quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Jovem homem no Bar se masturba com raiva e ousadia

"Muchacho en la barra se masturba con rabia y osadía", de Julián Hernández (2015) O curta-metragista mexicano v é uma das vozes Lgbts mais ativas em seu País. Ele já dirigiu dezenas de curtas, boa parte deles bastante premiados em Festivais. Nesse curta documental, Julián Hernández acompanha a rotina de Cristian Rodríguez, que tem o pseudónimo de "Jonathan". Ele tem vida tripla: é garoto de programa, professor de dança e faz show eróticos em uma boite gay na cidade do México. No seu dia a dia, acompanhamos Cristian em seus encontros sexuais ( a cena dele se encontrando com um garoto virgem que contrata Jonathan para comemorar seu aniversário é antológica) , em seus ensaios de dança com um grupo de homens gays afeminados. Cristian se diz ser um gay afeminado desde criança) e por último, se apresentando em um show em uma boite gay. Cristian se diz guiado e viciado por sexo, mas tem um sonho de no futuro, abrir uma rede de lavanderias. Filmado de forma crua e ao mesmo tempo lúdica pelas câmeras de Hernandéz, mistura drama, humor e erotismo.

Trémulo

"Trémulo", de Roberto Fiesco (2015) Premiado em diversos Festivais internacionais, "Trémulo" é um Curta mexicano escrito e dirigido por Roberto Fiesco. Com temática Lgbts, é um belo romance entre 2 homens solitários `as vésperas da comemoração do Dia da Independência. Carlos é ajudante de faxina em uma barbearia. Ele ajuda a cortar o cabelo do soldado Julio. Ao sair, Julio dá uma caixinha para Carlos e ambos trocam olhares. De noite, com a loja fechada, Carlos faz a faxina. Inesperadamente, Julio surge na porta e pede para fazer a barba. Carlos abre a porta, eles flertam e dançam. Mas Julio tem um propósito... Muito bem dirigido, com planos sequências e marcação de cena bem orquestradas ( quase um filme de Wong Kar Wai), o filme prima pela sutileza e delicadeza ao tratar do tema entre dois homens que descobrem o seu amor um pelo outro. A cena da dança dos dois é magistral, e lembra bastante "Happy together". Fotografia Nota 10. O final tem um plot twist surpreendente. Belo trabalho dos atores.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Éden

"Éden", de Fábio Freitas (2014) Premiado curta português, exibido em mais de 40 festivais mundo afora. Escrito e dirigido por Fábio Freitas, o filme é uma alegoria Lgbts sobre Adão, Eva e a Serpente. Adão é um homem, Eva é o outro Homem e a serpente é personificada por uma Mulher. Joao e Pedro se encontram em uma estrada, fazendo a despedida da relação entre os dois de forma melancólica. No meio da lembrança do amor incondicional entre os dois, surge Sara, o outro vértice desse triângulo amoroso e leva Pedro embora com ela. Joao, desolado pela perda de seu amor, se entrega `as memórias. Belamente dirigido e fotografado, o filme tem poucos diálogos. as cenas são filmadas com bastante sensibilidade, principalmente a cena de sexo entre os dois homens na carroceria do caminhão. A cena de Pedro comendo a maca proibida ante os olhares de Joao é bem sensual. Bom trabalho dos atores, totalmente convincentes na sua história de paixão dos personagens.

Tickled

"Tickled", de David Farrier e Dylan Reeve (2016) Documentário com um tema bizarro dirigido por 2 jornalistas Neo-zelandeses. David Farrier é um jornalista da Cultura Pop na Nova Zelândia, e tem como um dos temas as bizarrices do Universo pop. Ao procurar na Internet conteúdo para uma matéria, ele se deparou com um Site americano, "Jane O'brian Midia", que promovia um Concurso onde jovens atletas masculinos se submetam a cócegas por outros jovens musculosos. Aparentemente, essa competição é apenas para produzir videos divertidos. Mas ao fazer a investigação, David descobriu que o Site tinha mais de 300 outros endereços no mundo inteiro, e que seu dono ganhava milhões de dólares com os filmes. Os filmes sugerem conteúdo voltado para o público gay fetichista, que se excita vendo jovens sendo molestados e implorando, uma espécie de relação Dominatrix e subordinados. Os jornalistas David Farrier e Dylan Reeve resolvem ir até os Estados Unidos e fazer esse documentário retratando esse mundo bizarro da Competição das cócegas. Mas de imediato, eles são ameaçados por representantes do site, que prometem processá-los judicialmente. Os jovens modelos também sofriam ameaças, quando pediam para tirar seus videos da internet. O filme, que começa divertido, vai se tornando um documento investigativo que procura descobrir quem comanda esse império, iludindo jovens necessitados de dinheiro a produzir conteúdo para seus videos. Vale assistir esse filme que foi exibido com sucesso no Festival de Sundance.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Como a espuma

"Como la espuma", de Roberto Pérez Toledo(2017) Escrito e dirigido pelo Cineasta espanhol Roberto Pérez Toledo, "Como a espuma" é uma comédia romântica erótica. A história toda acontece em um dia: Milo é um jovem gay paraplégico, depressivo por conta do acidente que o tornou inválido. Para animá-lo, seu amigo Gus pede um favor para uma amiga trans: convocar via Facebook, anônimos para uma orgia na casa de Milo. A trans perde o controle e centenas de pessoas aparecem na casa de Milo para uma tarde de muito sexo. A partir daí, o filme se desmembra em várias pequenas histórias, envolvendo todo tipo de gente: jovens, idosos, gays, lésbicas, curiosos, virgens. O filme poderia ser uma picante comédia, mas o seu roteiro é muito ingênuo e previsível. Como filme erótico, o filme oferece muito pouco e é bem pudico, apesar de alguns flashes rápidos de nudez. Parece um filme de auto-ajuda, com a mensagem no final estampada na cara de todo mundo: sexo é a melhor terapia para resolver todos os seus problemas. Nesse mundo hedonista, não há espaço para depressão. Como consolo para um filme tão fraco, o elenco é composto majoritariamente por jovens modelos, um prato cheio para voyeurs.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Sou Negra, Sou gay e Sou Puta

"Soy Negra, Soy Marica y Soy Puta", de Hugo Meijer e Cas van der Pas (2012) Emocionante e motivador curta documental, co-produzido pela Holanda e Colombia, que acompanha o dia a dia de Diana Navarro, ativista dos direitos do Grupo Lgbts na Colombia. Diana foi a 1a transgenera a se formar na Universidade da Colombia, curso totalmente pago com o dinheiro da prostituição. Formada advogada, Diana tem vida dupla como prostituta. Diana fugiu de casa aos 14 anos e desde jovem conheceu a prostituição, para poder se bancar. Hoje ela tem uma Ong, e ela luta para que as transsexuais possam ter mais opções de trabalho, e não apenas terem como opções o caminho da prostituição ou de cabeleireiras. O filme mostra os bairros pobres de Bogotá, e impressiona a quantidade de prostitutas nas ruas da cidade: são 7000 mil, entre mulheres, travestis e trans. Totalmente narrado por Diana, o filme comove e apresenta um Universo mundo cão com uma luz no fim do túnel. Dirigido com muita sensibilidade, é um filme que merece ser visto e discutido. https://www.youtube.com/watch?v=f5igIeiy0F0

A ternura

“Tenerazza”, de Gianni Amelio (2017) Adaptação do livro de Lorenzo Marone, “ A ternura” foi dirigido por um dos Cineastas italianos mais premiados da história, realizador de 3 grandes filmes: “ América, sonho de chegar”, “ Ladrão de crianças” e “ A chave de casa”. Com “A ternura”, Amelio também recebeu vários prêmios internacionais. Seus filmes giram em torno de personagens que possuem sonhos e que dura realidade, são destruídos. Relacionamentos familiares, imigração, frustração profissional, caos social e econômico na Europa. O elenco é o grande trunfo desse filme poderoso e bastante dramático. Renato Carpentieri, como o protagonista Lorenzo, as divas Micaela Ramazotti e Giovanna Mezzogiorno e o premiado em Cannes por melhor ator no excelente “ A nossa vida”, Elio Germano. Mas a grande surpresa fica com a participação especial de Greta Sccachi, uma das mais belas e talentosas e atrizes italianas dos anos 80 e 90, agora uma senhora, no papel da mãe de um dos personagens. Lorenzo é um advogado aposentado, viúvo. Pai de dois filhos, eles não se comunicam e possuem um passado tráfico que os afastou. Ao sair do hospital, após um infarte, Lorenzo conhece uma vizinha recém mudada pro seu prédio, Michela. Ela é casada e tem dois filhos. Rabugento, Lorenzo vai se afeiçoando a essa nova família. Mas uma nova tragédia irá mudar os rumos todos. Denso, bem dirigido e elegante na construção de sua tragédia, sem apelar para sentimentalismos, Amelio constrói um belo e duro filme, que fala sobre a frieza e a falta de comunicação entre as gerações dos dias de hoje. Sobram também críticas à imigração na Europa, em uma excelente cena envolvendo o marido de Michela, defendido com brilho por Elio Germano e um imigrante. Obrigatório.

