quarta-feira, 31 de maio de 2017

Degradé

"Degradé", de Arab Nasser e Tarzan Nasser (2015) Longa de estréia dos irmãos gêmeos palestinos Arab Nasser e Tarzan Nasser, que também escreveram o roteiro. Exibido na Semana da Critica em Cannes 2015, o filme é uma metáfora sobre a situação política cruel localizada na Faixa de Gaza, região que divide Israel e Palestina. Nessa conturbada e violenta região, se localiza um salão de beleza. Ali, durante uma tarde, 13 mulheres se encontram para cortar seus cabelos e se maquiar. Elas não se conhecem, e cada uma tem uma característica diferente: tem uma gravida prestes a parir, tem uma fogosa cujo marido é violento, tem uma religiosa extremista, tem uma negra, tem uma imigrante russa, tem uma atriz histérica ( a excelente Hiam Abbass), tem uma mulher prestes a casar, tem a amante de um militar palestino, dono de um leão! Todas elas entram em crise quando de repente, o lado externo é bombardeado e elas discutem as suas diferenças. Obviamente, esse tipo de filme onde tudo acontece em um único espaço de confinamento costuma ser uma grande simbologia da situação sócio económica e politico de seu Pais de origem, e o filme é exatamente isso. As atrizes, todas ótimas dão conta do recado. No entanto, é um filme com um ritmo extremamente lento, arrastado, e com um viés bem teatral. Faltou uma maior interação dos cineastas com a linguagem do cinema. Com tantos talentos `a disposição, os diretores fizeram um filme correto, mas que poderia ter rendido um filme bem mais vibrante e contundente.

Mulher Maravilha

"Wonder woman", de Patty Jenkins (2017) Em 2003, a cineasta Patty Jenkins realizou um filme que mudou a carreira de Charlize Theron: "Monster, instinto assassino". Agora, ela realiza um mega blockbuster, considerado pelos críticos o melhor filme da Dc Comics desde a trilogia de "Batman", de Christopher Nolan. Esse filme, com longuíssimos 144 minutos, narra a origem de Diana (Gal Gadot), desde quando ela cresceu e foi treinada na Ilha das Amazonas, o seu encontro com o Tenente Steve Trevor (Chris Pine) e a posterior saída da Ilha, para seguir até Londres e lutar contra Ares, o Deus da Guerra, em plena 1a Guerra Mundial. Basicamente a história é essa. Claro, existem um número enorme de personagens coadjuvantes, interpretados por excelentes atores ingleses e americanos, como David Thewlis, Robin Wright, a espanhola Elena Anaya ( de "A pele que habito"), Ewen Bremner ( de "Transpotting), e a excelente Lucy Davis, no papel da divertida secretária Etta. De fato é um filme a que se assiste com prazer, com boas cenas de ação, melodrama, romance, humor e um desfecho emocionante. O problema é que a primeira parte do filme tem um ritmo bem lento e pouca cena de ação acontece. O que segura o interesse do filme é a presença magnética de Gal Gadot, no papel principal, e sua bela química com Chris Pine.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Um instante de amor

