terça-feira, 30 de agosto de 2016

O bosque de Karadima

"El bosque de Karadima", de Matias Lira (2015) Baseado na história real do Padre chileno Fernando Karadima, que abusou sexualmente de vários rapazes durante mais de 20 anos, entre a década de 80 e os anos 2000. A sua Paróquia, batizada de "O bosque", era um refúgio espiritual para jovens de classe média alta, que o tinham como um Santo. Entre eles, está Tomi, que aos 17 anos, se envolveu sexualmente com o padre, que se aproveitou da carência afetiva do rapaz. 20 anos depois, Tomi, já casado e com filhos, continua sofrendo abusos do Padre, mas enfim, acaba abrindo denúncia contra Fernando, se iniciando aí, uma batalha judicial que dura até os dias de hoje, por conta da Força da Igreja Católica em querer abafar escândalos envolvendo seus párocos. Impossível assistir ao filme e não se lembrar de "Spotlight" e "O clube", esse também filme chileno, que têm como tema a pedofilia e abuso sexual de padres. O ator Luis Gnecco está absolutamente incrível no papel do Padre Fernando. Eu fiquei com muita raiva de seu personagem, e isso, muito graças a interpretação inteligente e ousada do ator. é um filme difícil e doloroso de assistir, com ousadas cenas de sexo, e que provavelmente suscitará polêmicas entre católicos e não-católicos. Para quem espera um bom filme, dirigido com firmeza e com ótimas interpretações, não irá se arrepender, apesar da crueza do tema.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Grape soda

"Grape soda", de Justin Robinson (2014) Escrito e dirigido por Justin Robinson, esse elogiado curta-metragem americano é um devastador drama sobre um casal aniquilado pela morte da filha pequena, vítima de leucemia. Muito parecido com o filme de John Cameron Mitchel, "Em busca da felicidade", com Nicole Kidman e Aaron Eckhart, "Grape soda" é um filme quase silencioso, que exala dramaticidade em olhares e nas imagens. É um filme triste, depressivo, e com excelente performance de Mark Ashworth, no papel principal, e que carrega o filme. Dirigido com muita sensibilidade. Vale ser visto. https://vimeo.com/106886061

domingo, 28 de agosto de 2016

Últimos dias no deserto

"Last days in the desert", de Rodrigo Garcia (2015) Escrito e dirigido pelo cineasta de "Albert Nobbs", filme com Glenn Glose, "Os últimos dias no deserto" ficcionaliza os 40 dias que Jesus Cristo passou no deserto, para se prepara para a sua grande Missão. Jejuando e meditando, Jesus foi tentado pelo Diabo, aqui representado pelo próprio Jesus. Fora esse encontro sedutor com o Diabo, o filme também apresenta o encontro de Jesus com uma família que habita o deserto. Jesus conversa com os familiares e tenta guiar os integrantes da família: o filho (Ty Sheridan), que quer seguir o mundo e a relação com o Pai castrador e a mãe doente. O filme tinha tudo para se tornar um clássico como "A última tentação de Cristo", mas infelizmente ele se perde em seu ritmo enfadonho e no roteiro muito pouco instigante. É chato, e pior, não consegui ver o ótimo ator Ewan Macgregor no papel de Jesus Cristo. Foi difícil acompanhar o filme todo com interesse, e mesmo a bela fotografia do Mestra Emanuel Lubezki não me prendeu, talvez porquê eu tenha lido que o filme foi todo rodado no Deserto da Califórnia.

sábado, 27 de agosto de 2016

Herança de sangue

"Blood father", de Jean François Richet (2016) Dirigido pelo cineasta francês Jean Francóis Richet, que realizou o ótimo policial "Inimigo público partes 1 e 2", é baseado em livro de Peter Craig. A história em si é bem clichê: uma adolescente envolvida com traficantes namora o chefão da quadrilha (Diego Luna). Durante uma ação onde matam um casal que devia dinheiro para ele, a jovem Lydia (Erin Moriarty) fere acidentalmente o amante, e foge, indo se refugiar nos braços de seu pai, Link (Mel Gibson), que ela não via há tempos. Os bandidos seguem o rastro de Lydia para matá-la, mas o seu pai, ex-combatente do Vietnã, fará de tudo para defendê-la. Bem dirigido e com ótimas cenas de ação, o filme vale e muito pela performance de Mel Gibson, revivendo o tipo bruto e violento que imortalizou muitos heróis nos anos 80 e 90, e que hoje em dia estavam em decadência por conta do patrulhamento contra esse tipo de herói. O filme é um ótimo "Come back" de Mel Gibson, que está excelente no papel. O filme tem um status tão cult, que foi exibido no Festival de Cannes em 2016. Vale para fãs de filmes de ação, e que aqui, ainda levarão de lambuja um drama com uma bela relação pai e filha

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O ódio

"La haine", de Mathieu Kassovitz (1994) Obra-prima do cinema francês, dirigido e escrito por Mathieu Kassovitz, mais conhecido por interpretar o par romântico de Audrey Taotou em "Amelie Poulain". "O ódio" entrou na lista dos 100 melhores filmes da revista Empire em 2010. Revendo o filme, que foi rodado em 1994, me parece quase difícil que Fernando Meirelles não tenha se inspirado nele para realizar 'Cidade de Deus". O filme, assim como o de Meirelles, exala adrenalina, energia, pulsação em casa frame. Cada cena é um primor de realização: Direção, atuação, trabalho de câmera, trilha sonora, fotografia. O filme acompanha 24 horas na vida de 3 jovens amigos de um subúrbio de Paris: o judeu Vinz ( Vincent Cassel), o negro Hubert ( Hubert Koundé) e o árabe Said (Sayd Taghmaoui). Um dia antes, um amigo deles, Abdel, entrou em coma após um confronto com a polícia. Vinz, um apaixonado por Travis Bickle (personagem de Robert de Niro em Taxi driver) jura se vingar de Abdel e diz que vai matar um policial. Durante a trajetória dos amigos, eles esbarram com policiais, grupo de skin heads e todo o tipo de escória da sociedade. O filme é obrigatório para todos que querem entender e estudar Cinema. Deve ser visto também por atores para admirar o excelente trabalho dos atores, sem exceção. Kassovitz chegou a dirigir outros filmes, mas nenhum chegou ao nível de excelência desse aqui. Amplamente premiado, o filme venceu entre outros, a Palma de Ouro de Direção em Cannes.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Becoming Mike Nichols

"Becoming Mike Nichols", de Douglas McGrath (2016) Ótimo documentário que retrata um perfil do Cineasta e Ator Mike Nichols, responsável por clássicos do cinema, como "A primeira noite de um homem", "Quem tem medo de Virginia Wolf?", "Closer", "Silkwood", além do seriado "Angels in America". O documentário alterna uma entrevista de Mike Nichols realizada em 2014 ( ano de sua morte) com o Diretor teatral Jack O'brien, diante de uma platéía formada por estudantes de cinema e de teatro. O filme foca no início da carreira de Nichols, como ator e diretor de teatro. Depois ele fala dos seus 2 primeiros filmes, "Virginia Wolf" e "A primeira noite de m homem". Com um discurso brilhante, Nichols discorre sobre o trabalho com os atores, a equipe, a escalação de elenco, as crises criativas, o seu trabalho com Paul Simon, e principalmente, o seu grande apreço à improvisação dos atores. Um filme obrigatório, que alterna fotos de arquivo e cenas de seus filmes, e a grande generosidade de se abrir de coração, expondo seus problemas com os atores e técnicos. Um momento genial é quando o entrevistador pergunta como Nichols aprendeu a dirigir o seu primeiro filme, se ele nunca tinha filmado nada. Nichols diz que o Ator Anthony Perkins, que era seu amigo, ficou durante 3 dias ensinando a ele o uso de lentes e posicionamento de câmera. Comovente.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Café Society

"Café Society", de Woody Allen (2016) Há tempos eu não via um filme tão glamuroso e sofisticado como esse "Café Society". Com uma fotografia escandalosamente linda do Mestre Vittorio Storaro, e com enquadramentos e planos estudados que valorizam a locação e o trabalho dos atores, Woody Allen fez um dos filmes mais divertidos da última safra. O filme contém dezenas de piadas satirizando a cultura judaica, e são de morrer de rir. ALém disso, o elenco em peso está formidável. Jesse Eisenberg deveria ser eternamente o alter-ego de Allen, tal a propriedade física e artística que ele se apropria do cineasta americano mais famoso do mundo. Kristen Stewart, que sempre foi bombardeada pelos críticos, aqui apresenta uma performance digna de grande estrela. Steve Carrel e Blake Lively também estão ótimos. O restante do elenco, quase desconhecido para o grande público, é composto de excelentes atores, alguns em personagens antológicos, como os pais de Bobby (Eisenberg) e o seu cunhado. A direção de arte, figurino, maquiagem, tudo do mais alto nível. Woody Allen mais uma vez fala do universo do Cinema, dos gangsters e da família judia, sacode tudo no liquidificador cinematográfico e dá vida a uma insana e romântica história protagonizada por Bobby ( Eisenberg), que sai de Nova York nos anos 30 para tentar a vida em Hollywood. Chegando lá, ele é menosprezado pelo seu tio Produtor de cinema, Phil ( Steve Carrel), até que ganha confiança dele para fazer alguns serviços. O que Bobby não contava, era que iria se apaixonar pela secretária de seu tio, Vonnie ( Stewart), que na verdade, é amante de seu tio. Com esse grande imbroglio, Woody faz a platéia rachar de rir e mais do que nunca, se apaixonar. O filme faz uma linda homenagem a "Manhattan", lembrando que somente o tempo faz as pessoas refletirem sobre os seus atos. Imperdível.

