quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Um homem só

"Um homem só", de Claudia Jouvin (2015) Filme de estréia da roteirista Claudia Jouvin, que escreveu alguns roteiros de José Belmonte: "O gorila", "Entre idas e vindas" e seriados para a Tv Globo. O filme, premiado em Gramado, de onde saiu com os prêmios de fotografia, Ator coadjuvante ( Otavio Mueller) e atriz ( Mariana Ximenes), é uma deliciosa e melancólica fábula sobre o amor. Arnaldo ( Vladimir Brichta) é um burocrata casado com uma megera ( Ingrid Guimarães, em personagem muito próximo ao que ela fez em "Um namorado para minha mulher"). Inconformado com a vida pessoal e profissional, Arnaldo acaba sem querer escutando uma conversa secreta entre seus colegas de trabalho: a possibilidade de se clonar. Com essa idéia em mente, ele vai até o laboratório futurista fazer uma cópia de si mesmo: Ele, o original, segue para curtir a vida, e a cópia, pega a parte ruim. Com a entrada em cena de Josie ( Ximenes), funcionária de um cemitério de animais, e a rebelião do clone, tudo se torna um inferno na vida de Arnaldo. Um filme diferente dentro da seara das comédias românticas nacionais, por inserir elementos de realismo fantástico e futuristas na trama, "Um homem só" tem todo o requinte de um ótimo filme argentino: ótimo roteiro, bons atores e uma fotografia elegante e classuda. Vale assistir ao filme, que é muito divertido e possui no seu elenco participações especiais de MIlhem Cortaz, Eliane Giardini, Debora Lamm e Leticia Isnard. O Rio de Janeiro apresentado no filme é muito diferente da cidade colorida e de cartão postal que estamos habituados a assistir. A trilha sonora, do craque Plinio Profeta, é uma maravilha.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O silêncio do céu

"O silêncio do céu", de Marco Dutra (2016) Quando "Trabalhar cansa" foi lançado, fiquei muito feliz de ter acabado de assistir a um filme diferente, usado, que fazia referências ao cinema de David Lynch, repleto de mistérios e interrogações, com um trabalho de ator brilhante de Marat Descartes. Logo depois, Marco Dutra lançaria "Quando eu era vivo", igualmente com belas atuações de Antonio Fagundes, Marat Descartes e Sandy. Agora, em seu terceiro longa, Dutra comprova o que já sabíamos: ele é um excelente Diretor de atores. Carolina Dieckmann oferece aqui o que muitos críticos alardeiam como a sua melhor performance. No papel de Diana, ela interpreta uma mulher casada com Mario ( Leonardo Sbaraglia), um homem cheio de medos e fobias. A relação do casal está bastante desgastada. Ela abandonou o Brasil e mora com ele no Uruguai. Um dia, ao voltar para casa, Mario assiste Diana sendo estuprada por 2 homens. Apavorado, ele não reage, e nada faz para impedir o estupro. Ao chegar em casa, Diana também nada comenta sobre o ocorrido. Mas a angústia do fracasso e de presenciar sua esposa sendo estuprada faz com que Mario vá se tornando um homem diferente, em busca de vingança. Bem dirigido, é um filme seco, angustiante. A ausência de música aumenta esse sentimento de vazio e de sofrimento. O ritmo é bem lento, e as peças do quebra-cabeça vão se formando ao longo da narrativa. As narrações em off me cansaram, ficaram bastante didáticas e não acho que seriam necessárias, preferia que ficasse tudo em silêncio mesmo. É um filme que exige paciência do espectador e um tempo para maturar após terminada a sessão. Participação especial de Chino Darin ( filho de Ricardo), no papel de um dos estupradores. O filme ganhou um prêmio especial do juri em Gramado 2016.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Luiz Carlos Barreto, o revolucionário

"Luiz Carlos Barreto: O revolucionário", de Betse de Paula e Jacques Cheuiche (2016) Documentário que faz parte da série sobre fotógrafos brasileiros do Canal Curta, dessa vez homenageando o Grande produtor do Cinema brasileiro, Luiz Carlos Barreto, o Barretão. Entre outros filmes, ele produziu "O que é isso, companheiro?", "Dona flor e seus dois maridos", 'O quatrilho", etc. O que pouca gente sabe, é que Barretão começou a sua carreira como fotógrafo de fotojornalismo. Acidentalmente, durante uma sessão de fotos nas filmagens de "Barra vento", de Glauber Rocha, o próprio ficou encantado com a luz e sensibilidade das fotos e acabou indicando o fotógrafo para Nelson Pereira dos Santos, em seu longa "Vidas secas". Sem experiência em cinema, Barretão, iluminou o filme sem luz artificial, somente com a luz do sol, para as filmagens rodadas no sertão, tudo em preto e branco. Foi uma revolução. Em seguida, fotografou "terra em transe", onde cita que por conta do orçamento, acabou misturando emulsões e fabricantes diferentes de negativo. Luiz Carlos Barreto conta histórias deliciosas e divertidas dos bastidores dos filmes, fazendo o espectador morrer de rir com o inusitado. Bom de papo, Barreto introduz o cinema na vida da família: seus filhos, Bruno e Fabio, sua esposa, Lucy Barreto, e a filha, Paula. O filme é uma justa e bela homenagem àquele que escreveu o seu nome na História do Cinema brasileiro, tendo dois filmes indicados ao Oscar de filme estrangeiro.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Sangue do meu sangue

"Sangue del mio sangue", de Marco Bellocchio (2015) Um dos cineastas mais prestigiados no circuito dos Festivais, o italiano Marco Bellocchio, aos 75 anos, realiza "Sangue do meu sangue", vencedor do Prêmio Fipresci da crítica em Veneza 2015. A história é dividida em 2 partes, cada uma centrada em uma época. No Séc XVII, em Bobbio ( cidade natal de Bellocchio) uma freira, Benedetta, é acusada de seduzir um Padre, que acaba se suicidando. O seu irmão gêmeo, Federico, chega ao local para impedir que o irmão seja enterrado no cemitério dos animais, destino dado aos suicidas. Para que isso não aconteça, ele precisa fazer com que a freira assuma a sua culpa e se assuma como bruxa. Federico no entanto, acaba se deixando seduzir pelos encantos da freira. A segunda parte acontece nos dias e hoje, e também localizada no mesmo convento. Ali, mora o Conde, uma figura misteriosa que somente circula de noite, e que acredita ser um vampiro. Um cobrador de impostos surge com um bilionário russo, querendo comprar o convento, o que desestabiliza o Conde, que quer manter o segredo do local intacto. Curioso como as duas histórias foram filmadas de forma tão distinta. A primeira e melhor parte, daria um filme por si só. Gótica, sinistra e melancolicamente bela, ao som de "Nothing else matters", do Metallica, a história da mulher que ousou amar é uma crítica de Bellocchio contra a Igreja católica e a sociedade machista. A cena do rio, onde a freira é torturada para confessar a bruxaria, é antológica e um primor de realização. A excelente atriz Alba Rohrwacher faz uma pequena participação como uma camponesa seduzida pelo Padre Frederico. A segunda parte, infelizmente, não chega à genialidade da outra história. Metaforicamente, talvez queira falar sobre corrupção, decadência do modelo europeu de economia e da sociedade. Confusa em relação a qual gênero quer fazer parte ( uma mistura de romance, drama e comédia pastelão), só vale pelo desfecho, que complementa e fecha com chave de ouro o filme. O elenco está ótimo, com destaque para Lidiya Liberman, no difícil papel de Benedetta. A fotografia de Daniele Ciprì é um primor, assim como a trilha sonora de Carlo Crivelli. Em Veneza, o filme foi aplaudido por 8 minutos após a sessão. Um certo exagero, mas considerando a genialidade da primeira parte do filme, merecido.

domingo, 25 de setembro de 2016

O espírito da colméia

"El espíritu de la colmena", de Victor Erice (1973) Diretor espanhol de apenas 3 longas em sua carreira, Victor Erice tem em "O espírito da colméia" a sua grande obra-prima, considerada por críticos espanhóis o 3o melhor filme nacional de todos os tempos. Assim como em "Cria cuervos" e "O labirinto do Fauno", o filme tem como subtexto a ditadura de Franco e a sua unfluência na vida das pessoas durante o ano de 1940, em uma pequena cidade da Espanha. Na metáfora sobre o Poder, o medo e a morte que ronda a todos, o filme narra a lúdica história de Ana e Isabel, duas irmãs que vão ao cinema itinerante assistir a uma projeção de "Frankestein". Ana fica impressionada com a figura do monstro, e questiona Isabel se a menina e Frankestein morreram. Isabel diz que Frankestein está vivo e que ele habita como um espírito em uma casa isolada no campo. É para lá que Ana se encaminha, sem saber que ela irá lidar com uma dura realidade. Com uma direção brilhante, repleta de simbolismos e com planos primorosos, o filme conta também com uma mágica fotografia, a cargo de Luis Quadrado, e uma trilha sonora que encanta pelo tom fabulesco, de Luis de Pablo. A direção de arte é requintada e cheia de detalhes. O roteiro, primoroso, converge a história do filme com a de Frankestein, de uma forma inteligente. O desfecho é mágico, e lembra bastante o clima onírico da obra-prima "O mensageiro do diabo". O elenco está excelente, mas é em Ana Torrent, a pequena Ana, com apenas 6 anos de idade, que o filme se escora. Ela venceu o prêmio de melhor atriz em um Festival da Espanha na época. Anos depois, ela repetiria um papel semelhante na obra-prima "Cria Cuervos", de Carlos Saura. Repleta de cenas antológicas, é um filme que merece ser revisto de tempos em tempos, com seus planos longos e poéticos.