Apenas um garoto em Nova York

“Only a living boy in New York”, de Marc Webb (2017) Traições, neuroses urbanas de moradores de Nova York, cartões postais de Manhattan. Não, não é um filme de Woody Allen. Marc Webb, diretor do delicioso “500 dias com ela”, tentou fazer uma comédia romântica urbana que falasse de gerações e como o amor é uma língua que vale a mesma coisa para um jovem de 20 anos e para um homem de 60. O que poderia render ótimas tiradas sobre paixão e depressão, acabou sendo apenas um bom filme independente com um elenco de peso mal aproveitado. Nas vezes aonde Webb tenta extrair algum humor, ele falha. O filme começa leve e vai se tornando um grande novelão com direito a uma reviravolta digna de Janette Clair. Cinthia Nixon, excelente atriz, aparece muito pouco no filme, assim como Jeff Bridges. O foco acaba sendo no triângulo amoroso formado por Callum Turner, Pierce Brosnan e Kate Beckinsale, respectivamente filho, pai e a amante de ambos. Cinthia interpreta a mãe de Thomas (Turner) e esposa insatisfeita e depressiva de Ethan ( Brosnan). Jeff Bridges interpreta Justin, um vizinho novo de Thomas, que descobrimos ser um escritor e alcoólatra. O filme segue morno, mas para apaixonados por Nova York vale ser visto, pois o filme passeia por lugares icônicos da cidade. Bela trilha sonora.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Faces de uma mulher

"Orpheline", de Arnaud des Pallières (2016) Drama francês co-escrito e dirigido por Arnaud des Pallières, apresenta 4 estágios na vida de uma mulher: criança, adolescente e aos 20 e 30 anos. O filme é narrado de trás pra frente. Somos apresentados a Reneé (Adèle Haenel), uma professora para crianças, que é presa pela polícia. Grávida, seu namorado quer saber o motivo da prisão. O filme retrocede no tempo. Sandra ( o verdadeiro nome de Reneé, interpretada agora por Adèle Exarchopoulos) conhece um apostador de Jockey mais velho e se torna sua amante. Ela conhece Tara ( Gemma Arterton) e com ela bola um plano para roubar apostadores no Jockey. O filme retrocede e agora vemos Sandra adolescente. Ela foge de casa, por conta dos maus tratos de seus pais, e vai pulando de casa em casa, trocando de homens. Voltamos ao tempo e agora vemos Sandra criança, morando com seu pai, e testemunha de uma tragédia envolvendo 2 amiguinhos dela. Os roteiristas parece que escreveram odiando a personagem de Reneé/Sandra: ela passa por tantas tragédias e situações humilhantes, que me incomodou bastante. Quanto sofrimento. As atrizes estão bem, mas o acúmulo de tragédias na vida dela me deixou atordoado. E toda a trama policial no Jockey, não gostei. Preferia que o filme tivesse ficado em torno dos dramas de Sandra e os homens, mas sem esse sub-plot do roubo.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Extraordinário

"Wonder", de Stephen Chbosky (2017) Existem várias razoes por eu ter ido assistir a "Extraordinário". Em primeiro lugar, pelo Diretor Stephen Chbosky, que realizou um dos filmes que mais amo na vida, "As vantagens de ser invisível", que ele também escreveu. Tem também o mega elenco: Julia Roberts, Owen Wilson, Jacob Trembley e uns atores jovens desconhecidos absolutamente fantásticos. Tem também porque eu amo chorar em cinema. E por ultimo por tratar do tema do diferente, um tema batido, mas que todo mundo ama, afinal, nós todos somos diferentes da sociedade, certo? O espelho da vez ´´Auggie" (Jacob Trembley, fenomenal). Portador da Sindrome Treacher Collins, que deforma seu rosto, o filme começa com a decisão dos pais de Auggie de o matricularem em uma escola. Afinal, seus estudos sempre foram em casa, longe de todos. Com medo do bullying, Auggie acaba cedendo aos desejos da mãe. O filme obviamente fala sobre bullying, aceitar o diferente, ciúmes da irmã de Auggie, Via (Izabela Vidovic, maravilhosa) que se sente despreterida pelos pais e muitos outros temas. O filme é honesto com o espectador: já sabemos que iremos chorar logo de cara. A trilha sonora, a narração do menino, tudo nos conduz ao que parece uma grande tragédia. O mais inteligente do roteiro, é mostrar vários pontos de vista dos personagens. Ou seja, todos os outros possuem voz própria. O filme volta ao tempo e apresenta o ponto de vista de vários personagens. Um filme que pode ser visto por toda a família, e que traz uma mensagem sobre aceitação, independente do que. Maravilhoso. Para quem não gosta de melodramas, ficar bem longe. P.s.: Como é bom ver um filme com Julia Roberts!!! Seu sorriso levanta defuntos.

Os punhos de Cristo

"Fist of Jesus", de Adrián Cardona e David Muñoz (2012) Um dos curtas mais toscos, divertidos e politicamente incorretos que já assisti, "Punhos de Jesus" é um clássico cult obrigatório a todos que curtem um Filme Trash. Pegando carona em "A vida de Brian", dos Monty Pyton, e seu humor corrosivo e iconoclasta, a história e´criativa: Jessus, pregando para os seus discípulos, ´´chamado para tentar reanimar Lazaro, que estava morto entre os leprosos. Porém, ao ressuscita-lo, Lazaro surge como um Zumbi, e acaba infectando a todos. Entre os sobreviventes, Jesus e Judas precisam matar a todos, usando peixes como armas. Uma jóia que merece ser vista, muito imaginativa e tosca como a gente gosta de assistir. Risadas garantidas. Produção espanhola, o filme já ganhou alguns prêmios. https://www.youtube.com/watch?v=rMb-gCVSwX0

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Fortunata

"Fortunata", de Sergio Castellitto (2017) Vencedor de vários prêmios internacionais, entre eles, o de Melhor Atriz na Mostra "Um certo olhar" em Cannes 2017, "Fortunata" foi dirigido por Sergio Castellitto, um famoso Ator italiano, protagonista de grandes filmes de sucesso, entre eles, "O homem das estrelas", de Giuseppe Tornatore. Apostando no melodrama exacerbado, o filme narra a dramática história de Fortunata ( Jasmine Trinca), separada do violento policial Franco. Ela e sua filha pequena, Barbara ( a ótima Nicole Centanni), vivem em um conjunto habitacional na periferia de Roma. Fortunata é cabeleireira e seu sonho é abrir um salão de beleza. Seu melhor amigo, o vizinho e drogado Chicano ( Alessandro Borghi), cuida de sua mãe que sofre de Alzheimer, a ex-atriz Lotte (Hanna Schygulla, musa de Fassbinder). Barbara é levada até um psiquiatra, o Dr Fabrizio (Stefano Accorsi), por orientação assistencialista. Fabrizio e Fortunata passam a ter um caso, o que provoca ciúmes na menina. Com boa direção, mas com um roteiro irregular, Castellito honra a tradição do cinema neo-realista italiano: filmando em locações, tratando do tema das personagens marginalizadas pela sociedade e apostando no melodrama. A grande forca do filme é o excelente elenco, e a trilha sonora repleta de músicas dos anos 80, como The Cure, etc.

A escritura sagrada

"The secret scripture", de Jim Sheridan (2016) O cineasta irlandês Jim Sheridan foi bastante aclamado nos anos 90 pelos filmes "Meu pé esquerdo" e "Em nome do pai". De lá para cá, sua carreira seguiu irregular. Em 2016, ele dirigiu uma adaptação de um best seller, "A escritura sagrada", e a crítica toda caiu de pau. Ao ver o filme, dá para entender o porque: o roteiro parece ter sido extraído de um livro de Barbara Cartland. Ou seja, repleto de reviravoltas mirabolantes na história romântica entre 2 pessoas que se amam mas que são separadas por um padre bastante malvado, que é ´apaixonado pela jovem. Tudo isso acontece na Irlanda de 1942, durante a 2a Guerra. Eu achei o filme bom, ainda mais que chorei dez litros no final. O filme é um melodrama exacerbado, que tenta emocionar o espectador de qualquer forma, para um desfecho óbvio, mas que a gente torce para acontecer como previsto. Nos anos 80, um psiquiatra, Dr Greene ( Eric Bana) é chamado para diagnosticar uma senhora de quase 100 anos, Rose (Vanessa Redgrave). O prédio será demolido e os pacientes transferidos, mas Rose se recusa a sair dali, pois diz que seu ex-marido virá buscá-la. Daí, somos transferidos para um flashback de 1942, quando ficamos sabendo da história de Rose ( agora, Rooney Mara). Uma jovem disputada pelo amor de um soldado britânico, Michael ( Jack Reynor) e de um padre, ( Theo James). Rose acaba sendo forcada a se internar em uma clinica psiquiátrica, a mando do Padre, que por vingança, a acusa de ser ninfomaníaca e que deve ser tratada com choques elétricos. Rose também é acusada de ter matado seu bebe recém nascido. O filme nem parece ter sido dirigido pelo mesmo Jim Sheridan dos filmes citados. Tudo aqui é over, caricato. Os personagens, óbvios. O Desfecho, por mais que eu goste e tenha chorado, é completamente absurda e jogada na cara do espectador sem sutileza alguma. O que de fato va;e a pena, é acompanhar o talento de um time de peso: Vanessa Redgrave e Rooney Mara, que salvam o filme de um desastre maior, pois dão credibilidade `a personagem que interpretam.

