quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Tempestade: Planeta em fúria

"Geostorms", de Dean Devlin (2017) Co-escrito e Dirigido por Dean Devlin, que vem a ser o Produtor de vários filmes de Rolland Emmerich, diretor de filmes catástrofes como "Independence day", "Godzilla" e "Stargate". O que dizer de um filme onde o Rio de Janeiro foi filmado em estúdio, e a personagem carioca corre pelas areias da Av Atlântica e ao dobrar a esquina, está nas ruas da Lapa? Pois esse é o espírito divertido do filme: uma comédia involuntária, daquelas de se esborrachar de rir com os diálogos e as tramas absurdas. O elenco, grandioso, está totalmente no automático. Gerard Butler está sem carisma, Jim Sturgess, de "Across the Universe", nem de longe lembrar aquele rapaz cheio de brilho no olhar; Ed Harris tá precisando pagar o aluguel, Andy Garcia idem ibidem, e o pior de todos, o mexicano Eugenio Derbez, a maior bilheteria da historia do Mexico (pelo filme "Não se aceitam devoluções", em um papel vergonhoso e quase figurante. A trama é bem batida, misturando plots de "Armageddon", "O dia depois de amanha", Gravidade" e qualquer outro filme catástrofe que apresente a natureza revoltada contra a espécie humana. Dá-lhe lições de moral, familiares se reconciliando, filha puta com o pai, e as raças todas se dando as mãos para proteger o planeta ( bem diferente do espirito do excelente "A chegada"). Algumas cenas e resoluções eu ri bem alto no cinema, e fiquei com medo de me xingarem, mas foi impossível não segurar as gargalhadas. Classico do trash.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

How to talk to girls at party

"How to talk to girls at party", de John Cameron Mitchell (2017) Assistindo ao filme do diretor que realizou os cults "Shortbus" e " Hedwig", fica impossível não pensar em referencias de filmes como "The doom generaton", de Greg Araki, e " Scott Pilgrimm contra o mundo", de Edgar Wright. Sao todos filmes que falam sobre uma juventude em conflito com o mundo dos adultos, que discute gêneros, desejos, frustrações, através de heróis, extraterrestres, e muita fantasia e bizarrice, ao som pesado do rock. e no caso desse filme de John Cameron Mitchell, punk. O filme é adaptação do conto do escritor cult inglês Neil Gaiman, autor de "Sandman", " Coraline" e "Stardust", entre outros. Ambientado na Era Margareth Tatcher dos anos 70, no auge do Punk em Londres, o filme nos apresenta a Enn, jovem aspirante a vocalista de uma banda punk, que durante uma festa, conhece Zan (Ellen Fanning), que ele vem a descobrir se tratar de uma extraterrestre que veio com seu grupo de tipos esquisitos. Eles vieram fazer uma pesquisa sobre comportamento terrestre. Enn se apaixona por Zan, mas ela precisa ir embora. Mas não sem antes, formar um grupo de punk com Enn. Confesso que não entrei na onda do filme. Adoro os filmes de Cameron Mitchel, esse aqui até tem a virulência de "Hedwig". Mas não entrei na loucura do roteiro. Talvez por conta da realização, tosca, em termos de figurino e efeitos. O que gostei mesmo foi do elenco jovem, excelente, e da participação louca de Nicole Kidman, que jzea havia trabalhado com Mitchell em "Reencontrando a felicidade". Ela interpreta uma espécie de produtora de bandas punk muito porra louca. O filme concorreu em Cannes 2017.

Amor, Cinema e Paris

“Arnaud fait son 2e film”, de Arnaud Viard (2015) Quem assistiu a “ Paris pode esperar”, vai se lembrar de imediato do ator Arnaud Viard, que aqui dirige, escreve o roteiro e protagoniza o filme. Ele fazia o francês sedutor, um produtor de cinema que dava em cima de uma americana casada com um produtor de cinema. O mais curioso e inusitado é ter na sua trilha sonora a música “Lança perfume”, de Rita Lee. Fora isso, “Amor, Cinema e Paris” lembra demais a proposta da recente comédia anárquica de Guillaume Caunet: casado com Mário Cotillard na vida real, em “ Rock”n roll: por trás da fama”, ele expõe a sua vida pessoal, utilizando os nomes reais para fazer uma crítica à indústria do cinema. Arnaud faz o mesmo: seu personagem tem seu nome e o personagem também é ator e Cineasta. Ele está em crise financeira, não consegue financiamento para um filme e dá aula para bancar seus gastos. O filme é simpático, mas irregular e sem definição de gênero: não é comédia, não é drama e nem romance. Irene Jacob tem um personagem sem profundidade, e tem um Sub plot com a mãe doente e as irmãs ambiciosas de Arnaud que sobram no filme. O filme tinha tudo para ser divertido, com ótimas cenas de ensaios de improviso, a melhor coisa do filme. Amei o exercício do realitty show.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Spielberg

"Spielberg", de Susan Lacy (2017) Documentário obrigatório para todos que trabalham na Indústria do Audiovisual, para os Cinéfilos e para qualquer um apaixonado pela Arte do empreendedorismo. Dirigido pela documentarista Susan Lacy e produzido pela Hbo, essa saga épica com 2:30 de duração, apresenta a figura complexa do Cineasta Steven Spielberg, que passou a vida toda se corroendo pelo divórcio de seus pais ( e acusando o seu pai pela separação, o que justifica em quase todos os seus filmes uma difícil relação entre pais e filhos) , pelo fato de ser judeu e não aceitar a sua cultura por muito tempo em sua vida ("A lista de Schindler" foi uma forma de expiar essa culpa e de pedir perdão ao seu povo) e por tratar de temas como a infância perdida e a luta pela igualdade de direitos e busca pela democracia. O filme apresenta entrevista com quase todos os atores importantes que trabalharam com Steven, desde os primórdios, quando começou a dirigir para a tv ainda nos anos 60 e, aos 20 anos de idade, dirigiu a Diva Joan Crowford, que queria que ele fosse diariamente demitido. Produtores, Cineastas amigos (Scorcese, Brian de Palma, George Lucas, Coppola, etc), roteiristas, etc, todos falam sobre a intensa relação de Spielberg com o seu trabalho e extrema dedicação. Ficamos sabendo de curiosidades acerca de filmes famosos, como por ex "Tubarão" e o porque do tubarão não aparecer em cena pela metade do filme. Em seus depoimentos, Spielberg revela muito de si e das pessoas que trabalham com ele. Rever as cenas comentadas por todos dá uma vontade tremenda de ver de novo e avaliar as condições técnicas e as soluções propostas por Spielberg para resolver os problemas. E' um filme apaixonante, que mostra um dos grandes gênios do cinema de entretenimento, que em seus filmes mais recentes, ousou aliar o cinema comercial a um cinema mais autoral. Spielberg enfrentou a fúria de críticos, do público e de muita gente, sempre dando a volta por cima. Um grande exemplo de profissional, um filme que precisa ser visto por todos.

domingo, 15 de outubro de 2017

120 batimentos por minuto

"120 battements par minute ", de Robin Campillo (2017) Co-escrito e dirigido por Robin Campillo, o filme venceu o Grande Premio do Juri em Cannes 2017, além do Fipresci e Queer Palm no mesmo Festival. Ambientado na Paris de 1989, quando a Aids já estava dizimando boa parte da população gay, hemofílica e de drogados, acompanha a luta de uma Ong formada por soropositivos, a ACT UP, em querer forçar os laboratórios a apresentar resultados e propostas de remédios que possam curar a doença entre os infectados. O grupo faz manifestações invadindo eventos, laboratórios, escolas, tudo para chamar a atenção do público e da mídia. O filme tem 2:20 hrs de duração, e está dividido em 2 partes; na 1a, acompanhamos a luta dos integrantes da Ong, suas intervenções, a presença na parada gay, a discussão entre os integrantes e as diferenças ideológicas. Na 2a parte, seguimos o drama de Sam, um integrante infectado, e a sua história com Nathan, um voluntário soronegativo da Ong e que se apaixona pro Sam. Belamente dirigido, em estilo documental, o filme tem também uma forte presença do elenco, eclético e bem numeroso. Um filem empolgante, com mensagem otimista e que valoriza a amizade e as lutas por uma causa. O filme é repleto de cenas antológicas, como a 1a Gay Pride com o grupo se apresentando.

Manifesto

"Manifesto", de Julian Rosefeldt (2015) Muita gente saiu revoltada da sessão de "Manifesto". A génese do filme é que ele não surgiu como um filme: foram quase 13 curtas, protagonizados por Cate Blanchett, onde ela discursa manifestos de intelectuais e pensadores famosos, como Lars Von Triers, Jim Jarmusch, Karl Marx, etc, sobre o conceito de Arte". Esses pequenos filmes foram apresentados em Museus e centros culturais pelo mundo todo. Roteirizado e dirigido por Julian Rosefeldt , provavelmente a experiência de assistir aos pequenos filmetes com certeza deve ser muito mais interessante do que assistir ao filme inteiro, que soa repetitivo e cansativo, por conta do seu ritmo bastante lento. E' uma proposta de videos/Arte, uma provocação protagonizada por Cate Blanchett em 13 personagens totalmente diferentes. Vale para apreciar esse tour de force, um show de maquiagem e de caracterização e composição de personagens distintos feitos pela mesma atriz. As melhores cenas: A declamação do Dogma dinamarquês numa escola para crianças, e a apresentadora do telejornal.