"Mal de pierres", de Nicole Garcia (2016) Baseado em livro best seller de Milena Argus, "Um instante de amor" é uma historia de amor ambientada na Franca dos anos 40 e 50. A bem da verdade, uma história de amor sofrida, sobre amores impostos e amores reveladores. Com um trio de atores impecáveis, Marion Cotillard, Louis Garrel e Alex Brendemühl (Ator espanhol que fez o papel de Mengele em "O médico alemão"), o filme concorreu em Cannes 2016, mas não levou nenhum prêmio. O filme narra a história de Gabrielle, um mulher solteira que mora com sua família em uma cidade no interior da França. Gabrielle deseja ardentemente um homem casado, mas impossibilitada de consumar seu desejo sexual, ela enlouquece. Sua mãe, desesperada, arranja um casamento de Gabrielle com um camponês espanhol pobre, José (Alex Brendemühl). Gabrielle não o ama, mas é obrigada a casar com ele. Um dia, ao passar mal dos rins, Gabrielle é levada até uma Instancia nos Alpes. Lá, ela conhece o tenente André (Garrel), por quem se apaixona. Gabrielle precisa se decidir o que fazer de sua vida. O filme tem uma levada bem académica. Chega a se tornar bastante enfadonho pelo seu ritmo lento e sua narrativa sem grande surpresas. No entanto, os últimos 20 minutos dão uma reviravolta na história, o que da uma dinamica mais interessante, algo digno de um Shayamalan, se o filme fosse suspense. Mas como não é ficou uma revelação digna de uma Janete Clair, Rainha das telenovelas brasileiras. A fotografia e a trilha sonora são dignas de um épico clássico, o que na verdade o filme procura ser desde a primeira cena. Para quem gosta de um romance a moda antiga, vai gostar bastante do filme.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Medicine for melancholy

"Medicine for melancholy", de Barry Jenkins (2008) Longa de estréia do Roteirista e Cineasta Barry Jenkins, que realizou "Moonlight", vencedor do Oscar de melhor filme em 2017. "Medicine for melancholy" é um filme de super baixo orçamento, que consiste na mesma premissa dos filmes de Richard Linklater, a trilogia "Antes do amanhecer": acompanhamos por 24 horas, um rapaz e uma garota jovens, que transaram e que passam o dia seguinte conversando e se descobrindo. Joanne tem namorado e acaba traindo ele com Micah. Ela mente o nome, o endereço, e ele insiste em querer vê-la. Nesse jogo e gato e rato, ainda descobrem tempo para discutir a questão do negro na sociedade americana, e no mercado "indie", que segundo Micah, é voltado apenas para a população branca. Wyatt Cenac e Tracy Heggins atuam de forma totalmente naturalista, assim como nos filmes de Linklater. Em uma linguagem quase documental, e com alguns maneirismos estilísticos, Jenkins faz um passeio pelas ruas e bares de San Francisco. E' um filme melancólico, e curioso que tenha sido feito em 2008, pois no inicio do ano de 2017 foi lançado nos cinemas o filme "Michelle e Obama", que da mesma forma, narra 1 dia na vida dos jovens Michelle e Barack Obama, antes de se casarem, discutindo os mesmos temas que em "Medicine for melancholy".

domingo, 28 de maio de 2017

Centro do meu mundo

"Die mitte der welt", de Jakob M. Erwa (2016) Adaptação cinematográfica do best seller alemão homônimo escrito por Andreas Steinhöfel. O filme conta a história de Phil, um jovem alemão que retorna de Paris, onde passou sua ferias. Ao voltar para casa, percebe que sua irmã gêmea, Dianne, de quem ele sempre foi muito próximo, está diferente. A mãe deles, Glass, é mãe solteira e eles nunca conheceram o pai. Glass passou a vida toda atrás de encontros amorosos, sempre frustrados. Ao voltar para as aulas, Phil conhece Nicholas, um rapaz por quem ele se apaixona. Ele só não poderia imaginar que Kat, sua melhor amiga, também esta dando em cima dele. O filme tenta a cada fotograma se aproximar do cinema de Xavier Dolan. Seja na temática, seja na estilização. Não que isso seja ruim, mas o grande problema do filme é querer contar várias histórias e ficar devendo na resolução de algumas delas. São muito sub-plots, e a trama principal, que é a história de amor entre Phil e Nicholas, fica meio de lado. Além disso, o filme é longo, e fica com um ritmo bem arrastado. A grande força do filme se reside no elenco: os atores que interpretam Phil, Nicholas, Dianne e principalmente Glass são ótimos. As cenas de sexo entre os rapazes é bastante comedida, mas o filme capricha na nudez de ambos. Para quem gosta de romances lgbts com toques de drama familiar, esse filme é uma boa pedida.