Jogos mortais: Jigsaw

"Jigsaw", de Michael Spierig e Peter Spierig (2017) Dirigido pelos irmãos Spierig, esse oitavo filme da franquia "Jogos mortais" tem um plot twist totalmente desonesto, mas mesmo assim, surpreendente. Quando todos achavam que John Kramer (Tobin Bell) havia morrido há 10 anos atrás, eis que surgem evidencias de que ele continua vivo. Cadáveres vão surgindo com as características de terem participado dos jogos assassinos de Jigsaw. Será ele, ou um seguidor fanático? Em 2007, foi lançado o que seria teoricamente o último filme da franquia, com o titulo de "O capitulo final". Mas como em bolso de produtor tome que está ganhando não se mexe, resolveram fazer mais um capítulo. Não existe nada de novo no fronto, a não ser o desfecho. Durante o filme todo, acompanhamos mortes bárbaras e fitas gravadas com a voz de Jigsaw. Mas talvez haja uma diferença sim: as mortes não são mais tão explícitas como nos filmes anteriores. Aqui, os diretores evitaram mostrar demais, deixando na imaginação do espectador tentar imaginar o que aconteceu. Um roteiro bizarro, repleto de situações inverossímeis...e atuações toscas. Mas não é isso o que gostamos na franquia?

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Mulheres divinas

"Die göttliche Ordnung ", de Petra Volte (2017) Indicado pela Suíça para concorrer ao Oscar 2018, "Mulheres divinas" tem como tema a inclusão do voto das mulheres na Constituição do País no ano de 1971. Diferente de "Selma", sobre o direito do voto dos negros nos Estados Unidos, que trabalha o tema de forma totalmente realista, em "Mulheres divinas", o tom é de fábula. Somente com esse pensamento, poderemos aceitar a rápida transformação de todos os personagens no filme. Uma mistura de "Chocolate, de Lasse Hallstrom, " As sufragistas" e " E agora, para onde vamos?", de Nadine Labaki, que também usa o plot das mulheres fazendo greve de sexo, o filme de Petra Volpe tem todos os elementos para emocionar o grande público. Personagens carismáticas, reviravolta na trama com morte de um personagem amável, lições de moral e a inevitável virada dos personagens. O roteiro de Petra não esconde que ela trabalha com personagens esquemáticos para fazer a historia andar. Aliás, um ponto que me incomodou foi o fato de todos os homens serem uns escroques. mas como eu disse antes, o filme precisa ser visto como uma parábola para aceitarmos isso. Em um vilarejo no interior da Suíça, em 1971, Nora (Marie Leuenberger, excelente) é uma jovem esposa, com dois filhos pequenos e que cuida do seu sogro machista. Dona de casa, Nora aos poucos vai se envolvendo com ideais feministas, e quando decide levar o tema do voto das mulheres `a sério, é esculhambada por toda a vila, inclusive pelas mulheres, que querem a perpetuação do voto masculino. Nora se junta a Vroni, uma viúva que foi a única a votar favorável décadas atrás, e a Graziella, uma italiana divorciada. Eu adoro melodramas e o filme trabalha bem o drama e a comédia. A direção de arte, a fotografia ( de uma mulher, Judith Kaufmann) e a trilha sonora colaboram para dar um tom extremamente agradável `a produção. O elenco também é muito bom, com destaque para Sibylle Brunner, no papel de Vroni, e Maximilian Simonischek, no papel de Hans, marido de Nora. Preparem-se para chorar bastante no desfecho. Em Tribeca, o filme venceu o prêmio do publico e de melhor atriz.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Com amor, Van Gogh

"Loving Vincent", de Dorota Kobiela e Hugh Welchman (2017) Ousado e visioneario Filme em animacao, co-produzido pela Polinia e Inglaterra e dirigido pelo casal Dorota Kobiela e Hugh Welchman. O filme ganhou vários Prêmios internacionais, incluindo de Melhor Filme do público no Festival de Animação Annecy, e Melhor filme do público da Mostra de São Paulo 2017. O projeto levou 6 anos para ficar pronto. Filmando os Atores com fundo croma, cada um dos 65 mil frames do filme foram pintados `a mão por 125 pintores escolhidos no meio de 5 mil candidatos. A idéia era que cada pintor pintasse os frames usando como referencia 120 pinturas famosas de Van Gogh, O filme acontece em 1891, 1 ano depois da morte por suicídio de Van Gogh. Armand Roulin, o filho de um carteiro é incumbido de levar uma carta de Van Gogh endereçada para o seu irmão Theo. Ao chegar na cidade, o jovem Armand Roulin descobre que Theo contraiu sífilis e morreu. Ele resolve então entregar a carta `a viúva de Theo. Durante o percurso, Armand conhece várias pessoas que conviveram com Van Gogh, e assim, através dos relatos, ele vai descobrindo quem realmente era o artista e quais seriam as hipóteses para ele provocar o seu suicido. Com 95 minutos de duração, o filme de fato é extremamente belo de se ver. A técnica da pintura impressiona ( e é impossível não se lembrar do filme de Richard Linklater, " O homem duplo", que tem uma ideia muito semelhante). No entanto, tanta beleza e preocupação com a técnica me provocou um cansaço. Chegou uma hora que enjoei de tudo e achei a narrativa lenta e aborrecida. Mas no final das contas, valeu ter assistido. Um filme com preocupação artística, e que respeita o homenageado com louvor.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Dream boat

"Dream boat", de Tristan Milewski(2017) Divertido e emocionante documentário alemão, "Dream boat" concorreu no Festival de Berlin 2017. O filme acompanha um Cruzeiro exclusivo para homens gays, que sai uma vez por ano de Lisboa para as Ilhas Canárias, em um total de 7 dias de excursão. Sao 3 mil homens por Cruzeiro: eles se divertem de todas as formas possíveis: dançando, fazendo exercícios, muito sexo (explicito), bebendo, flertando e dando muita pinta. Em um dos bailes, os passageiros somente entram vestidos de Drags. O cineasta Tristan Milewski acompanha 5 personagens nessa trajetória: em toda as histórias, ouvimos relatos de homofobia, opressão, violência. Por outro lado, também ouvimos essas mesmas pessoas sonhando com o homem ideal, m casamento, o desejo de terem corpos perfeitos, do medo de envelhecer, de ficarem solitários. Na conclusão, o cruzeiro acaba sendo uma sessão de terapia hedonista e lúdica, aonde os passageiros vivenciam experiências restritas aquele ambiente, e quando acaba, voltam para o mundo cinza e triste da realidade. Os depoimentos são engraçados mas também bastante pungentes, onde essas pessoas abrem seus corações e mentes. Os personagens: - Marek- Polonês 24 anos, que se mudou para a Inglaterra para fugir do medo da homofobia na família. - Dipankar, um indiano afeminado que busca um amor, mas sabe que a sua aparência e seu corpo não possuem atrativos para nenhum dos homens do cruzeiro - Philipe, francês, paralítico por conta de uma meningite - Martin, fotógrafo australiano, portador do HIV - Ramzi, palestino que fugiu por conta da violência contra homossexuais e se refugiou na Bélgica O filme tem lindas imagens de planos gerais, e uma fotografia exuberante, aliado a uma trilha sonora hipnótica.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Criminosos de novembro

"November criminals", de Sacha Gervasi (2017) O cineasta Sacha Gervasi dirigiu em 2010 o filme "Hitchcock" com Anthony Hopkins e foi um dos roteiristas de "O terminal", de Spielberg. Com esse currículo, ele adaptou o livro homônimo de Sam Munson e escalou Atores renomados como as jovens estrelas Ansel Elgort, Chloë Grace Moretz e Catherine keener para esse seu drama mesclado de romance e policial. A mistura, no entanto, não deu certo. O filme fica indefinido sobre qual história ele deve contar: o romance entre Addison (Elgort) e Phoebe (Moretz) ou a trama policial que envolve Addison e um amigo seu, o jovem negro Kevin, atendente de um café e assassinado por uma pessoa. Como os policiais locais de Virginia assumem de cara que Kevin estava envolvido com traficantes e resolveram encerrar o caso, Addison se irrita e resolve limpar a barra de seu amigo, tentando descobrir o assassino. Com boas atuações de Elgort e Moretz, o filme nunca decola. Sem ritmo, sem muitos atrativos em uma trama insossa, a gente assiste meio aborrecido. De positivo também a trilha sonora, repleta de canções pops.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Thelma

"Thelma", de Joachim Trier (2017) Co-escrito e Dirigido pelo Norueguês Joachim Trier, do aclamado "Oslo 31 de agosto", "Thelma" é o que todo mundo diz: uma versão remixada e autoral de "Carrie, a estranha", de Brian de Palma. Para os bons entendedores que sacaram que "Carrie", mais do que um filme de terror, era uma metáfora sobre a descoberta da sexualidade, com certeza perceberão a mesma simbologia nesse filme de suspense e realismo fantástico, protagonizado por uma jovem criada em um ambiente de extrema repressão e religiosidade. Thelma ( uma atuação maravilhosa de Eili Harboe), mora com seus pais em uma casa na zona rural da Noruega. Os pais sao religiosos e educam Thelma `a ferro e fogo. Crescida, ela é enviada para estudar na capital. Durante as aulas, ela conhece Anja, uma linda aluna que se apaixona por Thelma. reprimida, Thelma cede aos encantos de Anja. Mas a partir desse momento, fatos estranhos começam a acontecer: ela tem convulsões, pássaros e cobras se tornam ameaças e pessoas desaparecem. Diferente de "Carrie", aqui o filme vai por uma verve mais de cinema autoral de cult: cenas mais lentas, atores atuando de forma mais naturalista e efeitos especiais mais simbólicos do que propriamente assustadores. Porém, na cena final, quando se revela em flashaback os poderes de Thelma, somos apresentados a uma trágica situação. Essa cena é forte e bastante contundente. Com ótima direção de Jochim Trier, o filme é a indicada pela Noruega a uma vaga ao Oscar 2018. Só o fato de indicar um filme de gênero já é um grande feito, e o filme merece, pois é ousado e criativo.