Verão danado

"Verão danado", de Pedro Cabeleira (2017) Premiado em Locarno, "Verão danado" é um filme português que faz um retrato cruel sobre a juventude desamparada e desesperançada de Lisboa. Já nem tão jovens assim, os personagens do filme vagam pelas noites em festas psicodélicas, bebedeiras, sexo, drogas e muito vazio no discurso e na vida. Sem emprego, sem família, esses personagens apenas esperam o dia seguinte para saber qual a próxima festa. Guardadas as devidas proporções, poderia dizer que é uma versão adulta de "Kids", de Larry Clark. O filme, extremamente longo e sem ritmo, apresenta um tédio absoluto, que sobra para o espectador incauto. Na sessão que eu fui, praticamente o cinema inteiro foi embora. Como sempre, público e Juri de Festival nunca batem nas mesmas opiniões. Quer fazer um filme idêntico? Chame 8 amigos, bote um som, luz, bebida, peca para falarem o que quiser e grave durante horas. O resultado será o mesmo.

sábado, 14 de outubro de 2017

Roda gigante

"Wonder wheel", de Woody Allen (2017) Nós, fãs assumidos do Mestre Woody Allen, tendemos a ser condescendentes nos filmes médios do Cineasta. Mas aqui, a verdade pura e absoluta, é que estamos diante de um dos grandes filmes dele, comparável ao naipe do recente "Blue Jasmine", que deu o Oscar de atriz a Cate Blanchett. Na decadente Cone Island de 1950, Ginny ( Kate Winslet, extraordinária), uma ex-atriz fracassada, mora com seu atual marido, o bêbado e condutor da Roda gigante Humpty (James Belushi, em grande forma). Ela tem um filho pequeno do 1o casamento, Richie, que tem hábito de provocar incêndios criminosos. Ginny trabalha como garçonete para ajudar a sustentar a casa, e lamenta a sua vida infeliz. Ela acaba se tornando amante do jovem salva vidas Mickey (Justin Timberlake), que sonha em se tornar um poeta e acende de novo a chama da atuação em Ginny. Mas a chegada inesperada da filha de Humpty, Carolina (Juno Temple, excelente), fugida de um casamento com um gangster, fará com que as trajetórias de todos tenha uma virada inesperada. Tudo chama atenção aos olhos e ouvidos do espectador: A fotografia exuberante e mágica de Vittorio Storaro; a trilha sonora composta com o melhor do Jazz, se encaixando perfeitamente `as cenas; a performance de todo o elenco, com protagonismo absoluto para Kate Winslet, merecedora de ganhar todos os prêmios que vierem; e um roteiro repleto de diálogos que nos fazem refletir sobre a alma humana, sua sordidez, mesquinharia e sonhos desfeitos. A marcação de cena , em planos-sequencia absolutamente geniais, torna essa experiência de assistir ao filme algo muito especial. Um trabalho incrível que alia técnica `a atuação. Isso tudo confere um ar teatral, com o melhor dos sentidos, `as cenas, permitindo ao ator proporcionar tudo de si em termos de emoção. Na fotografia, na mesma cena, vemos mudança de cores, retratando os sentimentos, variando de azul, amarelo e vermelho. A casa dos personagens, construído em estúdio, permite a marcação das cenas, com movimentos de carrinho suaves e que acompanham os personagens no cenário, e no exterior, dando um ar de magia e encantamento, para um conto de fadas absolutamente infeliz. Obra-prima.

O formidável

“Le Redoubtable”, de Michel Hazanavicious (2017) Concorrendo em Cannes 2017, o Cineasta Michel Hazanavicious ( de “ O artista”), adapta a biografia da atriz Anne Wiazensky, protagonista do filme “ A chinesa” e que se casou com Godard aos 19 anos de idade. O filme narra a relação complexa da jovem atriz idealista e o perturbado e complexo Godard, apresentado como uma pessoa cruel, machista, possessiva, ciumenta e extremamente arrogante. Louis Garrel dá vida de forma brilhante a Godard. O seu look blasé se encaixa perfeitamente na alma e corpo do Cineasta que inventou a Nouvelle Vague. Tem uma cena antológica, aonde Garrel e Stacy Martin ( de "Ninfomaníaca"), no papel de Anne, fiam totalmente nus, questionando essa onda de cineastas que ficam colocando atores nus em cena. Assim como nos filmes de Godard, o filme brinca o tempo todo com a metalinguagem, com a quebra da narrativa. Hazanavicious se utiliza de vários filmes famosos de Godard, e trechos dos filmes, e os reproduz sem cerimoniais aqui. Não sei o que o verdadeiro Godard falou sobre a persona dele no filme. Li numa matéria que o filme não foi bem de bilheteria na Franca, pois muita gente achou que se tratava de um filme de Godard.

Pequena grande vida

“Downsizing”, de Alexander Payne (2017) Diretor de filmes celebrados como “ Sideways” e “Nebraska”, o roteirista e diretor Alexander Payne aposta em um cinema de fantasia para poder fazer um alerta contra a degradação do meio ambiente, a ambição desenfreada do ser humano, os latinos na era Trump e a questão da imigração e do terrorismo no mundo. São muitos temas discutidos nesse filme com pitadas do Cinema de Tim Burton, apresentadas de uma forma bastante amarga e pessimista com o ser humano. Mas existe sempre uma luz no fim do túnel. O filme já vale somente pelas falas da personagem da vietnamita Nhoc Lan, interpretado com fervor pela atriz Hong Chau. Tem uma fala antológica sobre as 8 formas de trepada que é brilhante. Matt Damon interpreta Paul, um homem comum casado com Audrey (Kirsten Wiig). Eles são da classe média e cheios de dívida. Eles resolvem aderir ao programa de encolhimento: um projeto científico norueguês que diminui o tamanho das pessoas, fazendo com que elas morem numa cidade construída especificamente para as pessoas diminutas. Ali, Paul conhece Ngoc, uma ativista do meio ambiente vietnamita que foi reduzida de tamanho contra a sua vontade. Com ótimos efeitos e direção de arte, o filme tem momentos muito engraçados que apresentam a anotação a esse mundo diminuto. Mas o terceiro ato muda de tom bruscamente, chegando a um arco bastante dramático. O elenco de apoio conta também com a presença de Christopher Waltz e Laura Dern. Um roteiro criativo com bela condução na direção de Alexander Payne. Matt Damon esta ótimo no papel do bom novo que ele faz muito bem, mas o destaque total vai para Hong Chau, emocionante e divertida. Uma ótima revelação.

Câmara Nova

"Câmara Nova", de André Marques (2007) O Cineasta português André Marques, Diretor dos premiados "Luminita" e "Yulya", acaba de lançar mais um curta repleto de proezas técnicas, exalando frescor e naturalidade com os seus atores. Aliás, André é bastante conhecido pelo seu excelente trabalho com os atores, sempre com um registo do naturalismo nas atuações. "Câmara Nova" pode ser visto por vários prismas: uma história de vai e vem de um relacionamento conturbado de um jovem casal; uma jovem que resolve dar a volta por cima na relação e se afirmar como dona de si e de seus desejos; um filme que quer discutir o quanto estamos reféns da tecnologia, e a necessidade obsessiva de ter todos os eventos da nossa vida registrados em videos; ou apenas o desejo de um jovem cineasta de querer testar sua Câmara Nova e assim, registrar o primeiro evento que acontece na sua frente, sem nem ao menos querer interferir em nada que acontece ali. Realizado com uma bem marcada mise en scene de um plano único, é um filme instigante, fazendo o espectador testemunha de tudo o que está sendo visto pelo olho da câmera Voyeur. Nós também queremos assistir a discussão do casal! Essa é a essência do Cinema: o Voyeurismo. André cumpre várias funções no filme: Dirige, atua ( é o camera), fotografa, escreveu o roteiro e produz. O cinema autoral e independente respira firme e forte com profissionais talentosos como ele.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Juan e a bailarina

"La sublevación", de Raphael Geyer Aguinaga (2012) Escrito, produzido e dirigido pelo brasileiro Raphael Aguinaga, "Juan e a bailarina" é uma produção brasileira co-produzido pela Argentina, em esquema independente. Rodado praticamente em uma única locação, o filme remete a um clássico dos anos 80, "Cocoon", de Ron Howard. Para quem não se lembra, "Cocoon" mostrava o cotidiano de idosos em um asilo, abandonados pelos parentes. Até que forcas extraterrestres interferem na vida dos idosos e faz com que eles se sintam mais jovens e voltem a aproveitar a vida com dignidade. Os personagens de "Juan e a bailarina" são idosos que moram em um asilo comandado por uma enfermeira. Quando ela sai de férias, ela coloca em seu lugar o seu jovem filho, apelidado pelos velhinhos de "A bruxa". por maltratar a todos eles. Paralelo, uma nova hóspede chega ao local: uma ex-bailarina, abandonada no asilo pela nora. Os internos do asilo tem personalidades bem particulares: tem a megera, tem a sonhadora, tem o tímido, tem o engraçadinho, e tem Juan, um homem recluso em seu quarto que não se mistura com ninguém, até que se afeiçoa pela bailarina. Na 2a parte da história, o filme aposta em um cinema lúdico e de realismo fantástico, ao ser anunciado que Vaticano clonou jesus, e mais, que ele está contaminado pelo vírus HIV. Raphael acertou ao realizar essa fábula acri-doce na Argentina. Aqui no Brasil, não teria o mesmo apelo poético do filme que é apresentado ao publico. O filme é bem dirigido, ainda mais se se considerar o pouco orçamento que ele teve, o que resultou em pequenos milagres. O filme praticamente se apoia no belo trabalho dos atores. e nos divertidos diálogos. e' comovente acompanhar o trabalho desses atores da terceira idade, que dão o melhor de sei em seus papéis.

