu mesmo sou um grande fã de seu cinema ( Noriko's dinner table", "Tokyo Tribe", "Suicide club" são alguns de seus melhores filmes.) No entanto, aqui em "Antiporno", Sono exagerou demais na dose. Não consegui apreciar essa obra, e desde o inicio eu já me sentia incomodado com a premissa. Quase todo rodado em um apartamento ( que descobrimos mais tarde ser um cenário de uma filmagem), o filme apresenta Kyoko, uma jovem escritora, que trata a sua assistente Noriko como uma escrava sexual, humilhando-a na frente de todo mundo. Logo mais, os papéis se invertem, quando descobrimos que era tudo uma filmagem e que na verdade, quem pratica humilhação é Noriko em Kyoko, pois a atriz que interpreta Noriko é uma grande estrela e humilha Kyoko por ela ser incompetente. As feministas vão tacar fogo nesse filme, pois ele reitera o papel da mulher como objeto sexual ( afinal, o filme homenageia um tipo de cinema porno realizado nos anos 70 e 80 onde não existia o politicamente correto. As mulheres eram submetidas a taras sexuais e vistas como objetos sexuais.) No final, Sono faz a sua protagonista expor um depoimento contra o cinema porno e a submissão da mulher, mas até lá, esse discurso não tem força alguma, pois passamos mais de 1 hora vendo todo tipo de bondage. Destaque para as atrizes que se dispuseram a se entregar aos personagens de forma visceral, em cenas de humilhação e nudez.