Os heróis do mal

"Los heróes del mal", de Zoe Berriatúa (2015) Drama espanhol produzido por Alex de La Iglesia, o papa dos Filmes B espanhóis. Aritz é um jovem estudante que sofre bullying na escola. Um dia, ao apanhar de um dos alunos, ele é salvo por Esteban. Os 2 tornam-se amigos, unidos pelo sentimento de tirarem a sua própria vida. Sara, uma Tomboy, se junta ao grupo e os três amigos marginalizados tonam-se inseparáveis. Juntos, eles se vingam de seus malfeitores e praticam roubos em supermercado, além e beberem e usarem drogas, se auto-intitulando "Os heróis do mal". No entanto, Esteban e Sara acabam se apaixonando, o que provoca uma crise em Aritz, que tem uma paixão platônica por Esteban. Mais um exemplar sobre o tema do bullying, que pela quantidade de filmes ainda a serem lançados, é um tema inesgotável. O eterno conflito entre os marginalizados X os dominadores ganha o elemento da violência estilizada que o produtor e cineasta Alex de la Iglesia venera em todas as suas produções. Cabe dizer também que os exageros dos seus filmes está impresso nas atuações, principalmente em Jorge Clemente, que interpreta Aritz. Ele esbanja caras e bocas, ao contrário de Emilio Palacios, no papel de Esteban, que lhe valeu um prêmio de interpretação no Festival de Malaga. Lá pelo final, o diretor Zoe Berriatúa homenageia Peter Greenaway, se apropriando do tema musical de Michael Nyman durante uma cena intimista. Vale a curiosidade.

sábado, 24 de setembro de 2016

Camille outra vez

'Camille redouble", de Noémie Lvovsky (2012) Grande sucesso de crítica e público na França em 2012, venceu o Prêmio de direção na Mostra paralela "Quinzena dos realizadores", do Festival de Cannes, além de ter sido indicado a 13 prêmios no Cesar, premiação da Academia de cinema francesa. O filme é escancaradamente uma quase refilmagem literal do cult de Coppola, "Peggy Sue, seu passado te condena", com uma atuação inesquecível de Kathlleen Turner. A cineasta e roteirista Noémie Lvovsky estréia na direção do longa com pé direito. O filme é simpático, mais maduro e realista que o filme de Coppola, mas o tema é o mesmo: uma mulher de meia idade, Camille, está para se separar de seu marido, que a traiu com uma mulher mais jovem. Atriz decadente, ela vai para uma festa de amigas da adolescência e bebe demais. Quando acorda, se vê em 1985, quando tinha 16 anos de idade. Camille aproveita para refazer as pazes com seus pais e mais: ao conhecer seu futuro marido, ela fica em dúvida se deve ou não ter um caso com ele, pai de sua futura filha. Apesar dos acertos, o filme tem alguns problemas: é longo demais, com um ritmo bastante arrastado. A sua protagonista não tem o charme e carisma de Kathllenn Turner. Noémie Lvovsky é boa atriz, mas faltou uma mágica em sua atuação, que estivesse mais no tom fantasioso da trama. A trilha sonora é divertida, e a fotografia trabalha bem a diferença entre o presente e o passado. É um filme bem sessão da tarde, não tão romântico como se esperava, mas dá para assistir na boa.

A última premonição

"Visions", de Kevin Greutert (2015) Suspense psicológico que tenta pegar carona no seu título em português na famosa franquia "Premonição", mas não tem absolutamente nada a ver. O filme é um arremedo muito meia bomba de filmes como "Poltergeist" com "O bebê de Rosemary" e "A mão que balança o berço". Os efeitos são fracos, os atores medianos e o roteiro é o mais óbvio possível. Aliás, não tem nada que me irrita mais do que aquele plot da esposa grávida que toma anti-depressivos e o marido acha que ela está tendo alucinações. Eveleigh é casada com David, e são donos de uma vinícola na Califórnia. Uma noite, Eveleigh sofre um acidente de carro. O bebê do outro carro morre, e Eveleigh se sente culpada. 1 ano depois, Eveleigh está grávida, e tomando conta da vinícola junto de David. Ela toma antidepressivos para poder seguir adiante em seu luto, mas fatos estranhos vão acontecendo na mansão aonde moram, o que faz Eveleigh pensar que o local está assombrado. Os sustos são provocados por sons estridentes que surgem do nada, os vidros quebram toda a hora e enfim, no final, acaba sendo aquilo mesmo que imaginávamos. Se você realmente não quer quebrar a cabeça raciocinando ao ver um filme, esse filme pode ser para você. Piloto automático nível 10.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Cincos

"Deo pa i beu", de Jung Yeong Sik (2013) Ótimo thriller de suspense sul coreano, sobre uma mulher que busca vingança após um serial killer assassinar seu marido e sua filha. Eun- A fica paralítica, e para poder botar a sua vingança em prática, ela resolve doar seus órgãos para 4 pessoas que possuem parentes que necessitam da doação. Em troca, eles devem ajudá-la a procurar o assassino. A direção de Jung Yeong Sik é muito competente, deixando o espectador em constante tensão. O roteiro, também escrito por ele, manipula os personagens e o espectador, fazendo com que a gente sinta muita raiva do vilão, que é mal até a ponta do cabelo. No desfecho, a gente fica torcendo e ao mesmo tempo, sentindo raiva das atitudes de alguns personagens, que agem como todo clichê de filmes de suspense age: achando que o assassino está fora de combate. E isso acontece várias vezes. É inegável a forte inspiração de filmes como "O silêncio dos inocentes" e "Desejo de matar". A protagonista, a atriz Kim Seon A, está excelente. Um filme recomendado para quem gosta de filmes de altíssimo suspense e que não fique querendo questionar demais sobre os atos dos personagens.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Tag

"Riaru onigokko", de Sion Sono (2016) Esse é definitivamente um dos filmes mais originais que assisti recentemente. O cineasta japonês Son Sono é autor de alguns dos maiores cults do recente cinema japonês contemporâneo ( 'O clube do suicídio", "O jantar de Noriko"), e os seus filmes falam sobre amores fetichistas, mundos paralelos e muita bizarrice, todos com uma embalagem da extrema violência. Seus filmes são pops ao extremo, e por conta disso, ganhou fãs pelo mundo inteiro. Aqui no Brasil, infelizmente, ele nunca foi lançado comercialmente, e uma pena, não teve o reconhecimento merecido. "Tag" lembra bastante o filme americano "The sucker punch". Em um elenco essencialmente feminino, a história gira em torno de Mitsuko, uma jovem colegial que, a caminho da escola, testemunha todas as suas amigas serem assassinadas por uma ventania assassina. Mitsuko passa o filme inteiro fugindo, e mais: ela adquire múltiplas personalidades, cada uma, interpretada por uma atriz diferente. Ora ela é Mitsuko, ora Keiko, ora Izumi. O filme tem uma história complexa, que se explica no seu desfecho. Até lá, fica dificil para o espectador tentar entender o que está acontecendo. Mal comparando, era como se Bunuel ainda continuasse na ativa e tivesse dirigido esse filme, com uso de efeitos especiais e muita computação gráfica. Essa é uma das grandes virtudes de SIon Sono: não ter medo do ridículo e criar a história que bem lhe entender. É o caso de filmografia que, ou se ama, ou se odeia. Como diz uma das personagens do filme: " A vida é surreal, não deixa ela pegar você. Não deixa ela te consumir.". Como todo filme japonês, os efeitos beiram o tosco, com muito sangue jorrando. A atriz Reina Triendl está excelente no papel de Mitsuko. As feministas irão adorar o filme, mesmo que durante a projeção, pensem que as meninas representadas na história reforcem o estereótipo do cinema japonês de garotas vestidas de colegial e com calcinhas aparentes. No final, tudo se revela. Altamente recomendado para quem curte um cinema diferente.

Trem para Busan

"Busanhaeng", de Yeon San Ho (2016) Escrito e dirigido por Yeon San Ho, "Trem para Busan" é um impressionante longa de terror e ação que abalou o Festival de Cannes em 2016. Yeon San Ho é o realizador da obra-prima da animação "O rei dos porcos", e aqui, se brinca e se diverte com todos os clichês dos filmes de zumbis. Hoje em dia, com o sucesso do seriado "The walking dead", é difícil algum filme de zumbis atrair a atenção dos espectadores. Tudo vira um pastiche insosso sobre a luta pela sobrevivência e o quanto o seu humano é mais cruel que os próprios mortos-vivos. Porém, existem 2 grandes diferenças aqui nesse filme sul coreano: 1) Assim como no excelente "O hospedeiro", de Bong Joon Ho, que fala sobre um enorme monstro que invade Seul e sequestra uma menina, desestabilizando a família dela, aqui em "Trem para Busan" o elemento chave são as relações familiares. 2) Os efeitos são ótimos, e os exageros narrativos dos filmes sul coreanos se encaixam perfeitamente aqui na narrativa. Um jovem empresário, egocêntrico e manipulador, precisa levar a sua filha pequena de Seul até Busan, e para isso, pegam um trem. N trajeto, eles descobrem que o trem está repleto de pessoas infectadas com um vírus que os transformam em zumbis. Juntos de outros sobreviventes, eles procuram uma forma de escapar dali. Mesmo com uma longa duração, de quase duas horas de duração, o filme diverte e emociona. Alguns momentos podem soar piegas, mas esse é o grande diferencial dessa produção com outros filmes do gênero, que é trabalhar com os sentimentos. Mesmo sendo um filme de zumbis, o roteirista não se esquece que os seus personagens são reais e não meras caricaturas. No elenco, Gong Yoo e Kim Soo An brilham como o pai e filha, e de fato, torcemos por eles. Uma história à moda antiga, onde nos importamos com os personagens principais e ficamos com muita raiva dos vilões.