Patti Cake$

"Patti Cake$", de Geremy Jasper (2017) O cineasta americano Geremy Jasper estréia na direção de longas com esse emocionante e cativante "Patti Cake$", um conto de fadas realista e cruel que mostra uma sucesso de vidas muito, muito massacradas em um subúrbio próximo a Newark. Geremy Jasper é diretor de video clips e isso explica bastante o ritmo e a narrativa musical do filme. O filme concorreu em Cannes e em Sundance. Patti ( a extraordinária atriz australiana Danielle Macdonald), trabalha como garçonete em um bar decadente. Sua mãe, Barb (Bridget Everett, igualmente fodona) é alcoólatra e frustrada por não ter podido seguir a carreira de cantora quando jovem, culpando Patti de ter rompido esse sonho quando ficou grávida dela. A avó de Patti, Nana (Cathy Moriarthy, de "O touro indomável, antológica), está doente e nenhuma das duas tem condições de pagar os gastos hospitalares. Patti tem um sonho: ser cantora de rap/ E para isso, ela conta com a ajuda do amigo indiano Jhari (Siddharth Dhananjay ( maravilhoso) e do Dj Basterd (Mamoudou Athie). Juntos, eles formam um grupo, que poderia ser um pequeno exercito de Brancaleone. Mas a pressão que a dura vida impõe a todos eles faz com que o sonho se torne algo difícil de alcançar. O filme tem todos aqueles clichês que nos amamos sobre pessoas marginalizadas que sofrem, sofrem, sofrem....e o filme não esconde esse tom de conto de fadas. Ele é repleto de cenas lúdicas, magicas. O roteiro não traz muitas novidades nesse perfil de filmes sobre "Sonhar é possível", mas a grande forca dele é o espetacular elenco, e a trilha sonora poderosa e arrepiante. O filme foi produzido pelo produtor brasileiro Abreu Teixeira, um incansável batalhador do cinema independente e de alta qualidade. Recomendado para quem quer se emocionar!

O estado das coisas

"Brad's status", de Mike White (2017) Roteirista que escreveu os roteiros dos cults " A escola do Rock" e "Nacho libre", Mike White realiza aqui seu 2o longa metragem. Exibido em Toronto 2017, o filme é uma comédia agre doce, que fala sobre as agruras de um pai, Brad (Ben Stiller), pai de Troy, 17 anos, e casado com Melanie. Brad se ressente de ser um grande fracassado na vida: seus colegas da época da faculdade, são todos hoje em dia, bem sucedidos e ricos, enquanto ele mora em um bairro de classe média e não tem um emprego fixo. Brad não sabe em quem botar a culpa de seu fracasso: se nele mesmo, ou se em Melanie, que segundo ele, pela sua comodidade, fez com que ele perdesse ambição na vida. Brad viaja cm Troy para Boston para inscreve-lo em uma faculdade, e percebendo a possibilidade do seu filho entrar numa boa faculdade, como Harvard, Brad passa a invejá-lo também. Delicioso e brilhante filme com u roteiro divertido, mas ao mesmo tempo, duro e cruel: nada pior do que sentirmos inveja das pessoas próximas, que se encontram em situação profissional e económica melhores que as nossas. O filme não esconde essa angústia, e fica claro no discurso de Brad, que sente dor e desespero por essa situação. A direção de Mike White aponta para a comédia e o drama, dando conta direitinho dos 2 gêneros. O filme emociona, principalmente pelo belo trabalho do elenco ( com a ajuda de um excelente time de atores: Michael Sheen, Luke Wilson e um grupo de ótimos atores pouco conhecidos. Recomendado.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Terra selvagem

"Wind river", de Taylor Sheridan (2017) Taylor Sheridan é um famoso roteirista (escreveu o premiado "A qualquer custo", de David Mackenzie) e em "Terra selvagem", escreveu o roteiro e dirigiu. Ganhou o Premio em Cannes 2017 de Melhor Diretor na Mostra paralela Um certo olhar. Ambientado na Reserva indígena de Wind River, na região gelada de Wyoming, o filme acompanha o protagonista Cory (Jeremy Renner), um caçador de animais predadores. Ele encontra o corpo de uma jovem indígena, que morreu congelada após fugir de seus algozes. Uma agente do Fbi, Jane (Elizabeth Olsen) chega para desvendar o crime, mas pede ajuda a Cory. Juntos, descobrem que mais jovens indígenas foram dadas como desaparecidas e sem ter os crimes resolvidos. O filme no desfecho faz uma denúncia contra o desaparecimento de mulheres indígenas. Mesclando os gêneros drama, policial e suspense, "Terra selvagem" deixa o espectador angustiado com os crimes bárbaros que acontecem secretamente na região. Muito bem dirigido, com um ritmo lento mas sempre instigante, o filme tem ótimas performances de todo o elenco, incluindo os atores indígenas. A parte final é arrepiante., com ótimas cenas de ação dramática. Além de trazer `a tona os crimes contra os índios, o filme também discute o machismo , através da ótima personagem da agente do Fbi, defendido com garra por Elisabeth Olsen. Belas locações e fotografia de Ben Richardson. Músicas compostas por Nick Cave.

Como é cruel viver assim

"Como é cruel viver assim", de Julia Rezende (2017) Adaptação cinematográfica de uma peça teatral escrita por Fernando Ceylão, "Como é cruel viver assim" manteve o ator Marcelo Valle e escalou um novo elenco para os personagens versão cinema: saem Alamo Facó, Leticia Isnard e Inez Vianna e entram Silvio Guindane, Fabiula Nascimento e Debora Lamm para os respectivos papéis. O elenco de apoio chama atenção pelo ecletismo e talento: Paulo Miklos, Otavio Augusto, Millem Cortaz e Zezeh Barbosa, além de uma ponta de luxo de Marcius Mellen. Como boa parte da crítica percebeu, o filme tem como referencia o Cinema dos Irmãos Coen, principalmente de filmes como "Fargo" e "Onde os fracos não tem vez". Os protagonistas, com não poderiam deixar de ser, são os típicos Loosers, que se encontram em uma ratoeira sem saída, e do nada, precisam tomar decisões arriscadas sobre algo que surgiu na sua vida. No caso, o quarteto Vladimir (Valle), sua esposa Clivia (Nascimento), donos de uma lavanderia decadente no subúrbio carioca, mais os desempregados Primo (Guindane) e Regina (Lamm) armam um plano para sequestrar um empresário. Atrapalhados, mas cheios de desejo de mudar de vida ( uma vez que a vida não oferece oportunidades para nenhum deles) , eles pedem ajuda a 2 mentores do crime organizado, interpretados pelos encapetados Miklos e Cortaz. Filmar em locações reais deu ao filme um respiro importantíssimo, para deixar o espectador cúmplice da vida desregrada que os personagem possuem. A fotografia hiperralista e saturada de Dante Belluti, aliada `a Direção de arte detalhada e estilizada, ajudam a dar um ar pop vintage ao filme, remetendo a um decadente anos 70 a 80, favorecido pelo figurino que também remete a esses tempos. A trilha sonora soberba de Berna Ceppas dá uma atmosfera lúdica e sonhadora nas cenas. Poderia dizer que para diferenciar esse olhar dos Irmãos Coen, o roteiro de Ceylão mescla com um dos filmes mais subestimados de Woody Allen, "Os trapaceiros". sobre uma quadrilha que arquiteta um plano para assaltar um banco e dá com os burros na água. O filme termina com uma belíssimo plano de drone sobre um cemitério, acompanhando o casal protagonista. Amei o título em inglês: "Life is a bitch"

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Em pedaços

"Em pedaços", de Fatih Akin (2017) Diretor de ascendência turca, o cineasta alemão Fatih Akin novamente aponta a sua câmera para o tema da intolerância contra os turcos na Alemanha, pegando o gancho da imigração na Europa. Vencedor da Palma de Ouro de Melhor atriz em 2017, para o excepcional trabalho de Dianne Krueger, o filme deixa o espectador sem fôlego, tenso, se sentindo totalmente "em pedaços", como sugere o titulo em português. Dianne interpreta Katja, casada com o turco Nuri, ex-traficante, e pais do pequeno Rocco. Um dia, ao voltar para casa, Katja descobre que a loja da família foi destruída numa explosão, e que seu marido e filho morreram. Ela agora junta forças para entender a razão do atentado, e punir os culpados. O filme é dividido em 3 partes: Família, Justiça e Mar. Em Familia, testemunhamos o atentado e a consequência para Katja e sua familia. Em justiça, acompanhamos uma sentença em um tribunal, filmado de forma exemplar e tensa, com atores muito fodas nos papeis de advogados. E em Mar, o filme se transporta para a Grécia, porta de entrada de boa parte dos imigrantes na Europa. Esse é daqueles filmes que continuam na nossa mente por muito tempo. O desfecho do filme é totalmente arrebatador. A direção de Fath Akin, que também assina o roteiro, é bastante segura e dinâmica, deixando o espectador tenso o tempo todo. O roteiro é bastante polemico, principalmente pelo seu desfecho. Imperdível e que merece ser discutido em rodas de cinéfilos.