Cathy come home

"Cathy come home", de Ken Loach (1966) Extraordinário docudrama dirigido por Ken Loach e exibido originalmente pela Bbc Television em 1966. Em 2000, uma Pesquisa feita pela Indústria da televisão considerou esse filme o 2o melhor telefilme já realizado na Inglaterra. Na época do lançamento, o filme foi um escândalo ao mostrar de forma realista o dia a dia de um casal de jovens operários e a sua decaída para se tornarem sem teto. Porém, o que mais chocou a sociedade foi mostrar cenas de sexo e romance entre o casal, algo jamais imaginado pela classe burguesa, que fazia comentários tipo : " Os operários também fazem sexo.". Cathy ( em atuação visceral de Carol White) é uma jovem que sai da zona ruiral para tentar a vida em Londres. Lea, ela conhece Reg, um motorista de caminhão. Ambos se tornam felizes e passam a morar juntos. Quando Cathy engravida, ela perde o emprego. Mais: eles precisam sair do prédio, que não aceita crianças. Para piorar, Reg sofre um acidente com o caminhão que estava sem freio, e também perde o emprego, pois seu patrão ignora leis trabalhistas. Ambos vai morar com a mãe de Reg em um conjunto habitacional, mas o excesso de pessoas em um apartamento pequeno faz com que Cathy se estresse com a sogra. Eles passam então a morar de favor, em trailers ate chegar no ápice de Cathy e as crianças terem que ir morar em um abrigo do governo que não permite que os maridos fiquem. O filme, dirigido com extrema competência por um jovem Ken Loach, já mostra todos os códigos de seus filmes: atuação naturalista, narrativa documental, critica ao sistema social do Governo britânico. A atriz Carol White fez sucesso e acabou indo para os Estados Unidos trabalhar, mas faleceu jovem. Uma frade de Loach resume esse filme obrigatório em todos os aspectos: "O Estado cria a ilusão de que, se você é pobre, a culpa é sua."

O bom vizinho

"The good neighbor", de Kasra Farahani (2016) Usando o mote de "Janela indiscreta", o filme de Kasra Farahani poderia ter sido um divetrido filme de suspense adolescente. Tem ótimos atores jovens, James Cann como o suposto serial killer..mas faltou uma direção mais atenta aos códigos de um bom suspense, e principalmente, falhas no roteiro. Dois adolescentes, Sean e Ethan, estão prestes a fazer um projeto para a escola. Ethan sugere que eles façam uma espécie de um experimento real: colocar câmeras de segurança escondidas dentro da casa do vizinho Harold (James Cann), mal visto pela vizinhança pelo seu modo violento de reprimir os vizinhos. E mais: eles irão fazer com que pareça que as atividades paranormais estejam acontecendo na casa, somente para gravar as reações de Harold assustado. Mas para a surpresa deles, Harold não se assusta com nada, fazendo-os crer que ele esconde a esposa dele no porão, único lugar na casa que eles não botaram câmeras. O mais grave no roteiro, é entremear na edição flashforwards de cenas de um tribunal, com vários dos personagens que surgem ao longo do filme. Um erro brutal, pois corta todo o suspense do filme. O espectador deveria ficar até o final do filme tentando saber quem morre, mas não, esses personagens surgem no tribunal DURANTE O FILME! Um exemplo: um personagem que surge na casa de Harold, e desce ao porão pra ver se está tudo bem..SURGE NO TRIBUNAL antes mesmo dessa cena que acabei de descrever, ou seja, óbvio que ele não morreu! O desfecho também, assim que se descobre o plot twist, ficou longo, parece que vai começar um outro filme. Tinha que ter sido mais enxuto, pois naquele climax, a gente já quer que o filme acabe. Enfim, uma boa idéia, que mistura , além de " Janela indiscreta", " Atividade paranormal" e o recente "O homem nas trevas", desperdiçada.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

OBS - Orquestra Brasileira de Sapateado

"OBS - Orquestra Brasileira de Sapateado", de Maria Clara (2017) Belo documentário, extremamente educativo e motivador, dirigido com muita sensibilidade pela Cineasta Maria Clara. O filme foi realizado com o propósito de registrar a comemoração dos 25 anos da Orquestra Brasileira de Sapateado, antiga “Cia Dá no Pé”, foi fundada pelas coreógrafas Stella Antunes e Amalia Machado, e pelo maestro Tim Rescala. Na ocasião da comemoração, foi lançado o espetáculo OBS MIX, que une 2 gerações da Orquestra: as fundadoras e as filhas delas, fazendo um pout pourri desses 25 anos de muitos espetáculos memoráveis. Maria Clara e o roteirista e editor Rodrigo Selios fizeram uma pesquisa com o vasto material de Vhs, jornal e outras mídias e juntaram no filme. Acompanhamos a génese do grupo, os primeiros musicais e o clímax maravilhosa, um evento na Orla de Ipanema chamada de "Sapateada", uma caminhada com os alunos sapateando e desenvolvendo suas habilidades. O filme entrevista alunos, professores, alunas americanas e todas relatam seus sonhos, suas ambições artísticas e o grande desejo de estar presente nessa manifestação cultural da dança pouco patrocinada, mas bastante apreciada. Ficamos sabendo também que a Orquestra foi responsável em difundir o sapateado da cultura negra, do hip hop, quando na época, só e falava no sapateado clássico, tipo Fred Astaire e Gene kelly. O filme foi exibido e premiado em diversos Festivais, inclusive em Roma. Vamos torcer para que aqui no Brasil, seja lançado em algum Canal, tipo Gnt. Fotografia de Silvia Gangemi, Som de Zeze Dalice e edição de som de Maria Muricy.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Boneco de neve

"The snowman", de Tomas Alfredson (2017) Adaptação do best seller policial do norueguês Jo Nesbo, dirigido pelo mesmo realizador do clássico de terror "Deixa ela entrar". "Boneco de neve" foi destruído pela crítica, o que é uma pena, pois eu gostei bastante. E' um suspense que cumpre o que promete, repleto de cenas de tirar o fôlego, auxiliado por uma fotografia exuberante de Dion Beebe, que ganhou o Oscar de fotografia por "Memórias de uma Gueixa". Primeira coisa que preciso falar depois de ter visto o filme: Quero visitar a Noruega! Que Pais lindo! Michael Fassbender interpreta Harry Hole, um policial separado de sua esposa, Rakel ( Charlotte Gainsbourg) e com um filho adolescente, Oleg. Separados, Harry se tornou alcoólatra. Ele é chamado para investigar um caso sobre mulheres desaparecidas e que aparecem depois com o corpo esquartejado. Em comum: são mulheres divorciadas, e com filhos. Katrine (Rebecca Ferguson) é uma policial que chega para fazer par com Harry, e ambos tentam identificar o serial killer. Com um elenco de famosos fazendo participação ( Chloe Sevigny, Val Kilmer, J k Simmons), o filme é repleto de clima e atmosfera que sufoca e angustia a medida que vai avançando Não é um filme perfeito, mas também não é o filme ruim que querem fazer o publico acreditar ser.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Não devore meu coração

“Não devore meu coração”, de Felipe Bragança (2017) Falando objetivamente: o que mais gostei foi da trilha sonora oitentista repleta de sintetizadores. Imaginem um filme que parece uma mistura de “ Romeu e Julieta”, “ Stranger things”, “ A guerra dos botões”. “ Reza a lenda” e que ousa escalar Ney Matogrosso como um capataz viril e assassino? Cauã Raymond praticamente repete seu personagem do motoqueiro rebelde de “ Reza a lenda”. O que mais me incomodou no roteiro foi tentar acreditar na história de amor entre dois adolescentes, ele branco brasileiro, e ela Índia Guarani paraguaia. Não existe chama, não existe credibilidade nessa relação. Por mais metafórica que seja esse encontro Brasil/Paraguai representado nesse amor juvenil, não existe liga. De bom, mesmo, é a atuação dos 2 jovens atores: Eduardo Macedo, no papel de Joca, irmão de Fernando (Caua Raymond), e Adeli Benitez, no papel de Bonasa, a jovem Índia. Caua é ótimo Ator e já provou isso em outros filmes, mas aqui no filme, sua imagem surge meio desconexa no meio de tantos atores desconhecidos. Mesma sensação eu tive quando assisti a "Abril despedaçado", de Walter Salles, quando surgia Rodrigo Santoro no meio dos nordestinos. O filme fica em um híbrido entre ser Pop, através de sua estética, enquadramentos e trilha sonora, e claro, o grupo de motoqueiros, e um filme de denuncia, ao querer fazer o espectador se lembrar que na Guerra do Paraguay, o Brasil matou mais de 60 mil paraguaios, e continua matando, segundo a historia do filme. O filme foi exibido na Mostra Geração, do festival de Berlin, e entrou em Competição em Sundance.

