quarta-feira, 22 de novembro de 2017

O porteiro do dia

"O porteiro do dia", de Fábio Leal (2017) Premiado curta gay pernambucano, repleto de safadeza e malícia. Os atores Edilson Silva e Carlos Eduardo Ferraz passam mais da metade do filme pelados e trepando, entregando ao filme 2 interpretações viscerais e bastante despojadas. Marcelo é um jovem técnico de som de cinema, e mora em um condomínio. Gay assumido, ele flerta com o porteiro Márcio. De tanto seduzir, ele acaba conquistando Márcio, que segue com ele em seguidas cenas de sexo quente. O mais interessante do filme, escrito e dirigido por Fabio Leal, é mostrar que mesmo dentro do gueto gay, existe um forte preconceito racial e social. O filme é longo para um curta, 25 minutos, mas tem belas cenas, como a final, na praia ao entardecer. Fora isso, na trilha sonora eclética, Fabio resgatou a cult de Marina Lima, "Pé na tábua", e o hino pop do Daft Punk, "Giorgio by Moroder". O Ator Carlos Eduardo Ferraz tem uma divertida cena na cozinha, de cuecas, dançando e cantando um hit de Beyoncé. Definitivamente, um filme contra a caretice.

O outro lado

"Al otro lado", de Rodrigo Alvarez Flores (2017) Premiado curta mexicano, escrito e dirigido por Rodrigo Alvarez Flores. O filme narra a história de amor entre 2 jovens gays, Claudio e Felipe. Um dia, o pai de Claudio flagra os 2 na cama e a=manda o filho para os Estados Unidos. Felipe, desesperado, atravessa a fronteira, em busca de seu amado. Com enxutos 15 minutos, o filme apresenta uma história de amor trágica, calcada nos sentimentos verdadeiros entre 2 jovens, impossibilitados de assumir o seu caso pela homofobia de seus pais. Bem dirigido, com bela fotografia e edição, o filme emociona e surpreende pelo seu belo desfecho. Pode-se dizer que é um filme mais de edição do que de roteiro, pois a história é bem simples, e no caso, é a edição que traz a surpresa na narrativa.

Mudbound: Lágrimas sobre o Mississipi

"Mudbound", de Dee Rees (2017) Epico baseado em um livro de Hillary Jordan, "Mudbound" foi produzido pela Netflix e exibido com muito sucesso no Festival de Sundance 2017. Dirigido por uma jovem Mulher negra, e com fotografia também de uma mulher, Rachel Morrison , de "Fruitvalley Station", o filme parece uma mistura de " O primeiro ano do resto de nossas vidas" com "Mississipi em chamas". Do primeiro filme, ele pega o tema de soldados que lutaram na 2a Guerra Mundial e que voltaram repletos de traumas e tragédias pessoais. Do filme de Alan Parker, ele pega o tema do racismo no Sul dos Estados Unidos, e a influencia da Klu Klux Klan na vida dos negros que moravam na região. Com quase 140 minutos de duração, o filme faz um raio X de 2 famílias em Mississipi: os brancos da família MacAllan, e os negros da familia Jackson. Ambientado entre os anos 30 e 40, o roteiro espertamente dá voz a todos os Personagens, cobrindo vários Pontos de vista: do homem negro, da mulher negra, da mulher branca, do Homem branco racista, do homem branco favorável `a causa negra. Dee Rees evitou polemicas, e assim, todos encontram o sue lugar no filme, deixando claro o ponto de vista do movimento feminista e da luta pelos direitos sociais. O filme tem excelente interpretação de todo o elenco: Carey Mulighan, Garret Hedlund, Jason Clarke, a cantora Mary J. Blidge, estreando com muita força no papel da matriarca da família Jackson, Rob Morgan ( incrivel como o patriarca Jackson) , Jason Mitchell como o carismático Ronsel e por ultimo, Konathan Banks, assustador como o vilanesco Pappy, lider da familia MacAllan e da Klu Klux Klan. Belíssima fotografia, ótima reconstituição de época, mão firme na direção de Dee Ress, fazem desse filme um projeto obrigatório.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Assassinato no Expresso Oriente

"Murder on the orient express", de Kenneth Branagh (2017) Adaptado da obra homônima de Agatha Christie, e levada `as telas em uma versão famosa de Sidney Lumet em 1974, essa nova versão do suspense protagonizado pelo Detetive belga Hercule Poirot veio coberto de uma saraivada de críticas negativas. No entanto, eu adorei o filme. O filme celebra aquele retorno a um tipo de Cinemão antigo, repleto de Estrelas de cinema, com muito Luxo, Glamour. Um bom roteiro e Atores de alto nível que farão com que você se sinta no palco de um grande Teatro, se deliciando com as falas ditas por eles, cada um com direito a um momento solo. Talvez o grande problema do filme seja que muita gente já viu o original e já sabe o seu desfecho. Eu mesmo fiquei me perguntando se Kenneth Branagh ousaria mudar o final, somente para surpreender quem esperasse o óbvio. Kenneth Branagh está ótimo como Poirot, O filme faz várias alusões `a religião, a começar pelo prólogo, no Muro das Lamentações, e o desfecho, uma referencia `a Santa Ceia. Judi Dench, Penelope Cruz, Willen Dafoe, Jonnhy Depp, Michelle Pfeiffer dão vida a personagens repletos de mistério. E' verdade que cada um deles tem pouco tempo na tela, mas também seria impossível te-los o tempo todo, afinal, o filme é de Poirot. Alguns pontos negativos: O ritmo lento de algumas cenas, e principalmente, o CGI, falso demais. No mais, é se deliciar com o filme, e para quem nunca viu, preste atenção em cada detalhe.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Maudie- Sua vida e sua Arte

"Maudie", de Aisling Walsh (2016) Delicada biografia da artista plástica Maude Lewis, considerada uma das Artistas populares mais famosas do Canadá. Nascida em 1903, Maud teve artrite reumatóide na sua juventude, o que a impossibilitou de fazer vários movimentos e a ser considerada uma aleijada pela família. Criada pela Tia Ida e pelo seu irmão Charles, ela engravidou durante uma farra em uma boite local. Sua Tia disse que a bebe nasceu deformada e morreu. Maud conhece Everett Lewis, um pescador rude que está `a procura de uma empregada. ele mora em uma pequena casa afastada, e Maud se disponibiliza para exercer a profissão. Em principio Everett renega a presença daquela mulher em sua casa, mas na falta de opções, a contrata. Aos poucos, ele vai permitindo que ela tome conta de sua casa. Maud tem um dom: a pintura. Ela vai ficando famosa, e Everett ganha dinheiro com isso. A fama de sua pintura simples ganha proporções avassaladoras, até chegar no Presidente americano Nixon. Realizado com sentimentalismo, ( o que pode irritar espectadores que não gostam de uma narrativa novelesca), o filme foi dirigido e escrito por mulheres, e tem esse ponto de vista sobre a condição feminina perante uma sociedade machista. Com belíssimas locações e uma fotografia deslumbrante, alternando as estações do ano, o filme conta com performances avassaladoras de Sally Hawkins e de Ethan Hawke. Sally aprendeu a pintar para viver a personagem, e o seu trabalho corporal impressiona e comove. Ethan vive um tipo meio Clint Eastwood, bronco, e faz esse papel muito bem. O filme ganhou vários Prêmios em festivais Internacionais.

Historias de amor que não pertecem a esse mundo

"Amori che non sanno stare al mondo", de Francesca Comencini (2017) Adaptado de um livro escrito pela própria Cineasta, que está em alta na Itália por seu uma das Diretoras da série de tv de grande sucesso "Gomorra". O filme é um drama romântico, com algumas pitadas de humor e situações bastante ousadas. Com uma excelente interpretação de Lucia Mascino, no papel de Claudia, e de Thomas Trabacchi, no papel de Flavio, o filme fala sobre o amor na meia idade. Claudia e Flavio são professores em uma Universidade em Roma. Após se conhecerem em uma palestra acalorada com estudantes, Claudia se diz apaixonada por Flavio, que aceita o namoro. Em principio felizes, a relação vai se deteriorando, com a neurose e histeria de Claudia, que quer que Flavio se dedique mais ao casal e também deseja um filho, e pelo fato de Flavio se sentir sufocado com tanto amor. O filme se passa em 2 tempos: o passado, retratando esse amor, e o presente, com a tentativa de Claudia namorar uma aluna lésbica, para esquecer de Flavio, e de Flavio namorar uma aluna, para se sentir mais jovem. O filme é repleto de clichês do gênero, mas é tudo feito com muita sutileza, boa direção e mão firme pela diretora. A bela fotografia e as locações exuberantes ajudam a dar um clima romântico e melancólico ao filme, que no final das contas, fala sobre viver novas possibilidades, quando a vida mesmo parece estar entrando no fim. Para quem ama filmes como "Shirley Valentine", uma boa pedida. O filme foi exibido no prestigiado Festival de Locarno.