Eu, Olga Hepnarova

"I, Olga Hepnarova", de Petr Kazda e Tomás Weinreb (2016) Baseado na história real de Olga Hepnarova, uma jovem de 22 anos que em 1973, dirigiu um caminhão e o jogou em direção a um grupo de pedestres em um Ponto de ônibus na Tchecoslovaquia, matando 8 pessoas. O filme faz um retrospecto da história dessa serial killer e surpreendentemente, lembra bastante " Monster", com Charlize Theron e Cristina Ricci. Olga não tinha amigos e odiava sua família. Ao tentar suicídio, ela é internada em uma clínica psiquiátrica feminina, onde sofre bullying e assédio sexual das outras pacientes. Ao sair de lá, ela resolve sair de casa e ir morar sozinha em uma cabana afastada, trabalhando de motorista e tendo relacionamentos doentios com outras mulheres. Exibido no Festival de Berlin, o filme tem uma performance extraordinária de Michalina Olszanska, que lembra bastante a fragilidade de Nathalie Portman. É um filme sombrio e depressivo, captado com preto e branco monocromático que lembra o Polones "Ida". As cenas de sexo são intensas e quase explicitas, mostrando um trabalho irrepreensível de todo o elenco. A direção aposta no filme de arte, com ritmo lento e olhar contemplativo e documental. O filme procura apresentar duas versões sobre a atitude de Olga: arrogância da sociedade, ou simplesmente uma doença psicológica? . A cena final é muito bem construída e tensa. Um filme sufocante que merece ser visto por cinéfilos exigentes.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Baaadasss Cinema

"Baaadassss Cinema", de Issac Julien (2012) "Baaadassss Cinema", de Issac Julien. Delicioso e necessário documentário que fala sobre a "Black Hollywood". No final dos anos 60 até 1976, Hollywood produziu filmes de baixíssimo orçamento, dirigidos em sua maioria por Diretores negros e com elenco negro. Os filmes surgiram porquê a comunidade negra sentia necessidade de se ver retratada nas telas como heróis, homens poderosos que não se deixavam dominar facilmente por quem quer que seja. No final dos anos 60, o racismo atingia quase que todos os Estados Unidos: Martin Luther King, o grupo Os panteras negras e outras associações procuravam diminuir a diferença entre America branca e negra. Porém, nas telas, os negros começavam a lutar pelos seus direitos. O primeiro filme considerado desse movimento foi "Sweet Sweetback's Badassss Song", seguido de "Super Fly", "Shaft" entre outros. Fred Willianson, Ron O'neal, JIm Brown, logo depois Samuel L. Jackson eram alguns dos grandes heróis, seguidos por Pam Grier e Gloria Hendry. Com o sucesso do gênero, começaram a surgir filmes de baixa qualidade e sub-gêneros, como filmes de kung Fu com negros, terror ( Blacula) etc. A comunidade negra da "inteligentsia" começou a se incomodar com os filmes, pois achavam que eram uma caricatura e não os representava e criaram o termo "Blackexploitation"( exploração negra), que muitos achavam que foi um nome criado pelos brancos. Aos poucos, os filmes foram sumindo e os artistas e técnicos negros foram perdendo seus empregos, até sumirem por completo. Cineastas que ficaram famosos com esse cinema, como Mario Van Peebles, dão o seu depoimento, assim como atores remanescentes. Tarantino também tem direito a dar entrevistas, falando da importância desse cinema para a sua formação cinéfila, e o porquê que ele criou "Jackie Brown", que foi execrado pelos cineastas negros. É um filme imperdível, que retrata uma época onde a música soul e funk teve uma importância crucial para o sucesso dos filmes. Obrigatório para cineastas e amantes da cultura pop. O filme é recheado de cenas de filmes antológicos, que farão a alegria de qualquer cinéfilo. https://www.youtube.com/watch?v=_6eMscT5DAc

domingo, 21 de agosto de 2016

Slap

"Slap", de Nick Rowland (2014) Premiado curta inglês que trata dos temas da homofobia e da saída do armário. O filme lembra de certa forma "Billy Elliot", ao narrar a história de um jovem que tem medo de se assumir e resolve lutar boxe para poder extravazar a raiva que sente de sua condição. Com um belíssimo trabalho do protagonista, Joe Cole, que mostra toda a sua raiva e indignação em cena, o filme comove com a sensibilidade da direção em tratar os seus personagens com muito realismo e dignidade, sem caricatura.

Versailles

Versailles", de Carlos Conceição (2013) Premiado curta português, com 2 intensas performances do protagonistas. Em um final de semana, Miguel (João Arrais), um adolescente, traz uma idosa, Ruth ( Isabel Ruth) para uma cabana à beira da praia. Ela está com sinais de Alzheimer e pede para que ele a mate. Porém Miguel se recusa a cumprir o pacto, e tenta reverter o processo. Com ótima direção e roteiro de Carlos Conceição, "Versailles" fala de 2 temas tabus: o Alzheimer, e o amor entre um jovem e uma pessoa da terceira idade. O filme tem linda fotografia e planos longos, que permitem um trabalho forte e angustiante dos seus atores. Vale muito ser visto.

sábado, 20 de agosto de 2016

Ben-Hur

"Ben-Hur", de Timur Bekmambetov (2016) É preciso ter muita coragem para e fazer um remake. Quando o remake é de um clássico que passa todo Natal na televisão, aí fica mais impetuoso. É absolutamente inevitável não se comparar essa versão com a de Willian Wyler, e ainda mais, comparar a atuação antológica de Charlton Heston. Pois muito bem: o cineasta russo de mega blockbusters Timur Bekmambetov teve essa cara de pau de tomar rédeas de refilmar a história de Judah Ben-Hur, um judeu rico que acabou sendo traído e que por isso, foi escravizado por seu meio irmão Severus, que não é judeu. A sua mãe e sua irmã foram dadas como mortas e por 5 anos Ben-Hur jurou vingança, tendo como aliado Ilderim, um africano interpretado por Morgan Freeman. Pois bem, Freeman é o único Star do filme, pois os produtores, corajosos, apostaram em 2 desconhecidos para interpretarem Ben-Hur e Severus. Esses desconhecidos são respectivamente Jack Huston e Toby Kebbell, atores ingleses jovens e bonitos, como manda o figurino das produções direcionadas a um público jovem. Mas sendo sincero, a pergunta que todo mundo deve fazer quando vai assistir ao filme é: A cena da corrida de bigas ficou melhor que o original? Sim, a cena das bigas continua extremamente irresistível. E faz pensar como, nos anos 50, Willian Wyler foi capaz de dirigir uma sequência tão difícil sem a ajuda de efeitos especiais e computação gráfica. 'Torna o original ainda mais impressionante. O filme começa lento, sem muitas expectativas. Mas a partir da cena da batalha de barcos, o filme ganha fôlego e até o final, ganha ares de filme de aventura. Atualizado aos tempos de politicamente correto, o desfecho difere do original. Vivemos tempos onde o perdão se torna necessário, tanto religiosamente quanto politicamente falando. Rodrigo Santoro aparece em 4 brevíssimas cenas no papel de Jesus Cristo. Ele dá conta do recado, mesmo porquê, são momentos de tensão e angústia, uma vibe que Santoro curte bastante. Os 2 protagonistas seguram os papéis, mas se for comparar com os atores do original, estão muito aquém. Um ponto falho: a cena do reencontro de Ben-Hur com a mãe e irmã, que no filme de Willian Wyler era muito emocionante, aqui passa batido, focado simplesmente no ódio. Uma pena. Poderia ter sido um grande momento para os atores.

Perdidos

"Strayed", de Akan Satayev (2009) Filme do Cazaquistão, foi indicado pelo seu país para ser o representante de filme estrangeiro no Oscar, mas não chegou à final. O filme é um ótimo drama de suspense psicológico, com uma trama mirabolante que percorre o realismo fantástico. Um homem viaja de carro com mulher e filho. Ao atravessarem o deserto, o carro quebra. A mulher fica estressada, o filho reclama de fome e sede. O homem passivamente escuta as reclamações. Eles passam a noite ali no carro. Ao acordar, o homem percebe que a mulher e o filho desapareceram. Ele vai até uma cabana abandonada e lá encontra um homem sua filha. Ao perguntar para eles do paradeiro da família, eles o instigam a tentar resolver o mistério. Com uma bela direção e uma trama de final surpreendente, o filme comprova que não é somente Hollywood que sabe fazer filmes com finais cheios de reviravoltas. O ator Andrei Mirzikilim está excelente no papel principal, alternando momento de loucura e angustia. Um filme que vale ser visto.