Gabriel e a montanha

"Gabriel e a montanha", de Fellipe Barbosa (2017) O jovem economista Gabriel Buchmann, estudante da Puc, foi encontrado morto aos 28 anos no cume do Monte Mulanje, no Malawi. A data foi 17 de julho de 2009, quando ele desapareceu ao escalar a montanha, e seu corpo foi encontrado 17 dias depois. O filme, dirigido brilhantemente por Fellipe Barbosa ( de "Casa Grande"), retrata os 70 últimos dias de vida de Gabriel, já na Africa. Descobrimos que Gabriel tirou um ano sabático para viajar pelo mundo, e a última parada foi a Africa, antes de voltar para casa. Gabriel quer se especializar na pobreza do terceiro mundo, e por isso mesmo, é sacaneado pelos seus colegas da Puc, que o chamam de "Pobrólogo". Durante a trajetória, descobrimos as varias facetas de Gabriel ( em performance arrebatadora de João Pedro Zappa), que ao mesmo tempo que aparenta ser simpático e carismático, mostra seu lado intempestivo, arrogante e bipolar. O filme procura fazer a gente entender as razoes de Gabriel ter subido a montanha sozinho, sem guia. Para isso, a narrativa mescla linguagem ficcional e documental, com algumas pessoas reais interpretando a si mesmos. O filme foi um tour de force de realização: a equipe e elenco fez a trajetória real de Gabriel. Talvez por conta disso, o filme tenha ficado longo ( mais de 130 minutos). Em Cannes, o filme ganhou dois prêmios especiais. A destacar, a linda fotografia de Pedro Sotero e a trilha sonora. composta por ritmos africanos. Impossível não comparar o filme a "Na natureza selvagem", de Sean Penn.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Os Meyerowitz : Família não se escolhe

"The Meyerowitz Stories (New and Selected)", de Noah Baumbach (2017) Junto de "Okja", esse filme de Noah Baumbach provocou muita polemica no Festival de Cannes 2017, por ter sido selecionado para a competição oficial, mas produzido pela Netflix e voltado para sua plataforma de streaming e não para a tela grande. O presidente do Juri, Pedro Almodovar, desdenhou do filme por conta do Netflix, mas mesmo assim, o filme obteve mais de 4 minutos de aplausos ininterruptos em sua sessão de gala. Noah Baumbach, que também escreveu o roteiro, praticamente faz uma grande homenagem aos filmes de Woody Allen. Com diálogos ácidos e corrosivos, "Os Meyerowitz" apresenta uma família desconjuntada, encabeçada por Harold (Dustin Hoffman). Ele tem 3 filhos: Danny (Adam Sandler) e Jean ( Elizabeth Marvel), filhos de Julia (Candice Bergen), e Matthew (Ben Stiller), filho de Maureen (Emma Thompson). Os familiares não se falam por um bom tempo, devido a problemas de relacionamento. Por conta do ingresso da filha de Danny na faculdade de cinema, todos acabam se reencontrando. Fantasmas do passado surgem `a tona. Até que Harold passa mal e entra em coma. Danny, Jean e Matthew precisam resolver as suas diferenças para poder seguir a vida. Se tem um tema que eu amo em filmes independentes americanos, são os "loosers". E aqui, o filme está repleto deles. E ainda mais, de família judia. E' muita piada, muita lavação de roupa suja, muita crise nervosa, muito humor caustico. e o elenco acima citado, está fabuloso. Ri muito, o filme é bastante divertido, mas ao mesmo tempo, nos faz refletir sobre o que é de fato importante na nossa vida, e quando devemos romper com as coisas que nos prendem na vida. Ver todos esses atores juntos em cena, é de fato um grande presente para o espectador. O filme é longo, uns 15 minutos a menos fariam bem a ele. Mesmo assim, vale muito a pena assistir. Filme adulto de alta qualidade.

Bio

"Bio", de Carlos Gerbase (2017) Vencedor de 3 prêmios em Gramado 2017 ( Premio especial do juri, filme popular e desenho de som), "Bio" é um falso documentário, Um "Mockmentary", que nos faz lembrar de filmes como "Zelig", de Woody Allen, ou de "Prata esquecida", de Peter Jackson. O filme nos apresenta a um professor/cientista, que nasceu em 1959 e morreu em 2070. O filme é todo narrado através de pessoas que conviveram com ele: suas mulheres, filhos, professores, pais, amigos, etc. em momento algum, vemos a figura do professor. O filme trabalha com a fantasia, pois jea na parte final, o filme se apresenta como uma ficção cientifica, com Saturno povoado por terrestres. Os diálogos são divertidos e muito bem desenvolvidos. O elenco, composto por quase 40 atores, é formado boa parte por atores que já trabalharam com Gerbase em outros filmes dele, como Maitê Proença, Felipe Kannemberg, Mara Fernanda Candido, além de Bruno Torres, Rosane Mulloland, Branca Messina, Sharon Menezes, Marco Ricca, Zé Vitor Castiel, Werner Schunermann, entre outros. O espectador precisa estar bastante atento ao filme, pois ele é bastante verborrágico e aponta detalhes do biografado com muitos requinte, podendo o espectador se perder nos cruzamentos dos personagens. A fotografia, de Bruno Polidoro, é um verdadeiro primor, com belos enquadramentos e uma luz que exalta o olhar lúdico e misterioso do filme. Ótima computação gráfica.

Açúcar

"Açúcar", de Renata Pinheiro e Sergio Oliveira (2017) Dirigido e escrito pela mesma dupla do ótimo "Amor, plástico e barulho", "Açúcar" tem sido comparado por parte da critica ao filme de terror americano " Corra!", por conta da denuncia contra o racismo, usando um filme de gênero como fio condutor. E' um filme bastante complexo e simbólico para ser descrito. Maria Bethania (Maeve Jenkings) chega em um engenho pertencente `a sua família por décadas. Ela herdou o terreno, que tem parte dele invadido por uma comunidade negra formada por ex-empregados da fazenda. Ao contratar Alessandra, uma jovem negra, para trabalhar como empregada em sua casa, Bethania passa a conviver com os fantasmas do passado. Até que sua Tia paulista, Branca (Magali Biff) chega para passar uns dias com ela. Realidade e fantasia se misturam em situações eróticas e místicas. O filme tem um hermetismo que vai encher os olhos de cinéfilos que buscam metáforas em tudo, principalmente em temas como religião, racismo, e luta de classes sociais. Para o espectador comum, é um filme de difícil assimilação. O ritmo é bastante lento, mas brindado por uma linda fotografia que mescla olhares realistas com a magia dos contos de fadas macabros. O desfecho fica totalmente em aberto para cada um interpretar como bem entender. Maeve se entrega a uma performance visceral, incluindo uma cena de masturbaçao onde ela usa a terra como elemento erótico.

Brigsby Bear

"Brigsby Bear", de Dave McCary (2017) Dave McCary é um dos diretores do programa "Saturday night live" e "Brigsby Bear" é seu longa de estréia. Exibido em Sundance e em Cannes, na Mostra Camera D'or, o filme é uma comédia dramática que trata do tema de sequestro de crianças. James Pope mora com seus pais Ted (Mark Hammil, o Luke Skywalker de "Star wars") e April em um deserto. Seus pais dizem a James que ele não pode sair de casa, pois o ar externo está contaminado devido a um ataque nuclear. Desde criança, James assiste ao seriado "Brigsby Bear", e se torna grande fã dele. Um dia, a policia invade o local, e descobrimos que James na verdade foi sequestrado quando criança e que seus pais, não são seus pais reais. Ao ser entregue aos pais verdadeiros, James procura se adaptar ao mundo real. Ele descobre que seus pais falsos criaram as aventuras de Brigsny, que ficou incompleta. James precisa saber como acaba a história. Uma história tão lúdica e bizarra poderia ter rendido maravilhas nas mãos de Spike Jonze. Dave McCary faz o trabalho direitinho, mas senti falta de um ator protagonista que tivesse mais carisma que Kyle Mooney. Jason Schwartzmann teria feito estragos. O elenco de apoio é formado por famosos: Claire Denis, Greg Kinnear e o próprio Mark Hammil, que parece brincar com seu alter ego Luke Skywalker o tempo todo. Uma boa pedida para uma tarde de domingo.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Bom comportamento

"Good time", de Benny Safdie e Josh Safdie (2017) Os jovens irmãos americanos Benny Safdie e Josh Safdie surgiram há anos no cenário do cinema independente, em filmes como "Busca-me alecrim", uma ótima comédia dramática sobre um pai divorciado que quer cuidar de seus filhos, mas não leva o menor tino pra função. Novamente, eles voltam ao tema do desajustado social e da família fragmentada, agora com orçamento maior e tendo como protagonista o astro Robert Pattinson, arrebentando no papel de Connie Nikas, irmão de Nick Nikas ( o diretor e ator Benny Safdie), que tem problemas de retardo mental. Ambos começam o filme assaltando um banco, mas o assalto dá errado, e Nick acaba preso. Connie faz de tudo para salvar o seu irmão da cadeia, numa travessia que irá durar exatamente 1 dia. O filme competiu na seleção oficial em Cannes 2017, de onde saiu coberto de elogios, principalmente para a atuação de Robert Pattinson, um ex-astro juvenil que encontrou no cinema de autor um caminho para a sua performance se aprimorar. O roteiro é sensacional, fazendo com que tudo aconteca no período de 1 dia. Muitas coisas acontecem no caminho de Connie, e fica impossível o espectador não se sensibilizar com a sua história. O elenco todo é composto de atores desconhecidos e muito talentosos, com exceção de Pattinson e de Jennifer Jason Leigh, em um papel arrasador. A trilha sonora e a fotografia emulam "Drive", clássico cult, com suas cores hiperrealistas e saturadas. Outras referencias cinematográficas são "Blade Runner", na cena inicial de interrogatório, e nas varias influencias de John Cassavetes, principalmente na cena final, que remete a obra-prima "Uma mulher sob influencia". Um filme que nasceu cult, pop. Um filme super recomendado.

Meu colégio inteiro afundando no mar

"My Entire High School Sinking Into the Sea", de Dash Shaw (2016) Animação independente americana, escrita e dirigida por Dash Shaw. O protagonista também se chama Dash Shaw, e é um jovem nerd que estuda em uma faculdade localizada na beira de um precipício. Seus 2 melhores, e únicos amigos, são Roger e Verti. Os 3 são considerados "loosers" pelos outros alunos. A faculdade é composta de vários andares, e quanto mais alto o andar, mais hierárquico ele é. Um dia, acontece um terremoto e o prédio se desprende da montanha e cai no mar. Os quase mil alunos precisam lutar pela sobrevivência. Logo de cara, aparece uma cartela dizendo que o filme tem imagens de efeito estroboscópico e que pode fazer mal para pessoas foto-sensíveis. e é isso mesmo: o filme usa e abusa de efeitos de cor, de edição, provocando imagens lisérgicas, como se todo mundo tivesse tomado ácido. O filme ´´uma metáfora sobre todos os clichês que acontecem em um ambiente escolar: A Rainha da beleza, os nerds, o bullying, o bonitão, o diretor intransigente. Vários atores famosos dão vida aos personagens, entre eles, Jason Schwartzman, no papel de Dash, e Susan Sarandon, no papel de Lorraine, a merendeira da escola. Para quem busca um filme bem estranho e bizarro, esse é uma pedida. Os traços da animação são extremamente simples, parece que foram desenhadas `a mão.