Vazante

"Vazante", de Daniela Thomas )2017= Premiado no Festival de Brasilia 2017 com os prêmios de Melhor direção de arte e melhor atriz coadjuvante, para Jai Baptista, no papel da escrava Feliciana, " Vazante" também foi exibido no Festival de Berlim. O filme teria passado incólume pelo circuito como um drama que retrata a relação entre Fazendeiro português, negociante de escravos e gado, e o seu casamento com sua sobrinha de 12 anos. Talvez desse mídia por ser o primeiro filme solo de Daniela Thomas. Ou talvez por ser um filme que mostra a sociedade machista opressora já em 1821, e que se mantém igual nos dias de hoje. Nem o excelente trabalho do elenco, mescla de atores brasileiros e portugueses, foi o suficiente para encher os olhos da platéia. O que realmente chamou a atenção de todos, foi o gigantesco bafafá que se formou em relação ao filme, após sua tumultuada exibição no Festival de Brasilia. Um grupo de manifestantes do movimento negro, formado por atores, diretores e críticos de cinema, ficou revoltada com o tratamento que os negros apresentam no filme. Acusaram Daniela, roteirista do filme, de manter o olhar passivo e subjetivo dos personagens negros, que não encontram protagonismo na história nem relevância. Para piorar, o personagem de Fabricio Boliveira, um escravo alforrriado, massacra a comunidade negra, chicoteando e ameaçando de morte. Esse personagem é quase uma cópia do de Samuel L Jackson em "Django", de Tarantino. Após 2 horas de exibição (ritmo extremamente lento), o que ficou realmente para mim, foi a belíssima fotografia de Inti Briones, em preto e branco acachapante, e o rosto do ator português Adriano Carvalho, o seu olhar é avassalador e hipnótico, parece que seus olhos vão saltar das telas. Do roteiro, fiquei frustrado com o desfecho, um lugar comum para quem quer acreditar no amor entre os diferentes.

domingo, 19 de novembro de 2017

E se os gatos desaparecessem da Terra?

"Sekai kara neko ga kietanara ", de Akira Nagai (2016) Adaptação do romance homônimo escrito por Genki Kawamura, " E se os gatos desaparecessem da Terra?" é uma espécie de "A felicidade não se compra", de Frank Capra, versão japonesa. Na tradição do cinema sentimental japonês, que nos trouxe o premiado " A partida", Oscar de filme estrangeiro em 2008, o filme de Akira Nagai fará chorar a platéia que com certeza irá se emocionar com a triste trajetória do jovem carteiro interpretado por um ótimo Takeru Satoh. O Carteiro não tem nome: ele mora sozinho com seu gato. Um dia, ao fazer as entregas postais, ele passa mal. Ao fazer uma consulta médica, descobre ter um estagio avançado de tumor cerebral, que lhe dará poucos dias de vida. Ao chegar em casa, ele é recebido pelo seu duplo, uma espécie de demônio que diz que poderá lhe dar mais dias de vida, contanto que vá se desfazendo de coisas aparentemente supérfluas: celular, filmes, gatos. A medida que ele se desfaz das coisas, vamos descobrindo um pouco mais sobre sua vida: a convivência com a mãe portadora de doença terminal, o seu pai que se fechou em luto, uma ex-namorada traumatizada com uma morte, um amigo cinéfilo tímido. O filme tem um tratamento de filme de fantasia, quase um filme da Disney, mas a sua tristeza impede que ganhe uma refilmagem americana. A cultura japonesa tem uma relação muito diferente sobre o tema da Morte, e aqui ela é tratada de forma bastante piegas, mas mesmo assim, bela. O filme é proibido para pessoas que se irritam com trilha sonora sentimental e cenas que forcam o choro. De brinde, belos planos de gatinhos muito fofos.

sábado, 18 de novembro de 2017

No intenso agora

"No intenso agora", de Joao Moreira Salles (2017) Documentário que faz uma análise sobre o Movimento estudantil e dos trabalhadores por direitos de igualdade social e política nos anos 60 pelo Mundo, mais precisamente no ano de 1968, em Paris, Tchekoslovaquia, Brasil, fazendo uso dos mártires de cada um desses movimentos. Joao Moreira Salles se apropria de imagens amadoras que sua mãe fez quando visitou a China da Revolução cultural de 1966 e faz uma analogia entre o Universo Burguês e o Universo da classe operária e assalariada. Impossível também não identificar um olhar sobre o atual estado sócio-politico-economico no Brasil de hoje em dia, com o Brasil dos anos 60, ou seja, praticamente tudo continua igual. Joao faz toda uma tese sobre todos esses temas propostos, mas aonde eu mais me identifiquei, foi quando ele faz uma critica ao uso da mídia para conseguir os seus intentos. Dois exemplos esmagadores: O líder do movimento estudantil em Paris, Daniel Cohn-Bendit, que usa um poderoso discurso quando fala para um canal de televisão, e que no final das contas, acabou virando vitima de seu próprio personagem: fugiu para a Alemanha bancado por uma Revista burguesa, e depois vendeu a sua historia por dinheiro para a publicação de um livro biográfico. Depois, Quando fala que o Presidente francês Charles de Gaulle venceu a Revolução de maio de 68, quando resolveu não aparecer na tv ( por conta de sua imagem de idos contrastando com os jovens estudantis rebeldes) e gravou um discurso poderoso para a rádio. A sua voz imponente conquistou a nação e ele venceu a luta sem derramamento de sangue. Joao também diz que o movimento estudantil em Paris foi um movimento machista de homens brancos, aonde negros e mulheres fizeram figuração, ao contrario dos americanos. Por conta da alta qualidade das imagens de arquivo mostradas, é um filme obrigatório, mas que tem uma longa duração, e que teria sido melhor apresentada como seriado de televisão dividido em 2 ou 3 capítulos.

Ratos de praia

"Beach rats", de Eliza Hittman (2017) Vencedor de vários prêmios internacionais, entre eles o de Melhor Direção em Sundance 2017, "Ratos de praia" foi escrito e dirigido por Eliza Hittman, Ambientado na Região de Conney Island, em Nova York, o filme apresenta Frankie, um típico adolescente que faz parte de uma gangue de delinquentes que bebem, roubam e paqueram garotas em Conney Island. Frankie mora com sua mãe e sua irmã: seu pai está com câncer terminal. Frankie leva uma via dupla: com os amigos, ele se faz passa por hetero, namorando Simone, uma vendedora de loja que ele destrata. De noite, ele fica online caçando gays mais velhos para transar. Essa vida dupla o levará a um destino trágico. Ótimo drama independente, interpretado com muito vigor por Harris Dickinson, no papel de Frankie, e por Madeleine Weistein, no papel de Simone. Com excelente fotografia, trilha sonora, direção, é um filme que impacta pela sua crueza e visceralidade. Uma historia comum que acontece em qualquer lugar do mundo, sobre jovens em conflito sexual sobre a sua verdadeira identidade e que se transformam em psicopatas. Vale assistir.

Newness

"Newness", de Drake Doremus (2017) Você sabe o que significa "Geração Millenial"? Sao pessoas quase na faixa dos 30 anos, que nasceram no boom da tecnologia do final dos anos 90. Conectados `a Internet desde crianças, não conseguem viver sem estar com o aparelho do celular na mão, fazendo uso de algum aplicativo. Assim são os personagens de "Newness", exibido em Sundance 2017: ricos, bonitos, jovens, bem-sucedidos, sexualmente ativos e em busca de sexo livre e sem compromissos. Fazem uso de aplicativos de pegação para um "one night stand". O Farmacêutico Martin (Nicholas Hoult) e a fisioterapeuta Gabi (Laia Costa, espanhola, protagonista do cult alemão "Victoria") se conhecem em um desses aplicativos. Após uma noite juntos, eles resolvem se ver de novo. E de novo..até criarem um relacionamento estável. Porém, eles não estão acostumados com fidelidade e em dividir assuntos pessoais, e entram em crise. Confesso que no início achei o filme interessante, mas depois foi ficando maçante. Os personagens são chatíssimos, repletos de pequenos dramas burgueses, nada que uma boa terapia não pudesse resolver ou algum tarja preta. Mas não, preferem ficar gritando, jogando coisas chatas na frente do outro, um papo irritante que vai e que volta..ou seja, um filme que quer fazer acreditar que o Amor é possível em uma época onde o egoísmo e o individualismo imperam..mas os roteiristas deveriam ter deixado os personagens mais simpáticos..,do jeito que está, fica difícil aguentar aquela pessoa por meia hora do seu lado. Até mesmo Woody Allen trabalha melhor os seus tipos neuróticos urbanos. Tudo no filme é estilizado: as cenas de sexo, a fotografia, de um pudor que não combina com o tema do relacionamento aberto e repleto de sacanagem que os personagens estão acostumados. Faltou pimenta,

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O dia depois

"Geu-hu", de Hong San Soo (2017) Impressionante a voracidade com que o Cineasta sul coreano Hong San Soo filme seus longas. Somente em 2017, ele lançou 3 Filmes, todos disputando importantes Festivais Internacionais: " `A noite na praia sozinha", que levou melhor Atriz em Berlin, " A câmera de Claire", com Isabelle Huppert, e esse "O dia depois", que disputou Cannes. Sao muito poucos os Cineastas com tanto prestigio nesses Festivais mundiais, que tem seus filmes disputados a tapas. O mais incrível mesmo, para quem conhece a filmografia do Cineasta, é que todos os seus filmes parecem ser exatamente o mesmo. A estética, o roteiro, a forma de decupar, são sempre as mesmas. Planos Longos, nada de closes, diálogos banais sendo discutidos em restaurantes, no meio de muita comida e bebida. Quase todos os seus filmes giram em torno do tema da infidelidade. Quando lançou " A noite na praia sozinha", todos os olhares se voltaram para sua atriz fetiche, Kim Min Hee, que todos descobriram ser amante de Hong San Soo. A esposa dele fez escândalo, mas de nada adiantou: ele se juntou a Kim, e desde então, ela tem trabalhado em todos os seus filmes. Os últimos filmes são essa expiação sobre a traição. Song é um editor de livros de meia idade, dono de uma livraria. Casado, ele trai sua esposa com sua ex-secretária, que não trabalha mais lá. Ao contratar uma nova funcionária, Areum (Kim Min Hee), sua esposa a confunde com a amante e a destrata. O filme é esse compendio de maus-entendidos, onde dramas pessoas afloram com muita melancolia. Song acaba se tornando um homem mau caráter, pois em momento algum ele desmente `a esposa de que Areum não é a amante. mesmo quando ele diz no inicio, sua esposa não acredita, e ele deixa ela dessa dúvida. Não é dos filmes que mais gosto de Hong San Soo ( o que mais gostei recentemente foi "Certo agora, errado antes', pela brincadeira de linguagem. Mas sempre é bom ver seu elenco trabalhando de forma naturalista e minimalista.