Triplo padrão

"Triple standard", de William Branden Blinn (2010) Curta dirigido e escrito por William Branden Blinn, tem como tema a homofobia. Crim é um homem bem sucedido, e faz parte de um time de basquete. Durante a hora do vestiário, ele agride um jogador gay. Os seus colegas dizem que ele está exagerando, mas Crim fica ainda mais irritado. Mas tarde, ficamos sabendo que Crim mora com D, jogador do mesmo time, que fica frustrado com Crim por ele não assumir a sua sexualidade. O filme tinha tudo para ser um marco na cinematografia Lgbts: um tema contundente como a discussão da homofobia, sempre é bem vindo. Mas o roteiro exagera na caricatura do homofóbico, e mais, a sua "virada" soou muito forçada. Como o outro personagem mesmo diz, "Você parece bipolar". As atuações também poderiam ter rendido mais, o filme fica com um tom bem semelhante a telenovelas, dando ênfase ao melodrama. Mesmo assim, vale uma olhada, nem que seja para discutir o tema com amigos. https://www.youtube.com/watch?v=UIfpxIVBriE

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Egun- Mistérios do mar

"Egun- Os mistérios do mar", de Helder Quiroga (2015) Premiado curta de animação brasileiro, realizado por mineiros que usaram o misticismo para abusar da criatividade e do lúdico. Em uma aldeia de pescadores, um homem procura entender os motivos que levaram o seu pai, também pescador, à morte quando ele era criança. Já crescido, o pescador, casado, resolve ir pescar mar adentro, mas ele esquece a sua proteção. Egun é uma palavra em Yorubá usada no Candomblé, que significa alma ou espírito de qualquer pessoa falecida, iniciada ou não na religião. O filme é lindo, com uma trilha sonora envolvente. Mas o mais importante, e o que mais me chamou atenção, são os traços da animação. Simples, parecem traçados que fazem contornos em atores de verdade. Não sei qual foi a técnica usada, mas funciona bastante para a história. Vale muito a pena assistir.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Bridgend

"Bridgend", de Jeppe Ronde (2015) Dirigido e escrito pelo dinamarquês Jeppe Ronde, o filme é baseado em trágica história real. Na região de Bridgend, no País de Gales, 79 adolescentes cometeram suicídio, sem motivo aparente, pois não deixaram mensagens de despedida. Os roteiristas pesquisaram por mais de 6 anos as histórias que envolviam as mortes e escreveram o roteiro ficcionalizando os fatos. O filme venceu vários prêmios em Festivais internacionais, levando prêmios em Tribeca e Rotterdan. A protagonista, Hannah Murray, é mais conhecida do grande público pelo papel de Gilly em "Game of thrones". Ela interpreta Sara, que se muda para Bridgend com seu pai, um policial que aceitou trabalho na delegacia local. Logo Sara se envolve com um grupo de jovens e se apaixona por um deles, Jamie. A medida que seu pai vai se dedicando somente ao trabalho e à uma amante, Sara também vai se distanciando dele e se aproximando cada vez mais do violento e perigoso grupo de jovens. O filme não procura tentar explicar o motivo das mortes, e através da história de Sara, busca discutir o conflito de gerações, com o distanciamento de pai e filhos. O filme tem uma boa direção de atores, mas o ritmo muito lento entedia e acaba tornando o filme bem mais longo do que parece ser. A fotografia ganhou prêmio em Tribeca merecidamente, trazendo um tom lúdico ao filme. Hannah Murray está bem no seu personagem angustiado, levando também um prêmio de interpretação em Tribeca.

A última vez que vi Macau

"A última vez que vi Macau", de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata (2012) Os cineastas portugueses João Pedro Rodrigues (dos viscerais "Fantasma" e "Morrer como um homem") e o roteirista João Rui Guerra da Mata realizaram um sensacional documentário que fala sobre memória. Assim como Walter Salles em "Jia Zhenke, o homem de Fenyang), o filme fala sobre um artista que volta para a sua cidade natal e percebe que a memória somente existe em sua mente, e não mais no local. João Rui cresceu em Macau, que durante 4 séculos, foi colonizado por Portugal, somente saindo de seu domínio em 1999. Para falar sobre as lembranças e a sua vida na província chinesa, João criou uma história fictícia em cima das imagens documentais. Muitas críticas comparam o filme a "Viajo porquê preciso, volto porquê te amo", de Karin Ainouz. Não acho: de semelhante, somente a narração e o fato do protagonista jamais aparecer. Mas a narrativa é totalmente diferente. Em "A última vez que vi Macau", os cineastas brincam com gêneros e referências cinematográficas. Logo de cara, o filme começa com uma drag queen cantando a mesma música que Jane Russell cantava no clássico "Macau", de Joseph Von Stenberg. João Guerra interpreta a persona de Robert Mitchum. Ele recebe uma carta de Candy, a drag queen, dizendo que está em perigo e precisa que ele volte a Macau para salvá-la. Enquanto perambula pelas ruas e becos à procura da amiga, João traz lembranças de sua vida ali em Macau, dissertando sobre memória cultural e social de um lugar que não é mais o mesmo. O filme segue uma trajetória de filme noir, e encanta pela linda fotografia e as belas locações registradas.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A infância de um líder

"The childhood of a leader", de Brady Corbet (2015) Livre adaptação do conto de Jean Paul Sartre, "A infância de um líder". O filme narra a infância de Prescott, um menino de 10 anos, filho de um diplomata americano e uma francesa, que se mudam para a França no período pós 1a Guerra mundial, para assinarem um tratado de paz, que viria a se tornar o 'Tratado de Versailles". De uma forma simbólica, assim que Prescott chega na França, passa a se comportar estranho, e a ter uma índole violenta e cruel. Sua mãe ( Berenice Bejo) perde o controle sobre a sua educação, que nem o pai ( Liam Cunningham) consegue administrar. O filme faz uma metáfora sobre a ascenção do fascismo na Europa, através da história de Prescott. Porém, o que mais impressiona o filme, é a divulgação em cima de Robert Pattinsom, que aparece em menos de 5 minutos de filme. Ele interpreta um diplomata amigo do casal, e que no final, terá direito a um misterioso papel duplo como o fascista já adulto. Outro fato muito curioso: o diretor do filme é o jovem ator americano Brady Corbert, que foi um dos algozes da refilmagem de "Funny games", de Michael Haneke. Aqui ele dirigiu, escreveu o roteiro e produziu essa difícil adaptação. A sua escolha em fazer um filme altamente artístico, sem concessões ao grande público, rendeu-lhe vários prêmios, inclusive 2 importantes em Veneza: o de melhor diretor e de melhor primeiro filme em uma mostra paralela. É um filme hermético, arrastado, de planos longos. A trilha sonora incomoda, por se apropriar de uma música que mais parece de filmes de terror, para criar uma atmosfera de constante tensão. A imagem a música não combinam, e provavelmente, o diretor Corbet tinha essa intenção. Não é filme para todos os gostos. Confesso que eu quis desistir do filme em seus primeiros 20 minutos, e assistir ao filme todo foi bem sacrificante.

domingo, 14 de agosto de 2016

Ixcanul

"Ixcanul Volcano", de Jayro Bustamante (2015) Filme da Guatemala que conseguiu a incrível façanha de ganhar mais de 17 prêmios Internacionais, entre eles, o Alfred Bauer em Berlin 2015. Filmado na Guatemala, o filme narra a história de uma comunidade Maia que mora no entorno do vulcão ativo Ixcanul. A população trabalha na plantação e colheita de café. Entre os habitantes, está Maria. Jovem, ela é oferecida pelos seus pais para se casar com Ignacio, o fazendeiro, viúvo pai de 3 filhos. No entanto, Maria está apaixonada por Pepe, um catador de café que quer fugir para os Estados Unidos. Em uma noite de bebedeira, Maria transa com Pepe e engravida. A partir daí, o rumo da família de Maria segue contornos trágicos. Impressionante como um cinema como o da Guatemala, qie produz tão poucos filmes, consiga realizar um filme de tão alto nível como esse aqui. Com um olhar antropológico, o filme usa da linguagem do documental para fazer um registro dessa população, que somente fala dialeto próprio e não consegue se comunicar com os habitantes da cidade grande. O filme toca em temas críticos para a população pobre da Guatemala: a migração para os Estados Unidos, considerada a salvação para a extrema pobreza local; o tráfico de crianças e o machismo da sociedade, que vê a mulher no papel de servidora do lar. O vulcão Ixcanul é tão presente na vida dos índios, que eles o consideram como uma divindade, rezando e fazendo oferendas na base da montanha. A fotografia do filme é um escândalo, muito auxiliado pelas locações grandiosas da região. Mas o que mais impressiona no filme, além do roteiro, é o trabalho do elenco, todo formado por não-atores e descendentes dos Kaqchikel: os 4 "atores" principais, Maria Mercedes Coroy ( Maria, a filha), Maria Telón ( a mãe), Manuel Antun ( o pai) e Justo Lorenzo ( Ignacio) têm uma força que seduz e comove os espectadores. Mesmo em momentos sem falas, o olhar e o tempo desses atores impressiona pelo total domínio das emoções e do timing. É algo realmente sublime. Um filme obrigatório para Cinéfilos.

Embers

"Embers", de Claire Carré (2015) Claire Carré é um exemplo de como funciona as produções independentes que ganham prêmios em Festivais internacionais: Ela dirigiu, escreveu, produziu, editou e foi figurinista desse seu longa de estréia. Tendo total domínio sobre o seu projeto, Claire deixa claro que o filme foi realizado do jeito que ela quis. Ambientado em um futuro distópico ( de novo?), acompanhamos um sociedade devastada por um vírus que simplesmente apagou a memória de todo mundo. Cada um reage de um jeito, mas a maioria das pessoas apresentam memória curta. Há quem faça comparações a 'Amnésia", de Cristopher Nolan, e isso não seria errado. Temos vários personagens em histórias isoladas: um casal que acorda junto e que não sabem quem são. Acreditando que podem ser felizes juntos, eles andam juntos, temendo que a perda da memória que pode ocorrer a qualquer momento apague esse curto desenlace de amor. Em uma mansão, temos um casal que se isolou do mundo externo, e que por isso, não foram afetados pelo vírus. Mas a mulher, deprimida, deseja sair para encontrar sua filha, contra a vontade de seu marido. Temos também a história de um menino que busca uma figura paterna, mas todos os homens que ele aborda perdem a memória e ele se sente carente. Um belo filme, que só é prejudicado pela narrativa extremamente fria e pela fotografia viciada em estética publicitária. O ritmo é lento, e penso se não seria mais interessante ter focado apenas na história do casal que quer continuar juntos. Essa história sim daria um belíssimo filme comovente. O filme venceu vários prêmios em Festivais.