domingo, 18 de setembro de 2016

Theo e Hugo: Paris 05:59

"Theo e Hugodans le même bateau", de Olivier Ducastel e Jacques Martineau (2016) Dirigido e escrito pela dupla de realizadores franceses, "Theo e Hugo" já começa em altíssima provocação: 17 minutos de sexo explícito. Os protagonistas Theo e Hugo são duas figuras solitárias que se conhecem em um clube de orgia gay em Paris. No meio de muito sexo entre homens ( os atores foram todos selecionados através de post no Facebook, deixando claro o conteúdo explícito do filme), eles percebem que estão sentindo algo além do que apenas sexo. Theo e Hugo resolvem sair do clube e perambular pelas ruas de Paris. Porém, um deles revela ser soropositivo, o que irá causar um desconforto e insegurança muito rande no outro parceiro. O filme é uma clara referência à obra=prima de Agnes Varda, "Cleo de 5 às 7". O filme acontece em tempo real, que vai de 4:27 a 5:59 da manhã. Assim como Cleo, que passa o filme todo aguardando angustiada o resultado de um exame onde ela acreditarser portadora de um câncer terminal, "Theo e Hugo" os personagens se encaminham até um posto méico de madrugada, para fazer um exame de HIV. O filme tem uma narrativa quase documental ( toda a parte do hospital foi filmada com profissionais médicos reais) e o espectador acompamha a epopéia do casal de protagonistas como se estivesse do lado deles, testemunhando cada segundo de tudo o que estão fazendo. Por conta da natureza da narrativa do filme, é inevitável que lá pelo meio exista uma enorme barriga, tornando a narrativa menos interessante. É muita conversa jogada fora. Tanto que o primeiro ato, que vai até o hospital, e o último ato, são os melhores. O trabalho dos atores é visceral: além de fazerem sexo real, eles vivem com muita verdade a angústia dos personagens. Geoffrey Couët e François Nambot merecem aplausos pela performance crua, tanto que ganharam um prêmio pela interpretaçao no Festival Filmout. Além desse prêmio, o filme ganhou muitos outros, incluindo o de Melhor filme do público no Festival de Berlin, levando o Teddy bear. Deve ter sido muito dificil filmar o longa quase todo em externa noturna nas ruas de Paris, em esquema baixo orçamento, incluisve para iluminar as ruas.

Haunters

"Haunters", de Kim Min Suk (2010) Escrito e dirigido pelo sul coreano Kim Min-Suk, "Haunters" é um filme de ação fabulesco que lembra bastante o cult de Shayamalan, "Corpo fechado". Cho in é um homem dotado de um podere speciual: ele consegue controlar a mente das pessoas. Assim, ele obtém tudo o que ele deseja: dinheiro e poder. Cho In teve uma infância difícil, sofendo bullying constante de seu pai, a quem acabou matando. Por conta disso, quando adulto, ele se dedciou ao mundo do crime. O caminho, no entanto, cruza com o de Kyu Nam, também dotado de um poder especial: ele não morre. Kuy Nam tenta dominar Cho In para evitar que ele provoque mais crimes, mas esse resolve se vingar matando os amigos de Kuy Nam. Divertido filme no melhor estilo sul coreano de ser: ou sej,a com bastante exageros e caricatura na construçao de personagens. As cenas de ação e de efeitos poderiam ser melhor construídos, mas os 2 atores estão bem em seus papéis. Destaque também para dois atores que não sei o nome, que interpretam os amigos ocidentais e atrapalhados de Kyu Nam. É um passatempo desmiolado, melhor não ficar questionando muito a história e apenas se divertir. Poderia ter uns 20 minutos a menos, pois lá pelo meio da história o filme se arrasta. O filme teve um remake japonês em 2013.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Morgan

"Morgan", de Luke Scott (2016) Primeiro longa dirigido pelo filho de Ridley Scott, que produziu o filme. "Morgan" tem elementos na história que lembram bastante "Blade Runner" e "Alien, o 8o passageiro", ambos dirigidos por Ridley Scott. Morgan é uma experiência genética. Desenvolvida por cientistas, e com 5 anos de vida, de repente ela se torna uma máquina mortífera, muito por conta das emoções mal desenvolvidas por ela. Uma agente de gestão de risco da empresa que bancou a pesquisa, Lee, segue até o remoto local aonde a experiência com Morgan está sendo realizada. Chegando ali, Lee é hostilizada pelos cientistas, que querem proteger a cria deles. Mas Morgan se rebela e acaba matando um a um. Com ritmo arrastado na primeira parte do filme, "Morgan"vai ganhando força a partir do meio em diante, quando a ação finalmente acontece. Impossível não se lembrar dos replicantes rebeldes de "Blade Runner", ainda mais que o filme tem uma cena praticamente idêntica: uma entrevista de um cientista com um replicante/Morgan, que acaba em tragédia. Devo confessar que a grande virada no desfecho do filme, que parece ser surpreendente para todos, acaba se tornando bastante óbvia, muito por conta da performance de Kate Mara, no papel de Lee. O grande destaque do filme acaba sendo o elenco bastante cult e eclético: Michelle Yeoh, Paul Giamatti, Rose Leslie ( a Ygrette de "Game of thrones"), Jannifer Jason Leigh, Toby Jones e Anya Taylor-Joy, no papel de Morgan, revelada em "A bruxa". A performance de Anya Taylor-Joy lembra muito o de Alicia Vikander em "Ex machina". Vale a pena assistir o filme, mesmo com seus defeitos no primeiro ato. A pancadaria rola solta a partir do meio e para quem curte violência, é um prato cheio. De qualquer forma, a direção de Luke Scott tem belos momentos, criando clima de tensão.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Auto-retrato de uma filha obediente

"Autoportretul unei fete cuminti", de Ana Lungu (2016) Premiado em Festivais europeus e exibido na Mostra de São Paulo 2015, esse filme foi escrito e dirigido pela romena Ana Lungu. O filme é formado por várias cenas desconexas e longas, como tableux, que mostram a rotina de uma mulher de 30 anos que quer ser independente. Ela mora sozinha, e estuda engenharia, porém não trabalha. Ela divide sua cama com um amante casado e vez ou outra visita deus pais burgueses, a quem ela não se consegue ver encaixada. O filme é isso. Cristiana , a protagonista, passa de cena em cena conversando, e conversando, e conversando. E' muito falatório para um filme parado, sem movimento. Impossível não se entediar. No final das contas, e' inegável que seja um filme romeno, e palmas para a ousadia narrativa. A direção de atores e' boa, e a impressão que tive e' que muita coisa foi improvisado. Para Cinefilos que não sejam tão rigorosos com filmes.

A bruxa de Blair

"Blair witch", de Adam Wingard (2016) Praticamente uma refilmagem de "A bruxa de Blair", realizado em inacreditáveis 17 anos atrás, essa produção dirigida por Adam Wingard, do excelente cult de suspense "O convidado", funciona bastante na terça parte final da história. Até lá, é aquela sucessao irritante de clichês que vão desde as pessoas irem se separando e gritarem o inevitável "Aonde você está?, com o famigerado "estamos andando em círculos". No elenco de desconhecidos, o destaque vai para Callie Hernandez, em um personagem que lembra bastante o de Heather Donahue do filme original, porém sem a irritação da personagem. A câmera que tremelica o tempo todo chega a incomodar, e em muitos momentos eu fiquei pensando quem estava gravando a cena, uma vez que a idéia do filme é o "found footage", e tem horas que nitidamente o diretor chutou o balde e deixou rolar. Tecnicamente, o uso do drone em cena é bem interessante, pena que não tenha utilizado para provocar mais suspense. Nesse filme, o irmão de Heather, James, resolve ir atrás do paradeiro de sua irmã, depois que um hacker divulgou a descoberta da filmadora dela. James junta um grupo de amigos e, junto do hacker e sua namorada, entram na floresta. Não posso falar muito pois qualquer informação vira spoiler. O filme não tem impacto algum, mas nos momentos finais, a direção acorda da mesmice e cria um grande momento de direção e de atmosfera de terror.

domingo, 11 de setembro de 2016

Os demônios

"Les demons", de Philippe Lisange (2015) Fazia tempo que eu não assistia a um filme tão surpreendente e inesperado como essa produção canadense. O filme começa como se fosse um filme de crianças e adolescentes ao estilo de Gus Van Sant e vai caminhando lá pelo meio para um universo aterrorizante e angustiante de Michael Haneke. O filme tem uma das cenas mais exasperantes que já assisti, envolvendo um pedófilo e uma criança. é verdadeiramente assustador! Exibido em diversos Festivais e laureado com o prêmio de Melhor DIretor em San Francisco, o filme se passa nos anos 80, antes da internet e na época onde a Aids aterrorizava a humanidade. Félix ( o extraordinário Édouard Tremblay-Grenier) é um menino de 10 anos. Seus pais vivem discutindo. Félix tem vários medos: que seus pais se separem, que esteja contaminado com o vírus da Aids, que seja homossexual, e também, de um assassino na vizinhança que sequestra, estupra e mata as crianças. Ele se apega ao amor platônico que sente pela jovem professora e pelo amor pelos seus 2 irmãos mais velhos. O filme acompanha o dia a dia de Felix, entre amigos, discussões familiares e a grande reviravolta que o filme dará a partir da metade da história. O cineasta e roteirista Philippe Lisange se baseou em sua infância para contar os vários sub-plots do filme. Dá para perceber que a sua infância e de toda uma geração que se criou nos anos 80 se baseou na cultura do medo, da morte e das proibições referentes ao sexo. Cada cena do filme é rodado em plano único, geral, o que intensifica ainda mais o olhar documental do diretor, egresso dos documentários. O excelente trabalho dos atores, aliado ao trabalho da fotografia e da câmera, mostra um perfeccionismo que Phillipe possui dentro de sua cinematografia. Em determinados momentos, o filme até pode lembrar de outras produções de Haneke, como "Cache". Me lembrei também de "Uma mulher sobre influência", obra-prima de John Cassavetes, na cena da discussão do casal, com os 3 filhos tentando separá-los. É um filme difícil de ser indicado pela sua crueza, mas para quem se permitir assistir, verá um trabalho primoroso de Direção.

sábado, 10 de setembro de 2016

A troco de nada

"A cambio de nada", de Daniel Guzman (2016) Drama cômico espanhol, vencedor de inúmeros prêmios no Goya e em outros prestigiados Festivais. Ambientada nos subúrbios pobres de Madri, o filme acompanha o dia a dia na vida de Dario( o excelente Miguel Herran), de 16 anos, que mora com a sua mãe. Seus pais são separados, e por conta disso, seu desempenho na escola piorou. Dario e seu melhor amigo, Luisman ( Antonio Bachiller, também ótimo) vivem praticando pequenos delitos para poder ganhar algum dinheiro. Um dia, Dario conhece Antonia (Antonia Guzman, avó do Diretor Daniel Guzman), uma senhora idosa que cata quinquilharia nos lixos e os vende em um antiquário. Juntos, todos eles formam uma família de desajustados. O filme evoca clássicos sobre a fase adolescente, como "Os incompreendidos", de Truffaut . O elenco de apoio é todo muito n=bom, alternando momentos de humor e de doçura. É um filme leve, divertido, e também discute a questão social sobre os jovens desamparados sem apoio dos pais e da escola. Uma bela reflexão sobre a educação dos dias de hoje, formando jovens sem perspectiva de um futuro melhor. O Diretor Guzman dedicou o filme aos seus pais. De quebra, o filme tem uma trilha regrada a Julio Iglesias, cantor favorito de um dos personagens.