Liga da Justiça

"Justice League", de Zack Snyder (2017) Pipoca da melhor qualidade, me diverti bastante durante 2 horas assistindo a esse primeiro encontro dos super heróis da Liga da Justiça. O elenco foi escolhido a dedo, todos incríveis em seus papéis. Gal Gadot liderando esse time masculino com muita garra, sua Mulher Maravilha é Poder do início ao fim. Ben Affleck e Henry Cavill emprestando canastrice deliciosa ao Batman e Super man, Jason Mamoa arrebentando como Aquaman, Ray Fisher mandando ver como Cyborg e por fim, um Ezra Miller arrepiando e se divertindo muito com seu The Flash. Ele é o contraponto ao Spider man de Tom Holland em "Os Vingadores", emprestando juventude e alegria ao filme. O roteiro é aquele mesmo de sempre, povo salvando o mundo dos malvados, no caso, o Lobo do estepe e seu esquadrão de morcegos que se alimentam do medo. Time vencedor, com um elenco de apoio mega de luxo: Amy Adams, J K Simmons, Diane Lane e Jeremy Irons. Após o filme tem duas cenas finais heim!

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Aqui não Aconteceu Nada

"Aqui no ha pasado nada", de Alejandro Fernández Almendras (2016) O cineasta chileno Alejandro Fernández Almendras, que realizou o excelente drama "Matar um homem" em 2014, agora lança outro filme sobre a violência inerte dentro de uma pessoa comum. Baseado em história real, mais precisamente envolvendo um acidente com o filho de um influente Senador chileno, da Família Larrain, o filme fala sobre impunidade, corrupção e mentiras envolvendo o Poder. Vicente é um jovem de família rica. Ele retorna de Los Angeles para voltar a morar no Chile com seus pais. Uma noite, durante uma festa na praia, ele conhece duas garotas. Elas o apresentam a Manuel Larrain, filho de um Senador. Todos bebem muito. Vicente dirige o carro, e logo depois Manuel assume a direção. Vicente é deixado em casa. Horas depois, os jovens o procuram e dizem ter acontecido um acidente: Manuel atropelou um homem e o matou, mas botam a culpa em Vicente, dizendo que ele quem estava dirigindo o carro. Vicente não consegue provar a sua inocência. Com uma boa direção dos jovens atores, o filme não surpreende tanto quanto ao filme anterior do cineasta, inclusive tem um ritmo arrastado e a conclusão do filme é bastante irritante. A trilha sonora repleta de raps só favorece o clichê sobre a juventude alienada, regada a sexo sem proteção, bebedeiras sem fim e drogas pesadas. Surpreendentemente, o filme ganhou o Premio Fipresci da critica no Festival de Cartagena. Ponto positivo é a bela fotografia de Inti Briones, fotografo peruano que já fotografou alguns filmes brasileiros, como "Vazante", "Pequeno segredo" e " Jia Zhengke, o homem de Fenyang".

10 centavos para o número da Besta

"10 centavos para o número da Besta", de Guillermo Planel (2017) Documentário Co-produzido pelo Canal Brasil, contando a sensacional trajetória do Ator gaúcho Paulo Cesar Pereio. Narrado pelo próprio em suas andanças por Sao Paulo, no bairro de Bela Vista, onde mora, ou dentro de seu apartamento, Pereio narra histórias de bastidores de boa parte dos 121 filmes em que trabalhou. Algumas cabeludas ( como a do Motel com Sonia Braga no dia em que faltou luz), ou divertidas, quando entrou no lugar de Joel Barcelos em um filme, pois o mesmo cobrou uma grana e Pereio diz " Tomara que me chamem para todos os filmes que o Joel não topar fazer". Tem também um depoimento lindo, quando ele comenta com um Ator : "Acenda a sua luz". E o Ator " Mas a Luz do set está apagada!". Pereio: " A sua Luz interna!!". O filme vale cada depoimento, cada frase. Imperdível, uma historia do cinema brasileiro, através de um dos maiores representantes, que já trabalhou com quase todos os grandes Cineastas brasileiros. Como ele mesmo diz : " O melhor Cinema Brasileiro é feito aqui no Brasil!". Pereio é uma figura impar, um dos raros artistas com discurso contra as caretices culturais.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O jantar

"The dinner", de Oren Moverman (2017) Exibido no Festival de Berlin em 2016, "O jantar" é baseado em um livro de autoria de Herman Koch. O filme é bem polemico e apresenta 4 personagens adultos e 2 adolescentes moralmente ambíguos, cruéis, corruptos, reflexo dos novos tempos. Ao fim da sessão, fica uma sensação terrível de impotência e de querer fazer desaparecer aquele mundo ali ao qual eles pertencem. Ricos, bem criados, mas totalmente anti-éticos e imorais. O tema do filme me lembrou bastante o drama romeno "Instinto maternal", que ganhou o Urso de Ouro em Berlin 2014. O filme conta a historia de uma mãe rica que descobre que seu filho matou acidentalmente uma criança de 14 anos e faz de tudo para acobertar o crime. Em "O jantar", o mote é o mesmo. Depois de um prólogo apresentando 2 adolescentes ateando fogo em uma sem teto, matando-a com requintes de crueldade, o filme corta para um jantar em um restaurante chique. Ali, somos apresentados a 2 casais: Paul (Steve Coogan) e Katelyn (Rebecca Hall), e Stan (Richard Gere) e Claire (Laura Linney). Paul é professor de historia, Stan está em plena campanha para Governador. O motivo do jantar: eles são os pais dos adolescentes criminosos, e arquitetam um plano para acobertar os crimes. O filme discute ética, racismo, misoginia, mansplanning, luta de classes e tantos outros temas típicos do nosso dia a dia. O filme não esconde a sua narrativa teatral. 80% acontece durante o jantar, dividido em capítulos de uma carta de restaurante. As cenas que acontecem fora do restaurante, vários flashback que fazem o espectador entender melhor a relação conflituosa entre os irmãos e as esposas, achei dispensáveis e fazem o filme focar longo. Mas vale ser assistido e discutido, por conta do seu teor altamente explosivo, e pelo belo trabalho dos 4 atores principais.

Tab Hunter: Confidencial

"Tab Hunter: Confidential", de Jeffrey Schwarz (2015) Documentário premiado em vários Festivais, apresenta ao espectador a figura lendária de Tab Hunter, um dos atores de maior prestigio dos anos 50 e 60 em Hollywood, antes da chegada de James Dean , Marlon Brando e outros atores da escola naturalista. Tab Hunter representava a essência do americano: branco, olhos azuis, bonito, bom moço. Por muito tempo, essa imagem funcionou, mas logo depois caiu em um profundo ostracismo, até se reinventar em filmes cults como "Polyester", de John Waters. Desde criança, Tab Hunter ( de nome Arthur Andrew Kelm) sempre foi apaixonado por Cinema, mas não tinha ideia de como chegar lá. Quando esse dia chegou, em filmes pavorosos, um agente de atores viu nele um Ator em potencial que poderia explodir, por conta de sua beleza que seduzia a todos. Dito e feito: Tab explodiu, fez filmes de sucesso, ss lançou como cantor , fazia muita publicidade, era tido como o genro que toda mãe queria ter. Mas Tab tinha um segredo: ele era gay. Naquela época, sair do armário era o suicídio para qualquer astro. O Estúdio da Warner Bros o obrigou a sair com estrelas como Natalie Wood para sair nas capas das revistas com possíveis namoradas. Tab sempre sofreu com essa vida dupla. O filme acompanha sua gloria e sua decadência, além de relatar seus namoros com famosos, como Anthony Perkins, que preferiu se casar e ter filhos para não sujar a sua carreira. Hoje em dia, Tab é assumido, e se casou com um produtor de cinema 30 anos mais jovem, Allan Gleizer, que captou para o seu primeiro projeto, "Lust in the dusk", e também produziu esse documentário sobre Tab Hunter. O filme, apesar de bem didático, tem um conteúdo muito interessante sobre como funciona a Hollywood homofóbica e careta dos anos 50 e 60.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Pai em dose dupla 2

"Daddy's home 2", de Sean Anders. Continuação da comedia de grande sucesso, traz de volta s personagens de Brad (Will Ferrel) e Dusty (Mark Wahlberg), 2 pais super atrapalhados. Um é pai biológico e outro é padrasto dos filhos do primeiro casamento de Dusty com Sara). Agora que todos já se deram bem e convivem harmoniosamente, juntos eles preparam a Festa de Natal, juntando as duas famílias. Brad convida seus pais, mas somente surge seu pai, Dom (John Lithgow). Já o pai de Dusty, surge tem ser sido convidado: na infância, ele odiava o pai, que o abandonava para paquerar garotas. Juntos, alugam uma casa nas montanhas, mas muita confusão irá acontecer. A dupla Ferrel e Walhberg já haviam dado super certo no filme anterior. Aqui, eles continuam divertidos, e adicionados aos talentos de Ligthgow e de Mel Gibson, muito `a vontade no papel do pai machista. As crianças também possuem ótimas gags, como a da fila de beijos, sensacional e politicamente incorreta. Esse é um filme para levar a galera para assistirem juntos e racharem o bico de tanto rir.