sábado, 13 de agosto de 2016

Tudo que Deus criou

"Tudo o que Deus criou", de André Costa Pinto (2012) Produção da Paraíba dirigida pelo estreante em longas André da Costa Pinto, que também escreveu o roteiro, "Tudo o que Deus criou" é um filme visceral, que agrega em um único filme vários personagens decadentes e marginalizados, que segundo os créditos, se baseia em história real. Miguel ( Paulo Philipe) é irmão de Angela ( Guta Stresser), e moram na casa da mãe ( Maria Gladys), que é cega e passa o dia todo reclamando e dizendo que quer morrer. O marido de Angela, Biu ( Claudio Jaborandy) é portador de HIV e contaminou Angela. Ele faz estupra Miguel diariamente, que não conta nada pra família com medo que Biu o chantageie e conte para elas que ele de noite sai nas ruas para fazer michê vestido de mulher. Paralelo, temos a história de João ( Paulo Vespúcio), um funcionário dos Correios, que é visitado todas as tardes por Maura ( Leticia SPiller), uma cega virgem que se excita com as histórias de João e deseja que ele transe com ela. Mas João tem como amante Miguel. Todas as histórias se entrecruzam, mostrando o lado mais sórdido , violento e melancólico dos personagens. Com uma boa direção de André Costa Pinto, o filme tem nas performances o seu ponto alto. Os atores se entregaram por inteiro aos seus papéis. Leticia Spiller realiza aqui a sua performance mais corajosa de sua carreira, saindo totalmente da zona de conforto. Ela somente é prejudicada pelas horríveis lentes de contato que sua personagem usa para mostrar que é cega. Guta Stresser , sem maquiagem, está fantástica, abusando de seu talento incontestável, e com uma cena antológica: quando seu irmão a maquia e veste. Maria Gladys é outra que não tem medo de encarar nenhuma loucura na sua carreira. Um grande destaque é o ator paraibano Paulo Philipe, no difícil personagem de Miguel/ Catarina, sem exageros. Os atores gaus que fazem as outras travestis também são ótimas. De baixo orçamento, é um filme de guerrilha, que tem uma parte técnica irrepreensível para tão poucas condições de produção. Parte da equipe foi formada por alunos da Faculdade local. Tivesse 20 minutos a menos, o filme seria impecável.

A maldição de Styrya

"Styria", de Maurício Chernovetzky e Mark Devendorff (2014) Livre adaptação do romance " Carmilla", de Sherifan le Fanu, a primeira vampira escrita em ficção, anterior a " Drácula", de Bram Stocker. Em 1985, ainda na cortina de ferro do Leste Europeu, Dr Hill (Stephen Rea) e sua filha Lara atravessam a barreira que faz fronteira com a Hungria e vão até um Castelo em Styrya, onde Dr Hill vai trabalhar na restauração do lugar. Lara tem problemas psicológicos e seu pai pretende interna-la. Um dia, vagando pela floresta, Lara presencia uma tentativa de assassinato contra uma mulher, Carmilla. Lara a traz até o castelo e ambas se tornam amigas. Estranhamente, as mulheres do vilarejo vão enlouquecendo e os animais morrendo. Com uma bela atmosfera e um clima de lesbianisno soft, o filme vaga pelo drama fantasioso. Mas não traz nada de suspense ou terror. A fotografia em tons azulados dá um tom de melancolia. O ritmo do filme é bem lento. Quem busca terror não encontrará, até porque o filme investe em um cinema mais autoral. O desfecho destoa do filme e beira o trash com umas vampiras saindo da parede e atacando sua vítima.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Edge of winter

"Edge of winter", de Rob Connely (2016) Filme de estréia de Rob Conelly, que também co-escreveu o roteiro, é um drama psicológico de suspense que mistura o "O iluminado" com "O retorno", filme russo de Andrey Zvyagintsev. Elliot (Joel Kinnaman, o Rick Flag de "Esquadrão suicida") é um pai divorciado, que está desempregado. Ele recebe a guarda dos 2 filhos adolescentes, Bradley ( Tom Holland, o novo Spider man) e Caleb para passar um final de semana com eles, pois a mãe irá viajar com seu novo marido. Elliot resolve levar os garotos para irem caçar na floresta gelada afastada da cidade. No caminho, o carro se acidenta e eles se encontram perdidos no meio do nada. O pai encontra uma cabana abandonada e ficam ali, mas quando decsobre que o padrastro irá levar os meninos para Londres, ele enlouquece e passa a se comportar como um psicopata, impedindo os meninos de irem embora dali. Com um elenco de famosos , que inclui Rossif Sutherland, filho de Donald Sutherland, essa produção de médio orçamento tem uma direção correta, mas o roteiro não consegue sair do lugar comum. Desde a primeira cena do pai, já sabemos que algo ruim irá acontecer. O personagem de Elliot é muito óbvio, e o desenrolar da situação se torna bastante irritante. Os dois novos personagens que surgem na trama também pouco ajudam, pois dá a impressão que foram incluídos apenas para a história poder prosseguir, já que foram mal aproveitados. O filme tinha potencial para ser mais envolvente. Vale para uma tarde repleta de monotonia, apenas para passar o tempo.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

De longe, te observo

"Desde allá", de Lorenzo Vigas (2015) Polêmico filme venezuelano, vencedor de vários prêmios internacionais, incluindo Melhor filme no Festival de Veneza 2015. Escrito pelo cineasta estreante Lorenzo Vigas e co-escrito pelo mexicano Guillermo Arriaga ( que escreveu roteiros para Inarritu), "De longe te observo" é um filme de poucas falas, quase silencioso. O filme é quase todo trabalhado no olhar entre os personagens. Armando ( o excelente ator chileno Alfredo Castro, protagonista de todos os filmes de Pablo Larrain) é um protético solitário que tem um fetiche: ele vaga pelas ruas de Caracas em busca de garotos de rua, para oferecer-lhes dinheiro em troca dele poder vê-los nus e se masturbar. Um dia, ele conhece Elder ( ótima estréia de Luis Silva, com toda aquela energia típica de preparação de Fatima Toledo, cheio de gás, contrastando com a performance minimalista de Alfredo Castro) e o leva para casa. Elder enche Alfredo de porrada e rouba de dinheiro. Estranhamente, Alfredo sente atração por Elder e insiste, ao abordá-lo na rua. Assim, nasce uma relação de amor e ódio entre os dois. Com uma narrativa extremamente fria e ritmo lento, é um filme dificil ara espectadores comuns. É um produto para cinéfilos, em busca de histórias complexas e barra-pesadas. A fotografia, em tons pastéis, acentua a atmosfera triste e depressiva de Caracas, focando em locações decadentes.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Shelley

"Shelley", de Ali Abbasi (2016) Terror psicológico dinamarquês, dirigido e escrito pelo cineasta iraniano Ali Abbasi. O filme segue uma tradição de filmes de terror autorais, como "A bruxa", o polonês "Demons" e "Possessão". São todos filmes de gênero, porém para um público restrito, fora do eixo entretenimento. É curioso observar que esse filme de terror, exibido em Berlin 2016, é uma proposta muito hermética do que seria um filme de gênero. Extremamente lento, com várias pontas soltas no roteiro. Quem quiser assistir a um filme querendo ter explicação para tudo, vai ficar muito irritado. Para quem busca uma busca de linguagem narrativa, sem se ater aos clichês, vai se interessar pelo filme. Protagonizado pela atriz romena Cosmina Stratan, que levou a Palma de Ouro em Cannes pelo filme "Além das montanhas", e exibido em diversos Festivais, o filme narra a história de Elena ( Stratan), uma romena que migra para a Dinamarca para trabalhar como empregada para um rico casal. O sonho dela é juntar dinheiro para comprar um apartamento para ela morar com seu filho pequeno, que ela deixou na Romênia. A mulher, Louise, vive deprimida, e confessa a sua tristeza para Elena: seu sonho é ser mãe, mas ela é estéril. Sabendo do sonho de Elena em comprar um apartamento, Louise propõe que Elena seja incubada com os óvulos de Louise e permita que o bebê cresça em sua barriga. Elena topa. Mas à medida que a gravidez avança, Elena vai se sentindo cada vez mais fraca, enquanto Louise vai ficando forte. Elena tem certeza de que o bebê vai matá-la, e tenta dar fim à gravidez. Um roteiro muito interessante, nitidamente inspirado em "O bebê de Rosemary", de Polansky. Só que agora, o bebê terá um nome: Shelley. Com uma fotografia extremamente escura para os interiores ( inclusive em várias cenas mal consegui enxergar o que estava acontecendo). é um filme que, de verdade, instiga. Mas o final em aberto deixa o espectador irritado, talvez o diretor quisesse deixar todo mundo atônito mesmo. Vale como curiosidade. E pelos atores, que estão ótimos.

sábado, 6 de agosto de 2016

Looking - O filme

"Looking - The movie", de Andrew High (2016) A série "Looking" foi produzida e lançada pela Hbo em 2014. Dirigida e escrita pelo inglês Andrew High, diretor do cult "Weekend", a série fez sucesso com o público Lgbts, por mostrar amizade entre 3 amigos gays em São Francisco de uma forma divertida, dramática mas sempre realista. Sexo, drogas e muita música eletrônica permearam a vida dos 3 personagens: Patrick ( Jonathan Groff), um designer de jogos virtuais, Dom, um artista plásico latino e Augustin, que sonha em abrir um restaurante. A série teve 2 temporadas, no total de 18 episódios, e para tristeza dos fãs, não foi renovada. Para poder concluir a história dos personagens, a Hbo produziu um telefilme de longa-metragem. Assim, surgiu "Looking- O filme", que traz Patrick de volta à São Francisco, 9 meses depois dele ter abandonado a cidade para ir trabalhar em Denver e esquecer um amor mal resolvido com o sue patrão, o inglês Kevin. Patrick retorna para o casamento de Dom, e claro, precisa acertar as contas com Kevin e Richie, seu namorado que ele abandonou. Rever os personagens é bastante prazeroso, ainda mais que todos personificaram tão bem os tipos moradores de São Francisco. A fotografia,a trilha sonora pop, e as divertidas piadas do universo Lgbts, são garantia de alta qualidade no resultado final e no roteiro. O desfecho do filme é bastante melancólico. Mesmo que façam todos um brinde à amizade, é sempre triste se despedir de personagens tão queridos. Mas uma coisa a série fez acontecer: deixar todos os espectadores ávidos para conhecer São Francisco! Que cidade linda! Assim como na série pioneira "Queer as folk", aqui o sexo é bem quente, e a entrega dos atores, total, sem frescura.