Um namorado para minha mulher

"Um namorado para minha mulher", de Julia Rezende (2016) Refilmagem do sucesso argentino " Um namorado para minha esposa", de Juan Taratuto , lançado em 2008, essa comédia romântica se diferencia de boa parte das outras produções nacionais por apostar no terceiro ato, no drama. Assim, seus atores principais, Ingrid Guimaraes, Caco Ciocler e Domingos Montagner tem a oportunidade de viver ambos os lados da mesma moeda: o humor e o drama andam lado a lado, e graças a Deus, sem agir como retardados. São pessoas reais, que podemos encontrar na esquina, mesmo que o "Corvo", personagem de Montagner, tenha uma caracterização voltada pro lúdico. Ingrid Interpreta Nena, uma dona de casa casada com Chico(Ciocler), dono se uma loja de antiguidades. Eles convivem a 13 anos em um casamento que vai da felicidade até a rotina. Irritante ao extremo, Nena é o tipo de mulher que todo mundo quer bem longe. Até que Chico é apresentado a o " Corvo", um artista de circo sedutor, contratado por maridos que querem se desfazer de suas esposas. Chico o contrata para seduzir Nena e assim terminar o casamento. Mas o que ele não poderia esperar, era que fosse sentir ciúmes do Corvo. Com uma bela direção de Julia Rezende, junto de seu parceiro cinematográfico, o fotografo Dante Belutti, o filme tem todo um visual de filme argentino, que vai da decupagem as cores mais escuras em tons europeus. Deliciosa trilha sonora repleta de releitura de clássicos pop nacionais e internacionais. E os roteiristas ainda atualizaram os diálogos, trazendo um discurso feminista para a personagem de Nena.

O homem nas trevas

"Don't breathe", de Fede Alvarez (2016) Ao realizar sozinho o curta de ficção científica " Pânico attack", o uruguaio Fede Alvarez imediatamente foi abraçado por Hollywood. Sam Raimi o apadrinhou e deu-lhe o remake de "Evil dead". Agora, o mesmo Sam Raimi novamente produz um filme de Alvarez, que também escreveu o roteiro. De baixo orçamento e com apenas 4 atores, o filme tornou-se um fenômeno de bilheteria nos Eua. 3 amigos de Detroit assaltam mansões, seguindo regras. Com o dinheiro, cada um tem seu sonho. O de Rocky, e' ir embora com sua filha para Califórnia. Porém, ao invadirem a casa de um cego, ex- combatente de guerra, eles não imaginariam que iriam ter a pior noite de suas vidas. Ótima brincadeira de gato e rato sanguinolento, que na terça parte final parece até um desenho animado, tal a sucessão de cenas surreais que vão acontecendo. Melhor para o espectador não ficar procurando muitas lógicas, correndo o risco de deixar de se divertir pura e simplesmente. Os atores são ótimos, cada um em seu estereótipo, e a fotografia de Pedro Luque acerta bastante ao provocar tensão e terror em cenas escuras. O desfecho é uma verdadeira montanha russa de emoções.

Otimismo

"Otimismo", de Karine Telles. Belo curta dirigido, escrito e protagonizado pela atriz Karine Telles, dos ótimos " Riscado", " Que horas ela volta?" e " Quinze". O filme tem uma historia simples, mas bastante oportuna para os dias de hoje: o que consideramos o núcleo familiar? homem, mulher e filhos? Com um olhar ousado, Karine coloca a sua personagem em crise quando descobre que seu marido tem um amante. Pais de dois filhos pequenos, eles precisam entender como resolver esse triângulo amoroso. Para contar essa historia, , Karine se apropria de recursos estililizados: câmera lenta, blur, shutter ( bem ao estilo de Wong Kar Wai em " Amores expressos") e uma linda trilha sonora. Vale assistir. http://youtu.be/yKa6ELIwzbg

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A bruxa do meio dia

"Polednice", de Jiri Sádek (2016) Drama psicológico tcheco, que traz elementos do filme de terror no estilo de "A bruxa", mas infelizmente com resultados infinitamente inferiores. Para falar a verdade, o filme é ruim. Uma mulher, Eliska, retorna para o vilarejo aonde ela nasceu com a sua filha pequena Anetka. A filha toda hora pergunta sobre o pai, e a mãe insiste em chegar que ele irá chegar. Na região, uma vizinha, que no passado foi acusada de ter matado o seu filho, avisa a Eliska que existe uma bruxa que chega e sequestra as crianças. Eliska se recusa a acreditar, mas aos poucos, coisas estranhas começam a acontecer. O filme é extremamente lento, a criança é irritante e tudo sôa muito falso: os personagens dos vizinhos e a idosa que a atormenta. Só assisti até o final para saber o que havia acontecido com o marido, e porquê achei que um filme tcheco de terror seria interessante, Lêdo engano.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Wiener dog

"Wiener dog", de Todd Solondz (2016) Em 1995, um filme me chamou atenção: "Bem-vindo à casa de bonecas" me chocou pelo seu humor negro e pela crueza com que o diretor e roteirista Todd Solondz tratava a sua protagonista, uma adolescente feia que sofria bullying na escola e era rejeitada pela família. Não havia a mínima compaixão pela personagem e Solondz não fazia o mínimo esforço para que o espectador se afeiçoasse a ela. No seu filme seguinte, "Felicidade", várias histórias entrecortadas, e em comum com seus trabalhos anteriores, os personagens eram todos loosers e com baixa auto-estima. Pensei: "Ta aí um grande diretor , cuja filmografia acompanharei bravamente. Assisti a todos os seus filmes posteriores: "Histórias proibidas", "Palindromos", "A ida durante a guerra"e "Dark horse". O universo dos marginalizados, depressivos, pedófilos, suicidas, transgressores e psicóticos continua em todos os filmes. O seu humor negro pende para a depressão, e é muito comum sairmos abalados de seus filmes. Mas infelizmente, nenhum desses filmes atingiu a genialidade dos seus 2 primeiros filmes. São repetitivos e irregulares. Agora, ele lança "Wiener dog", e novamente, todo o seu mundo cinza-negro retorna, com os mesmos tipos e a mesma psicologia de personagens depressivos. Dessa vez, 4 histórias entrecruzadas por um cachorro basset, que passa de dono em dono. A cada dono, acompanhamos personagens da mais baixa auto-estima que você possa imaginar. Na 1a história, um marido compra o basset para seu filho em estágio terminal, para que possa reanimá-lo. Sua esposa recrimina a presença do animal em casa. O menino no entanto, questiona a sua mãe sobre a falta de liberdade e independência do cachorro em relação ao ser humano. Na 2a história, uma assistente de veterinário (Greta Gerwig) adota o basset, e acompanhamos a sua relação com o namorado (Kieran Culkin) viciado e o irmão dele, um portador de sindrome de down casado com outra portadora. Na 3a história, um professor de roteiro 9 Danny de Vito) dá aula em uma faculdade de cinema, porém os alunos e a coordenadora o consideram ultrapassado e fracassado. Na última história, uma idosa ( Ellen Burtsyn) , desencantada com a vida, se vê às voltas com fantasmas do passado. Apesar do belo elenco, com atores experientes e outros desconhecidos mas com o mesmo potencial, o filme não empolga. É lento, as histórias não oferecem grande interesse e Todd Solondz faz mais do mesmo. Ele, que já foi um grande autor controverso e polêmico, ao falar de assédio sexual, pedofilia e outras taras, no máximo consegue provocar controvérsias por conta de algumas cenas que envolvem o cachorro. Li em algumas matérias que muita gente boicotou o flime por conta do desfecho. Em se tratando de Solondz, não seria nenhuma surpresa a crueldade com que ele trata os seus personagens. Só lamento que o filme não tenha sido ainda o seu grande retorno como autor.