Uma verdade mais inconveniente

"An Inconvenient Sequel: Truth to Power", de Bonni Cohen e Jon Shenk (2017) \10 anos depois de ter lançado seu documentário, " Uma verdade inconveniente", que fez um alerta para o Mundo e a população sobre o perigo da aquecimento Global, Al Gore surge com um documentário que dá sequencia ao seu pensamento, só que dessa vez, propondo soluções. Através de palestras pelo mundo inteiro, ele arregimenta voluntários, que ajudam a pregar a sua idéia de energia renovável: energia solar e energia aeólica, principalmente, evitando dessa forma soltar combustão e gás carbônico no ar. Al Gore prova através de imagens reais, que o aquecimento global é o responsável pelas inundações, secas, tempestades e outras ações da natureza contra o ser humano. O filme tem um tom bem didático, mas nada que seja chato ou para pessoas com níveis avançados de pensamento. E' um filme que diz a todos, e propõe que todos ajudemos a fazer desse, um mundo melhor. Se Al Gore não dissesse que ele aposentou a política, com certeza todos sairiam do filme desejando que ele seja o próximo Presidente dos Eua, tal o seu carisma. Vale assistir.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Contatos imediatos do terceiro grau

“Close encounters of the third kind”, de Steven Spielberg (1977) Após o grande sucesso de “Tubarão” em 1975, Steven Spielberg co- escreveu e dirigiu esse clássico da ficção científica que acaba de completar 40 anos no ano de 2017. Escalando para os protagonistas Richard Dreyfuss, que acabara de filmar “Tubarão” , e o famoso cineasta francês Francois Truffaut, o filme fez história por conta de seus efeitos especiais e pela trilha sonora épica de John Willian. Revisto, o filme ficou tecnicamente datado, mas mesmo assim o seu roteiro continua instigante. Eu havia me esquecido a lentidão da narrativa, quase que em registro documental, em um filme de quase 140 minutos. Se tivesse sido lançado hoje em dia, teria sido um grande fracasso, mas na época a plateia suportava filmes blockbusters longos e sem ritmo. Dreyfuss interpreta Roy, casado e com três filhos. Uma noite, na estrada, Roy testemunha a aparição de varias naves espaciais e a partir daí ele começa a ter visões. Sua esposa ( Teri Gaar) acha que ele está ficando louco e vai embora de casa com os filhos. Paralelo, um cientista francês, Lacombe ( Truffaut), está trabalhando com o governo americano com o intuito de fazer contato com os extraterrestres. Spielberg como sempre, tem como pano de fundo a desintegração de uma família: pais que se separam, filhos que sofrem com a perda. Spielberg se espelha na sua história real, quando seu pai abandonou a família, e por conta desse trauma, ele sempre procura uma forma de retratar esse drama em seus filmes. No filme, já podemos perceber embriões para filmes futuros de Spielberg: “ Caçadores da arca perdida”, “Poltergeist” e “ Et, o extraterrestre”.

domingo, 12 de novembro de 2017

Loveless

"Loveless", de Andrey Zvyagintsev (2017) Co-escrito e dirigido pelo Cineasta russo Andrey Zvyagintsev ( mesmo realizador dos premiados "O retorno" e "Leviata"), o filme venceu vários prêmios internacionais, entre eles, o Grande Premio do Juri de Cannes 2017. O filme apresenta uma Russia totalmente desencantada, cinzenta, repleta de pessoas egoístas, egocêntricas e sem amor ao próximo. Reflexo do mundo moderno, as pessoas passam o dia todo curvadas olhando para o seu celular, tirando selfies e preocupadas com suas aparências. No meio desse Universo de desamor, somos apresentados ao casal Zhenia e Alexei. Eles estão se divorciando, e cada um já encontro seu novo par. Zhenia namora um homem mais velho, e Alexei namora uma mulher que já está grávida dele. Alyosha é o filho de 12 anos do casal. Indesejado, nem Zhenia nem Alexei querem ficar com ele, que inclusive testemunha a sua mãe dizendo que preferia que ele não tivesse nascido. Um dia, a diretora da escola liga para Zhenia e avisa que Alyosha não vai `a escola por 2 dias. Somente aí, o casal se dá conta do sumiço do garoto, e apreendem uma busca com a policia para descobrir o paradeiro do menino. "Loveless" ´é um filme cruel, e como o próprio titulo diz, não há espaço para amor, carinho ao próximo. Difícil não sair arrasado depois da projeção. Andrey Zvyagintsev. sempre foi pessimista em seus filmes, mas aqui ele vai a um grau máximo de ira contra o ser humano. Ninguém presta. Todas as relações amorosas são frutos da incomunicabilidade e da falta de esperança. O filme tem um ritmo lento, uma longa duração, mas apresenta um excelente time de atores e uma direção segura de Andrey Zvyagintsev. O filme foi apresentado pela Russia como o seu representante para concorrer a uma vaga para o Oscar.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Na via láctea

"On the Milky Road ", de Emir Kusturika (2016) Nove anos após seu último longa, "Promessas", lançado em 2007, O cineasta iuguslavo Emir Kusturika, duas vezes premiado com a Palma de Ouro em Cannes, lança "Na via láctea", exibido em Competição no Festival de Veneza 2016. O filme saiu com um Premio especial, e o resultado dividiu a crítica. Como sempre, Kusturika se apropria da alegoria e das metáforas para falar de seu Pais que por anos, sofreu as consequências da Guerra dos Bálcãs. Talvez aqui, seja onde ele mais fez uso da fantasia e do nonsense, se apropriando de animais repletos de ação, casais que flutuam no ar, galinhas neuróticas que se olham no espelho, gansos que se banham em sangue para atrair insetos e outras bizarrices. Para os mais cinéfilos, é aqui que Kusturika mais se aproxima do cinema do chileno Jodorowsky e do francês Michel Gondry, que não escondem a sua influencia no surrealismo e no onírico para transformar cenas dramáticas e trágicas em mero lirismo e poesia. O filme é muito bonito e mágico, como se fosse tudo um grande sonho colorido mesclado a pesadelos violentos. Morte e Amor, sexo e tragédia caminham de mãos dadas durante o filme. Kusturika interpreta o protagonista Kosta, um leiteiro que cruza a fronteira durante a Guerra dos Balcãs nos anos 90 para entregar leite aos soldados. Cavalgando com sua jula e tendo companheiros um falcão e seu guarda chuva, Kosta está prestes a se casar com uma mulher na região. No entanto, ele acaba conhecendo a noiva de seu cunhado. Ela (Monica Bellucci) possui um passado trágico, assim como Kosta. Ambos se apaixonam, e fogem, mas são perseguidos por soldados. Repleto de efeitos especiais ( a bem da verdade, bem toscos), o filme chama a atenção pelo uso de uma variedade enorme de animais de cena, o que me fez pensar sobre a dificuldade de filmar os animais. Fora isso, Kusturika investiu bastante em cenas musicadas e cenas de guerra. Monica como sempre belíssima em cena, e Kusturika também não faz feio (impressiona sua semelhança com o ator americano John C. Reilly). Mas o que atrapalha essa viagem lisérgica épica é a sua longa duração, 125 minutos. Do meio em diante, o filme se resume `a perseguição dos soldados contra o casal, e ai o filme perde o ritmo e o fôlego. 20 minutos a menos, por favor...

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A noite é delas

"Rough night", de Lucia Aniello (2017) Juro que fiz de tudo para gostar dessa comédia, mas foi quase impossível. Co-escrito pela Diretora Lucia Aniello, junto do ator Paul W. Downs, que interpreta o namorado de Scarlett Johansson, " A noite é delas" é um arremedo de "Se beber não case" com " Um morto muito louco". A ideia era fazer uma versão feminina desses dois sucessos do cinema, valorizando o protagonismo feminino. No entanto, o roteiro é tão ruim, e as atrizes são tão sem carisma e chatas, que fica difícil achar graça ou mesmo rir. Alguém consegue achar graça de uma cena onde as protagonistas deliberadamente cheiram pó, como se fossem tomar coca-cola e acharem essa atitude super normal? Ou testemunharem a amiga transar com um casal ninfomaníaco ( pobre Demi Moore!!!!) e achar isso normal? O filme tem um repertório infame de gags pretensamente feitas para serem engracadas, mas surtem o efeito contrario. Um exemplo: As maigas estouram um champagne no aeroporto para comemorar, e toda a figuracao se abaixa, achando que é uma bomba! Serio que é para rir? Nada funciona. Roteiro sem graça, personagens antipáticos ( nem Scarlet está bem) e um time de atrizes que foram escaladas sem simpatia. O protagonista masculino só está lá porque ele co-escreveu o roteiro. Sabe qual a piafa relacionada ao personagem dele? Ele descobre que está sem dinheiro para colocar gasolina no carro, e vários turistas perguntam se ele não topa 15 dólares pra pagar boquete!!!!!! A história? Um grupo de amigas se reencontram 10 anos depois de formadas e resolvem fazer uma despedida de solteira em Miami. Para tal, contratam um stripper, que acaba morrendo acidentalmente. Daí elas fazem de tudo para esconder o corpo deles.... Para quem gosta de piadas sujas e sacanas, pode até ser que goste....mas a verdade é que não é engraçado. Uma pena. O filme foi um mega fracasso de critica e publico nos Estados Unidos, e aqui no Brasil decidiram não lançar no cinema, indo direto pro dvd.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O castelo de vidro