Modris

"Modris", de Juris Kursietis (2014) Representante da Letônia para disputar uma vaga no Oscar de 2015, " Modris" e' um drama social sobre a adolescência rebelde. Assim como nos filmes dos Irmãos Dardenne, o foco do filme e' acompanhar o protagonista o tempo todo com a câmera quase que em linguagem documental. Modris e' um adolescente que mora com a sua mãe, com quem tem péssima relação. Seu pai, segundo sua mãe, está preso. Modris e' viciado em jogos e namora uma garota de classe média alta, uma das razões de seu desconforto. Um dia, ele vende o aquecedor de sua mãe para poder bancar o jogo. Sua mãe se irrita e o entrega para a polícia. Vencedor de vários prêmios internacionais, Modris e' um filme de boas intenções, ao mostrar o quão a geração atual não consegue se encaixar em uma sociedade tão egoísta e competitiva. Já vimos esse filme antes, e inúmeras vezes. A atuação de Kristers Piksa, no papel principal, e' um atrativo, apesar do personagem tão antipático.

Vida de balconista

"Vida de balconista", de Cavi Borges e Pedro Monteiro (2009) Comédia co-dirigida pelo produtor e diretor mais prolífico do cinema independente brasileiro, Cavi Borges. Esbanjando espontaneidade e humor, "Vida de balconista" se inspira na comédia de Kevin Smith, " O balconista", porém com um orçamento muito menor. Com dois mil reais cedido pela Oi e uma madrugada para rodar o filme com um numeroso time de atores que toparam participar do filme na base do amor, " Vida de balconista" teve que se adaptar tecnicamente para poder ser cumprido em agenda tão apertada. Usando apenas uma lente, a grande angular, que capta toda a cena como se fosse boca de cena de teatro, com raros closes e contra-planos, otimizou-se a quantidade de planos e assim foi possível filmar tudo em 10 horas. Descompromissado, e' nítida a grande empatia e a diversão com que o elenco se apresenta em cena. Todos parecem estar achando tudo muito divertido, e essa sensação gostosa acaba passando para a tela. O espectador desavisado pode estranhar a linguagem usada no filme, mas em tempos de YouTube ( o filme é de 2009) e' bem normal. Por não cortar em planos, as cenas são rodadas quase que em um único plano, favorecendo o improviso. Mateus Solano está muito carismático no papel principal, e a linguagem usada do personagem toda hora olhar para a câmera buscando interação com a plateia funciona bastante. No elenco cult, tem as ótimas participações de Karine Teles, Alamo Facó, Gregorio Duvivier, Miguel Thiré e Saulo Rodrigues. Para assistir com amigos e rir bastante, principalmente para a galera Cinefila. O filme foi todo rodado na locadora do próprio Cavi, a Cavideo, ponto de cinéfilos. Mateus Solano interpreta um balconista de locadora e passa o dia todo atendendo os tipos mais poucos de clientes. Seu sonho é ser um cineasta a lá Tarantino.

O monstro de mil cabeças

"Un muonstro de mil cabezas", de Rodrigo Plá (2015) Um dos grandes filmes de 2016, esse drama mexicano dirigido pelo realizador de " Zona do crime" é uma adaptação do livro de Laura Santullo, que também adaptou o roteiro. Vencedor de inúmeros prêmios internacionais, se assemelha bastante ao filme americano " Um ato de coragem", com Denzel Washington, que após se irritar com a burocracia do plano de saúde, bota o hospital inteiro como refém de seu ato de violência. "O monstro de mil cabeças" poderia facilmente ter sido um dos episódios de " Relatos selvagens". Sonia é uma dona de casa, mãe de dois filhos adolescentes, que tem um marido em estado terminal. Com o tratamento rejeitado pela seguradora, Sonia luta contra a burocracia para que aprovem o tratamento. Seu filho Sebastian a acompanha em sua luta pela dignidade e respeito, mas quando nada parece funcionar mais, Sonia apela para a violência. Essa trama Kafkaniana é brilhante e vai levando os personagens e o espectador a uma mirabolante arapuca sem fim. O desenrolar das cenas são muito bem amarradas, e os atores todos, até as participações , estão excelente. Jana Raluy, no papel de Sonia, conduz o filme com garra e muito talento em sua composição de anti heroína tipica de filmes de Tarantino. Além dos atores, o trabalho de fotografia, Camera e enquadramentos e' exemplar. Rodrigo Plá busca uma linguagem cinematográfica muito interessante, trabalhando com planos fixos, quase sempre abertos, e lançando uso de foco e desfoco nos planos. Uma pérola para cinéfilos, obrigatório para quem adora um filme intenso e inteligente.

Lights out

"Lights out", de David F. Sanberg (2013) Excelente curta de terror, dirigido pelo sueco David F Sanberg, e protagonizado por sua esposa, Lotta Losten. O filme fez tanto sucesso e ganhou tantos prêmios, que foi adaptado para um longa americano, com o mesmo título em inglês. Com menos de 3 minutos de duração, o filme mostra o medo de uma mulher sozinha em casa. Ela se prepara para dormir, e quando apaga a luz, percebe que uma figura sinistra surge. Ao acender, ela desaparece. Desesperada, ela se esconde debaixo de sua coberta, mas a luz, misteriosamente, vai se apagando. Brilhante e muito bem dirigido, com ótima utilização de trilha sonora e edição, o filme assusta de verdade. A sua trejetória é a mesma de outros curtas de terror que também foram adaptados para longas: o espanhol "Mommy" e o australiano "Mr babadook". Imperdível! https://www.youtube.com/watch?v=kNbJE0y29_c

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Holidays

"Holidays", de Kevin Smith, Anthony Scott Burns, Adam Egypt Mortimer e outros (2016) Coletânea de curtas de terror, que têm em comum o fato de cada história acontecer em um feriado. 9 cineastas consagrados no gênero dão vida a 8 curtas: - "Dia dos namorados": uma menina que sofre bullying de suas colegas de escola, é apaixonada pelo teinador. No dia dos namorados, ela resolve presente'-alo com um presente inesquecível. Esse episódio tem uma pegada meio "Carrie, a estranha"" - "Dia de Saint Patrick"- Um dos piores do filme, narra a relação entre uma professora que quer engravidar, e uma aluna que faz parte de uma seita religiosa pagã. Muito bizarro e tosco. - "Páscoa"- Uma mãe coloca sua filha para dormir na noite da Páscoa e avisa à menina que ela não deve acordar de madrugada, senão o coelho aparecerá. Claro que a menina vai acordar de madrugada. Esse episódio é um dos melhores, bem sinistro. - "Dia das mães"- Esse podem passar batido também. Uma história maluca de uma mulher que engravida toda a vez que faz sexo. A sua ginecologista a recomenda para visitar a sua irmã que tem um conselho de mulheres que poderão ajudá-la. O que a mulher não podia esperar é que as mulheres fazem parte de uma seita demoníaca. Esse tem uma pegada de "O bebê de Rosemary", mas ficou ruim. - "Dia dos pais"- O melhor episódio do filme. Uma jovem recebe um pacote pelo correio. Ao abrir, encontra um gravador e uma fita K-7. Quando escuta, se surpreende ao ouvir um recado de seu pai, que ela achava estar morto. Na mensagem, ele dá coordenadas para ir se encontrar com ele. Excelente fotografia, uma bela atmosfera, muito clima e tensão. O desfecho estraga, mas mesmo assim vale a pena. Aula de cinema. - "Halloween"- Incrível a derrocada de Kevin Smith, outrora cultuado por conta de "O balconista" e "Chasing Amy". Sinceramente não sei porquê em seus últimos filmes ele se apegou a fazer filmes trash. Na noite de Halloween, um cafetão de garotas que se apresentam online as trata mal, até que elas resolvem se vingar. Tosco e grtesco no grau máximo. - "Natal"- Um episódio divertido, bem no clima de "Além da imaginação". Esse lembra o filme de Schwarzenegger, que se passa no Natal e precisa disputar um último brinquedo com outro pai. O presente, no caso, é um poderoso óculos 3D, que realiza desejos para quem os usa. - "Ano novo"- Muito bom episódio, tem uma virada na trama previsível, mas mesmo assim, funcional. Um serial killer localiza as suas vítimas em um site de relacionamentos. A sua próxima vítima, para o seu desespero, é uma mulher mais louca do que ele. No geral, o filme vale pelos 4 episódios que recomendei. Os outros podem passar batidos. Uma pena que a grande parte dessas antologias de suspense e terror sejam tão irregulares, e pior, apelam mais para o humor do que propriamente para o terror. Fico no aguardo de uma coletânea que seja terror puro, sem humor negro.

Cartas para Eros

"Cartas para Eros", de Herbert Fieni (2016) Documentário dirigido pelo capixaba Herbert Fieni, lembra bastante o recente documentário de Lufe Stefen, "São Paulo em Hi Fi", sobre a noite Lgbts de Sampa. No caso de " Cartas para Eros", Herbert homenageia as transformistas que se exibiram na famosa Boite Lgbts de Vitória, Eros. Narrando em primeira pessoa, Herbert realiza uma narrativa experimental, onde procura passar para a tela as lembranças sensoriais que ele teve quando frequentou a casa nos anos 90, no auge da cultura Clubber. As transformistas se apresentavam nos shows e Herbert se impressionava com as performances e com o profissionalismo das artistas. Com ótimas imagens de arquivo, o filme é uma viagem nostálgica visual e sonora dos anos 90. Herbert resgata o paradeiro dessas artistas nos dias de hoje e saindo do formato do documentário tradicional, ao invés de entrevista-las, prefere mostrar imagens de suas performances. O filme recebeu o prêmio de inovação artística na Mostra Produção independente, em Vitória.