domingo, 4 de setembro de 2016

Pets- A vida secreta dos bichos

"The secret life of pets", de Yarrow Cheney e Chris Renaud (2016) O que acontece quando os donos seguem para o seu trabalho de manhã cedo e deixam seus animais sozinhos? "Pets" procura desvendar esse mistério. Fazendo uma ácida crítica a vida de solteiros Nova Yorkinos, que preferem a companhia de animais do que de seres humanos, o filme de animação é um hino de amor à cidade de Nova York e aos seus milhões de solteiros e independentes. Um desses animais é Max, que desde filhote mora com a sua dona. Todo dia, ele entristece quando ela sai e a aguarda fielmente em seu retorno d enoite. Um dia, para a sua surpresa, a sua dona chega com um enorme vira-latas, Duke. No dia sgeuinte, ao sair, os 2 cães brigam e acabam se afastando de casa. Seus amigos vão em seu encalço, enquanto paralelamente, o coelho snowball e seu séquito de marginais ( jacaré, porco e outros animais não domesticados) resolvem liquidar com os animais que possuem donos, pregando a revolução. Por conta do trailer, fiquei com alta expectativa em relação a ese desenho, mas infelizmente tenho que dizer que ele é médio, bem médio. Não ri, o filme tem personagens em excesso ( contei pelo menos uns 35, que obviamente, irão se transformar em produtos) e o ritmo é lento. Além de tudo, não é um filme nostálgico, muito menos para adultos: é bem infantil, recheado de bichos fofos, apesar de algumas cenas totalmente politicamente incorretas. A trilha sonora de Alexandre Desplat é um desbunde, e a técnica é impecável, com uma Nova York incrivelmente realista. Sessão da tarde inofensiva.

sábado, 3 de setembro de 2016

Eu não sou um serial killer

"I'm not a serial killer", de Billy O'brien (2016) Adaptado do livro homônimo de Dan Wells, "Eu não sou um serial killer" é um filme estranho. Indefinido entre ser uma comédia de humor negro ou um filme de suspense, o filme demora para conquistar o interesse do espectador. A história gira em torno de assassinatos que acontecem em uma pequena cidade do Centro-oeste americano. Um adolescente, John Wayne ( Max Roberts, o menino de "Onde nascem os monstros", de Spike Jonze) , obcecado por histórias de serial killers, suspeita de seu vizinho, o idoso Bill ( Cristopher Loyd). A mãe de John Wayne trabalha em uma espécie de IML, e isso explica o fascínio do menino por corpos e cadáveres. Lento, sem ritmo, o filme não assusta nem provoca qualquer tipo de tensão. Pior, ele ainda quer ser um filme de realismo fantástico lá pelo terço final. O jovem Max Roberts está bem no papel principal, mas uma pena que o roteiro não ajude a provocar maior interesse na história. São muitos personagens que entram e saem, sem fazer qualquer diferença para a trama, que chega a ser bem confusa. O filme acaba se arrastando, e os pontos de interesse são muito poucos, talvez a parte técnica, como a fotografia mereçam ser elogiadas. O personagem de John Wayne é bem caótico, e confesso, fiquei um pouco perdido na trama, sem entender quase nada do desfecho. Mais um da série: "Mandem os roteiristas pararem de usar drogas".

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A bruta flor do querer

"A bruta flor do querer", de Dida Andrade e Andradina Azevedo (2013) Em 2013, um filme independente escrito e dirigido por 2 formandos da Faculdade de cinema da Faap foi o foco das atenções no Festival de Gramado. Em um ano aonde competiam os badalados "Eden", de Bruno Saffadi e "Tatuagem", de Hilton Lacerda, "A bruta flor do querer" venceu os Kikitos de Direção e fotografia. O filme é uma ode ao Amor. Amor à profissão. Amor a Mulher. Amor ao Cinema. Dida e Andradina, não satisfeitos em escrever e dirigir o filme, ainda protagonizam. Será que podíamos dizer que eles são vaidosos, narcisistas? Em determinado momento, eles fazem sexo com 2 garotas. Andradina fica totalmente nu. Dida surge de pênis ereto. Esse ato de ousadia e exposição poderia ser uma metáfora sobre a liberdade criativa, sobre a saída da zona de conforto de 2 ex-estudantes que só querem dizer ao mundo que sim, eles entendem da linguagem de cinema. Influências de Godard, Breasse, Sganzerla e tantos outros cineastas marginais dos anos 60 e 70. A trilha sonora acompanha essa época, como "Vapor barato", de Gal Costa, que toca a todo instante. Os meninos usam drogas, fazem sexo, e como todo jovem, se encontram perdidos no tempo e no espaço. O que o futuro reserva para essa geração? Diego ( Dida) é estudante de cinema e para se sustentar, trabalha com filmagem de casamentos. Ele tem uma paixão platônica por uma jovem que trabalha em um sebo, mas não sabe como se aproximar dela. É um filme descompromissado, livre, leve e solto. Dida e Andradina são duas figuras divertidas, que fazem o espectador esboçar sorrisos pelo patético da vida errante que levam. Aonde está o personagem e aonde está a pessoa real, somente os próprios poderão dizer.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Aquarius

"Aquarius", de Kleber Mendonça Filho (2016) A produtora Video Filmes de walter Salles é um grande apaixonado por cineastas que falam sobre a memória. Foi assim com o chinês Jia Zheng Ke, e agora com Kleber Mendonça e seu poema sobre o passado, presente e futuro intitulado "Aquarius". O prédio que dá nome ao filme se localiza no bairro nobre de Boa Viagem, e fica de frente pra praia. Clara ( Sonia Braga), é uma escritora aposentada e de classe média alta: possui 5 apartamentos e tem boa aposentadoria. Mas ela não quer sair do apartamento onde mora, mesmo que a construtora lhe ofereça uma boa soma em dinheiro. Todos os outros moradores, que saíram do prédio, reclamam com Clara, pois não podem receber o dinheiro enquanto ela não sair de lá. Mas ela se recusa: o apartamento é o seu mundo. Lá ela tem recordações da vida inteira: os fantasmas do passado, as ftos, os milhares de Lps e a companhia de sua empregada que está com ela há quase 20 anos. O filme discute o tempo todo a dicotomia velho X Novo. Clara transa com um michê novo. O jovem Diego ( Humberto Carrão) praticamente preside a empresa de sua família. Os filhos de Clara a acham retrógada e antiquada. Só quem entende Clara é a sua empregada, brilhantemente interpretada por uma atriz que não consegui achar o nome. Tecnicamente impecável, e com uma trilha sonora de encher os olhos ( Roberto Carlos, Maria Bethânia, Queen, Paulinho da Viola, Taiquara, etc) , "Aquarius" é um bom filme que faz uma metáfora sobre o abuso do Poder e sobre a morte do passado. Reminiscentes como Clara, que briga com unhas e dentes para defender o que é seu, brigam o tempo todo com pessoas que desconhecem o sentido da palavra humanismo. O filme recentemente ficou envolvido em polêmica por causa de cenas de sexo ( um pênis ereto , sexo grupal e sexo oral) , e ganhou grande repercussão. Confesso que achei o filme longo e com personagens em excesso. Mesmo assim, merece ser visto. Nem que seja pela atuação irrepreensível de Sonia Braga, na melhor interpretação de sua carreira.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Demônio de Neon

"The neon demon", de Nicholas Winding Refn (2016) Existem poucos Cineastas narcisistas e vaidosos no mercado, mas creio que nenhum se compara a Nicholas Winding Refn, que assina nos créditos apenas como "NWR". Diretor dos cults "Drive" e "Somente Deus Perdoa", Refn realizou um dos filmes mais bizarros e polêmicos do ano. Vaiado à exuastão em Cannes, onde esteve em competição, o filme elabora uma metáfora sobre a vaidosa e a inveja no Universo das super modelos. Cenas de necrofilia ( que atriz Foda é Jena Malone, corajosa e totalmente fora da casinha), canibalismo e nem procurem encontrar respostas concretas para tudo o que acontece na meia hora final. Para mim, é delírio visual e provavelmente muitas drogas consumidas por Refn e os outros roteiristas do filme. Sempre fui a favor da liberdade criativa dos autores, e aqui, não existem concessões. Jesse (Ellen Fanning, linda em sua beleza glacial) é uma aspirante a modelo que tenta a sorte em Los Angeles. Ela conhece uma maquiadora de modelos e que trabalha nas horas vagas maquiando cadáveres. Ruby (Jena Malone), que se apaixona de imediato por Jesse. Quando Jesse vende uma seleção, ela ganha a antipatia de uma dupla de modelos. Com um elenco cult, que vai de Karl Gusnan ( do filme "Love", de Gaspar Noé) e Keanu Reeves, fazendo um tipo bronco, o filme provavelmente suscitará muita ira dos espectadores desavisados. Tem um ritmo lento, mas as imagens escandalosamente belas e estilizadas e a fotografia publicitária, a cargo de uma mulher, Natasha Braier, conferem interesse. A trilha sonora remete aos sintetizadores dos anos 80, marca registrada de Refn. Para quem quer assistir a algo inusitado e diferente, essa é uma grande pedida. Mesmo que por curiosidade.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O bosque de Karadima

"El bosque de Karadima", de Matias Lira (2015) Baseado na história real do Padre chileno Fernando Karadima, que abusou sexualmente de vários rapazes durante mais de 20 anos, entre a década de 80 e os anos 2000. A sua Paróquia, batizada de "O bosque", era um refúgio espiritual para jovens de classe média alta, que o tinham como um Santo. Entre eles, está Tomi, que aos 17 anos, se envolveu sexualmente com o padre, que se aproveitou da carência afetiva do rapaz. 20 anos depois, Tomi, já casado e com filhos, continua sofrendo abusos do Padre, mas enfim, acaba abrindo denúncia contra Fernando, se iniciando aí, uma batalha judicial que dura até os dias de hoje, por conta da Força da Igreja Católica em querer abafar escândalos envolvendo seus párocos. Impossível assistir ao filme e não se lembrar de "Spotlight" e "O clube", esse também filme chileno, que têm como tema a pedofilia e abuso sexual de padres. O ator Luis Gnecco está absolutamente incrível no papel do Padre Fernando. Eu fiquei com muita raiva de seu personagem, e isso, muito graças a interpretação inteligente e ousada do ator. é um filme difícil e doloroso de assistir, com ousadas cenas de sexo, e que provavelmente suscitará polêmicas entre católicos e não-católicos. Para quem espera um bom filme, dirigido com firmeza e com ótimas interpretações, não irá se arrepender, apesar da crueza do tema.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Grape soda