Veronica

\\ “Veronica”, de Paco Plaza (2017) Dirigido pelo cineasta espanhol Paco Plaza, responsável pela trilogia de terror de sucesso “ REC” , “Veronica” pega emprestado o mote de 2 projetos blockbusters: “Invocação do mal” e só seriado “ Stranger things”. Do primeiro, ele pega o mote de histórias sobrenaturais baseadas em fatos reais. Do segundo, o uso de crianças que usam rádios comunicadores e trilha sonora oitentista repleta de sintetizadores. Paco também homenageia a obra prima de Carlos Saura, “ Cria Cuervos”, ao falar da história de crianças presas em um apartamento e pais ausentes. Para isso, ele escalou Ana Torrent, a menina extraordinária de “ Cria Cuervos”, aqui no papel da mãe delas. Em junho de 1991, a polícia foi chamada para uma ligação de emergência em um apartamento. Ao chegar lá, o detetive testemunha um fenômeno paranormal. O filme retrocede 3 dias e acompanhamos a história de Veronica, 15 anos e sua relação com seus três irmãos pequenos, a ausência da mãe e a morte do pai. Com a chegada do eclipse solar, ela brinca com duas amigas de Ouija e acaba invocando o espírito de seu pai. Bem dirigido e com ótimas performance de todo o elenco infantil, o filme se diferencia de similares americanos por trazer um olhar mais realista ao tema e menos fantasioso. Para quem gosta de um bom suspense Inteligente, essa é uma boa pedida.

domingo, 26 de novembro de 2017

O último capítulo

"I Am the Pretty Thing That Lives in the House", de Osgood Perkins (2016) Dirigido pelo filho do Ator Anthony Perkins, que estreou em longas com o ótimo filme de terror "The blackcoat’s Daughter", "O último capitulo" foi anunciado como a primeira produção de terror da Netflix, lançado em 2016. A premissa do filme é simples e manjada: uma jovem enfermeira é contratada para tomar conta de uma idosa que está com demência. A idosa mora sozinha em uma casa considerada mal assombrada. Mais: a senhora é uma autora de livros best seller de terror. A enfermeira morre de medo de sentir medo e ainda sofre do coração. Mas aos poucos ela vai percebendo que a casa pode estar povoada de fantasmas. Já de cara, a personagem anuncia em Off que vai morrer. Com essa informação, a gente fica o tempo todo querendo saber do que forma ela irá morrer naquela casa. O que mais me irritou no roteiro na verdade, é porque diabos uma pessoa que sofre do coração e sente medo, fica mais de um ano sozinha tomando conta de uma idosa em um lugar onde coisas estranhas acontecem? Qual o sentido disso? fazer o filme avançar? O filme tem um ritmo extremamente lento, e dificilmente um fã de filme de terror vai curtir o filme. ele não assusta, seu suspense é ultra light e o desfecho ainda é uma bobagem. O Diretor sgood Perkins foi mais bem sucedido em seu filme anterior, assustador e violento. Aqui, ele só promete.

Logan Lucky- Roubo em família

"Logan Lucky", de Steven Soderbergh (2017) O mais curioso nessa retomada de Steve Soderbergh, que em 2013 havia dito que estava se aposentando do Cinema, é o nome da roteirista, Rebecca Blunt. Totalmente desconhecida e anônima, muita gente acredita ser o pseudónimo do próprio Soderbergh. Muito possível, afinal, "Logan Lucky" é exatamente a historia de "Onze homens e um segredo", com a diferença de não ter o glamour do filme. "Logan Lucky" fala de Loosers, de caipiras de Virginia, que curtem música country, bebem toda noite, e são brutos, sem muita cultura. Nesse universo, residem os irmãos Logan, considerados amaldiçoados pelos populares do local. Jimmy (Channing Tatum) era um jogador de futebol promissor, mas machucou o joelho e virou operário. Clyde (Adam Driver) foi soldado e perdeu uma mão na Guerra do Iraque e agora trabalha como barman. A irmã Mellie (Riley Keough) trabalha em um salão como cabeleireira. Ao perder seu emprego e não ter como bancar pensão para sua filha pequena que mora com sua ex, Bobbie (Katie Holmes), Logan resolve arquitetar um plano para assaltar o dinheiro arrecadado no autódromo durante uma corrida. Além dos irmãos, ele conta com a ajuda de Bob (Daniel Craig), famoso detonador de explosivos, que se encontra preso. Totalmente calcado em um elenco estelar ( que ainda conta com Hillary Swank e Seth Macfarlaine, entre outros), "Logan Lucky" tem um roteiro audacioso, repleto de pormenores que envolvem o dia do assalto, muito bem planejado. Mas como um todo, achei o filme chatíssimo. Longo, aborrecido, com alguns poucos momentos divertidos e /ou de suspense, o filme me ganhou no quesito elenco e elenco de apoio, composto por aqueles tipos totalmente desengonçados, típicos de um filme dos irmãos Coen. Nessa visão da America totalmente desesperançada e aonde os espertos ganham espaço, o filme homenageia os malandros. E se forem charmosos como os potagonistas, melhor ainda. Tecnicamente perfeito, mas emocionalmente sem brilho. Vale como passatempo, mas meia boca.

sábado, 25 de novembro de 2017

Verão 1993

"Estiu 1993", de Carla Simón (2017) Vencedor de vários prêmios internacionais, entre eles no Festival de Berlin 2017 o prêmio de "Melhor primeiro filme", " Verão 1993" foi o filme escolhido pela Espanha para representá-la no Oscar de Filme estrangeiro em 2018. O filme é uma versão autobiográfica da Cineasta e roteirista Carla Simón, quando ela tinha 6 anos de idade e foi morar com os seus tios. Seus pais haviam morrido de Aids, que na época ainda era uma doença bastante prematura, e por isso ela sofreu muito preconceito. Laila, alter-ego de Carla, demora a se habituar a morar com seus tios. Ela morava em Barcelona, e agora precisa morar no campo, e mais, se adaptar a conviver com Anna, a filha pequena dos tios, por quem ela nutre ciúmes. A grande forca do filme é a performance arrebatadora das duas crianças. Laia Artigas, como Laila, e Paula Robles, como Anna, agem de forma extremamente naturalista, e atuam espontaneamente, como se a câmera estivesse escondida. Existem cenas que ficamos nos perguntando como que as meninas conseguiram decorar as falas e interpretá-las. Os adultos também são ótimos, mas o filme é das crianças. Carla Simón imprime um ritmo bastante lento para o filme, e o roteiro segue de forma totalmente fragmentada, como se fossem cenas aleatórias mostrando o dia a dia de Laila. Muitas cenas são totalmente documentais. O filme me lembrou bastante do clássico de Carlos Saura, "Cria Cuervos", Menos pela questão política e mais pela perversidade das crianças e o olhar extremamente aguçado sobre o mundo dos adultos. Confesso que fiquei frustrado com o desfecho, em aberto.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O Pai de Itália

"Il padre d'Italia", de Fabio Mollo (2017) Co-escrito e Dirigido por Fabio Mollo, "O Pai de Itália" ganhou vários Prêmios internacionais. Sensível e contundente, esse drama romanceado narra a história de Paolo (em bela interpretação de Luca Marinelli), um jovem homossexual que trabalha como vendedor de uma loja de departamentos. Triste pelo rompimento de seu namoro com seu namorado de 8 anos, que desejava ter um filho, Paolo vai para o dark room de uma boite gay. Lá, ele conhece Mia (Isabella Ragonese, excelente), uma jovem rebelde grávida que desmaia na sua frente. Imatira, Mia implora para que Paolo a leve até o pai de seu filho, em outra cidade. Paolo pede a van da empresa emprestada e segue estrada com a jovem. O que ele não poderia imaginar, é que ali será o inicio de um road movie e de uma viagem de auto-conhecimento. Com dois personagens protagonistas bastante carismáticos e apaixonantes, " O Pai de Itália" conquista o espectador. O filme tem momentos bastante poéticos e lúdicos, enaltecidos pela lindas locações em Turim, Nápoles, Roma. A fotografia de Daria D'Antonio, que dez 2a unidade em "A grande beleza", é lindíssima. Para quem curte um bom road movie e um filme de gênero, vai gostar bastante. Um bom resgate do melodrama italiano.

Lola Pater

"Lola Pater", de Nadir Moknèche (2017) Escrito e dirigido pelo Cineasta francês de descendência marroquina Nadir Moknèche, "Lola Pater" é um lindo veículo para o talento da Diva francesa Fanny Ardant. Ela interpreta Lola, ou Farid. Farid foi casado com Malika, ambos argelinos. Mas Farid foi embora após o nascimento de Zino, pois sempre soube que quiz ser mulher. Décadas depois, após a morte de Malika, Zino resolve procurar seu pai por conta da herança, mas se surpreende ao descobrir que agora seu pai é uma mulher. Impossível não pensar em Almodovar, mas um Almodovar apenas na temática, sem os excessos dele. Com um elenco maravilhoso liderado por Ardant, totalmente crível fazendo a transsexual, temos também Tewfik Jallab, no papel de Zino. Belo Ator, ele confere ao seu personagem todas as nuances complexas: frustração, dor, tristeza, humilhação, alegria. Bem dirigido, econômico, sem apelar para lágrimas, o filme emociona e conquista justamente pela sua simplicidade. Bela fotografia.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Mala Mala

"Mala Mala", de Antonio Santini e Dan Sickles (2014) Premiadíssimo documentário que faz um retrato da Comunidade das transsexuais e drag queens em Porto Rico. Através do depoimento de 9 entrevistadas, acompanhamos a luta diária de Drags e transsexuais para serem reconhecidas como cidadãs, inclusive fazendo aprovar uma Lei inédita que proíbe discriminação para seleção em empregos por conta de critérios associados a identidade de gênero. Divertido e emocionante, as entrevistas são feitas em palcos de night clubs, de inferninhos, na zona de prostituição e em lugares turísticos da cidade. Uma das drag queens, "April", foi selecionada para participar do programa "Rupaul's drag race" e virou celebridade no País. Os depoimentos são muito crus e obviamente, falam sobre bullying, aplicação de hormônios, a dúvida de fazer operação de mudança de sexo, e a briga interna entre os próprios grupos que possuem preconceito entre eles mesmos ( uma Transsexual acusa as que se prostituem de denegrirem a imagem delas). Os números musicais são deliciosos, registrados com muita sensibilidade pela dupla de diretores. Fotografia e trilha sonora ajudam a dar uma atmosfera "Glitter" , e mesmo em momentos melancólicos, existe uma aura de força e empoderamento presentes no ar. O Desfecho é emocionante, começando pela Marcha gay em 2013, e revelando o destino de cada uma das entrevistadas. Um filme que merece ser exibido e discutido pela platéia.