"The glass castle", de Destin Daniel Cretton (2017) Dirigido pelo mesmo realizador do premiado filme independente "Short term 12", produção que lançou o nome de Brie Larson para a mídia, "O castelo de vidro" é baseado em uma incrível história real, escrito pela jornalista Jeannette Walls. Jeannete Walls ( Brie Larson na fase adulta) cresceu em um lar disfuncional. Seus pais, Rex (Woody Harrelson, excelente) e Rose Marie (Naomi Watss, emocionante) criam seus 4 filhos com muito amor, mas sem dinheiro, comida e nem mesmo um lar. O casal é contra o sistema capitalista e materialista, e por isso, vivem pulando de lar em lar, de casa abandonada para casa abandonada. Rex não consegue se fixar em nenhum emprego mas isso não o desespera. eles possuem uma forma muito peculiar de educar os filhos. O filme é contado pelo ponto de vista de Jeannette já adulta, prestes a se casar com um contador e famosa colunista de fofocas. Ao ser questionada quem são seus pais, que ela faz questão de esconder, e testemunhar os dois catando comida no lixo, Jeannette tem flashes do seu passado. Gostei muito do filme, que foi super mal lançado no circuito, e me lembrou bastante do filme com Viggo Mortensen, "Capitão Fantástico". A premissa é muito semelhante. Pais que usam da criatividade e da imaginação e do amor da família para se manterem serem unidos. O filme emociona, e o elenco é um grande trunfo. Woody Harrelson é um excelente ator que faz bem tudo o que ele interpreta. Seu personagem é bastante polemico e complexo e fica difícil o espectador sentir carisma por ele, mas por incrível que pareça, ele consegue. Algumas cenas são fortes e nos fazem pensar sobre como educar entes queridos, mas a mensagem do filme é bem clara. Um filme que vale assistir, por fazer questionar valores., família e do que vale a pena nessa vida.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O nó do Diabo

"O nó do Diabo", de Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé e Jhésus Tribuzi (2017) Filme de terror brasileiro que conseguiu o feito de ter sido selecionado para a Competição principal do prestigiado Festival de Brasilia em 2017, "O Nó do Diabo" se apropria do gênero para fazer uma metáfora da situação politico-social brasileira dos dias recentes. Racismo, escravidão, luta de classes sociais, machismo, intolerância. O filme percorre 200 anos da história do Brasil, em 5 episódios independentes mas interligados por todos esses temas e por um personagem: Fernando Teixeira, que em todos os curtas representa o papel do Senhor do Engenho. O filme retrocede no tempo, como se dissesse que o Pais também retrocede na sua historia: começa em 2018, segue para 1987, 1921, 1871 e termina em 1818, todos ambientados na Paraíba, na mesma Fazenda de Engenho, onde havia um cemitério de escravos. O filme se apropria da estética trash de filmes de terror dos anos 70 e 80, com muito sangue, gore e vísceras. Difícil não se lembrar das produções de Lamberto Bava e Lucio Fulcci. O filme é prejudicado pela sua longa duração ( 126 minutos) e pela total irregularidade na qualidade dos episódios. Os melhores são os 2o e 2o ( o do casal que pede emprego e o das irmãs escravas). Os outros são problemáticos no quesito Direção , elenco irregular e efeitos. O quarto episódio deveria ter sido cortado na edição, sua historia pouco acrescenta e tem um ritmo muito arrastado, alem de ter uma linguagem totalmente destoante dos demais. De qualquer forma, é bastante louvável a realização de um filme de gênero no Brasil, mas acho difícil ele ser um projeto que irá conquistar um grande público. No elenco, nomes de peso como Zezé Motta e Everaldo Pontes dão peso a um enorme quadro de personagens.

A última fronteira

"The last face", de Sean Penn (2016) Nove anos após o sucesso de seu último filme, "Na natureza selvagem", lançado em 2007, Sean Penn realiza um dos filmes mais vaiados na Competição em Cannes 2016. Tendo como pano de fundo a guerra civil entre diferentes tribos no Sudão, Charlize Theron e Javier Barden protagonizam uma história que foi execrada pela crítica Internacional, acusados de colocarem Atores brancos liderando um elenco de negros sem voz ativa, situação semelhante a encontrada no filme de Daniela Thomas, "Vazante", que tem como tema a escravidão no Brasil. Para mim, o mais grave no roteiro escrito por Erin Dignam é deixar em segundo plano toda a questão da luta armada na Africa, provocando milhares de mortes, e valorizar o vai e vem amoroso entre os médicos Wren (Charlize Theron) e Miguel (Javier Barden). Sao 2 filmes que não combinam, não se misturam e gritam entre si, tal o disparate. Sean Penn teria tido sorte maior se apenas tivesse seguido o seu feeling de Cineasta engajado em causas sociais, no caso, refugiados da Africa. Wren é filha de um dos fundadores de uma Ong que cuida de feridos da guerra civil em países do terceiro mundo. Durante uma ação na Africa, ela conhece o medico Miguel, e ambos se apaixonam. Acompanhamos 10 anos na relação do casal, e o filme é dividido em 2 tempos que se entrecruzam na edição, para que o espectador fique se perguntando o que causou o rompimento do namoro deles. ( o filme começa com Miguel, nos dias de hoje, procurando por Wren e ela se recusa a recebe-lo). Sean Penn caprichou nas cenas de violência, muito provavelmente para chocar a plateia e chamar a atenção para o que está acontecendo em vários países da Africa. O filho de Sean Penn e de Robin Wright, Hopper Penn, faz uma participação com um piloto de helicóptero e tem uma das falas mais bizarras do filme, quando aponta para uma jovem africana dançando e diz que ela foi estuprada e teve a pele entre a vagina e o anus rasgada. Outros astros internacionais foram sub-aproveitados, como Jean Reno, que praticamente faz figuração, e Adèle Exarchopoulos, que faz uma enfermeira e está ali somente para criar um totalmente dispensável triângulo amoroso. O filme tem mais de 130 minutos e parece interminável!

domingo, 5 de novembro de 2017

"Irmãos da noite

"Brüder der Nacht", de Patric Chiha (2016) Escrito e dirigido por Patric Chiha, "Irmãos da noite" é um documentário austríaco Vencedor de vários prêmios internacionais, entre eles, o Olhar de Cinema (Curitiba International Film Festival). O filme é uma espécie de docudrama que romantiza a vida de garotos de programa em Viena. O Diretor acompanha um grupo de 6 jovens provenientes da Bulgária, que imigraram para Viena para poder trabalhar e na falta de emprego, acabaram se prostituindo para um publico gay. Patric Chiha se apropria da estética que Fassbinder utilizou em "Querele": veste seu "elenco" de marinheiros e a fotografia abusa das cores saturadas (vermelho, azul), adornando tanto o cais do porto quanto a boite onde todos se encontram. Os garotos passam o filme todo relatando histórias com clientes, muitas delas inusitadas e bizarras ( um deles conta que o cliente ofereceu 1000 euros para ele defecar na boca do cliente). As histórias recorrem aos clichês que conhecemos sobre esse universo: boa parte casados, com filhos e desempregados, se oferecem a senhores de idade que buscam jovens para sexo. Talvez o relato mais contundente seja o de um rapaz que conta a sua primeira vez com um senhor de 65 anos, e que como ele ficou nervoso, achando que estava fazendo sexo com o seu avo. O filme tem depoimentos bem didáticos, um garoto de programa diz como deve proceder para ganhar dinheiro com clientes: deixa-lo bem excitado, e fazendo um jogo de tensão sexual para poder extorquir mais dinheiro. Algumas dessas histórias dariam ótimos curtas-metragens. Pena que o Diretor cria uma narrativa entediante e repetitiva. Lá pelo meio da narrativa eu já estava cansado de assistir. Faltou mais dinamismo na edição e talvez o uso limitado de cenários tenha provocado essa sensação de marasmo.

A infância de Ivan

"Ivanovo detstvo", de Andrei Tarkovsky (1962) Primeiro longa dirigido pelo Cineasta russo Andrei Tarkovsky, Vencedor do Leão de Ouro de melhor filme em Veneza 1962. Passei boa parte da minha vida achando que o filme era sobre a infância do Czar russo Ivan, o Terrível, e por isso demorei a assistir. Para minha surpresa, ao assistir, descobri que o filme é baseado em um conto de 1957, escrito por Vladimir Bogomolov e Michail Papava. Ivan é um garoto de 12 anos, cuja família foi assassinada pelos nazistas que começaram a ofensiva para invadir a Russia durante a 2a Guerra Mundial Ivan se alia aos soldados russos e se torna um espião, se infiltrando em front alemão para obter informações e trazer para os russos. Protegido de 3 oficiais, um deles, Coronel Kholin, decide mandar Ivan para uma escola militar, para protege-lo do inevitável embate entre as duas frentes. Mas ivan se nega a abandonar a batalha, absorvida pela sede de vingança. Com uma fotografia impressionante de Vadim Yusov, "A infância de Ivan" se apropria de imagens em preto e branco que oscilam entre o realista e o fantasmagórico. Isso porque o filme é quase todo pelo ponto de vista de Ivan: quando ele se apega `as suas memórias, relatando momentos felizes com sua família, o filme tem um tom luminoso, onírico. Na frente de batalha, adquire tons soturnos, de um grande pesadelo. A performance do jovem ator Nikolay Burlyaev, na época com 15 anos, também impressiona pelo seu vigor e energia. Tarkovsky era famoso em dirigir atores, e exigia deles uma presença cênica imponente, quase que como se estivessem no centro de um palco de teatro. O trabalho de câmera alternando profundidade de foco e movimentos de grua ou panorâmica revelando detalhes do cenário, dos rostos combalidos dos personagens. Os enquadramentos valorizam tudo: locação, cenário, personagens, em perfeita composição, como quadros pintados. A fumaça onipresente, o som da gota d'água constante deixando claro o grande incomodo que o filme quer causar. Tarkovksy não foi o primeiro Diretor do filme, tendo entrado logo após a Mosfilm ter desistido de outros 2 cineastas. Já no primeiro trabalho, Tarkovsky deixou claro a sua marca autoral, que foi se lapidando a cada filme em planos mais longos e com temática mais voltada ao metafísico e ao questionamento religioso.

sábado, 4 de novembro de 2017

Vida em família

"Family life", de Ken Loach (1971) 3o Longa dirigido pelo consagrado Cineasta inglês Ken Loach, em 1971. Até então, boa parte de sua produção foi voltada para a teledramaturgia. Com suas produções voltadas para a temática social do homem comum e trabalhador, Ken Loach passou a ser conhecido como um Cineasta de esquerda. Em seus filmes, invariavelmente ele faz críticas ao Governo Inglês, que deixa a população assalariada `a mercê de burocratas que destroem a vida das famílias menos abastadas. Em "Vida em família", acompanhamos o drama de Janice (Sandy Ratcliff, excelente), uma jovem de 19 anos, filha de pais ultra-conservadores. Os pais de Janice a recriminam por ela não viver uma vida "normal": não consegue emprego, uma relação estável e para piorar, ela engravida de um namorado pintor. Janice vai piorando o seu estado mental, tamanho o assédio moral praticado pelos seus pais, que acaba sendo diagnosticada como esquizofrênica. Levada para fazer tratamentos psiquiátricos polémicos, Janice vai perdendo a sua noção de indivíduo. Filme cruel, que mostra como o conflito de gerações pode prejudicar a educação de uma jovem. Os pais de Janice vivem questionando a liberdade dos jovens como causadora dos distúrbios morais e sociais no Governo. A alienação provocada pela esquizofrenia é uma metáfora que Ken Loach encontrou para explorar esse enorme abismo geracional e educacional que até hoje, provoca danos aos jovens. Filmado como um documentário, e com excelente performance naturalista de todo o elenco, o filme recebeu 6 prêmios internacionais, 6 deles no Festival de Berlin em 1972. Uma aula de direção e de atuação.