"Grape soda", de Justin Robinson (2014) Escrito e dirigido por Justin Robinson, esse elogiado curta-metragem americano é um devastador drama sobre um casal aniquilado pela morte da filha pequena, vítima de leucemia. Muito parecido com o filme de John Cameron Mitchel, "Em busca da felicidade", com Nicole Kidman e Aaron Eckhart, "Grape soda" é um filme quase silencioso, que exala dramaticidade em olhares e nas imagens. É um filme triste, depressivo, e com excelente performance de Mark Ashworth, no papel principal, e que carrega o filme. Dirigido com muita sensibilidade. Vale ser visto. https://vimeo.com/106886061

domingo, 28 de agosto de 2016

Últimos dias no deserto

"Last days in the desert", de Rodrigo Garcia (2015) Escrito e dirigido pelo cineasta de "Albert Nobbs", filme com Glenn Glose, "Os últimos dias no deserto" ficcionaliza os 40 dias que Jesus Cristo passou no deserto, para se prepara para a sua grande Missão. Jejuando e meditando, Jesus foi tentado pelo Diabo, aqui representado pelo próprio Jesus. Fora esse encontro sedutor com o Diabo, o filme também apresenta o encontro de Jesus com uma família que habita o deserto. Jesus conversa com os familiares e tenta guiar os integrantes da família: o filho (Ty Sheridan), que quer seguir o mundo e a relação com o Pai castrador e a mãe doente. O filme tinha tudo para se tornar um clássico como "A última tentação de Cristo", mas infelizmente ele se perde em seu ritmo enfadonho e no roteiro muito pouco instigante. É chato, e pior, não consegui ver o ótimo ator Ewan Macgregor no papel de Jesus Cristo. Foi difícil acompanhar o filme todo com interesse, e mesmo a bela fotografia do Mestra Emanuel Lubezki não me prendeu, talvez porquê eu tenha lido que o filme foi todo rodado no Deserto da Califórnia.

sábado, 27 de agosto de 2016

Herança de sangue

"Blood father", de Jean François Richet (2016) Dirigido pelo cineasta francês Jean Francóis Richet, que realizou o ótimo policial "Inimigo público partes 1 e 2", é baseado em livro de Peter Craig. A história em si é bem clichê: uma adolescente envolvida com traficantes namora o chefão da quadrilha (Diego Luna). Durante uma ação onde matam um casal que devia dinheiro para ele, a jovem Lydia (Erin Moriarty) fere acidentalmente o amante, e foge, indo se refugiar nos braços de seu pai, Link (Mel Gibson), que ela não via há tempos. Os bandidos seguem o rastro de Lydia para matá-la, mas o seu pai, ex-combatente do Vietnã, fará de tudo para defendê-la. Bem dirigido e com ótimas cenas de ação, o filme vale e muito pela performance de Mel Gibson, revivendo o tipo bruto e violento que imortalizou muitos heróis nos anos 80 e 90, e que hoje em dia estavam em decadência por conta do patrulhamento contra esse tipo de herói. O filme é um ótimo "Come back" de Mel Gibson, que está excelente no papel. O filme tem um status tão cult, que foi exibido no Festival de Cannes em 2016. Vale para fãs de filmes de ação, e que aqui, ainda levarão de lambuja um drama com uma bela relação pai e filha

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O ódio

"La haine", de Mathieu Kassovitz (1994) Obra-prima do cinema francês, dirigido e escrito por Mathieu Kassovitz, mais conhecido por interpretar o par romântico de Audrey Taotou em "Amelie Poulain". "O ódio" entrou na lista dos 100 melhores filmes da revista Empire em 2010. Revendo o filme, que foi rodado em 1994, me parece quase difícil que Fernando Meirelles não tenha se inspirado nele para realizar 'Cidade de Deus". O filme, assim como o de Meirelles, exala adrenalina, energia, pulsação em casa frame. Cada cena é um primor de realização: Direção, atuação, trabalho de câmera, trilha sonora, fotografia. O filme acompanha 24 horas na vida de 3 jovens amigos de um subúrbio de Paris: o judeu Vinz ( Vincent Cassel), o negro Hubert ( Hubert Koundé) e o árabe Said (Sayd Taghmaoui). Um dia antes, um amigo deles, Abdel, entrou em coma após um confronto com a polícia. Vinz, um apaixonado por Travis Bickle (personagem de Robert de Niro em Taxi driver) jura se vingar de Abdel e diz que vai matar um policial. Durante a trajetória dos amigos, eles esbarram com policiais, grupo de skin heads e todo o tipo de escória da sociedade. O filme é obrigatório para todos que querem entender e estudar Cinema. Deve ser visto também por atores para admirar o excelente trabalho dos atores, sem exceção. Kassovitz chegou a dirigir outros filmes, mas nenhum chegou ao nível de excelência desse aqui. Amplamente premiado, o filme venceu entre outros, a Palma de Ouro de Direção em Cannes.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Becoming Mike Nichols

"Becoming Mike Nichols", de Douglas McGrath (2016) Ótimo documentário que retrata um perfil do Cineasta e Ator Mike Nichols, responsável por clássicos do cinema, como "A primeira noite de um homem", "Quem tem medo de Virginia Wolf?", "Closer", "Silkwood", além do seriado "Angels in America". O documentário alterna uma entrevista de Mike Nichols realizada em 2014 ( ano de sua morte) com o Diretor teatral Jack O'brien, diante de uma platéía formada por estudantes de cinema e de teatro. O filme foca no início da carreira de Nichols, como ator e diretor de teatro. Depois ele fala dos seus 2 primeiros filmes, "Virginia Wolf" e "A primeira noite de m homem". Com um discurso brilhante, Nichols discorre sobre o trabalho com os atores, a equipe, a escalação de elenco, as crises criativas, o seu trabalho com Paul Simon, e principalmente, o seu grande apreço à improvisação dos atores. Um filme obrigatório, que alterna fotos de arquivo e cenas de seus filmes, e a grande generosidade de se abrir de coração, expondo seus problemas com os atores e técnicos. Um momento genial é quando o entrevistador pergunta como Nichols aprendeu a dirigir o seu primeiro filme, se ele nunca tinha filmado nada. Nichols diz que o Ator Anthony Perkins, que era seu amigo, ficou durante 3 dias ensinando a ele o uso de lentes e posicionamento de câmera. Comovente.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Café Society

"Café Society", de Woody Allen (2016) Há tempos eu não via um filme tão glamuroso e sofisticado como esse "Café Society". Com uma fotografia escandalosamente linda do Mestre Vittorio Storaro, e com enquadramentos e planos estudados que valorizam a locação e o trabalho dos atores, Woody Allen fez um dos filmes mais divertidos da última safra. O filme contém dezenas de piadas satirizando a cultura judaica, e são de morrer de rir. ALém disso, o elenco em peso está formidável. Jesse Eisenberg deveria ser eternamente o alter-ego de Allen, tal a propriedade física e artística que ele se apropria do cineasta americano mais famoso do mundo. Kristen Stewart, que sempre foi bombardeada pelos críticos, aqui apresenta uma performance digna de grande estrela. Steve Carrel e Blake Lively também estão ótimos. O restante do elenco, quase desconhecido para o grande público, é composto de excelentes atores, alguns em personagens antológicos, como os pais de Bobby (Eisenberg) e o seu cunhado. A direção de arte, figurino, maquiagem, tudo do mais alto nível. Woody Allen mais uma vez fala do universo do Cinema, dos gangsters e da família judia, sacode tudo no liquidificador cinematográfico e dá vida a uma insana e romântica história protagonizada por Bobby ( Eisenberg), que sai de Nova York nos anos 30 para tentar a vida em Hollywood. Chegando lá, ele é menosprezado pelo seu tio Produtor de cinema, Phil ( Steve Carrel), até que ganha confiança dele para fazer alguns serviços. O que Bobby não contava, era que iria se apaixonar pela secretária de seu tio, Vonnie ( Stewart), que na verdade, é amante de seu tio. Com esse grande imbroglio, Woody faz a platéia rachar de rir e mais do que nunca, se apaixonar. O filme faz uma linda homenagem a "Manhattan", lembrando que somente o tempo faz as pessoas refletirem sobre os seus atos. Imperdível.

Eu, Olga Hepnarova

"I, Olga Hepnarova", de Petr Kazda e Tomás Weinreb (2016) Baseado na história real de Olga Hepnarova, uma jovem de 22 anos que em 1973, dirigiu um caminhão e o jogou em direção a um grupo de pedestres em um Ponto de ônibus na Tchecoslovaquia, matando 8 pessoas. O filme faz um retrospecto da história dessa serial killer e surpreendentemente, lembra bastante " Monster", com Charlize Theron e Cristina Ricci. Olga não tinha amigos e odiava sua família. Ao tentar suicídio, ela é internada em uma clínica psiquiátrica feminina, onde sofre bullying e assédio sexual das outras pacientes. Ao sair de lá, ela resolve sair de casa e ir morar sozinha em uma cabana afastada, trabalhando de motorista e tendo relacionamentos doentios com outras mulheres. Exibido no Festival de Berlin, o filme tem uma performance extraordinária de Michalina Olszanska, que lembra bastante a fragilidade de Nathalie Portman. É um filme sombrio e depressivo, captado com preto e branco monocromático que lembra o Polones "Ida". As cenas de sexo são intensas e quase explicitas, mostrando um trabalho irrepreensível de todo o elenco. A direção aposta no filme de arte, com ritmo lento e olhar contemplativo e documental. O filme procura apresentar duas versões sobre a atitude de Olga: arrogância da sociedade, ou simplesmente uma doença psicológica? . A cena final é muito bem construída e tensa. Um filme sufocante que merece ser visto por cinéfilos exigentes.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Baaadasss Cinema