Ninguém está olhando

"Nadie nos mira", de Julia Solomonoff (2017) Premiado em vários Festivais, entre eles o Cine Ceará, de onde saiu com Melhor Filme, Melhor Ator, Edição e crítica, e em Tribeca com o prêmio de Melhor Ator, "Ninguém está olhando" celebra a profissão do Ator. O olhar da co-roteirista e Diretora Julia Solomonoff poderia em principio, ser confundido com um ponto de vista extremamente cruel sobre essa profissão. O protagonista, o Ator argentino Nicola (Guillermo Pfening, soberbo), abdica de uma carreira em ascensão na Argentina com uma novela de sucesso, para tentar a carreira em Nova York, protagonizando um filme independente de um jovem Cineasta mexicano. Ficamos sabendo que na verdade, Nicola era amante do Diretor da novela, Martin, casado e com filha, e resolveu sair daquele ambiente pois se sentia sufocado. No entanto, a sua vida em Nova York vai de mal a pior: os produtores querem um ator famoso; nos testes que vai fazer para papel de latino o consideram europeu demais, por seu loiro e seu visto está para vencer. Sem dinheiro, Nicola faz bicos de garçon, de babá, chegando até mesmo a roubar em mercados. Nesse verdadeiro mundo cão da instabilidade profissional e financeira, Nicola vai esgotando as suas possibilidades. E' um filme que deve ser visto por todos os atores, pois provavelmente, alguma das situações retratadas já foram vividas. Assédio, frustração, testes de elenco claustrofóbicos, humilhação, busca por um perfil. Um filme doloroso, que fala sobre sonhos frustrados, mas que acende uma luz no fim do túnel para quem não larga mão da profissão.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

O porteiro do dia

"O porteiro do dia", de Fábio Leal (2017) Premiado curta gay pernambucano, repleto de safadeza e malícia. Os atores Edilson Silva e Carlos Eduardo Ferraz passam mais da metade do filme pelados e trepando, entregando ao filme 2 interpretações viscerais e bastante despojadas. Marcelo é um jovem técnico de som de cinema, e mora em um condomínio. Gay assumido, ele flerta com o porteiro Márcio. De tanto seduzir, ele acaba conquistando Márcio, que segue com ele em seguidas cenas de sexo quente. O mais interessante do filme, escrito e dirigido por Fabio Leal, é mostrar que mesmo dentro do gueto gay, existe um forte preconceito racial e social. O filme é longo para um curta, 25 minutos, mas tem belas cenas, como a final, na praia ao entardecer. Fora isso, na trilha sonora eclética, Fabio resgatou a cult de Marina Lima, "Pé na tábua", e o hino pop do Daft Punk, "Giorgio by Moroder". O Ator Carlos Eduardo Ferraz tem uma divertida cena na cozinha, de cuecas, dançando e cantando um hit de Beyoncé. Definitivamente, um filme contra a caretice.

O outro lado

"Al otro lado", de Rodrigo Alvarez Flores (2017) Premiado curta mexicano, escrito e dirigido por Rodrigo Alvarez Flores. O filme narra a história de amor entre 2 jovens gays, Claudio e Felipe. Um dia, o pai de Claudio flagra os 2 na cama e a=manda o filho para os Estados Unidos. Felipe, desesperado, atravessa a fronteira, em busca de seu amado. Com enxutos 15 minutos, o filme apresenta uma história de amor trágica, calcada nos sentimentos verdadeiros entre 2 jovens, impossibilitados de assumir o seu caso pela homofobia de seus pais. Bem dirigido, com bela fotografia e edição, o filme emociona e surpreende pelo seu belo desfecho. Pode-se dizer que é um filme mais de edição do que de roteiro, pois a história é bem simples, e no caso, é a edição que traz a surpresa na narrativa.

Mudbound: Lágrimas sobre o Mississipi

"Mudbound", de Dee Rees (2017) Epico baseado em um livro de Hillary Jordan, "Mudbound" foi produzido pela Netflix e exibido com muito sucesso no Festival de Sundance 2017. Dirigido por uma jovem Mulher negra, e com fotografia também de uma mulher, Rachel Morrison , de "Fruitvalley Station", o filme parece uma mistura de " O primeiro ano do resto de nossas vidas" com "Mississipi em chamas". Do primeiro filme, ele pega o tema de soldados que lutaram na 2a Guerra Mundial e que voltaram repletos de traumas e tragédias pessoais. Do filme de Alan Parker, ele pega o tema do racismo no Sul dos Estados Unidos, e a influencia da Klu Klux Klan na vida dos negros que moravam na região. Com quase 140 minutos de duração, o filme faz um raio X de 2 famílias em Mississipi: os brancos da família MacAllan, e os negros da familia Jackson. Ambientado entre os anos 30 e 40, o roteiro espertamente dá voz a todos os Personagens, cobrindo vários Pontos de vista: do homem negro, da mulher negra, da mulher branca, do Homem branco racista, do homem branco favorável `a causa negra. Dee Rees evitou polemicas, e assim, todos encontram o sue lugar no filme, deixando claro o ponto de vista do movimento feminista e da luta pelos direitos sociais. O filme tem excelente interpretação de todo o elenco: Carey Mulighan, Garret Hedlund, Jason Clarke, a cantora Mary J. Blidge, estreando com muita força no papel da matriarca da família Jackson, Rob Morgan ( incrivel como o patriarca Jackson) , Jason Mitchell como o carismático Ronsel e por ultimo, Konathan Banks, assustador como o vilanesco Pappy, lider da familia MacAllan e da Klu Klux Klan. Belíssima fotografia, ótima reconstituição de época, mão firme na direção de Dee Ress, fazem desse filme um projeto obrigatório.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Assassinato no Expresso Oriente

"Murder on the orient express", de Kenneth Branagh (2017) Adaptado da obra homônima de Agatha Christie, e levada `as telas em uma versão famosa de Sidney Lumet em 1974, essa nova versão do suspense protagonizado pelo Detetive belga Hercule Poirot veio coberto de uma saraivada de críticas negativas. No entanto, eu adorei o filme. O filme celebra aquele retorno a um tipo de Cinemão antigo, repleto de Estrelas de cinema, com muito Luxo, Glamour. Um bom roteiro e Atores de alto nível que farão com que você se sinta no palco de um grande Teatro, se deliciando com as falas ditas por eles, cada um com direito a um momento solo. Talvez o grande problema do filme seja que muita gente já viu o original e já sabe o seu desfecho. Eu mesmo fiquei me perguntando se Kenneth Branagh ousaria mudar o final, somente para surpreender quem esperasse o óbvio. Kenneth Branagh está ótimo como Poirot, O filme faz várias alusões `a religião, a começar pelo prólogo, no Muro das Lamentações, e o desfecho, uma referencia `a Santa Ceia. Judi Dench, Penelope Cruz, Willen Dafoe, Jonnhy Depp, Michelle Pfeiffer dão vida a personagens repletos de mistério. E' verdade que cada um deles tem pouco tempo na tela, mas também seria impossível te-los o tempo todo, afinal, o filme é de Poirot. Alguns pontos negativos: O ritmo lento de algumas cenas, e principalmente, o CGI, falso demais. No mais, é se deliciar com o filme, e para quem nunca viu, preste atenção em cada detalhe.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Maudie- Sua vida e sua Arte

"Maudie", de Aisling Walsh (2016) Delicada biografia da artista plástica Maude Lewis, considerada uma das Artistas populares mais famosas do Canadá. Nascida em 1903, Maud teve artrite reumatóide na sua juventude, o que a impossibilitou de fazer vários movimentos e a ser considerada uma aleijada pela família. Criada pela Tia Ida e pelo seu irmão Charles, ela engravidou durante uma farra em uma boite local. Sua Tia disse que a bebe nasceu deformada e morreu. Maud conhece Everett Lewis, um pescador rude que está `a procura de uma empregada. ele mora em uma pequena casa afastada, e Maud se disponibiliza para exercer a profissão. Em principio Everett renega a presença daquela mulher em sua casa, mas na falta de opções, a contrata. Aos poucos, ele vai permitindo que ela tome conta de sua casa. Maud tem um dom: a pintura. Ela vai ficando famosa, e Everett ganha dinheiro com isso. A fama de sua pintura simples ganha proporções avassaladoras, até chegar no Presidente americano Nixon. Realizado com sentimentalismo, ( o que pode irritar espectadores que não gostam de uma narrativa novelesca), o filme foi dirigido e escrito por mulheres, e tem esse ponto de vista sobre a condição feminina perante uma sociedade machista. Com belíssimas locações e uma fotografia deslumbrante, alternando as estações do ano, o filme conta com performances avassaladoras de Sally Hawkins e de Ethan Hawke. Sally aprendeu a pintar para viver a personagem, e o seu trabalho corporal impressiona e comove. Ethan vive um tipo meio Clint Eastwood, bronco, e faz esse papel muito bem. O filme ganhou vários Prêmios em festivais Internacionais.