Brawl in cell block 99

"Brawl in cell block 99", de S. Craig Zahler (2017) Absolutamente chocado com a hiper violência desse drama criminal do mesmo Realizador do excelente "Bone Tomahawk", um faroeste de canibais protagonizado por Kurt Russel. Acredito que nem a franquia "Jogos mortais" inteira se equivalem aos 30 minutos finais desse filme estrelado por um insano e possesso Vince Vaughn, aqui reconstruindo a sua carreira, quando muitos em Hollywood já o davam por encerrada. Vince interpreta Bradley Thomas, muito provavelmente tendo como referencia o Jake la Motta de Robert de Niro em "O touro indomável". Bradley é um ex-boxeador, que atualmente trabalha como operador de guincho de carros para uma oficina. Ao ser demitido, ele chega mais cedo em casa e reencontra sua esposa Lauren (Jennifer Carpenter, ótima) o traindo. Após um acesso de fúria, ele a perdoa. Passa um ano, Bradley virou traficante, se associando ao seu amigo Gil, e Lauren está grávida. Bradley acaba preso em uma operação que dá errado. Sua esposa é sequestrada e para libertá-la, o sequestrador quer que Bradley se transfira para um presidio de segurança máxima e mate um traficante, a mando do sequestrador, caso contrário, a esposa e o bebe de Bradley serão executados. O filme é longo, 135 minutos, e até a primeira hora a história ainda está sendo estabelecida. A partir daí, o roteiro habilmente vai deixando o espectador encucado, tentando descobrir de que forma Bradley sairá essa arapuca. Definitivamente, não é um filme para fracos. Para os que conseguirem assistir até o final, vai se deparar com uma performance fabulosa de Vaughn. O cineasta e roteirista S. Craig Zahler. é um esteta da violência, e em seus filmes ele mostra a angústia pelo qual seus personagens precisam passar, revelando seus instintos mais animalescos. Parabéns para o time de maquiadores e protéticos, pois os efeitos realmente são de assustar qualquer um.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O animal cordial

"O animal cordial", de Gabriela Amaral Almeida (2017) Escrito e dirigido por Gabriela Amaral Almeida, " O animal cordial" é um raro filme de gênero brasileiro que abraça o Filme B repleto de sangue e violência gore. O filme homenageia toda aquela linha de filmes obscuros que fizeram a alegria dos marmanjos sedentos por filmes sádicos de Wes Craven, Lucio Fulcci e outros que tinham prazer de matar seus personagens com requintes de violência. Lembram de "Quadrilha de sádicos", "Feliz aniversário macabro"? Nessa produção da RT Features, vencedor dos Troféus Redentor de Melhor Ator (Murilo Benicio) e Melhor Atriz (Luciana Paes) do Festival do rio 2017, Gabriela Amaral propõe uma metáfora da sociedade brasileira, repleta de machismo, homofobia, racismo, corrupção, luta de classes sociais e escravidão. Tudo isso está encrustado na aparente paz e sossego das personagens que habitam o restaurante de Inácio (Benício): a garçonete Sara (Paes), o casal de clientes ricos Veronica (Camila Morgado) e Bruno, um advogado vivido por Jiddu Pinheiro. Temos também um cliente que é um policial á paisana (Ernani Moraes), um cozinheiro homossexual (Irandhir Santos) e por fim, uma dupla de assaltantes, um nordestino (Ariclenes Barroso) e um playboy (Humberto Carrão). Os personagens enfrentam seu dia de fúria e saem distribuindo tiros, facadas e navalhadas, tudo embalado por uma trilha sonora que evoca todos os sintetizadores dos filmes dos anos 70 e 80, além de reminiscência de trilhas de Kubrick e John Carpenter. O filme é uma fantasia, tem gente que leva a sério, e tem gente que acredita estar diante de uma enorme alegoria sócio-economica e política brasileira. De fato, não é um filme que irá agradar a todo mundo, mas há de convir que Gabriela foi corajosa em convencer um elenco renomado a encarar essa sangria bestial, e mais, desnudar Luciana Paes de uma forma que nem Neville D' almeida teria coragem em seus filmes clássicos. Em tempos de caretice e censura, é muita coisa.

Depois daquela montanha

“The mountain between us”, de Hany Abu Assad (2017) Quase todo filme trabalha com metáforas, e esse suposto filme de aventura e sobrevivência não poderia deixar de ser uma. As montanhas geladas e assustadoras acabam sendo uma simbologia da relação fria e distante entre duas pessoas totalmente opostas em histórias de vida. Eu seria a última pessoa do mundo a convidar o Diretor palestino a dirigir esse drama romântico ( ele dirigiu filmes importantes e premiados como “ Paradise Now”), mas ainda bem que os produtores americanos têm essa noção de que um Cineasta pode ser eclético e filmar qualquer gênero, qualquer tipo de filme (quando se permitem, claro). Ben (Idris Elba) é um médico. Alex (Kate Winslet) e uma fotógrafa jornalística. Ambos se encontram no aeroporto de Idaho e precisam embarcar para Nova York. Ele para encontrar a esposa, ela para casar. Mas impossibilitados de embarcar, resolvem alugar um pequeno bimotor ( o piloto é o sumido Beau Bridges, irmão de Jeff Bridges). Quando estão atravessando as montanhas geladas, o piloto sofre um derrame e o avião cai. A partir daí, é a costumeira luta pela sobrevivência, e por sorte, acompanhados pelo esperto cachorro do piloto, que estava no avião. Idris e Kate carregam o filme, mas o excesso de "facilidades" que o roteiro se permite, para fazer a história caminhar, incomoda bastante. Para quem quer um sessão da tarde romântico ( pois é isso o que o filme acaba sendo), é uma boa pedida. Para os que buscam ação e aventura...melhor não esperar tanta adrenalina.

No Rio vale tudo

"Si tu vas à Rio... tu meurs", de Philippe Clair (1987) Rodado no Rio de Janeiro de 1987, o que mais surpreende nesse filme de produção Franca/Italia/Brasil é a presença do consagrado fotógrafo Walter Carvalho na ficha técnica. No original, o filme tem a tradução de "Se você for ao Rio, você morre", o que deixa claro os propósitos dessa comédia escrachada e despropositada, que destrói a imagem da cidade Maravilhosa mundo afora. Absolutamente todos os clichês sobre o rio de Janeiro para gringos se encontram aqui: assaltos por pivetes, praias erotizadas com mulheres se oferecendo para qualquer um, traficantes em cada esquina, Wilson Grey no elenco...tem até um taxista que a cada pedestre que ele atropela e mata, ele comemora..,para o pavor do protagonista, um Padre italiano que vem ao Rio trabalhar em uma Paroquia e que é assaltado assim que pega o bonde da Lapa, ficando apenas de cuecas. O que ele não sabe, é que ele tem um irmão gémeo, que tem como comparsas um grupo de traficantes que vieram ao Rio vender 1 milhão de dólares em cocaína que eles encontraram aleatoriamente dentro de um peixe quando estavam pescando na Itália!!!!!!!!! E mais: a única mulher do grupo é...Roberta Close! Ela mesma, dando porrada em todo mundo e seduzindo os homens colocando os seios `a mostra! O filme tinha tudo para ser um clássico trash, daqueles de fazer a gente morrer de rir..mas o efeito infelizmente não é esse. A gente fica constrangido com tantas piadas ruins...o que de fato vale ver no filme, são as imagens da cidade da época, e um elenco com talentos queridos que já se foram: Elke Maravilha, Tiao Macalé, e Wilson Grey. E claro, Roberta Close em cena é sempre um evento! Ainda mais, dublada! Ver a ficha técnica também é uma diversão, muita gente boa que ainda trabalha no audiovisual está ali presente hehe...e isso numa época que não tinha celular nem computador! Viva o Cinema!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Ken Loach- Um Cineasta controverso