Prevenge

"Prevenge", de Alice Lowe (2016) Escrito, protagonizado e dirigido pela atriz inglesa Alice Lowe, "Prevenge" remete aos filmes de Vincent Price dos anos 60 e 70, sobre uma pessoa que resolve se vingar dos algozes da pessoa amada, assim como no clássico "Dr Phibes". Alice Lowe homenageia o gênero dos slashers movies, filmes de terror com cenas de morte violenta típica dos anos 70 e 80, emoldurada por uma trilha sonora repleta de sintetizadores. Ruth (Alice Lowe) é uma mulher que está grávida. Logo de cara, descobrimos que seu marido morreu em um acidente, onde estavam outros 7 alunos de escalada de montanha. Ruth culpa as 7 pessoas pela morte de seu marido. Guiada pela voz interna de seu bebe ainda na sua barriga, que a orienta a matar todas as pessoas, Ruth sai matando de forma violenta cada uma delas. Suspense com doses de humor inglês, "Prevenge" é uma brincadeira com filme de gênero. Não traz nada de novo, mas pode divertir quem busca um passatempo regado a sangue. O filme foi bastante elogiado pela crítica especializada.

domingo, 8 de outubro de 2017

Anos dourados

"Nos années folles ", de André Techiné (2017) O veterano Cineasta francês adapta o livro "La garçonne et l'assassin", baseada na historia real do casal Paul e Louise Grappe. A historia, excentrica e bizarra, lembra bastante " A garota dinamarquesa". Na Franca da 1a guerra mundial, Paul Grappe (Pierre Deladonchamps) é casado com a costureira Louise ( Céline Sallette). Paul é convocado para lutar na Guerra, mas covarde, deserta e se esconde no porão da casa da avó de Louise. Louise tem a ideia de vestir Paul de mulher para que obtenha um disfarce. Em principio contra a idéia, Paul acaba se deixando seduzir pela persona feminina, que ele batiza de Suzanne. Ele segue toda as noites para o Bois, uma floresta onde na madrugada, homens e mulheres se encontram para atividades sexuais. Suzanne se relaciona com homens e mulheres, e Louise, apaixonada pelo seu marido, permite que ele faça o que vier em mente, só para não perde-lo. Uma história assim tão incrível infelizmente não encontra uma adaptação `a altura. Techiné filma de forma burocrática, sem emoção, sem sedução e sem tesão. O filme concorreu no Festival de Cannes 2017, mas faltou carisma ao ator principal. Tudo pareceu um pastiche de "A garota dinamarquesa".

Frost

"Frost", de Sarunas Bartas (2017) Drama dirigido pelo lituano Saruna Bartas, o filme foi exibido na Quinzena dos realizadores do Festival de Cannes 2017. O roteiro co-escrito por Saruna se apropria do conflito bélico separatista na Ucrânia para fazer uma analogia com a relação deteriorada de um jovem casal de lituanos, sem perspetiva de futuro profissional ou qualquer outro tipo de ambição. Por estarem livres, acabam aceitando a proposta de uma Ong, de dirigir da Lituânia até a Ucrânia para entregar ajuda humanitária para os soldados. No caminho, eles se deparam com várias pessoas que farão eles enfrentarem a dura realidade da vida. A narrativa propõe um road movie que vai se tornando cada vez mais instigante para o casal, pois estão cada vez mais próximos da área de conflito. O protagonista, Rokas, quer exatamente isso: enfrentar pela 1a vez, algo desafiador. O filme tem um ritmo extremamente lento, quase insuportável elas quase 2 horas de filme, onde quase nada acontece de relevante. Muito papo com personagens que são conversas jogadas fora, e que somente se torna interessante quando conversam com um soldado que explica a origem do conflito. Participação especial da atriz Vanessa Paradis, mas é muito pouco para um filme que a gente torce para que o protagonista morra logo para o filme acabar.

Leatherface

"Leatherface", de Alexandre Bustillo e Julien Maury (2017) Prólogo sobre a origem do personagem mais famoso da franquia "O massacre da serra elétrica", clássico dirigido por Tobe Hooper em 1974 e que teve várias adaptações posteriores. Em "Leatherface", a história começa em 1955, apresentando a família Sawyer, excêntricos canibais, que sequestram e matam pessoas para comerem suas carnes e alimentarem os seus porcos do matadouro. Jared é o filho pequeno da matriarca Vera (Lily Taylor, atriz de vários filmes independentes americanos, e agora, pelo visto, adepta de filmes de terror). Após matarem a filha do sherife (Stephen Dorff), ele resolve prender os filhos. Jared fica preso por 10 anos em uma instituição mental. Após uma rebelião, um grupo de presos foge, entre eles, uma enfermeira, levada como prisioneira. O roteiro espertamente apresenta um twist lá pelo final, que surpreende o espectador. Outro fator interessante, é o de humanizar Leatherface, mostrando que ele foi induzido ao crime tanto pela sua família quanto pelos traumas e más companhias. As cenas de morte são brutais, portanto, quem não for fã de filmes de terror gore, mantenha-se bem distante. Para fãs, o filme não tem nada que alguém ja não tenha visto nos outros filmes da série. Fica apenas a curiosidade de saber como os roteiristas desenvolveram a origem de Leatherface. No geral, é mais do mesmo.

sábado, 7 de outubro de 2017

As boas maneiras

"As boas maneiras", de Marco Dutra e Juliana Rojas (2017) Exercício de gênero realizado pelos mesmos diretores do cult "Trabalhar cansa". Premiado em Locarno, o filme mistura o terror, o musical, o drama, a comédia em longos 135 minutos. Sao 2 filmes em um: exatamente no meio do filme, existe uma enorme reviravolta que nos dá a impressão de assistir a um outro filme, praticamente com um elenco diferente, somente repetindo a protagonista Izabel Zuaa, no papel da enfermeira Clara, e sua locatária, interpretada por Cida Moreira. Clara, desempregada, vai procurar emprego como babá, e acaba sendo entrevistada pela ricaça e perua Ana (Marjorie Estiano), que está grávida. As duas criam um forte vinculo, e se tornam amantes. Ana conta para Clara quem é o pai da criança. Essa revelação norteará a segunda parte do filme, que não posso contar porque irá configurar spoiler. Uma segunda leitura para esse bizarro conto de fadas, pode ser uma discussão sobre a luta de classes e a relação patroa branca e empregada negra, que em alguns momentos, é tratada quase como uma subalterna ( ex, a cena da loja de sapatos). A outra discussão pode ser os maus tratos contra as crianças, mesmo elas sendo " dotadas" de poderes especiais. Salta aos olhos o excelente trabalho de efeitos especiais, e também o uso de musicas famosas na rilha, como "Can't take my eyes off of you". Outro ponto a ser elogiado é o excelente trabalho do elenco: Marjorie Estiano em seu papel mais radical, a revelação de Izabel Zuaa , o trabalho do menino Miguel Lobo, irrepreensível, e a participação da sempre excelente e ladra de cenas, Gilda Nomacce. Difícil indicar o filme e dizer a um amigo a que gênero o filme pertence. Poderia dizer que é um filme para cinéfilos, pois as referencias são várias: " O bebe de Rosemary", " Somos o que somos" ( filme mexicano), "Raw" ( filme francês), o clássico " Um lobisomem americano em Londres", " Frankenstein" e a peça de Karen Accioly " O Ogroleto", sobre um menino Ogro carnivoro que não aceita o seu destino e resolve se tornar vegetariano.

Aos teus olhos

"Aos teus olhos", de Carolina Jabor (2017) Adaptação da peça teatral "O principio de Arquimedes", do autor catalão Josep Maria Miró, que já rendeu uma excelente versão teatral protagonizada por Cirillo Luna, "Aos teus olhos" é a segunda incursão na ficção de longa da Diretora Carolina Jabor, que já havia realizado "Boa sorte". Em ambos os filmes, o foco está no protagonista atormentado pelas sua culpa e por atos do passado que trazem a sua tragédia atual. Debora Secco interpretava uma viciada em drogas contaminada com o virus HIV. Daniel de Oliveira interpreta Rubens, um professor de natação simpático e adorado pelos alunos, mas que acaba sendo acusado por uma das crianças de ter abusado dela, dando um beijo na boca. Impossível não se lembrar de 2 filmes que tem como tema a denuncia de crianças contra os seus professores: "Infâmia", de Lilian Hellman, que rendeu um filme com Shirley Maclaine e Audrey Hepburn, e "A caca", premiadíssimo filme dinamarquês com Mads Mikkelsen. Com um belo elenco, "Aos teus olhos" é um filme de atores. Além de um ótimo Daniel de Oliveira, temos Marco Ricca, Malu Galli, Gustavo Falcão, Stela Rabello e Luisa Arraes. Um filme que critica a onda atual de calúnias via rede social antes mesmo de serem avaliadas as informações, colocando pessoas contra a parede e difamando sua carreira e sua vida pessoal.