sábado, 27 de maio de 2017

O cidadão ilustre

"Il ciudadano ilustre", de Gastón Duprat e Mariano Cohn (2016) Comédia dramática dirigida pela dupla de realizadores argentinos do cult "O homem do lado". Co-produção da Espanha e Argentina, é protagonizado pelo astro Oscar Martinez, que interpreta Daniel Mantovani, um escritor argentino radicado na Espanha que acaba de ganhar o Nobel da literatura. Em seu discurso, ele diz que o Premio será o responsável pela sua derrocada literária, pois em sua opinião, receber um prêmio significa se acomodar ao sistema, o que significa empobrecimento artístico. 5 anos depois, Daniel rejeita varias conferencias, e está sem idéias para um novo livro. No meio de suas correspondências, ele recebe um convite do município de Salas, lugar onde nasceu e de lá saiu para nunca mais voltar. O convite é para que ele passe 1 semana , e entre vários eventos, receba o prêmio de Cidadão ilustre. Em principio arredio, Daniel acaba aceitando o convite, Chegando lá, ele irá passar por experiências que irão mudar sua vida para sempre. Alternando momentos de drama e situações de puro humor pastelão, "O cidadão ilustre" quer falar sobre memória, sobre a dicotomia cultural entre pessoas elitizadas e as ignorantes, e também sobre possibilidades. Daniel teve a sorte de sair de sua cidade natal e ser abraçado por um País com cultura totalmente diferente da sua. E os que ficaram em Salas e não conseguiram a mesma oportunidade? Com esse mote, o filme faz rir, faz emocionar e traz um ar de eterna melancolia sobre personagens frustrados, loosers que acabam ficando sem qualquer tipo de ambição na vida. Bem dirigido, com um humor que não tem medo de ser pastelão, e com um time de excelentes atores, "O cidadão ilustre" justifica todos os prêmios que ganhou mundo afora. A cena onde os populares apresentam um video feito em homenagem a Daniel que acaba de chegar na cidade, é antológica. E que ator é esse Oscar Martinez, nossa mãe! Um monstro!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Rocks in my pockets

"Rocks in my pockets", de Signe Baumane (2014) Longa de animação da Lituânia, foi indicado pelo Pais para concorrer a uma vaga no Oscar de filme estrangeiro em 2014. Escrito, dirigido, narrado e animado por Signe Baumane, é um filme para adultos que trata de um assunto muito atual: a depressão e o suicídio. A própria autora, Signe Baumane, já tentou se matar, por conta de uma crise de depressão. Fazendo um estudo da árvore genealógica, ele percebeu que boa parte das mulheres da família se mataram, mas ninguém soube o motivo. Signe narra o filme através da história de sua avo Anna, que se matou aos 50 anos de idade. Nascida na Lituânia, ela se casou cedo, mas seu marido, por ciúmes, se mudou com ela para a floresta, para que nenhum homem a visse. Isolada do convívio social, Anna acabou tendo 8 filhos. A família acompanhou as invasões Russa, alemã, o comunismo, e sofreu durante todo esse período. Todas as pessoas que sofriam depressão, eram tratadas com remédios pesados pelo governo comunista. O desenho tem traços surrealistas, lembrando um pouco "Submarino amarelo" . Com um ótimo roteiro, o filme tem uma narração enjoativa e monocórdica da própria Signe Baumane, o que torna a experiência de se assistir a esse filme de 90 minutos quase que uma tortura. Mas entendo que ela mesma se utilizou do filme para exorcizar os seus fantasmas, e talvez, sua narração faca sentido por essa razão. Mas confesso que me incomodou bastante. O desenho ganhou diversos prêmios em Festivais internacionais.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Piratas do Caribe: A vingança de Salazar

"Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales ", de Joachim Rønning e Espen Sandberg (2017) Toda vez que anunciam um novo filme da franquia de Jack Sparrow, eu prometo a mim mesmo que não vou assistir, pois a cada filme, ele só piora. Mas não tem jeito, cinéfilo do jeito que sou, acabo vendo. Esse aqui até chega a ser melhor que o desastroso filme anterior, com Penelope Cruz. Mas também não quer dizer muito. O mais divertido, é a gente ler que Johnny Depp deu tilt durante as filmagens, atrasando todos os dias e chegando bêbado no set. O seu personagem está sempre bêbado no filme, e ai a gente pensa: ele está fazendo um papel de bêbado, ou ele está bêbado? Dessa vez Jack Sparrow ( Depp) precisa ajudar uma jovem astróloga, Camila, e um jovem aventureiro que quer salvar o seu pai de uma maldição, Henry. a encontrarem o tridente de Poseidon e poder livrar o mar do navio fantasma comandado pelo vingativo Capitão Salazar (Javier Barden, divertido). O elenco de apoio é excelente: todo o núcleo de marinheiros de Jonny Depp é composto por atores ingleses geniais, além da presença elegante e Geoffrey Rush, o Capitão Hector Barbossa. Os efeitos são ótimos, principalmente os cabelos esvoaçantes de Barden, que deve ter dado um puta trabalho de 3D. O final reserva surpresa com o aparecimento de 2 personagens queridos por quem acompanha a franquia. O mais curioso, é comparar o tema desse filme com o de "Guardiões das Galáxias 2": Hollywood resolveu se apegar ao tema da paternidade, e assim, comover seus personagens e o espectador, trazendo um ar mais humano ao filme. O desfecho é bem parecido em ambos os filmes. Torço para que a franquia termine por aqui, porque convenhamos, já deu o que tinha que dar. Fora uma ou outra piada ( a da guilhotina é a melhor). o publico parece ter se cansado. No cinema que eu fui, a plateia inteira assistiu apática.

Jonas

"Jonas", de Lô Politi (2015) Longa de estreia de Lô Politi, quando lançado em circuito foi bastante criticado pelo que os críticos chamavam de olhar televisivo e novelesco e pelo tema perigoso sobre a vítima que se apaixona pelo seu algoz. Assistindo agora, me deparei com um lindo filme, um drama romântico sobre um amor impossível, com leves toques de humor capitaneados por um excelente elenco de apoio. Sim, o filme tem uma narrativa estilizada e publicitária, mas isso não pode ser visto como um demérito. A fotografia de Alexandre Ermel e a bela trilha sonora de Zezinho Mutarelli ajudam a dar um tom melancólico a essa fábula urbana belamente conduzida por Lô Politi. Ambientada em Sao Paulo, durante o Carnaval, conta a história de Jonas (Jesuita Barbosa), filho da empregada que trabalha para uma família de classe media alta ( Chris Coutto e Roberto Birindelli), e cuja filha, Branca (Laura Neiva) , é objeto de desejo de Jonas. Jonas faz de tudo um pouco para ajudar no sustento de sua família: o pai é alcoólatra e seu irmão menor, Jander (Luam Marques, excelente), que o venera como herói. Jonas ajuda na quadra da escola de samba e também trabalha como avião para os traficantes do local. Achando que Branca o está seduzindo, Jonas acaba matando sem querer um traficante e sequestra Branca, escondendo-a dentro da alegoria de uma enorme baleia. Além da grande qualidade técnica ( o único porém é a cena do incêndio do final bem tosca) , o grande trunfo do filme, escrito por Lô Politi e colaboradores, entre eles, o talentoso Felipe Sholl Diretor de de "Fala comigo", é o eclético elenco, composto por atores consagrados e amadores. Além de Jesuita Barbosa, tem os ótimos Ariclenes Barroso, Roberto Birindelli e Ana Cecilia Costa. Tem também os jovens promissores Laura Neiva e Chay Suede, e os cantores Karol Konká e Criollo, surpreendendo em suas composições.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Fragmentos de amor