Lellebelle

"Lellebelle", de Mischa Kamp (2010) Drama adolescente holandês, que trata de temas comuns ao universo jovem. O filme também se assemelha bastante ao filme americano "Fama", de Alan Parker, ao abordar a ansiedade de uma jovem violoncelista para ser aprovada em uma tradicional escola de música. O que diferencia esse filme de tantos outros com a mesma pegada? Sexo. E muito sexo, além de tudo, explícito. A jovem Belle (Anna Raadsveld) sonha em se tornar uma profissional de violoncelo. Mas ela precisa se dedicar aos estudos para poder passar na prova de admissão. Belle tem um problema que a torna insegura: ela é tímida, e além de tudo, virgem. A frigidez dela faz com que ela fique insegura na audição. Antes de apresentar em uma primeira etapa, ela é bulinada por um estranho, e estranhamente, gosta. Por conta disso, ela ganha auto-estima e passa. Para poder passar nas outras etapas, Belle precisa agora se entregar aos prazeres do sexo. Mas não com qualquer um: tem que ser o estranho que a bulinou. Com um tema controverso e que pode desagradar as feministas, "Lellebelle" tem como protagonista uma jovem que sabe que seu corpo é a sua arma para conseguir o que ela quer. Ela necessita de sexo para poder vencer na vida. Essa mesma mensagem é dada por sua mãe, uma terapeuta sexual, e por sua irmã caçula, que rouba o namorado de Belle justamente porquê ela se recusa a transar com ele. O violoncelo acaba sendo uma metáfora sobre o corpo e seu domínio, e como fazer para ele funcionar bem nas notas musicais. Repleto de canções pop, o filme tem bela fotografia e uma linda, talentosa e corajosa atriz, que se entrega por inteira ao projeto. Por ter sido dirigido por uma mulher, as cenas de sexo explícito são filmadas com glamour e muita câmera lenta. Uma cena que pode chocar é a que acontece em uma casa de sexo, onde vários casais transam.

Pardais

"Prestir/Sparrows", de Runar Runarsson (2015) Belissimo filme islandês, dirigido pelo mesmo cineasta do melancólico " Vulcão", venceu inúmeros prêmios em Festivais, incluindo melhor filme do júri da Mostra de São Paulo 2015. Depressivo, o filme segue o protagonista Ari ( o ótimo Atli Oskar Fjalarsson) , um adolescente de 16 anos, filho de pais separados. Ele mora com sua mãe e o novo marido dela em uma casa na ilha principal da Islandia. Sua mãe vai se mudar com o marido e deixa Ari com o ex- marido em uma outra ilha. Ari precisa reaprender a viver com o pai que ele odeia, ao mesmo tempo que revê uma jovem por quem ele era apaixonado anos antes. Com uma fotografia absurdamente linda de Sophia Olsson, o filme apresenta locações de encher os olhos. Porém tudo com absoluto olhar melancólico. A trilha sonora ajuda a dar essa atmosfera de constante tristeza na vida de todos os personagens do filme. Os atores são ótimos, e o roteiro, senão traz surpresas para o tema do rito de passagem adolescente, apresenta uma cena visceral no seu desfecho.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Landmine goes click

"Landmine goes click", de Levan Bakhi (2015) O cineasta e roteirista Georgiano Levan Bakhia faz aqui um exercício de drama brutal, nos moldes de "Sob o domínio do medo" e "I Spitted in your grave". São filmes de vingança, embalados com violência extrema. Para quem gosta de filme com sangue, visceras e não se intimida com cenas de humilhação, vai curtir bastante esse filme, todo rodado na Georgia (País que faz limite entre a Europa e Ásia). 3 amigos americanos fazem turismo na Georgia. O casal Daniel e Alicia, acompanhados de Chris, melhor amigo de Daniel, escalam uma montanha. De noite acampam no local. No dia seguinte, um guia turístico surge e tira foto dos 3: Chris, no entanto, acaba pisando em uma mina terrestre, herança da época que a Georgia estava em Guerra. Alicia se desespera, e ai descobrem que foi tudo armação de Daniel, que descobriu que Chris e Alicia estavam tendo um caso. Daniel vai embora e abandona o casal ali. Alicia desesperada pede ajuda a um guia que apareceu ali, Ilya, mas ao invés de ajudar, o homem estupra Alicia na frente de Chris, que nada pode fazer, correndo o risco de morrer na explosão. O filme tem uma ótima virada na história, surpreendente. O que estraga no entanto, é a sua longa duração, quase 2 horas. O filme deveria ter uns 30 minutos a menos. Se fosse mais enxuto, com certeza teria sido muito melhor e mais tenso. As cenas são longas e alguma frouxas e repetitivas. Os atores estão bem em seus papéis. A curiosidade é que o ator Sterling Knight já fez trabalhos na Disney, e agora, surpreende nesse papel visceral e violento. O ator Kote Todorlava, que interpreta Ilya, morreu pouco tempo depois das filmagens. O filme ganhou vários prêmios em Festivais de filme de terror, entre eles, melhor filme no Fantasporto. É mais um filme que usa o mote de "O Albergue" para apresentar países exóticos da Europa como lugares perigosos para turistas americanos incautos.

Negócio das Arábias

"Hologram for the king", de Tom Tykwer (2016) Baseado no best seller "Um holograma para o Rei", de Dave Eggars, "Negócio das Arábias" é um belo drama que fala sobre superação e descobertas, ocasionadas após traumas que fizeram a história do protagonista Alan Clay ( Tom Hanks) mudar bruscamente. Alan era um alto executivo de sucesso d euma empres amultinacional de bicicletas, mas ao fazer parceria com a China, foi obrigado a demitir 900 funcionários e futuramente, quebrar a empresa. Agora trabalhando com uma empresa de tecnologia, Alan tem uma segunda chance em sua vida. Afinal, ele está quebrado financeiramente e precisa pagar a faculdade de sua filha. Para isso, ele aceita viajar até a Arábia Saudita para tentar fechar um negócio com o Rei. Ao chegar lá, Alan sofre um choque cultural e vai tentando se adaptar aos costumes locais. A sua espera no entanto é esticada, uma vez que o Rei nunca viajando. Alternando momentos de humor e melodrama, "Negócio das Arábias" pode frustrar espectadores que querem apenas se entreter. Ele tem um ritmo lento, é introspectivo e fora umas cenas divertidas com o personagem do motorista interpretado com muita graça por Alexander Black, o filme é frio. Mas mesmo assim gostei, ele tem uma narrativa meio fantasiosa e me lembrou também do filme anterior de Tom Tykwer, "A viagem", repetindo Tom Hanks e Ben Wishaw em ambos os filmes. As locações são de cair o queixo, a fotografia exuberante e a trilha sonora e uma delícia, recheada de canções pop dos anos 70 e 80. E concluindo que somente Tom Hanks para fazer esses papéis de bom moço. Ele está ótimo.

A intrometida

"The meddler", de Lorene Scafaria (2015) A diretora e roteirista Lorene Scafaria realizou em 2012 um dos melhores filmes sobre o apocalipse com um tom melancólico: "procura-se um amigo para o fim do mundo", com Steve Carrel e Keira Knightley. Agora em "A intrometida" ( infeliz título para "Importuna", original em inglês), Lorene escala a excelente Susan Sarandon e lhe oferece de presente um personagem delicioso e complexo: Marnie, uma viúva de quase 70 anos, vistosa e alegre, que se coloca à disposição da filha Lori (Rose Byrne) 100% do tempo, mesmo contra à vontade dela. Desde que o marido faleceu, Marnie dedica seu tempo à filha, que se sente sufocada. Dessa vez porém, o tom acri-doce dos trabalhos de Loerene não deu tão certo: muito por conta de vários sub-plots e personagens secundários, que esticam a duração do filme e esvaziam a relação de Marnie com Lori, e também por conta das inúmeras inserções de merchandising, que incomodam bastante: Apple, Harley Davidson, e outras. Susan está ótima, alternando comédia e drama. O filme tem também a participação de J K Simmons, no papel de um policial aposentado que se apaixona por Marnie. Lorene brinca com o universo cinematográfico de Los Angeles, fazendo com que Marnie participe sem querer de uma flmagem como figurante, e mostrando o set de trabalho de sua filha Lori, que é roteirista. O roteiro tem alguns momentos divertidos, mas no geral, é arrastado e sessão da tarde demais.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Esquadrão suicida

"Suicide squad", de David Ayer (2016) Dirigido pelo cineasta de " Dias de treinamento", "Marcados pela morte" e "Coração de ferro", todos bons filmes, David Ayer recebeu a incumbência de escrever e dirigir um filme da Dc Comics com os personagens mais politicamente incorretos que existem. A expectativa sobre os anti-herói vilões do " Esquadrão suicida" era muita, principalmente entre a galera nerd. No entanto, assim que foi lançado, o filme foi massacrado pela crítica mundial. Eu saí do dia da estreia com a sala lotada e o que vi na sessão do cinema foi o público aplaudindo ensandencidamemte. Não me guio pela crítica, e achei interessante a reação da plateia, que pelo visto, aprovou a adaptação. Não sou aficcionado por quadrinhos e nunca havia sequer ouvido falar do " Esquadrão". O que achei? Achei o filme ok, assim como tantos filmes ok de super heróis, que servem como passatempo e encher nossos ouvidos de barulhos de explosões e afins. O roteiro tem problemas, o vilão não mete medo em ninguém e mais grave: são apresentados personagens demais na história e pouco tempo para desenvolver tanto sub-plot. Quanto aos personagens, obviamente o destaque vai para o casal Coringa e Arlequina ( Jared Leto e Margot Robbie). Will Smith, como o Pistoleiro até tenta, mas não consegue chamar os holofotes para si. É um filme sem alma: a gente assiste, assiste e no final não fica quase nada. Minto: fica a brilhante presença de Viola Davies em cena.