Ma' Rosa

"Ma" Rosa", de Brillante Mendoza (2016) São poucos os Cineastas que investem no gênero " Drama Mundo cão" e que vão `a fundo sem concessões. O filipino Brillante Mendozza, um dos Cineastas que mais aprecio, tem em seu currículo obras como "Kinatay" ( Melhor Direção em Cannes), "Serbis", Lola" e agora " Ma "Rosa", filmes que deixam o espectador perplexo e angustiado com tanta maldade, tanta corrupção, tanto escárnio com a vida humana. O Filme venceu a Palma de Ouro de Melhor Atriz em 2016, para a atuação arrasadora de Jaclyn Jose, no papel de Rosa, uma Mae que lutará para manter a sua família unida. Mae de 4 filhos e casada com Nestor, eles mantém uma pequena birosca que vende belas e salgados em uma favela noa periferia de Manilla. O ambiente é de extrema pobreza. Logo, vamos descobrir que Rosa e seu marido são pequenos traficantes, revendendo pequenas doses de Cristal para consumidores. Policiais fazem uma batida e prendem o casal. Eles exigem dinheiro para libertá-los, e ao mesmo tempo, achacam Rosa para ligar para os fornecedores e trazer drogas e dinheiro para que os policiais usem para consumo próprio. Os filhos de Rosa fazem de tudo para conseguir dinheiro e pagar a fiança: vendem a tv, se prostituem para clientes gays e se humilham perante amigos e parentes. O filmes de Mendoza são difíceis de serem recomendados, pois são muito duros e difíceis de assistir, pela extrema crueldade com que ele trata os seus personagens. A fotografia e a câmera trabalham com uma estética do quanto pior melhor: escuro, granulado, câmera tremida. Um filme realista ao extremo, com um olhar ao mesmo tempo brutal, humano para a relação dos entes familiares.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Me chame pelo seu nome

"Call me by your name", de Luca Guadagnino (2017) O novo Cinema italiano se fortaleceu mundialmente por conta de 2 grandes talentos: Paolo Sorrentino, emulando Fellini em seus filmes, e Luca Guadagnino, que vai na fonte do refinamento de Visconti. Luca Guadagnino dirigiu os belos "Um sonho de amor" e " Um mergulho no passado", ambos com a atriz Tilda Swinton. O filme é uma adaptação do livro do egípcio André Aciman, e roteirizado por James Ivory, realizador de um grande clássico que se assemelha bastante a esse filme, "Maurice". Fico imaginando inclusive que "Me chame pelo seu nome" teria rendido também uma bela adaptação nas mãos de James Ivory, um expert em dramas clássicos e requintados. A história se passa em alguma região no Norte da Itália, no verão do ano de 1983. Uma família de ascendência americana mora em uma suntuosa mansão. O pai é um intelectual, estudioso da cultura greco-romana. Ele mora com sua esposa e com seu filho de 17 anos, Elio (Timothée Chalamet, que interpretou Casey Afleck jovem em "Interestelar"). Elio passa seus dias lendo livros, escutando músicas, namorando e se divertindo com os amigos. Um dia, chega o acadêmico Oliver (Armie Hammer), que irea ficar por 6 semanas ajudando o pai de Elio, Peralman (Michael Stuhlbarg, de "Um homem sério", dos irmãos Coen). Aos poucos, Elio e Oliver se sentem atraídos, mas evitam se aproximar, por medo das convenções sociais. Ma so amor fala mais forte, e a paixão é inevitável. Produzido pelo produtor brasileiro Rodrigo Teixeira, o filme é um libelo em favor do amor pleno, independente de gênero, raça, cultura e idade. Tudo no filme é exuberante: as locações, a fotografia, a trilha sonora. Luca Guadagnino filma sem pressa, ao longo de mais de 130 minutos, em ritmo lento, mas contemplativo. Muitas cenas lindas, bem dirigidas, poéticas, mágicas e resplandecendo de paixão. O jovem Timothée Chalamet é um grande talento: fala em inglês, francês, italiano, toca piano e violão. A cena do pêssego já virou clássica. O filme foi exibido com muito sucesso em Sundance, San Sebastian, Toronto e Berlin.

Corpo e Alma

"Teströl és lélekröl ", de Ildikó Enyedi (2017) Escrito e dirigido pela Cineasta húngara Ildikó Enyedi, "Corpo e alma" ganhou o Urso de Ouro em Berlin 2017 de melhor filme. além de 3 outros prêmios, entre eles, o Fipresci. O filme é um romance com toques de humor negro, e para quem assistiu `a animação para adultos "Anomalisa", de Charlie Kauffman, vai perceber muitas semelhanças. Em um matadouro, uma nova inspetora de qualidade, enviada pelo Governo, Maria (Alexandra Borbély, soberba), surge para trabalhar ali. Ela é tímida, solitária e cheia de tocs. Mais: ela frequenta um terapeuta infantil, que ela vai desde criança. Lea, ela conhece o Gerente de RH Enza (Géza Morcsányi), que tem um braço paralisado e igualmente solitário. Ambos descobrem que possuem o mesmo sonho, e ao mesmo tempo que eles querem se conhecer melhor, eles se afastam, por conta de suas dificuldades de socialização. Para quem assistiu `a comedia romântica francesa "Românticos anônimos", vai achar esse filme parecido. E é. Troquemos a fabrica de chocolates pelo matadouro. A grande diferença é o estilo narrativo. Aqui o ritmo é bastante lento, e a cineasta Ildikó Enyedi investe no lúdico, no erótico, no humor negro permeado de cenas violentas. Mas para equilibrar tantas cenas incomodas, o filme traz um tanto de cenas cômicas, como a antológica cena na loja de discos.

O que te faz mais forte

"Stronger", de David Gordon Green (2017) O mais curioso para mim dessa adaptação baseada em historia real, é saber que o Diretor, David Gordon Green, irá dirigir o capitulo final da franquia "Halloween", terror com o serial killer Mike Myers. "O que te faz mais forte" tem como pano de fundo o atentado durante a maratona de Boston, ocorrida no dia 21 de abril de 2013, que provocou a morte de 3 pessoas e feriu outras 264. Jeff Bauman (Jake Gyllenhaal), é um dos feridos, e teve as 2 pernas amputadas. Jeff, empacotador de frango assado em uma rede de supermercado, foi para a maratona para torcer pela ex-namorada, Erin (Tatiana Maslany). Jeff diz ter reconhecido um dos criminosos e por isso, foi considerado herói nacional, e foi criada uma campanha chamada "Boston strong". Mas a relação com sua mãe dominadora e alcoólatra, Patty (Miranda Richardson), com Erin, que ele tenta a todo custo não culpar pelo acidente e com toda a sociedade, faz com que Jeff se deprima e se torne um alcoólatra. Drama denso e muito triste, favorecido pelo excelente trabalho dos 3 protagonistas. Jake está soberbo, emocionando em seu papel complexo. Miranda Richardson interpreta um personagem difícil, antipático, mas ao mesmo tempo, humano. Para quem não curte um filme dramalhão, que traz mensagens de perseverança e otimismo, melhor ficar bem distante. Idem para quem odeia filmes que exaltem o patriotismo americano. Chorei muito durante o filme.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A forma da água

"The shape of water", de Guillermo Del Toro (2017) O Cineasta mexicano Guillermo Del Toro é um dos grandes responsáveis por fazer toda uma geração se apaixonar por filmes de monstros e de fantasia, posto que por um bom tempo ficou reservado para Tim Burton. Consagrado em filmes anteriores como "A espinha do diabo" e "O labirinto do fauno", Del Toro apresenta para os espectadores um de seus filmes mais brilhantes e apaixonantes. Repleto de um tom de conto de fadas macabro, "A forma da água" traz de volta o tema da Guerra fria, por um bom tempo esquecido por Hollywood. Nos anos 60, uma faxineira muda, Elisa (Sally Hawkins), mora sozinha em um pequeno apartamento que fica em cima de uma sala de cinema decadente. Ela mantém a mesma rotina diária: se masturba na banheira, come ovos cozidos, cuida de seu vizinho também solitário e gay, Giles (Richard Jenkins), pega um ônibus e vai trabalhar em uma base militar fazendo faxinas. Zelda (Octavia Spencer) é sua melhor amiga no trabalho. Um dia, uma enorme cápsula chega na base , trazida por Strickland (Michael Shannon). Elisa descobre que nela se encontra um ser meio anfíbio meio humano. O ser é usado como experimento cientifico pelos americanos, que querem avaliar se ela pode trazer informações para usar contra os russos. Elisa se afeiçoa pelo ser e quer de qualquer jeito, tirá-lo de lá. Grande vencedor de Veneza 2017, levando 4 prêmios, entre eles, de melhor filme e melhor trilha sonora, o filme chama atenção por todos os seus quesitos técnicos: Fotografia magistral de Dan Laustsen ( que também fotografou o filme anterior de Del Toro, "A colina escarlate"), trilha sonora do Mestre Alexander Desplat, Direção de arte e figurinos impecáveis, um roteiro criativo e emocionante de Del Toro e Vanessa Taylor e claro, um trabalho antológico de todo o elenco. Sally Hawkins bota pra quebrar no papel de uma surda, se comunicando apenas por sinais. Seus olhares são absolutamente geniais. Michael Shannon interpreta um maravilhoso vilão, daqueles que a gente fica com ódio. Richard Jenkins traz humanidade ao seu maravilhoso Giles; Michael Stuhlbarg ( de "Um homem sério", dos irmãos Coen) também rouba cena como um cientista de dupla nacionalidade. e ara finalizar, Octavia Spencer, apaixonante como a doce e vibrante Zelda. A gente torce, se emociona, se encanta, ri, e quase chora nessa pequena obra-prima. que mistura gêneros como drama, comédia, fantasia, musical, aventura e ficção cientifica. Ah sim, e porque não, um romance erótico? O filme tem uma cena antológica de sexo debaixo da água, numa banheira. Muita poesia. Impossível não se apaixonar pelos protagonistas, e o final, de arrasar quarteirões.