Historias de amor que não pertecem a esse mundo

"Amori che non sanno stare al mondo", de Francesca Comencini (2017) Adaptado de um livro escrito pela própria Cineasta, que está em alta na Itália por seu uma das Diretoras da série de tv de grande sucesso "Gomorra". O filme é um drama romântico, com algumas pitadas de humor e situações bastante ousadas. Com uma excelente interpretação de Lucia Mascino, no papel de Claudia, e de Thomas Trabacchi, no papel de Flavio, o filme fala sobre o amor na meia idade. Claudia e Flavio são professores em uma Universidade em Roma. Após se conhecerem em uma palestra acalorada com estudantes, Claudia se diz apaixonada por Flavio, que aceita o namoro. Em principio felizes, a relação vai se deteriorando, com a neurose e histeria de Claudia, que quer que Flavio se dedique mais ao casal e também deseja um filho, e pelo fato de Flavio se sentir sufocado com tanto amor. O filme se passa em 2 tempos: o passado, retratando esse amor, e o presente, com a tentativa de Claudia namorar uma aluna lésbica, para esquecer de Flavio, e de Flavio namorar uma aluna, para se sentir mais jovem. O filme é repleto de clichês do gênero, mas é tudo feito com muita sutileza, boa direção e mão firme pela diretora. A bela fotografia e as locações exuberantes ajudam a dar um clima romântico e melancólico ao filme, que no final das contas, fala sobre viver novas possibilidades, quando a vida mesmo parece estar entrando no fim. Para quem ama filmes como "Shirley Valentine", uma boa pedida. O filme foi exibido no prestigiado Festival de Locarno.

Vazante

"Vazante", de Daniela Thomas )2017= Premiado no Festival de Brasilia 2017 com os prêmios de Melhor direção de arte e melhor atriz coadjuvante, para Jai Baptista, no papel da escrava Feliciana, " Vazante" também foi exibido no Festival de Berlim. O filme teria passado incólume pelo circuito como um drama que retrata a relação entre Fazendeiro português, negociante de escravos e gado, e o seu casamento com sua sobrinha de 12 anos. Talvez desse mídia por ser o primeiro filme solo de Daniela Thomas. Ou talvez por ser um filme que mostra a sociedade machista opressora já em 1821, e que se mantém igual nos dias de hoje. Nem o excelente trabalho do elenco, mescla de atores brasileiros e portugueses, foi o suficiente para encher os olhos da platéia. O que realmente chamou a atenção de todos, foi o gigantesco bafafá que se formou em relação ao filme, após sua tumultuada exibição no Festival de Brasilia. Um grupo de manifestantes do movimento negro, formado por atores, diretores e críticos de cinema, ficou revoltada com o tratamento que os negros apresentam no filme. Acusaram Daniela, roteirista do filme, de manter o olhar passivo e subjetivo dos personagens negros, que não encontram protagonismo na história nem relevância. Para piorar, o personagem de Fabricio Boliveira, um escravo alforrriado, massacra a comunidade negra, chicoteando e ameaçando de morte. Esse personagem é quase uma cópia do de Samuel L Jackson em "Django", de Tarantino. Após 2 horas de exibição (ritmo extremamente lento), o que ficou realmente para mim, foi a belíssima fotografia de Inti Briones, em preto e branco acachapante, e o rosto do ator português Adriano Carvalho, o seu olhar é avassalador e hipnótico, parece que seus olhos vão saltar das telas. Do roteiro, fiquei frustrado com o desfecho, um lugar comum para quem quer acreditar no amor entre os diferentes.

domingo, 19 de novembro de 2017

E se os gatos desaparecessem da Terra?

"Sekai kara neko ga kietanara ", de Akira Nagai (2016) Adaptação do romance homônimo escrito por Genki Kawamura, " E se os gatos desaparecessem da Terra?" é uma espécie de "A felicidade não se compra", de Frank Capra, versão japonesa. Na tradição do cinema sentimental japonês, que nos trouxe o premiado " A partida", Oscar de filme estrangeiro em 2008, o filme de Akira Nagai fará chorar a platéia que com certeza irá se emocionar com a triste trajetória do jovem carteiro interpretado por um ótimo Takeru Satoh. O Carteiro não tem nome: ele mora sozinho com seu gato. Um dia, ao fazer as entregas postais, ele passa mal. Ao fazer uma consulta médica, descobre ter um estagio avançado de tumor cerebral, que lhe dará poucos dias de vida. Ao chegar em casa, ele é recebido pelo seu duplo, uma espécie de demônio que diz que poderá lhe dar mais dias de vida, contanto que vá se desfazendo de coisas aparentemente supérfluas: celular, filmes, gatos. A medida que ele se desfaz das coisas, vamos descobrindo um pouco mais sobre sua vida: a convivência com a mãe portadora de doença terminal, o seu pai que se fechou em luto, uma ex-namorada traumatizada com uma morte, um amigo cinéfilo tímido. O filme tem um tratamento de filme de fantasia, quase um filme da Disney, mas a sua tristeza impede que ganhe uma refilmagem americana. A cultura japonesa tem uma relação muito diferente sobre o tema da Morte, e aqui ela é tratada de forma bastante piegas, mas mesmo assim, bela. O filme é proibido para pessoas que se irritam com trilha sonora sentimental e cenas que forcam o choro. De brinde, belos planos de gatinhos muito fofos.

sábado, 18 de novembro de 2017

No intenso agora

"No intenso agora", de Joao Moreira Salles (2017) Documentário que faz uma análise sobre o Movimento estudantil e dos trabalhadores por direitos de igualdade social e política nos anos 60 pelo Mundo, mais precisamente no ano de 1968, em Paris, Tchekoslovaquia, Brasil, fazendo uso dos mártires de cada um desses movimentos. Joao Moreira Salles se apropria de imagens amadoras que sua mãe fez quando visitou a China da Revolução cultural de 1966 e faz uma analogia entre o Universo Burguês e o Universo da classe operária e assalariada. Impossível também não identificar um olhar sobre o atual estado sócio-politico-economico no Brasil de hoje em dia, com o Brasil dos anos 60, ou seja, praticamente tudo continua igual. Joao faz toda uma tese sobre todos esses temas propostos, mas aonde eu mais me identifiquei, foi quando ele faz uma critica ao uso da mídia para conseguir os seus intentos. Dois exemplos esmagadores: O líder do movimento estudantil em Paris, Daniel Cohn-Bendit, que usa um poderoso discurso quando fala para um canal de televisão, e que no final das contas, acabou virando vitima de seu próprio personagem: fugiu para a Alemanha bancado por uma Revista burguesa, e depois vendeu a sua historia por dinheiro para a publicação de um livro biográfico. Depois, Quando fala que o Presidente francês Charles de Gaulle venceu a Revolução de maio de 68, quando resolveu não aparecer na tv ( por conta de sua imagem de idos contrastando com os jovens estudantis rebeldes) e gravou um discurso poderoso para a rádio. A sua voz imponente conquistou a nação e ele venceu a luta sem derramamento de sangue. Joao também diz que o movimento estudantil em Paris foi um movimento machista de homens brancos, aonde negros e mulheres fizeram figuração, ao contrario dos americanos. Por conta da alta qualidade das imagens de arquivo mostradas, é um filme obrigatório, mas que tem uma longa duração, e que teria sido melhor apresentada como seriado de televisão dividido em 2 ou 3 capítulos.

Ratos de praia

"Beach rats", de Eliza Hittman (2017) Vencedor de vários prêmios internacionais, entre eles o de Melhor Direção em Sundance 2017, "Ratos de praia" foi escrito e dirigido por Eliza Hittman, Ambientado na Região de Conney Island, em Nova York, o filme apresenta Frankie, um típico adolescente que faz parte de uma gangue de delinquentes que bebem, roubam e paqueram garotas em Conney Island. Frankie mora com sua mãe e sua irmã: seu pai está com câncer terminal. Frankie leva uma via dupla: com os amigos, ele se faz passa por hetero, namorando Simone, uma vendedora de loja que ele destrata. De noite, ele fica online caçando gays mais velhos para transar. Essa vida dupla o levará a um destino trágico. Ótimo drama independente, interpretado com muito vigor por Harris Dickinson, no papel de Frankie, e por Madeleine Weistein, no papel de Simone. Com excelente fotografia, trilha sonora, direção, é um filme que impacta pela sua crueza e visceralidade. Uma historia comum que acontece em qualquer lugar do mundo, sobre jovens em conflito sexual sobre a sua verdadeira identidade e que se transformam em psicopatas. Vale assistir.