"Baaadassss Cinema", de Issac Julien (2012) "Baaadassss Cinema", de Issac Julien. Delicioso e necessário documentário que fala sobre a "Black Hollywood". No final dos anos 60 até 1976, Hollywood produziu filmes de baixíssimo orçamento, dirigidos em sua maioria por Diretores negros e com elenco negro. Os filmes surgiram porquê a comunidade negra sentia necessidade de se ver retratada nas telas como heróis, homens poderosos que não se deixavam dominar facilmente por quem quer que seja. No final dos anos 60, o racismo atingia quase que todos os Estados Unidos: Martin Luther King, o grupo Os panteras negras e outras associações procuravam diminuir a diferença entre America branca e negra. Porém, nas telas, os negros começavam a lutar pelos seus direitos. O primeiro filme considerado desse movimento foi "Sweet Sweetback's Badassss Song", seguido de "Super Fly", "Shaft" entre outros. Fred Willianson, Ron O'neal, JIm Brown, logo depois Samuel L. Jackson eram alguns dos grandes heróis, seguidos por Pam Grier e Gloria Hendry. Com o sucesso do gênero, começaram a surgir filmes de baixa qualidade e sub-gêneros, como filmes de kung Fu com negros, terror ( Blacula) etc. A comunidade negra da "inteligentsia" começou a se incomodar com os filmes, pois achavam que eram uma caricatura e não os representava e criaram o termo "Blackexploitation"( exploração negra), que muitos achavam que foi um nome criado pelos brancos. Aos poucos, os filmes foram sumindo e os artistas e técnicos negros foram perdendo seus empregos, até sumirem por completo. Cineastas que ficaram famosos com esse cinema, como Mario Van Peebles, dão o seu depoimento, assim como atores remanescentes. Tarantino também tem direito a dar entrevistas, falando da importância desse cinema para a sua formação cinéfila, e o porquê que ele criou "Jackie Brown", que foi execrado pelos cineastas negros. É um filme imperdível, que retrata uma época onde a música soul e funk teve uma importância crucial para o sucesso dos filmes. Obrigatório para cineastas e amantes da cultura pop. O filme é recheado de cenas de filmes antológicos, que farão a alegria de qualquer cinéfilo. https://www.youtube.com/watch?v=_6eMscT5DAc

domingo, 21 de agosto de 2016

Slap

"Slap", de Nick Rowland (2014) Premiado curta inglês que trata dos temas da homofobia e da saída do armário. O filme lembra de certa forma "Billy Elliot", ao narrar a história de um jovem que tem medo de se assumir e resolve lutar boxe para poder extravazar a raiva que sente de sua condição. Com um belíssimo trabalho do protagonista, Joe Cole, que mostra toda a sua raiva e indignação em cena, o filme comove com a sensibilidade da direção em tratar os seus personagens com muito realismo e dignidade, sem caricatura.

Versailles

Versailles", de Carlos Conceição (2013) Premiado curta português, com 2 intensas performances do protagonistas. Em um final de semana, Miguel (João Arrais), um adolescente, traz uma idosa, Ruth ( Isabel Ruth) para uma cabana à beira da praia. Ela está com sinais de Alzheimer e pede para que ele a mate. Porém Miguel se recusa a cumprir o pacto, e tenta reverter o processo. Com ótima direção e roteiro de Carlos Conceição, "Versailles" fala de 2 temas tabus: o Alzheimer, e o amor entre um jovem e uma pessoa da terceira idade. O filme tem linda fotografia e planos longos, que permitem um trabalho forte e angustiante dos seus atores. Vale muito ser visto.

sábado, 20 de agosto de 2016

Ben-Hur

"Ben-Hur", de Timur Bekmambetov (2016) É preciso ter muita coragem para e fazer um remake. Quando o remake é de um clássico que passa todo Natal na televisão, aí fica mais impetuoso. É absolutamente inevitável não se comparar essa versão com a de Willian Wyler, e ainda mais, comparar a atuação antológica de Charlton Heston. Pois muito bem: o cineasta russo de mega blockbusters Timur Bekmambetov teve essa cara de pau de tomar rédeas de refilmar a história de Judah Ben-Hur, um judeu rico que acabou sendo traído e que por isso, foi escravizado por seu meio irmão Severus, que não é judeu. A sua mãe e sua irmã foram dadas como mortas e por 5 anos Ben-Hur jurou vingança, tendo como aliado Ilderim, um africano interpretado por Morgan Freeman. Pois bem, Freeman é o único Star do filme, pois os produtores, corajosos, apostaram em 2 desconhecidos para interpretarem Ben-Hur e Severus. Esses desconhecidos são respectivamente Jack Huston e Toby Kebbell, atores ingleses jovens e bonitos, como manda o figurino das produções direcionadas a um público jovem. Mas sendo sincero, a pergunta que todo mundo deve fazer quando vai assistir ao filme é: A cena da corrida de bigas ficou melhor que o original? Sim, a cena das bigas continua extremamente irresistível. E faz pensar como, nos anos 50, Willian Wyler foi capaz de dirigir uma sequência tão difícil sem a ajuda de efeitos especiais e computação gráfica. 'Torna o original ainda mais impressionante. O filme começa lento, sem muitas expectativas. Mas a partir da cena da batalha de barcos, o filme ganha fôlego e até o final, ganha ares de filme de aventura. Atualizado aos tempos de politicamente correto, o desfecho difere do original. Vivemos tempos onde o perdão se torna necessário, tanto religiosamente quanto politicamente falando. Rodrigo Santoro aparece em 4 brevíssimas cenas no papel de Jesus Cristo. Ele dá conta do recado, mesmo porquê, são momentos de tensão e angústia, uma vibe que Santoro curte bastante. Os 2 protagonistas seguram os papéis, mas se for comparar com os atores do original, estão muito aquém. Um ponto falho: a cena do reencontro de Ben-Hur com a mãe e irmã, que no filme de Willian Wyler era muito emocionante, aqui passa batido, focado simplesmente no ódio. Uma pena. Poderia ter sido um grande momento para os atores.

Perdidos

"Strayed", de Akan Satayev (2009) Filme do Cazaquistão, foi indicado pelo seu país para ser o representante de filme estrangeiro no Oscar, mas não chegou à final. O filme é um ótimo drama de suspense psicológico, com uma trama mirabolante que percorre o realismo fantástico. Um homem viaja de carro com mulher e filho. Ao atravessarem o deserto, o carro quebra. A mulher fica estressada, o filho reclama de fome e sede. O homem passivamente escuta as reclamações. Eles passam a noite ali no carro. Ao acordar, o homem percebe que a mulher e o filho desapareceram. Ele vai até uma cabana abandonada e lá encontra um homem sua filha. Ao perguntar para eles do paradeiro da família, eles o instigam a tentar resolver o mistério. Com uma bela direção e uma trama de final surpreendente, o filme comprova que não é somente Hollywood que sabe fazer filmes com finais cheios de reviravoltas. O ator Andrei Mirzikilim está excelente no papel principal, alternando momento de loucura e angustia. Um filme que vale ser visto.

Triplo padrão

"Triple standard", de William Branden Blinn (2010) Curta dirigido e escrito por William Branden Blinn, tem como tema a homofobia. Crim é um homem bem sucedido, e faz parte de um time de basquete. Durante a hora do vestiário, ele agride um jogador gay. Os seus colegas dizem que ele está exagerando, mas Crim fica ainda mais irritado. Mas tarde, ficamos sabendo que Crim mora com D, jogador do mesmo time, que fica frustrado com Crim por ele não assumir a sua sexualidade. O filme tinha tudo para ser um marco na cinematografia Lgbts: um tema contundente como a discussão da homofobia, sempre é bem vindo. Mas o roteiro exagera na caricatura do homofóbico, e mais, a sua "virada" soou muito forçada. Como o outro personagem mesmo diz, "Você parece bipolar". As atuações também poderiam ter rendido mais, o filme fica com um tom bem semelhante a telenovelas, dando ênfase ao melodrama. Mesmo assim, vale uma olhada, nem que seja para discutir o tema com amigos. https://www.youtube.com/watch?v=UIfpxIVBriE

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Egun- Mistérios do mar

"Egun- Os mistérios do mar", de Helder Quiroga (2015) Premiado curta de animação brasileiro, realizado por mineiros que usaram o misticismo para abusar da criatividade e do lúdico. Em uma aldeia de pescadores, um homem procura entender os motivos que levaram o seu pai, também pescador, à morte quando ele era criança. Já crescido, o pescador, casado, resolve ir pescar mar adentro, mas ele esquece a sua proteção. Egun é uma palavra em Yorubá usada no Candomblé, que significa alma ou espírito de qualquer pessoa falecida, iniciada ou não na religião. O filme é lindo, com uma trilha sonora envolvente. Mas o mais importante, e o que mais me chamou atenção, são os traços da animação. Simples, parecem traçados que fazem contornos em atores de verdade. Não sei qual foi a técnica usada, mas funciona bastante para a história. Vale muito a pena assistir.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Bridgend

"Bridgend", de Jeppe Ronde (2015) Dirigido e escrito pelo dinamarquês Jeppe Ronde, o filme é baseado em trágica história real. Na região de Bridgend, no País de Gales, 79 adolescentes cometeram suicídio, sem motivo aparente, pois não deixaram mensagens de despedida. Os roteiristas pesquisaram por mais de 6 anos as histórias que envolviam as mortes e escreveram o roteiro ficcionalizando os fatos. O filme venceu vários prêmios em Festivais internacionais, levando prêmios em Tribeca e Rotterdan. A protagonista, Hannah Murray, é mais conhecida do grande público pelo papel de Gilly em "Game of thrones". Ela interpreta Sara, que se muda para Bridgend com seu pai, um policial que aceitou trabalho na delegacia local. Logo Sara se envolve com um grupo de jovens e se apaixona por um deles, Jamie. A medida que seu pai vai se dedicando somente ao trabalho e à uma amante, Sara também vai se distanciando dele e se aproximando cada vez mais do violento e perigoso grupo de jovens. O filme não procura tentar explicar o motivo das mortes, e através da história de Sara, busca discutir o conflito de gerações, com o distanciamento de pai e filhos. O filme tem uma boa direção de atores, mas o ritmo muito lento entedia e acaba tornando o filme bem mais longo do que parece ser. A fotografia ganhou prêmio em Tribeca merecidamente, trazendo um tom lúdico ao filme. Hannah Murray está bem no seu personagem angustiado, levando também um prêmio de interpretação em Tribeca.