"Versus- The life and films of Ken Loach", de Louise Osmond (2016) Extraordinário e obrigatório documentário co-produzido pela BBC e BIF (British Film Institute), sobre vida e obra de um dos Cineastas mais festejados do Mundo, o inglês Kean Loach. Loach é considerado o Cineasta mais esquerdista da Inglaterra, e em seus filmes ele retrata a vida da classe operaria e daqueles que lutam pelo ideal da igualdade e fraternidade. O filme é repleto de entrevistas do próprio Loach, de sua família ( esposa e filhos), de parceiros da equipe, de amigos, de atores que trabalharam com ele e dividem com o espectador seu método pioneiros de atuação. Em 2014, após lançar "Jimmy's Hall", Loach anunciou sua aposentadoria. Mas no ano seguinte, o Partido Conservador ganhou as eleições na Inglaterra e Loach resolveu fazer um último filme que falasse sobre um aposentado que precisa voltar a trabalhar para pagar suas contas. O filme "Eu, Daniel Blake", acabou ganhando a Palma de Ouro em Cannes 2016. Loach é filho de pai proletário, e desde cedo, conviveu com o contraste entre pobreza e senso de riqueza, uma vez que ele mesmo chamou seu pai de "o mais direitista" dos trabalhadores. Seu pai adorava entretenimento da burguesia, como pecas de humor. e evitava levar a familia para regioes onde a classe mais baixa frequentava. Cedo, Loach quiz ser Ator, mas acabou dirigindo docudramas na Bbc. no inicio dos anos 60. Ele trouxe um olhar diferenciado para essas produções, que somente tinham como protagonistas a sociedade burguesa. Loach trouxe o olhar para o homem comum, a classe dos trabalhadores, seus dramas e rotina de luta. Um dos episódios, chamado "Cathy come home", havia sido recusado pela BBc. Mas ele insistiu. Ele entendeu que para filmar da forma mais verdadeira possível e que ele como espectador pudesse acreditar, tinha que usar um estilo documental. Resolveu filmar em ordem cronológica para que o ator pudesse desenvolver de forma espontânea e orgânica o seu passado e seu futuro, sem racionalizar seus atos. Motivou os atores a trabalhar de forma naturalista. se recusou a usar figurantes. O público ficou confuso em saber se era ficção ou realidade aquilo que tinham acabado de assistir. O processo extraordinário de encontrar o ator certo para o personagem está presente no filme. Segundo CIllian Murphy, Protagonista de "O vento da liberdade", "o que interessa a Loach não e a atuação, mas a pessoa. Loach não diz ação, não corta, o personagem está ali, vivo. Você só reage ao que acontece na gravação." Um depoimento de Loach para entender o que ele espera dos atores: " Quero atores que não criam defesas, mas atores que deixam entrar nas cabeças deles, nos pensamentos e nas fraquezas deles. E muitos atores criam defesas, Eles desenvolvem uma técnica que consiste em dar a impressão de alguma cosa e apresentá-la, mas quero ir além disso e ver quem são de verdade. Então a vulnerabilidade é uma qualidade muito importante. mas a sua responsabilidade é não explorar isso. Eles precisam se sentir seguros, para poderem s permitir ser vulneráveis. " Em uma cena polemica de "Kes", crianças apanham de um professor. Essa cena me fez lembrar do método de Fatima Toledo. Loach havia dito para as crianças que na hora de bater iria cortar a câmera, mas não cortou. O Ator bateu de verdade. dificuldade de patrocnios pelo fato de seus filmes estarem indo contra a industria, a morte de seu filho de 5 anos em u acdente de carro, No final dos anos 80, Loach dirigiu vários comerciais para poder sustentar sua casa e família. Hoje em dia, ele sente que traiu sua convicção política, e se arrepende bastante. ( Comerciais da Nestlé, Macdonalds, etc) Tem um depoimento curioso de uma de suas filhas, que diz que Ken Loach profissional e o homem são bastante diferentes. Loach tem paixão por musicais glamurosos, por exemplo. Sua esposa Leslie, que conheceu Loach quando ele era Ator, diz que Loach era o tipo de ator que nem ele iria contratar, pois sempre refletia antes de atuar. Loach trabalha se roteiro para os atores. Em "Ventos da liberdade", ele contou no dia da filmagem que a personagem de uma atriz iria morrer, ela ficou chocada, disse que não queria morrer. queria lutar pela vida da personagem. Essa forca trouxe uma emoção desesperadora para a cena. O filme finaliza mostrando a fúria da direita inglesa que pergunta porque Loach odeia tanto o seu pais, representando em seus filmes o Governo como um Monstro cruel. Um filme que deve ser visto e debatido, além, de é claro, ter a filmografia de Loach revista pelos cinéfilos.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Marjorie Prime

"Marjorie Prime", de Michael Almereyda (2017) Vencedor de um Premio especial em Sundance 2017, "Marjorie Prime" é a adaptação homônima de uma peça de teatro, escrita por Jordan Harrison. A atriz Lois Smith repete o papel que fez nos palcos. O filme é uma melancólica fábula futurista, e que me lembrou bastante o episódio de "Black Mirror", "Be right back", sobre uma mulher que encomenda um boneco vivo de seu falecido marido. Marjorie é uma senhora de 85 anos, e sofre de Alzheimer. Sua filha, Tess (Geena Davis) e seu genro, Jon (Tim Robbins) encomendam um holograma do falecido marido de Marjorie, Walter (Jon Hamm). Marjorie aceita o holograma, mas quer que ele seja com a imagem de Walter quando tinha 40 anos de idade. A memória do holograma é formada pelas histórias narradas pelas pessoas. Walter passa então a relembrar do passado com Marjorie, quando eram mais jovens. Paralelo, Tess se deprime tanto pela condição física de sua mãe, quanto pelo fato de se sentir despreterida e criada sem amor pela mãe, desde que o outro filho de Marjorie se matou. O filme tem um ritmo bastante lento, e não esconde a sua origem teatral, dado a sua verborragia excessiva. Mesmo assim, é repleto de belos diálogos, que nos fazem refletir sobre o luto, erros, depressão e sobre a memória afetiva. Os 4 atores estão ótimos, com destaque para Lois Smith. Sempre bom rever Geena Davis, uma atriz que andava sumida. John Hamm interpreta de uma forma muito semelhante a de Joel Osment em "A.I", de Steven Spielberg, muito provável uma grande inspiração no trabalho corporal.

domingo, 29 de outubro de 2017

Um motorista de táxi

"Taeksi Woonjunsa", de Hun Jang (2017) Baseado em história real, "Um motorista de táxi" narra uma emocionante história de amizade que acontece durante o Governo ditatorial que ocorreu na Coreia do Sul em 1980, após a morte do ditador Park Chung-hee, que foi assassinado. Em seu lugar, assumiu o General Chun Doo-hwan, que instituiu uma Lei Marcial, proibindo qualquer manifestação democrática contra o seu Governo. O filme lembra muito o clássico de Rolland Joffé, "Os gritos do silencio", de 1984. Nesse filme, acompanhamos a amizade entre um jornalista americano que cobre a Guerra do Camboja, e a amizade que ele trava com o seu tradutor local. Em " Um motorista de táxi", o protagonista é Kim (Song Kang-ho, brilhante ator de "Sede de sangue", "O hospedeiro" e " Memórias de um assassino"). Endividado, ele mora em Seul de 1980, junto de sua filha de 11 anos. entre trancos e barrancos ele vai se virando, até que conhece o jornalista alemão Peter (Thomas Kretschmann), que quer ir de táxi de Seul até a cidade de Gwanju. Interessado no dinheiro, Kim aceita a viagem, que acaba mudando a sua vida para sempre. Em Gwanju, estudantes e a população fazem frente aos militares, e um grande massacre acontece. Peter grava imagens, e precisa sair do Pais com esse material para poder apresentar ao mundo o que acontece ali, diferente do que o Governo propaga. O filme tem no seu elenco, a grande força que seduz o espectador e o faz acompanhar as suas longas 2:20 horas. Além de Song Kan Ho, o elenco dos taxistas é brilhante. Impossível não se emocionar com a cena final da corrida dos taxistas para salvarem os amigos. O filme aposta bastante no material humano, e em alguns momentos apela pro sentimentalismo, mas nada disso prejudica o filme. Inclusive na nos créditos finais, o verdadeiro Peter apresenta um video procurando pelo taxista, que nunca teve a identidade real apresentada e nunca mais se reencontraram. O filme tem reconstituição de época impressionante, alem de inúmeras cenas de manifestação, deixando claro que o orçamento foi grande. A recompensa foi que o filme representa a Coreia do Sul na disputa por uma vaga para o Oscar 2018.

sábado, 28 de outubro de 2017

A vilã

"Ak-Nyeo", de Jung Byung-gil (2017) Absolutamente chocado com as cenas de ação desse filme sul-coreano, exibido fora de Competição no Festival de Cannes 2017 e ovacionado por todo canto. A Coréia do Sul tem uma filmografia repleta de filmes sobre vingança, ( entre eles, a trilogia cult "Oldboy" de Park Chow Woo), e o filme co-escrito e dirigido por Jung Byung-gil não esconde essa referência. Mas é óbvio que ele buscou também todas as protagonistas femininas sedentes de sangue, em filmes como "Kill Bill", "Snowblood" e "Nikita". Sook-Hee ( Kim Ok Bin, fenomenal, de "Sede de sangue", de Park Chow Woo) é uma maquina de matar. Quando criança, ela testemunhou seu pai ser assassinado por alguém que ela não consegue reconhecer. Ela é recrutada por uma organização governamental que treina assassinas para executar missões. Grande, ela acaba se apaixonando pelo seu Mestre, e jurando encontrar e matar o assassino de seu pai. A cena inicial já é de cair o queixo: são mais de 10 minutos ininterruptos onde Sook He sozinha mata mais de uma centena de assassinos dentro de um galpão, de fazer a clássica cena de "Oldboy" no corredor virar desenho da Disney. As cenas de perseguição também são muito fodas, inacreditáveis onde o Diretor coloca a sua câmera, principalmente em uma cena de perseguição de motos. Difícil dizer qual cena é a mais mirabolante. Os sul coreanos, de verdade, estão ficando mais criativos do que os americanos no quesito filme de ação. Outro ponto forte do filme é o elenco, repleto de tipos ambíguos em suas personalidades. O roteiro é que acaba ficando bastante confuso, com muitos vai e vens na trama, em flashbacks que confundem bastante o espectador, pois o mesmo personagem apresenta caracterização diferente, daí até a gente relacionar determinado personagem a um outro do passado, já perdemos bastante informação. Mas esse é um filme tão porrada, que esses deslizes de roteiro acabam se esvaindo, pois a nossa mente acaba ficando focada na pirotecnia. Filmaço !!!! e Imperdível!!