Newness

"Newness", de Drake Doremus (2017) Você sabe o que significa "Geração Millenial"? Sao pessoas quase na faixa dos 30 anos, que nasceram no boom da tecnologia do final dos anos 90. Conectados `a Internet desde crianças, não conseguem viver sem estar com o aparelho do celular na mão, fazendo uso de algum aplicativo. Assim são os personagens de "Newness", exibido em Sundance 2017: ricos, bonitos, jovens, bem-sucedidos, sexualmente ativos e em busca de sexo livre e sem compromissos. Fazem uso de aplicativos de pegação para um "one night stand". O Farmacêutico Martin (Nicholas Hoult) e a fisioterapeuta Gabi (Laia Costa, espanhola, protagonista do cult alemão "Victoria") se conhecem em um desses aplicativos. Após uma noite juntos, eles resolvem se ver de novo. E de novo..até criarem um relacionamento estável. Porém, eles não estão acostumados com fidelidade e em dividir assuntos pessoais, e entram em crise. Confesso que no início achei o filme interessante, mas depois foi ficando maçante. Os personagens são chatíssimos, repletos de pequenos dramas burgueses, nada que uma boa terapia não pudesse resolver ou algum tarja preta. Mas não, preferem ficar gritando, jogando coisas chatas na frente do outro, um papo irritante que vai e que volta..ou seja, um filme que quer fazer acreditar que o Amor é possível em uma época onde o egoísmo e o individualismo imperam..mas os roteiristas deveriam ter deixado os personagens mais simpáticos..,do jeito que está, fica difícil aguentar aquela pessoa por meia hora do seu lado. Até mesmo Woody Allen trabalha melhor os seus tipos neuróticos urbanos. Tudo no filme é estilizado: as cenas de sexo, a fotografia, de um pudor que não combina com o tema do relacionamento aberto e repleto de sacanagem que os personagens estão acostumados. Faltou pimenta,

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O dia depois

"Geu-hu", de Hong San Soo (2017) Impressionante a voracidade com que o Cineasta sul coreano Hong San Soo filme seus longas. Somente em 2017, ele lançou 3 Filmes, todos disputando importantes Festivais Internacionais: " `A noite na praia sozinha", que levou melhor Atriz em Berlin, " A câmera de Claire", com Isabelle Huppert, e esse "O dia depois", que disputou Cannes. Sao muito poucos os Cineastas com tanto prestigio nesses Festivais mundiais, que tem seus filmes disputados a tapas. O mais incrível mesmo, para quem conhece a filmografia do Cineasta, é que todos os seus filmes parecem ser exatamente o mesmo. A estética, o roteiro, a forma de decupar, são sempre as mesmas. Planos Longos, nada de closes, diálogos banais sendo discutidos em restaurantes, no meio de muita comida e bebida. Quase todos os seus filmes giram em torno do tema da infidelidade. Quando lançou " A noite na praia sozinha", todos os olhares se voltaram para sua atriz fetiche, Kim Min Hee, que todos descobriram ser amante de Hong San Soo. A esposa dele fez escândalo, mas de nada adiantou: ele se juntou a Kim, e desde então, ela tem trabalhado em todos os seus filmes. Os últimos filmes são essa expiação sobre a traição. Song é um editor de livros de meia idade, dono de uma livraria. Casado, ele trai sua esposa com sua ex-secretária, que não trabalha mais lá. Ao contratar uma nova funcionária, Areum (Kim Min Hee), sua esposa a confunde com a amante e a destrata. O filme é esse compendio de maus-entendidos, onde dramas pessoas afloram com muita melancolia. Song acaba se tornando um homem mau caráter, pois em momento algum ele desmente `a esposa de que Areum não é a amante. mesmo quando ele diz no inicio, sua esposa não acredita, e ele deixa ela dessa dúvida. Não é dos filmes que mais gosto de Hong San Soo ( o que mais gostei recentemente foi "Certo agora, errado antes', pela brincadeira de linguagem. Mas sempre é bom ver seu elenco trabalhando de forma naturalista e minimalista.

Liga da Justiça

"Justice League", de Zack Snyder (2017) Pipoca da melhor qualidade, me diverti bastante durante 2 horas assistindo a esse primeiro encontro dos super heróis da Liga da Justiça. O elenco foi escolhido a dedo, todos incríveis em seus papéis. Gal Gadot liderando esse time masculino com muita garra, sua Mulher Maravilha é Poder do início ao fim. Ben Affleck e Henry Cavill emprestando canastrice deliciosa ao Batman e Super man, Jason Mamoa arrebentando como Aquaman, Ray Fisher mandando ver como Cyborg e por fim, um Ezra Miller arrepiando e se divertindo muito com seu The Flash. Ele é o contraponto ao Spider man de Tom Holland em "Os Vingadores", emprestando juventude e alegria ao filme. O roteiro é aquele mesmo de sempre, povo salvando o mundo dos malvados, no caso, o Lobo do estepe e seu esquadrão de morcegos que se alimentam do medo. Time vencedor, com um elenco de apoio mega de luxo: Amy Adams, J K Simmons, Diane Lane e Jeremy Irons. Após o filme tem duas cenas finais heim!

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Aqui não Aconteceu Nada

"Aqui no ha pasado nada", de Alejandro Fernández Almendras (2016) O cineasta chileno Alejandro Fernández Almendras, que realizou o excelente drama "Matar um homem" em 2014, agora lança outro filme sobre a violência inerte dentro de uma pessoa comum. Baseado em história real, mais precisamente envolvendo um acidente com o filho de um influente Senador chileno, da Família Larrain, o filme fala sobre impunidade, corrupção e mentiras envolvendo o Poder. Vicente é um jovem de família rica. Ele retorna de Los Angeles para voltar a morar no Chile com seus pais. Uma noite, durante uma festa na praia, ele conhece duas garotas. Elas o apresentam a Manuel Larrain, filho de um Senador. Todos bebem muito. Vicente dirige o carro, e logo depois Manuel assume a direção. Vicente é deixado em casa. Horas depois, os jovens o procuram e dizem ter acontecido um acidente: Manuel atropelou um homem e o matou, mas botam a culpa em Vicente, dizendo que ele quem estava dirigindo o carro. Vicente não consegue provar a sua inocência. Com uma boa direção dos jovens atores, o filme não surpreende tanto quanto ao filme anterior do cineasta, inclusive tem um ritmo arrastado e a conclusão do filme é bastante irritante. A trilha sonora repleta de raps só favorece o clichê sobre a juventude alienada, regada a sexo sem proteção, bebedeiras sem fim e drogas pesadas. Surpreendentemente, o filme ganhou o Premio Fipresci da critica no Festival de Cartagena. Ponto positivo é a bela fotografia de Inti Briones, fotografo peruano que já fotografou alguns filmes brasileiros, como "Vazante", "Pequeno segredo" e " Jia Zhengke, o homem de Fenyang".

10 centavos para o número da Besta

"10 centavos para o número da Besta", de Guillermo Planel (2017) Documentário Co-produzido pelo Canal Brasil, contando a sensacional trajetória do Ator gaúcho Paulo Cesar Pereio. Narrado pelo próprio em suas andanças por Sao Paulo, no bairro de Bela Vista, onde mora, ou dentro de seu apartamento, Pereio narra histórias de bastidores de boa parte dos 121 filmes em que trabalhou. Algumas cabeludas ( como a do Motel com Sonia Braga no dia em que faltou luz), ou divertidas, quando entrou no lugar de Joel Barcelos em um filme, pois o mesmo cobrou uma grana e Pereio diz " Tomara que me chamem para todos os filmes que o Joel não topar fazer". Tem também um depoimento lindo, quando ele comenta com um Ator : "Acenda a sua luz". E o Ator " Mas a Luz do set está apagada!". Pereio: " A sua Luz interna!!". O filme vale cada depoimento, cada frase. Imperdível, uma historia do cinema brasileiro, através de um dos maiores representantes, que já trabalhou com quase todos os grandes Cineastas brasileiros. Como ele mesmo diz : " O melhor Cinema Brasileiro é feito aqui no Brasil!". Pereio é uma figura impar, um dos raros artistas com discurso contra as caretices culturais.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O jantar

"The dinner", de Oren Moverman (2017) Exibido no Festival de Berlin em 2016, "O jantar" é baseado em um livro de autoria de Herman Koch. O filme é bem polemico e apresenta 4 personagens adultos e 2 adolescentes moralmente ambíguos, cruéis, corruptos, reflexo dos novos tempos. Ao fim da sessão, fica uma sensação terrível de impotência e de querer fazer desaparecer aquele mundo ali ao qual eles pertencem. Ricos, bem criados, mas totalmente anti-éticos e imorais. O tema do filme me lembrou bastante o drama romeno "Instinto maternal", que ganhou o Urso de Ouro em Berlin 2014. O filme conta a historia de uma mãe rica que descobre que seu filho matou acidentalmente uma criança de 14 anos e faz de tudo para acobertar o crime. Em "O jantar", o mote é o mesmo. Depois de um prólogo apresentando 2 adolescentes ateando fogo em uma sem teto, matando-a com requintes de crueldade, o filme corta para um jantar em um restaurante chique. Ali, somos apresentados a 2 casais: Paul (Steve Coogan) e Katelyn (Rebecca Hall), e Stan (Richard Gere) e Claire (Laura Linney). Paul é professor de historia, Stan está em plena campanha para Governador. O motivo do jantar: eles são os pais dos adolescentes criminosos, e arquitetam um plano para acobertar os crimes. O filme discute ética, racismo, misoginia, mansplanning, luta de classes e tantos outros temas típicos do nosso dia a dia. O filme não esconde a sua narrativa teatral. 80% acontece durante o jantar, dividido em capítulos de uma carta de restaurante. As cenas que acontecem fora do restaurante, vários flashback que fazem o espectador entender melhor a relação conflituosa entre os irmãos e as esposas, achei dispensáveis e fazem o filme focar longo. Mas vale ser assistido e discutido, por conta do seu teor altamente explosivo, e pelo belo trabalho dos 4 atores principais.