Escondido

"Hidden", de Matt e Ross Duffer (2015) Bom filme apocalíptico dirigido pelos irmãos realizadores da mega série " Stranger things". Protagonizado por Alexander Skaarsgard, narra a história de um casal que mora em um abrigo Nuclear, escondidos do mundo externo. Os pais dizem para a filha que do lado de fora existem os Respiradores, que são seres assustadores que querem ataca-los. A comida no entanto está acabando e os pais resolvem que precisam sair para buscar mantimentos. Regras para sobreviver que os pais impõe a filha: 1) Não faça muito barulho 2) Não deixe a raiva te dominar 3) Não abra a porta do esconderijo 4) Não fale dos Respiradores O filme se assemelha demais a " Rua Cloverfield 10" e " A visita", de Shayamalan. No final do filme existe uma típica virada dos filmes do cineasta indiano, autor de " O sexto sentido". A atmosfera do filme é boa, os efeitos razoáveis e aqui já dá para ter uma ótima ideia do universo que os Irmãos Duffer gostam de trabalhar: ficção científica, suspense, perseguição, paranoia e o ótimo trabalho com crianças. Um filme curioso que vale pela ambientação e pela virada na história.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Verão eterno

"Ododliga", de Andreas Öhman (2015) Dirigido pelo cineasta sueco Andreas Öhman, que realizou anteriormente a excelente dramédia "No espaço não existem sentimentos", sobre um jovem portador da síndrome de Asperger. em "Verão eterno", Andreas Öhman volta ao tema da juventude deslocada e sem rumo, que não encontra futuro na família que vive. Isak mora com seu pai, que insiste em se portar como garotão, apesar da idade. Isak trabalha como atendente em um quiosque de um parque de diversões. Um dia, ele conhece Em, uma jovem de família rica. Em tem distúrbios psicológicos. Isak e Em se apaixonam à primeira vista. em pega o carro de seu pai e convida Isak para seguirem estrada afora e abandonarem tudo para trás. Isak aceita e a partir daí, o filme vira um mistura de "Bonnie e Clyde", "Thelma e Louise" e tantos outros filmes de duplas desajustadas que rodam estrada afira praticado crimes. Road movies sempre foram sinônimo para liberdade, e aqui não é diferente. Apoiado numa belíssima fotografia e trilha sonora suave, o diretor não encontra a emoção e sensibilidade que ele teve ao rodar "No espaço não se encontram sentimento". Muito por causa da longa duração do filme, que se arrasta por cenas repetitivas e por sub-plots desinteressantes. Para quem curte um filme com visual estonteante, vai se esbaldar. Para quem deseja uma boa história bem narrada. vai sentir uma certa monotonia no ar. Para todos os efeitos, o casal de atores está bem e tentam imprimir carisma para os seus personagens vazios.

domingo, 31 de julho de 2016

River

"River", de Jamie M. Dagg (2016) Premiado em vários Festivais, esse filme de estréia do cineasta canadense Jammie M. Dagg é o primeiro filme norte americano rodado em Laos, Vietnã. Protagonizado pelo filho de Donald Sutherland, o Ator Rossif Sutherland, é um filme que aborda o tema do estrangeiro que precisa fugir de um país com leis severas para quem é suspeito de crime. Rossif interpreta John. um médico americano que trabalha em uma Ong no Laos. John é um profissional dedicado, mas quando uma paciente morre em seus cuidados, ele fica deprimido e aceita o conselho de sua superiora, de tirar 2 semanas de férias e conhecer o País. Uma noite, depois de beber em um bar, ele testemunha uma jovem vietnamita ser estuprada por um jovem, e acaba matando o rapaz. No dia seguinte, John descobre que o rapaz era filho de um Senador australiano e que está sendo procurado pela polícia. John começa então a sua rota de fuga desesperada para não ser preso, sem poder contar com a ajuda de ninguém. Com uma ótima direção e um belo trabalho de Rossif, o filme só precisaria de um roteiro que trouxesse elementos novos a um típico filme de fuga. O que o diferencia de outros filmes com o mesmo tema, são as locações no Laos e Bangkoc e aquele olhar estrangeiro sobre um País exótico. A trilha sonora ficou a cargo de uma dupla alemã, que se utiliza de elementos de percursão para provocar tensão.

Nahid - Amor e liberdade no Teerã

"Nahid", de Ida Panahandeh (2015) Maravilhoso filme iraniano, dirigido com extrema sensibilidade e competência pela cineasta e roteirista ida Panahandeh. O filme recebeu inúmeros prêmios Internacionais, inclusive um especial em Cannes na Mostra "Un certain regard". O filme, ousado em todos os níveis, é um drama que faz uma denúncia sobre a condição feminina na sociedade machista iraniana. Com um elenco absolutamente extraordinário ( todos, dos adultos às crianças), o filme evoca grandes clássicos do cinema, como "Manhattan", "Os incompreendidos" e "Um homem, uma mulher". Não fosse as referências à cultura iraniana, eu poderia perfeitamente dizer que "Nahid" seria um filme europeu, tal a sua elegância, sofisticação e beleza visual, bem diferente do que habituamos a assistir em filmes iranianos dos Mestres Makmalbaph e Kiarostami. Nahid é uma mulher divorciada, mãe de Amin, um menino de 10 anos. Seu ex-marido é um viciado em jogos e drogas, e para poder ter a custódia de Amin, Nahid acabou entrando em um acordo judicial: ela não pode se casar nem manter relacionamentos com outro homem. No entanto, para poder viver como mulher solteira e livre de sua família. Nahid acaba devendo o aluguel do apartamento aonde mora, às custas do salário baixo que ela receeb como datilógrafa. Para poder custear a sua sobrevivência e a de seu filho, Nahid aceita se casar em segredo com Masood, um dono de Hotel rico, pai de uma menina. Ela agora precisa esconder a sua relação de seu ex-marido e da família, correndo o risco de perder a custódia de seu filho. O filme tem uma estrutura narrativa bem fragmentada em sua primeira parte, e leva um tempo para entendermos a real intenção de Nahid. Ela, e todos os os outros personagens, agem por sobrevivência, e por isso, praticam atos imorais. É um filme intenso, com forte mensagem social, e que deve ser visto por todos que querem assistir a um trabalho inteligente e arrebatador. O final é um primor.

O bom gigante amigo

"The BFG", de Steven Spielberg (2016) Baseado no clássico da literatura infantil escrito por Roald Dahl, mesmo autor de "James e o pêssego gigante' e "A fantástica fábrica de chocolate", e adaptado para o cinema por Melissa Methison, autora da obra-prima "Et o extraterrestre", "O bom gigante amigo"tinha tudo para ser mais uma jóia na cinematografia irretocável de Steven Spielberg. Mas infelizmente, a receita desandou. Está todo mundo lá: seu fotógrafo Januz Kaminsky, seu compositor John Willians, seu novo ator queridinho, Mark Rylance, de "A ponte dos espiões" e a atriz mirim Ruby Barnhill, uma inglesinha esperta e ao mesmo tempo, com um personagem bem irritante. Os efeitos especiais estão bonitos, mas nada impressionantes para uma fábula infantil. Spielberg tentou de tudo: citar "Et" explicitamente no final, "King Kong", "Parque dos dinossauros", O Pequeno príncipe", "Peter Pan", "Harry Potter"..tem tantas referências que a gente acaba se perdendo do próprio filme, que se apresenta sem identidade própria. E quando uma das poucas cenas aonde o público ri tem a ver com piada de peidos, é porquê tem alguma coisa bem errada né? Sofia é uma órfã que mora em um orfanato. Ela acredita na Hora da bruxa: diz-se que em algum momento, durante a madrugada, uma bruxa vem para pegar as criancinhas na cama. Só que, para sua surpresa, quem vem lhe pegar é um gigante, que a leva até a terra dos gigantes. Chegando lá, ela descobre que ele é vegetariano, e por isso, mesmo, sofre bullying dos gigantes malvados, que sequestram e devoram as criancinhas. Sofia descobre que o Gigante coleciona sonhos e juntos, procura descobrir uma forma de impedir o ataque dos gigantes em Londres. Fico pensando o quanto deve ser difícil para uma criança acompanhar o filme. Apesar de ser feito para elas, a história é complexa, cheia de simbolismos e pior, o ritmo do filme é muito lento. Na primeira parte do filme falta magia e ação, que vem lá pro final, meio "Parque dos dinossauros". O mais divertido do filme acaba sendo o vocabulário criado pelo gigante que é analfabeto. Vale pegar essas neo-palavras e se divertir bastante. O filme foi lançado oficialmente durante o Festival de Cannes 2016.

sábado, 30 de julho de 2016

Star Trek- Sem fronteiras

"Star Trek- Beyond", de Justin Lin (2016) O Diretor J J Abrahams, que dirigiu os primeiros filmes da nova franquia de "Star Trek", teve que abandonar a direção desse filme para dirigir o filme do concorrente direto, "Star Wars". Justin Lin, de "Velozes e furiosos", assumiu o posto, e Abrahams apenas acumula a função de produtor executivo. Muitos fãs ficaram apavorados que Justin destruísse a continuação. Mas na saída do filme, o comentário era geral: ele fez o melhor dos filmes da nova geração da Enterprise. Qualquer coisa que eu possa falar sobre o filme, seria contar spoiler. E seriam muitos. Posso dizer apenas que o poster do filme homenageia o primeiro filme "Star Trek" para o cinema, datado de 1979. E essa não é a única homenagem que o filme brinda seus fãs. Tem um momento exato, que faz qualquer coração Trekker soluçar. A história conta uma nova aventura da tripulação da Enterprise: eles vão atender a um pedido de socorro de uma tripulação em perigo em um planeta remoto. Chegando lá, são atacados por Krall, o grande vilão, que deseja ter em mãos um artefato que está no poder do Capitão Kirk, e que lhe trará grande poder. O mote pode lembrar 'Alien, o 8o passageiro". Mas o que veremos a seguir é um verdadeiro Festival de cenas de ação, piadas sensacionais, a maioria envolvendo Spock, e uma nova personagem muito carismática, Jaylah. O elenco original brilha em momentos solos, espertamente desenvolvido em um roteiro que quer previlegiar a todos os personagens queridos pelos fãs. Chris Pine, Zachary Quinto, Zoe Saldana, John Cho, Simon Pegg, Karl Urban e Anton Yelchin ( prematuramente falecido) Preparem-se para aplaudir e vibrar em momentos-chaves do filme. É muita adrenalina, e muita emoção. E sim, nas cenas onde vemos Chekov, ver a última atuação de Anton Yelchin é muito triste. O filme é dedicado a ele e a Leonard Nimoy.