A última vez que vi Macau

"A última vez que vi Macau", de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata (2012) Os cineastas portugueses João Pedro Rodrigues (dos viscerais "Fantasma" e "Morrer como um homem") e o roteirista João Rui Guerra da Mata realizaram um sensacional documentário que fala sobre memória. Assim como Walter Salles em "Jia Zhenke, o homem de Fenyang), o filme fala sobre um artista que volta para a sua cidade natal e percebe que a memória somente existe em sua mente, e não mais no local. João Rui cresceu em Macau, que durante 4 séculos, foi colonizado por Portugal, somente saindo de seu domínio em 1999. Para falar sobre as lembranças e a sua vida na província chinesa, João criou uma história fictícia em cima das imagens documentais. Muitas críticas comparam o filme a "Viajo porquê preciso, volto porquê te amo", de Karin Ainouz. Não acho: de semelhante, somente a narração e o fato do protagonista jamais aparecer. Mas a narrativa é totalmente diferente. Em "A última vez que vi Macau", os cineastas brincam com gêneros e referências cinematográficas. Logo de cara, o filme começa com uma drag queen cantando a mesma música que Jane Russell cantava no clássico "Macau", de Joseph Von Stenberg. João Guerra interpreta a persona de Robert Mitchum. Ele recebe uma carta de Candy, a drag queen, dizendo que está em perigo e precisa que ele volte a Macau para salvá-la. Enquanto perambula pelas ruas e becos à procura da amiga, João traz lembranças de sua vida ali em Macau, dissertando sobre memória cultural e social de um lugar que não é mais o mesmo. O filme segue uma trajetória de filme noir, e encanta pela linda fotografia e as belas locações registradas.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A infância de um líder

"The childhood of a leader", de Brady Corbet (2015) Livre adaptação do conto de Jean Paul Sartre, "A infância de um líder". O filme narra a infância de Prescott, um menino de 10 anos, filho de um diplomata americano e uma francesa, que se mudam para a França no período pós 1a Guerra mundial, para assinarem um tratado de paz, que viria a se tornar o 'Tratado de Versailles". De uma forma simbólica, assim que Prescott chega na França, passa a se comportar estranho, e a ter uma índole violenta e cruel. Sua mãe ( Berenice Bejo) perde o controle sobre a sua educação, que nem o pai ( Liam Cunningham) consegue administrar. O filme faz uma metáfora sobre a ascenção do fascismo na Europa, através da história de Prescott. Porém, o que mais impressiona o filme, é a divulgação em cima de Robert Pattinsom, que aparece em menos de 5 minutos de filme. Ele interpreta um diplomata amigo do casal, e que no final, terá direito a um misterioso papel duplo como o fascista já adulto. Outro fato muito curioso: o diretor do filme é o jovem ator americano Brady Corbert, que foi um dos algozes da refilmagem de "Funny games", de Michael Haneke. Aqui ele dirigiu, escreveu o roteiro e produziu essa difícil adaptação. A sua escolha em fazer um filme altamente artístico, sem concessões ao grande público, rendeu-lhe vários prêmios, inclusive 2 importantes em Veneza: o de melhor diretor e de melhor primeiro filme em uma mostra paralela. É um filme hermético, arrastado, de planos longos. A trilha sonora incomoda, por se apropriar de uma música que mais parece de filmes de terror, para criar uma atmosfera de constante tensão. A imagem a música não combinam, e provavelmente, o diretor Corbet tinha essa intenção. Não é filme para todos os gostos. Confesso que eu quis desistir do filme em seus primeiros 20 minutos, e assistir ao filme todo foi bem sacrificante.

domingo, 14 de agosto de 2016

Ixcanul

"Ixcanul Volcano", de Jayro Bustamante (2015) Filme da Guatemala que conseguiu a incrível façanha de ganhar mais de 17 prêmios Internacionais, entre eles, o Alfred Bauer em Berlin 2015. Filmado na Guatemala, o filme narra a história de uma comunidade Maia que mora no entorno do vulcão ativo Ixcanul. A população trabalha na plantação e colheita de café. Entre os habitantes, está Maria. Jovem, ela é oferecida pelos seus pais para se casar com Ignacio, o fazendeiro, viúvo pai de 3 filhos. No entanto, Maria está apaixonada por Pepe, um catador de café que quer fugir para os Estados Unidos. Em uma noite de bebedeira, Maria transa com Pepe e engravida. A partir daí, o rumo da família de Maria segue contornos trágicos. Impressionante como um cinema como o da Guatemala, qie produz tão poucos filmes, consiga realizar um filme de tão alto nível como esse aqui. Com um olhar antropológico, o filme usa da linguagem do documental para fazer um registro dessa população, que somente fala dialeto próprio e não consegue se comunicar com os habitantes da cidade grande. O filme toca em temas críticos para a população pobre da Guatemala: a migração para os Estados Unidos, considerada a salvação para a extrema pobreza local; o tráfico de crianças e o machismo da sociedade, que vê a mulher no papel de servidora do lar. O vulcão Ixcanul é tão presente na vida dos índios, que eles o consideram como uma divindade, rezando e fazendo oferendas na base da montanha. A fotografia do filme é um escândalo, muito auxiliado pelas locações grandiosas da região. Mas o que mais impressiona no filme, além do roteiro, é o trabalho do elenco, todo formado por não-atores e descendentes dos Kaqchikel: os 4 "atores" principais, Maria Mercedes Coroy ( Maria, a filha), Maria Telón ( a mãe), Manuel Antun ( o pai) e Justo Lorenzo ( Ignacio) têm uma força que seduz e comove os espectadores. Mesmo em momentos sem falas, o olhar e o tempo desses atores impressiona pelo total domínio das emoções e do timing. É algo realmente sublime. Um filme obrigatório para Cinéfilos.

Embers

"Embers", de Claire Carré (2015) Claire Carré é um exemplo de como funciona as produções independentes que ganham prêmios em Festivais internacionais: Ela dirigiu, escreveu, produziu, editou e foi figurinista desse seu longa de estréia. Tendo total domínio sobre o seu projeto, Claire deixa claro que o filme foi realizado do jeito que ela quis. Ambientado em um futuro distópico ( de novo?), acompanhamos um sociedade devastada por um vírus que simplesmente apagou a memória de todo mundo. Cada um reage de um jeito, mas a maioria das pessoas apresentam memória curta. Há quem faça comparações a 'Amnésia", de Cristopher Nolan, e isso não seria errado. Temos vários personagens em histórias isoladas: um casal que acorda junto e que não sabem quem são. Acreditando que podem ser felizes juntos, eles andam juntos, temendo que a perda da memória que pode ocorrer a qualquer momento apague esse curto desenlace de amor. Em uma mansão, temos um casal que se isolou do mundo externo, e que por isso, não foram afetados pelo vírus. Mas a mulher, deprimida, deseja sair para encontrar sua filha, contra a vontade de seu marido. Temos também a história de um menino que busca uma figura paterna, mas todos os homens que ele aborda perdem a memória e ele se sente carente. Um belo filme, que só é prejudicado pela narrativa extremamente fria e pela fotografia viciada em estética publicitária. O ritmo é lento, e penso se não seria mais interessante ter focado apenas na história do casal que quer continuar juntos. Essa história sim daria um belíssimo filme comovente. O filme venceu vários prêmios em Festivais.

sábado, 13 de agosto de 2016

Tudo que Deus criou

"Tudo o que Deus criou", de André Costa Pinto (2012) Produção da Paraíba dirigida pelo estreante em longas André da Costa Pinto, que também escreveu o roteiro, "Tudo o que Deus criou" é um filme visceral, que agrega em um único filme vários personagens decadentes e marginalizados, que segundo os créditos, se baseia em história real. Miguel ( Paulo Philipe) é irmão de Angela ( Guta Stresser), e moram na casa da mãe ( Maria Gladys), que é cega e passa o dia todo reclamando e dizendo que quer morrer. O marido de Angela, Biu ( Claudio Jaborandy) é portador de HIV e contaminou Angela. Ele faz estupra Miguel diariamente, que não conta nada pra família com medo que Biu o chantageie e conte para elas que ele de noite sai nas ruas para fazer michê vestido de mulher. Paralelo, temos a história de João ( Paulo Vespúcio), um funcionário dos Correios, que é visitado todas as tardes por Maura ( Leticia SPiller), uma cega virgem que se excita com as histórias de João e deseja que ele transe com ela. Mas João tem como amante Miguel. Todas as histórias se entrecruzam, mostrando o lado mais sórdido , violento e melancólico dos personagens. Com uma boa direção de André Costa Pinto, o filme tem nas performances o seu ponto alto. Os atores se entregaram por inteiro aos seus papéis. Leticia Spiller realiza aqui a sua performance mais corajosa de sua carreira, saindo totalmente da zona de conforto. Ela somente é prejudicada pelas horríveis lentes de contato que sua personagem usa para mostrar que é cega. Guta Stresser , sem maquiagem, está fantástica, abusando de seu talento incontestável, e com uma cena antológica: quando seu irmão a maquia e veste. Maria Gladys é outra que não tem medo de encarar nenhuma loucura na sua carreira. Um grande destaque é o ator paraibano Paulo Philipe, no difícil personagem de Miguel/ Catarina, sem exageros. Os atores gaus que fazem as outras travestis também são ótimas. De baixo orçamento, é um filme de guerrilha, que tem uma parte técnica irrepreensível para tão poucas condições de produção. Parte da equipe foi formada por alunos da Faculdade local. Tivesse 20 minutos a menos, o filme seria impecável.