Blade Runner 2049

"Blade Runner 2049", de Denis Villeneuve (2017) Ao término da projeção dessa verdadeira obra-prima, fiquei pensando o quanto que a produção do filme deve ter pago de direitos autorais do uso das imagens de Elvis Presley, Frank Sinatra e Marylin Monroe. O grande tema do filme é a busca imortalidade, a busca de uma alma para quem nasceu sem ela. Nesse sentido, o filme se aproxima muito da proposta temática do filme " O congresso futurista", de Ari Folman: para onde vão nossas almas quando morremos? Quem tem direito ao uso de nossas imagens depois que morremos? Ambientado 30 anos depois do filme anterior, que se passava no ano de 2020, em uma Califórnia totalmente poluída e povoada por replicantes de uma nova geração, a história acompanha a rotina de K (Ryan Gosling), um Blade Runner que caca replicantes de uma linhagem já desativada, mas com alguns integrantes ainda escondidos. K segue os passos de um replicante camuflado de fazendeiro e o abate, mas acaba encontrando uma caixa enterrada, que contém ossos de uma mulher que acabou de parir. K, um androide da nova geração, é incumbido pela sua chefe policial Joshi ( Robin Wright), de procurar encontrar pistas sobre esses ossos. Uma das pistas o levará até Deckard (Harrison Ford), mas K descobrirá que outras pessoas também estão atrás de Deckard. Tecnicamente extraordinário, com uma direção de arte, fotografia de Roger Deakins e trilha sonora espetaculares. Villeneuve conduz tudo com uma mão de Mestre: sem medo de aborrecer seu público fiel, pelo ritmo lento e contemplativo, e para quem esperava muitas cenas de ação. O filme resplandece de poesia, de lirismo, de um visual acachapante. O elenco está excelente: a começar por Ryan Gosling, sucedendo brilhantemente o protagonismo de Harrison Ford, que quando entra em cena. provoca um frisson enorme na platéia. Jared Leto, Robin Wright, Ana de Armas e Sylvia Hoeks, sendo que essas duas ultimas, nos papéis de Joi e Luv, roubam todas as cenas em que aparecem. Luv é das maiores vilas que surgiram no cinema nos últimos tempos. Não precisa nem dizer que o filme é repleto de cenas de cair o queixo: para os saudosistas que se recusam a assistir a esse filme, eu poderia dizer que ele continua a saga de forma respeitosa. Sao filmes com propostas totalmente diferentes. Aqui,a filosofia e a discussão sobre a mortalidade atinge níveis mais elevados que o filme de Ridley Scott. Do elenco original, o filme reserva uma grande surpresa. Imperdível!

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Your name

"Kimi no na wa", de Makoto Shinkai (2016) Autor no romance "Your name", o escritor Makoto Shinkai resolveu ele mesmo realizar a adaptação cinematográfica dessa fantástica fantasia romântica. O filme é uma pequena obra-prima romântica, daquelas de fazer o espectador torcer pelos protagonistas e suspirar bastante. Com um enredo genial, que traz referencias a vários filmes famosos, como "Amnésia", "Em algum lugar do passado", "Te amarei para sempre" e até mesmo "Se eu fosse você", "Seu nome" parte de uma premissa bastante manjada, mas que acaba se revelando algo muito mais complexo: Durante a chegada de um cometa que se aproxima da Terra, dois adolescentes, o jovem Taki e a garota Mitsuha, acordam um dia perplexos: estão dentro do corpo um do outro. Eles não se conhecem: ela mora no interior rural do município de Itomori, ele no caos urbano de Tokyo. A cada dia, eles revezam seus corpos, mas com um porém: eles não se lembram de nada, nem do nome deles no dia seguinte. Para isso, eles passam a anotar em seus celulares um pequeno diário, ajudando o outro em seus afazeres do dia a dia. Mas o encanto se acaba, e eles não trocam mais seus corpos. Mas Taki e Mitsuha possuem uma vaga lembrança do ocorrido, e resolvem ir `a procura um do outro. Muito emocionante, repleto de poesia, com planos de passagem de tempo lúdicos e mágicos, "Your name' conquista o espectador a partir de determinado momento, pois no início é um pouco confuso. Não dá para contar muito sobre o filme, por conta de possíveis spoilers, já que no meio do filme, existe um plot twist que fará o filme tomar outro rumo surpreendente. O filme ganhou vários prêmios internacionais, e bateu o record de animação japonesa mais rentável da história, com mas de 300 milhões de dólares arrecadados. O Cineasta americano Jj Abrahams comprou os direitos de adaptação, e por enquanto, existe um temor dos fãs do filme de Hollywood fazer mais um filme "Whitewashing". Aguardemos.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Chocante

"Chocante", de Jonnhy Araújo e Gustavo Bonafé (2017) Em 2007, a comédia romântica inglesa "Letra e música" fez muito sucesso, ao narrar a história divertida de uma banda pop e colorida famosa dos anos 80 que fez sucesso com uma música e que, 20 anos depois, resolve retornar `as paradas de sucesso. "Chocante" parte de uma premissa semelhante. Só que ao invés de uma dupla, agora temos um quinteto, bem ao molde das Boys band dos anos 90 ( uma sátira ao Backstreet Boys, N' Sync e aos brasileiros Dominó e Polegar. Bruno Mazzeo, Lucio Mauro Filho, Marcus Majella, Pedro Neschling e Bruno Garcia incorporam esses cantores/dançarinos, interpretados por um elenco jovem talentoso nos anos 90 ( Rafael Canedo, Matheus Corcione entre eles). Depois do desentendimento no auge do sucesso, o grupo se reencontra 20 anos depois, após a morte acidental de um deles. Com o reencontro, e pilhados pela groupie interpretada por uma endiabrada Debora Lamm, a turma resolve voltar 1a ativa. O empresário deles, na pele de um engraçado Tony Ramos, mete os meninos em enrascadas. O filme mescla comédia com uma dose de dramas familiares, discutindo temas como paternidade, desemprego, luta pela sobrevivência e sonhos frustrados. Fotografado por Toca Seabra, e produzido por Augusto Casé, o filme vem conquistar uma platéia em busca de filmes que enalteçam as boas intenções e que buscam uma diversão leve e descontraída, mas com mensagens edificantes.

Boca de Ouro

"Boca de Ouro", de Nelson Pereira dos Santos (1963) Primeira adaptação cinematográfica da obra de Nelson Rodrigues, lançada em 1963 ( a 2a versão data de 1990 e foi dirigida por Walter Avancini). Curioso constatar a semelhança na estrutura narrativa de "Boca de Ouro", escrita em 1959, e a obra prima de Kurosawa, "Rashomon", lançado em 1950. "Rashomon" narra um mesmo fato por pontos de vista diferentes. Em "Boca de Ouro", acompanhamos 3 pontos de vista totalmente diferentes, narrados por uma mesma personagem. O filme é uma das grandes obras-primas do Cinema brasileiro, e embora adaptado de uma obra teatral, é bastante cinematográfica. Poderia se dizer até que Nelson se apropriou da linguagem do Cinema Neo-realista italiano para apresentar o seu filme: filmado em locações reais no bairro de Madureira, subúrbio do Rio de Janeiro, misturando atores profissionais com não atores e dessa forma, trabalhando com o naturalismo nas performances. Boca de Ouro é um temido bicheiro de Madureira, quase um Deus para a população, que todo o dia bate na sua porta pedindo favores. O filme começa com a noticia sobre a sua morte. Um jornalista, Caveirinha (Ivan Candido) , é incumbido de entrevistar Guiomar, vulgo Guigui (Odete Lara) e procurar saber mais a fundo quem foi Boca de Ouro (Jece Valadão). Guigui é casada com Agenor (Adriano Lisboa), e tem 2 filhas. Ao ser entrevistada, Guigui acaba narrando 3 pontos de vista sobre Boca, sua grande paixão: em cada uma das versões, ela apresenta a relação do casal Celeste ( Maria Lúcia Monteiro) e Leleco (Daniel Filho) com Boca de Ouro de foram distinta. A direção de Nelson Pereira trabalha bem as locações exteriores com os cenários interiores, evitando totalmente a teatralidade. Os atores estão todos antológicos ( cada um interpreta 3 versões diferentes do mesmo personagem, muito foda!!), favorecidos por um texto forte, apresentando personagens femininas imponderadas e que brigam por um espaço no mundo, fazendo dos homens meros joguetes de suas investidas ambiciosas. Trilha sonora de Remo Usai e fotografia de Amleto Daissé, que fotografou clássicos da Atlantida e também a obra-prima "Assalto ao trem pagador". Obrigatório.

O corpo de Afonso

"O corpo de Afonso", de João Pedro Rodrigues (2012) Curta escrito e dirigido pelo Cineasta português Joao Pedro Rodrigues, famoso pelos seus filmes com temática Lgbt, repletos de cenas fetichistas, entre eles, "O fantasma", "Odete", O ornitólogo". Premiado e exibido em diversos Festivais, entre eles, de Nova York e Toronto, " O corpo de Afonso" mistura as linguagens documental e experimental. Se utilizando de um teste de elenco com homens jovens e musculosos, que se despem diante da câmera, João Pedro Rodrigues quer descobrir o corpo perfeito que irá representar o 1o Rei de Portugal, Dom Afonso Henriques. Esses homens ( não são atores, são homens comuns) leem trechos históricos sobre quem foi Dom Afonso Henriques, e no fundo, sobre um Croma, são exibidas imagens de Portugal. Mas o mais interessante do filme, é a revelação de quem são esses homens. Sem jeito para ler, todos com corpos musculosos, se abrem para a câmera de Rodrigues, que lhes questiona sobre suas vidas, suas condições financeiras, profissão, cicatrizes e tatuagens no corpo. A maioria desempregado, revelando a situação caótica que está o desemprego an Europa ( no caso, esses homens são espanhóis). Alguns sobrevivem fazendo strip em boites, outros buscam um sonho profissional. Um filme instigante, criativo, ousado e bastante voyeurista e fetichista.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Insubstituível