Caça-fantasmas

"Ghostbusters", de Paul Feig (2016) Muito se falou sobre essa refilmagem do cult de 1984, com um elenco masculino formado pelos comediantes Bill Murray, Rick Moranis, Harold Ramis e Dan Akroyd. Polêmicas sobre machismo, feminismo e outros ismos à parte, que não foram o meu foco quando fui assistir ao filme, pois de fato eu só queria passar o tempo e estava curioso, confesso que fiquei decepcionado. Aliás, vislumbrado com a falta de ritmo desse filme. Os personagens são apresentados, os fantasmas vão aparecendo, a porradaria e efeitos especiais comem solto..mas nada de fato me empolgou. O único elemento de interesse do filme, fora o quarteto de atrizes que são ótimas comediantes e de Cris Hensworth que está se divertindo à valer no papel do loiro burro, é a homenagem à cultura oitocentista. Trilha sonora, visual, direção de arte, figurinos, efeitos toscos...sim, o filme para para a geração que assistiu ao filme original, e o Diretor Paul Feig quer porquê quer agradar a esse público e também a novos possiveis fãs. O que faltou foi um roteiro mais original, sem o mesmo desdobramento do filme que serviu de inspiração.( até o desfile de bonecos infláveis??) Bill Murray, Dan Akroyd e Sigourney Weaver aparecem em pontas afetivas? Não fez a menor diferença para mim.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

O silêncio do Lago

"Spoorloos", de George Sluizer (1988) Esse filme holandês e' um grande cult dos anos 80, e considerado por muitos críticos o melhor filme europeu de 1988. Baseado no livro " The golden egg", de Tim Krabee, o filme é um thriller de suspense, daqueles de deixar o espectador atônito. O filme começa apresentando um casal holandês de férias na França. Rex e Saskia seguem estrada, e durante o percurso, tem uma discussão. No dia seguinte, já reatados, eles param em um posto de gasolina. Saskia vai buscar bebida e desaparece. Rex desesperado tenta localiza-la, em vão. Passam-se três anos e ele ainda obsessivamente a procura. Contando assim parece que é apenas mais um filme sobre pessoas que somem. Mas subversivamente, logo no início, Rex e' deixado de lado e o protagonista do filme passa a ser Raymond ( Bernard Pierre Donnadieu, excelente). Ele já é apresentado como o sequestrador. Somos convidados a conhecer sua familia perfeita, a sua sala de aula como professor respeitado e a sua casa luxuosa. Tudo aparentemente normal, se Raymond não fosse um psicopata que deseja praticar um ato maldoso. Somente no desfecho da história sabemos o real motivo do sequestro e que fim teve Saskia. A direção de George Sluizer e' brilhante, sem se preocupar em criar um ritmo frenético. O filme vai lento, sem pressa. A atmosfera do filme, sempre misteriosa, e' perfeita. Recentemente teve o filme de Dennis Villeneuve, " Os suspeitos", que lembra bastante a estrutura narrativa desse filme aqui. O final é de pirar. Stanley Kubrick cita o filme como um dos que o influenciaram em seus filmes seguintes. O mesmo diretor filmou um remake nos Estados Unidos com Kiefer Sutherland, Jeff Bridges e Sandra Bullock.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Jason Bourne

Jason Bourne", de Paul Greengrass (2016) Seu nome é Bourne. Jason Bourne. Nesse quarto filme da franquia " Identidade Bourne", o próprio já tem conhecimento de sua origem e de quem ele foi, mas precisa saber o porque que seu pai criou o projeto no qual ele se inscreveu. Para isso, ele vai atrás de informações e conta com ajuda de hackers. Aliás, o que seria dos filmes de espionagem sem os hackers? Paul Greengrass novamente mostra a sua maestria em filmar cenas de ação, dessa vez se atendo única e exclusivamente na aventura ininterrupta. Não dá tempo para narrar dramaturgia: é só correria, tiros e muita confusão, que assim como James Bond, percorre vários países do mundo. A sequência final em Las Vegas impressiona pela alta produção e pelo orçamento gasto. No final das contas, apesar de me divertir com o filme, conclui que é mais um filme da franquia, que pelo visto está longe de terminar. A cada filme, um pequeno item é descoberto. O que mantém o espectador interessado, além da óbvia parte técnica, é o excelente casting, que incluir os ótimos Tommy Lee Jones, no papel do vilão Diretor da Cia, Alicia Vikander como sua subalterna, Vincent Cassel interpretando o enésimo vilão da sua carreira e Riz Ahmed, que interpretou Rick, em "O abutre". O filme flerta com temas atuais: imigração, roubo de dados em redes de computador, manifestações populares na Grécia...para quem busca apenas adrenalina, vai adorar pois o filme tem ação ininterrupta. Para quem buscava logo diferente, talvez se decepcione.

Meu nome é Jacque

"Meu nome é Jacque", de Angela Zoe (2016) O Documentario " Meu nome é Jacque" é um filme necessário. Um filme que fala sobre auto-estima e a busca pela identidade, pelo ser humano, independente de idade, opção sexual, raça ou vícios na vida. O filme abraça vários temas: a mulher Trans, o portador do Hiv, a irmã adotiva negra que quando criança não se aceitava, o irmão ex dependente químico, os filhos adotivos que foram abandonados pelos pais biológicos... Todas essas pessoas querem ser aceitas na sociedade e não serem tratados de forma diferente. Jacqueline Rocha desde criança sabia que era diferente. Como boa parte dos transsexuais, afirmava que tinha nascido em corpo errado. Ela não se considerava gay, e sim, uma mulher. O filme fala sobre a aceitação de suas famílias, da mudança de sexo, do casamento com Vitor, do contagio do viria Hiv, e de sua luta como ativista e militantes dos portadores de Hiv e da mulher nas Nações Unidas, por conta de seu trabalho em uma ong que batalhava pelos direitos dos soropositivos. O filme emociona pelos relatos de Jacque, seu marido e os irmãos dela, em parcial Renato, ex dependente químico e que dizia que sempre respeitou a diferença de Jacque dentro de casa. É um filme simples má formação, mas dirigido e conduzido com extrema sensibilidade, sem apelar para bandeiras e para o piegas.

Dois caras legais

"The nice guys", de Shane Black (2016) Preparem-se para mais uma nova franquia: o mesmo roteirista da cultuada série: "Máquina mortífera", Shane Black, resolveu retomar o mote da dupla de parceiros que não se bicam em "Dois caras legais". A ação acontece em Los Angeles dos anos 70, envolvida com as poderosas indústrias da pornografia e do automobilístico. A trama se assemelha em termos com "Chinatown", de Roman Polansky: uma trama complexa, que mistura corrupção, políticos inescrupulosos e personagens dúbios. Jackson Healy ( Russel Crowe) e Rolland March ( Ryan Gosling) são duas figuras inconstantes e imprevisíveis. Ambos trabalham como detetives particulares. Healy é contratado por Amelia, uma menina de 13 anos, para que ninguém a encontre, inclusive sua mãe, a poderosa chefe da Justiça, Judith ( Kim Basinger). March, pai de Holly (Angourie Rice), é cpntratado por uma senhora para descobrir o paradeiro de sua sobrinha, Misty, uma famosa atriz pornô, dada como morta, mas que ela acredita estar viva. O caminho de March e Healy se cruzam quando descobrem que assassinos estão em busca de Amelia, peça chave para entender os desaparecimentos e assassinatos de pessoas envolvidas com a realização de um filme pornô, protagonizados por Amelie e Misty. O filme tem uma trama cheia de cruzamentos que exige atenção redobrada do espectador, caso contrário, poderá se perder na história. São muitos personagens que entram e saem de cena. A fotografia, a cargo do mestre Philipe Rousselot, é incrível. A trilha sonora é maravilhosa, alternando músicas disco, rock e pop da época. A edição é frenética e a direção de arte, sublime. Mas nada disso funcionaria se não fosse o brilhante trabalho do trio de atores principais: Russel Crowe reencarna Danny Glover, fazendo aquele tipo bronco e sem paciência. Ryan Gosling está sensacional na sua composição, alternando momentos de alta comédia com gags físicas e ótimo timing. E Angourine Rice é uma maravilhosa surpresa. Essa jovem atriz australiana com certeza terá uma carreira excepcional pela frente. A sua doce e esperta Holly rouba todas as cenas em que aparece. Carisma puro. É um filme divertido, cheio de ginga e ação, dirigido pelo mesmo cineasta de "O homem de ferro 3" e "Tiros e beijos". O filme teve a pré-estréia no Festival de Cannes 2016.