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Thor Ragnarok

"Thor Ragnarok", de Taika Waititi (2017) Hollywood tem uns mistérios deliciosos. O Ator e Diretor Neozelandes Taika Waititi só havia dirigido pequenas comedias em seu país. Talvez por conta do sucesso de "O que fazemos nas sombras", um inusitado e divertido filme de vampiros que virou cult no mundo todo, ele tenha sido chamado para dirigir essa 3a parte de Thor. De qualquer forma, da trilogia, esse é o que menos gostei, mas não quer dizer que o filme não seja bom. Ele rende ótimas piadas, pois investe mais na comedia, em cenas antológicas envolvendo Hulk e Loki. Na onda do emponderamento feminino não poderia faltar uma vilã poderosa, Hela (Cate Blanchett, se divertindo horrores) e uma heroína Valkiria, a atriz Tessa Thompson, de "Creed" e "Selma". O elenco continua sendo o ponto forte do filme: Além do elenco fixo, que inclui Idris Elba e Mark Ruffalo, tem o suporte poderoso de Anthony Hopkins, Jeff Goldblum (Sensacional), uma ponta de Matt Damon, Cate Blanchett e Benedict Cumberbatch, no papel do Dr Estranho. Não sou a pessoa ideal para fazer dissertação sobre o filme. Vale assistir, é hilário e um passatempo da melhor qua;idade. A trilha sonora é super, recorrendo aos sintetizadores dos anos 80.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O amante duplo

"L'amant double", de François Ozon (2017) Brilhante thriller erótico dirigido por um dos realizadores franceses que mais admiro. Se utilizando da melhor das tradições de Alfred Hitchcock, Brian de Palma e David Cronemberg, Ozon fez uma mistura explosiva, repleta de psicanálise, erotismo, perversidade, fetichismo e prazer. Impossível não se lembrar de "Gêmeos, mórbida semelhança", de Cronemberg, e de "Irmãs gêmeas", de Brian de Palma. Até tela dividida, uma marca registrada de de Palma, Ozon se apropria. O suspense e a trama de Hitchcock também se faz presente. Uma aula de narrativa cinematográfica, e um trabalho formidável de Jérémie Renier, no papel dos gêmeos Paul e Louis. Cholé ( Marine Vacth, de "Jovem e sedutora", também de Ozon) é uma mulher que sente dor no ventre. A médica aconselha ela a procurar um psiquiatra, pois acha que a dor é psicológica. Ela conhece então Paul (Renier), um terapeuta por quem ela acaba se apaixonando. Ele recomenda que ela vá procurar uma colega para continuar o tratamento. No caminho, Cholé vê um homem idêntico a Paul, e ela descobre que ele também é terapeuta, Louis, irmão gémeo e renegado por Paul. Ela vai se consultar com ele. Louis é violento, e Chloé gosta desse tipo de fetiche., Mas um segredo irá ser revelado e trazer reviravolta na vida de todos. Com uma trama mirabolante mas sedutora, Ozon prende a atenção do espectador ate o final. O filme concorreu em Cannes, mas não levou nada. Jaqueline Bisset faz uma ótima participação especial e reveladora da trama. Um belo filme com ótimas atuações, roteiro surpreendente e uma direção brilhante de Ozon, um expert em filmar todos os tipos de gêneros. Teve critico que chamou o filme de "Cinquenta tons de cinza" versão francesa bobagem. Imperdível.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

I am Sami

"I am Sami", de Kae Bahar (2014) Extraordinário curta-metragem produzido pelo Iraque e Inglaterra. Com uma mensagem anti-belicista, tem como protagonista Sami, um menino de 10 anos, interpretado brilhantemente por Barwar Landon. Ele mora em um vilarejo iraquiano, dominado por combatentes ingleses. Sami é constantemente seduzido por terroristas locais para se tornar um menino-bomba, mas a sua amizade com um dos soldados o faz evitar no mundo do Terror. O pai de Sami está doente, e ele sustenta a todos na família, vendendo filmes pornográficos para os soldados. Um dia, os soldados invadem sua casa e levam seu pai. Aos prantos, Sami pede para Oscar não levar, em vão. Será esse o início de uma vingança? Com apenas 15 minutos, o roteirista e diretor Kae Bahar passa a sua mensagem de forma lúdica e poética, mas ao mesmo tempo, cruel. Exibido em muitos Festivais mundo afora, era um filme que devera se tornar obrigatório para ser exibido em escolas e poder discutir, uma vez que a sua mensagem é Universal. Imperdível!!!

Super dark times

"Super dark times", de Kevin Phillips (2017) O fotografo e curta-metragista estréia em Longa com essa fábula sinistra sobre amizade. Premiado em alguns Festivais, o filme narra a história de um grupo de amigos adolescentes de uma cidade do interior americano. isso pode soar como "Stranger things", "It, A coisa". A diferença é que aqui, os personagens lidam com situações reais, como em "Conta comigo". Zach e Josh são melhores amigos. Ambos são apaixonados pela mesma garota da escola. Um dia, eles saem com Daryl e Charlie, munidos de uma espada samurai e maconha. Ao decorrer do da, rola uma discussão, Daryl se exalta e Josh para se defender o mata com a espada. Todos criam um pacto de silencio e não contam nada para ninguém. A espada é enterrada. Mas essa tragédia muda a vida de todos. Até que um dia, um garoto morre. Zach vai procurar a espada e ela sumiu. Com ótimos atores jovens e boa direção, o filme peca no ritmo bastante lento. O desfecho entra em um gênero que surpreende o espectador. Do nada, se transforma em um suspense. Sim, esse tipo de tema serve para falar da trajetória do adolescente que se torna adulto, e o rito de passagem geralmente vem de forma brusca. Vale a pena ver o filme, mas sabendo que ele poderia ter uns 20 minutos a menos. Linda fotografia, enaltecendo as belas locações e as emoções dos personagens.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Jungle

"Jungle", de Greg Maclean (2017) O cineasta australiano gosta de filmes de gênero. Começou com a franquia "Wolf Creek- Viagem ao inferno", depois veio com o filme de crocodilo assassino "Morte súbita" e por ¨último, a bizarra experiência de Filme B de sobrevivência e assassinatos "The Belko experience". Agora, ele adapta o libro do israelense Yossi Ghinsberg (Daniel Redcliff), que em 1981, se aventurou para a Bolivia Amazônica para dar um tempo na sua vida em Israel. Aos 21 anos de idade, ele quiz se libertar, e provavelmente nunca mais voltar para casa. Ele conhece o suiço Marcus, e o fotógrafo americano Kevinl, e tornam-se grandes amigos. Um dia, Yossi conhece Karl (Thomas Kretschmann), um austríaco que diz saber da localização de uma aldeia indígena escondida na floresta repleta de joias. Yosii vê uma chance de ganhar dinheiro e parte em excurso com os amigos pela floresta inóspita. O grupo se divide, Yossi sofre acidente e desce o rio caudaloso. Agora, ele passa 3 semanas tentando sobreviver. Um típico filme de sobrevivência, como ja vimos vários. "O Resgate", " Amaro pesadelo", Na natureza selvagem". Existe aquela imagem bucólica da floresta como amiga, mas a natureza sabe revidar quando está sendo invadida. A fotografia e a trilha sonora são incríveis. As cenas de acho, as cenas debaixo d'agua, tudo torna o filme bastante palatável e com qualidade. Ótimos atores, ótimos efeitos, E a certeza de que o cineasta fez um tralho muito bem feto.

domingo, 22 de outubro de 2017

Quando chega a escuridão

"Near dark", de Kathryn Bigelow (1987) Co-escrito e Dirigido por Kathryn Bigelow, esse é seu longa de estréia, lançado em 1987. Um verdadeiro clássico do Cinema de terror, "Quando chega a escuridão" faz parte de várias listas como um dos melhores filmes do gênero de todos os tempos. Na época casada com James Cameron, que a aconselhou a escalar alguns atores do seu filme "Aliens, o resgate", Bigelow dá uma nova roupagem aos filmes de vampiros. Se utilizando da narrativa do filme noir, o filme é quase todo rodado na noturna, e tem uma atmosfera incrível, repleto de romance, sensualidade e violência. No Arizona, um grupo de vampiros faz vítimas. Um deles, Caleb, é mordido por Mae, uma jovem adolescente que se apaixona por ele e resolve transformá-lo também em vampiro, contra a vontade dos outros integrantes do grupo. Caleb sofre com a transformação, e precisa de sangue para sobreviver, mas se recusa a matar pessoas inocentes. Seu pai e sua irmã pequena seguem em seu encalço, convergindo para um desfecho trágico. Na época, o roteiro do filme foi associado a uma metáfora da Aids, que estava no auge do alastramento mundo afora. Com uma esplendida direção, Bigelow começou aqui a sua assinatura na história de Hollywood, onda faria depois "Guerra ao terror", " A hora mais escura", "Detroit em rebelião" entre outros. A fotografia marcante de Adam Greenberg ( que trabalhou com Cameron nos 2 "Exterminador do futuro"), e a trilha sonora matadora do grupo eletrônico Tangerine Dream, ajudam a dar um clima totalmente oitentista ao filme, trazendo charme e elegância ao projeto. Os efeitos são simples mas bastante eficientes. Altamente recomendado para fãs do gênero. A cena dentro do bar de bilhar é antológica.