"Médecin de campagne", de Thomas Lilti (2016) Médico de profissão, o roteirista e cineasta Thomas Lilti realiza filmes onde os personagens circulam em ambientes de hospitais, `as voltas com doenças e conflitos da profissão. "Insubstituível" é a história de Jean Pierre (François Cluzet), único médico de uma região rural da França, e amado pelos pacientes pelo seu humanismo. Ele atende os pacientes em casa e lida com eles como a um grande irmão, pai, filho, amigo. Um dia, Jean Pierre descobre estar com câncer. Disposto a não aceitar os limites que sua doença impõe ao seu oficio, ele quer continuar a clinicar e cuidar dos seus pacientes, contrariando o parecer médico. O Hospital resolve acionar uma nova médica, Nathalie (Marianne Denicourt). Jean Pierre de inicio trata mal Nathalie, e diz que ela não irá se adaptar aos pacientes. Mas Nathalie é turrona, assim como Jean Pierre. Bom drama, com ótimas performances do casal principal e também do elenco de apoio, provavelmente não atores, mas atuando com extrema naturalidade. O filme é bem realizado, apesar de não empolgar. Ele corre morno durante toda a projeção, e lá pelo final, o filme aposta em um tom mais melodramático, através da história de um paciente idoso que está prestes a morrer. Um filme humanista, sem dúvida, como nos filmes dos irmãos Dardenne, mas sem a técnica documental dos seus filmes.

sábado, 30 de setembro de 2017

O fantasma da Sicília

“Sicilian ghost story”, de Fábio Grasaddonia e Antônio Piazza (2017) Em 1993, a máfia siciliana assassinou com requintes de crueldade o filho de um ex-mafioso, agora informante da polícia. Giuseppe Matteo, 13 anos, após passar quase 2 anos em cativeiro, foi enforcado e teve seu corpo dissolvido em ácido e jogado no rio. "O fantasma da Sicília" narra essa cruel história real de forma realista e lúdica. Para amenizar a tragédia, o filme aposta no romance: Giuseppe, antes de ser sequestrado, tinha uma pretendente `a namorada, Luna, que lhe enviou uma carta de amor. Durante o cativeiro, Giuseppe fantasia seu namoro que na verdade nunca aconteceu. Mesma coisa Luna, que se deprime, se rebela e tenta o suicídio, assim que o desaparecimento de Giuseppe é confirmado e absolutamente ninguém dá bola. Muito foi dito da semelhança desse filme com os artifícios da ilusão em filmes como "O labirinto do fauno" ou "O espirito da colmeia". Através dos sonhos, os protagonistas se "libertam" de seu mundo cruel, e invadem um universo fantasioso, onde tudo é possível. A fotografia do filme, de Luca Bigazzi ( fotógrafo dos filmes de Paolo Sorrentino) é um escândalo de lindo, realçando tons de filme de terror. A direção dos 2 diretores é primorosa, apesar do ritmo extremamente lento e da duração aparentar ser bem maior do que é. O casal protagonista está ótimo e comove o espectador em cenas emocionantes. O filme abriu a Semana da Crítica no Festival de Cannes 2017.

As duas Irenes

“As duas Irenes”, de Fábio Meira (2017) Em 1991, o cineasta Polones Kristoph Kieslowsky exibiu a sua obra prima “ A dupla vida de Veronique”, um filme que fala sobre duplos que não se conhecem e bens e esbarram em momento algum do filme. Fábio Meira pega emprestado o mote do filme de Kieslowsky e também o nome de sua protagonista, Irene Jacob. A diferença é que aqui, as duas Irenes se encontram e tentam conviver com as diferenças. Ambientado no interior de Minas nos anos 60, “As duas Irenes” apresenta duas talentosas atrizes: Priscila Bittencourt e Isabela Torres. A primeira mora com suas duas irmãs e seus pais. O pai, Tonico (Marco Ricca), vive viajando. Irene descobre que ele tem vida dupla: outra esposa, e outra filha, de mesma idade e também chamada Irene. A primeira é rica, tímida e assexuada. A segunda, pobre mas sensual e atirada. Elas se encontram e tentam buscar o melhor da outra, até um desfecho onde as duas se igualam. Escorado com um elenco forte ( Susana Ribeiro, Teuda Bara, Inês Peixoto), o filme tem excelente fotografia e enquadramentos estilizamos, alguns referentes , de novo, a Kieslowsky ( o reflexo no ponteiro do relógio). O filme segue em ritmo lento e no final das contas, seu tema é a passagem da adolescência para a afaste adulta. Vale ser visto pelo belo trabalho do elenco e por referências ao Cinema, deixando claro o berço Cinefilo de seu Cineasta. O filme foi exibido na Mostra Geração do Festival de Berlin 2017.

Los Angeles por ela mesma

"Los Angeles plays itself", de Thom Andersen (2004) Extraordinário documentário sobre Los Angeles, narrado pelo Diretor Thom Andersen, em um tom monocórdico, enfatizando o cinza e a feiura arquitetônica da cidade mais Fotografada no mundo segundo o filme. Não é um documentário padrão: ele parecia uma poesia ou balada triste de um poeta sobre a sua musa, maltratada pelos filmes e por diretores que teimam em mostrar o pior da cidade. Obrigatório para Cinéfilos e para quem quer visitar Los Angeles, o filme apresenta cenas de centenas de filmes, a maioria obscuros, rodados desde o inicio do Séc 20, quando a cidade tinha outro nome, Ederdele. O filme narra a criação da cidade, o uso pejorativo do nome para a contração "L.A.". Amei saber que muitos filmes filmaram lá se passando por outros países: China, Suíça, Londres, simplesmente porque, com exceção da placa "Hollywood", a cidade não tem uma arquitetura característica, podendo se passar por qualquer lugar. Boa parte dos filmes citados, eu nunca havia ouvido falar. O texto também fala sobre a invasão dos imigrantes, o racismo contra chicanos e negros, e a visão apocalíptica da cidade através de filmes como "Blade Runner" e "Chinatown". Para ver e rever, o filme é um verdadeiro épico de quase 3 horas de duração.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Kingsman- O circulo dourado

"Kingsman- The golden circle", de Matthew Vaughn (2017) Diretor do "Kingsman" original, e também do 1o "Kick Ass", Matthew Vaughn fez dessa sequencia uma divertida e irreverente aventura, repleta de efeitos especiais e muita bizarrice, assemelhando-se aos desenhos animados de "Tom e Jerry" e " Papaléguas". Sao exemplos de desenhos violentos, e "Kingsman- O circulo dourado" tem muitas mortes grotescas, tão insanas que a gente acaba se divertindo. ou você acha que uma pessoa que é moída num grande moedor, e consequentemente, vira hambúrguer para ser devorado é para ser levado `a sério? E a pessoa responsável pelas mortes hiper violentas é a mega traficante Poppy, interpretada por uma sensacional Julianne Moore, se divertindo com uma persona mais malvada que o pior dos chefes da Yakuza. E para elevar `a enésima potência o grau de sandices divertidas, você já imaginou no Elton John, dando golpes mortais e lutando contra bandidos? Pois é, e as cenas com o famoso cantor inglês são antológicas. Acredite. O que chama atenção a essa filme é a verdadeira constelação de estrelas: além de Colin Firth e dos citados acima, tem Channing Tatum, Jeff Bridges, Emily Watson, Halle Berry e Pablo Pascal ( o Oberyn Martell de "Game of thrones'). O roteiro narra mais uma aventura dos Kigsman, uma espécie de James Bond ingleses. Dessa vez, Eggsy (Taron Egerton), maravilhoso) precisa lutar contra Poppy, uma traficante refugiada no Camboja, que implanta um veneno nas drogas que comercializa, tornando seus consumidores portadores de uma doença mortal. O filme dá uma cutucada severa no Governo americano de Donald Trump, e a sua política de erradicação de tudo o que ele considera lixo, entre eles, os drogados. As cenas de ação são divertidas, criativas, e como falei, parece tudo um grande desenho animado. Diversão garantida e passatempo de primeira linha.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

24 semanas

"24 wochen", de Anne Zohra Berrached (2016) Co-escrito e dirigido pela Cineasta alema Anne Zohra Berrached, "24 semanas" ganhou um Premio especial no Festival de Berlin 2016, onde ele competia oficialmente. O filme é um drama que discute um tema polemico: o aborto a partir do 6o mês de gravidez. Na Europa, é permitido abortar até o 6o mês de gravidez, uma vez que o feto ainda não tem consciência nem sente dor. Em alguns casos, de malformacao ou tipo especifico de doença, é possível abortar em prazos maiores do que o 6o mês. Astrid (Julia Jentsch, excepcional), é uma famosa comediante de sucesso, casada com o publicitário Markus. Eles vivem felizes, um típico casal bem sucedido. Eles tem uma filha pequena, e Astrid está grávida. No entanto, em um exame de utrassom, o casal descobre que o filho é portador da síndrome de down. Astrid reage mal, mas com o tempo, ela e o marido aceitam a idéia de assumir o filho, mesmo que familiares sejam contra. No entanto, para infelicidade de ambos, o bebe também possui uma doença coronária que fará com que ele precise ser operado do coração assim que nascer, não havendo garantias de que a operação seja bem sucedida. O casal precisa decidir mais uma vez se abortam ou não a criança. A grande sacada do roteiro é fazer da protagonista uma comediante de sucesso. Assim, o filme apresenta esse contraste entre momentos de extrema felicidade no palco, entretendo seu público, e a sua tragédia pessoal, assim que segue para as coxias. O filme não quer julgar os atos de sua protagonista. A história impõe situações que tornam a sua decisão uma verdadeira tragédia emocional. A performance de Julia Jentsch é brilhante, pois ela abrange muitas mascaras: alegria, tristeza, depressão, frustração, desespero, desamparo. Não é um filme fácil de se assistir: além do ritmo lento, a sua história com certeza trará reflexões sobre o tema do aborto.