"Fragmentos de amor", de Fernando Vallejo (2016) Drama erótico co-produzido por Porto Rico e Colombia, um soft porn light tentando carona no sucesso da franquia "50 tons de cinza". Rodrigo é um jovem compositor que abandonou a carreira musical e decidiu viver como afinador de pianos. Na casa de um de seus clientes, ele conhece a esposa dele, Susana, que é escultora e professora de natação. Rodrigo logo se afeiçoa por ela, e acaba se tornando seu amante. Retraido e tímido, Rodrigo ´é "educado" por Susana, que lhe conta todos os dias, histórias sobre seus amantes. Ao mesmo tempo que as histórias lhe excitam e o fazem sentir vontade de fazer sexo com ela, Rodrigo fica extremamente enciumado, o que poderá acarretar em uma grande tragédia. Casto, sem grandes momentos de erotismo ao qual se propõe, o filme tem um ritmo bastante arrastado e cenas de sexo sem nenhum tesão. O destaque fica por conta d trabalho do casal de atores protagonistas. O filme não traz muitas novidades e parece aquelas produções da Band, "Cine privé". Fica a curiosidade de se ver uma produção latina baseada em contos eróticos.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Tamo junto

"Tamo junto", de Matheus Souza (2016) Deliciosa comédia romântica escrita e dirigida por Matheus Souza, conhecido por seus filmes que se utilizam de referencia pop, geek e muito Woody Allen na veia. Matheus interpreta Paulo Ricardo, um nerd hipocondríaco e virgem, amigo de Felipe (Leandro Soares), um jovem desempregado e sem teto. Felipe vai morar um tempo na casa de Paulo e ambos resolvem ir em busca de um amor para as suas vidas. Com um super elenco de comediantes fazendo participacao especial (Fabio Porchat, Antonio Tabet, Rafael Queiroga, Augusto Madeira, Fernanda Souza) e a presença encantadora de Sophie Charlotte e Alice Wegmann, "Tamo junto" faz rir com seu humor popular e ao mesmo tempo referencial. A trilha sonora, a cargo da banda Ganeshas, é muito gostosa. Varias cenas antológicas, e em especial, o grande talento de Leandro Soares e de Matheus Souza, que em alguns momentos parece excessivo, mas nao deixa de ser engraçado com a sua presença de espirito de Woody Allen em "Annie Hall".

segunda-feira, 22 de maio de 2017

The blackcoat’s Daughter

“February”, de Oz Perkins (2015) Excelente filme de terror independente Americano, com um roteiro surpreendente. Em um internato católico localizado em uma região isolada e gelada dos Estados Unidos, as jovens entram e férias. Os pais vem buscar as alunas, com exceção de 2: Katherine e Rose. O padre resolve deixá-las ficar por mais uns dias, sob os cuidados de duas freiras, até que os pais cheguem. Reza uma lenda que no local havia uma seita de adoradores do diabo. Paralelo, temos a história de uma jovem, Jane, que foge de um internato e consegue carona com um casal para seguir até o internato. Essas histórias irão se cruzar de forma avassaladora. O roteirista e diretor Oz Perkins realiza aqui um filme verdadeiramente tenso. Em sua primeira hora, o ritmo segue lento, apresentando os personagens e a atmosfera do local. E na terceira parte do filme, é que o terror invade as telas. Impossível negar que o filme não tenha influencia direta de “O iluminado” ( Prédio isolado, região gelada, longos e assustadores corredores, personagens que surtam). Fora isso, o trio de atrizes sustenta toda a tensão do filme, em atuações convincentes. A direção de Oz Perkins é competente, e o seu roteiro, traz um twist que pega o espectador desprevenido. Trilha sonora apavorante, e silêncios de rasgar a alma.

sábado, 20 de maio de 2017

Lake Bodom

“Bodom”, de Taneli Mustonen (2016) Surpreendente filme de terror Finlandês, baseado em uma história real. Com uma excelente atmosfera de terror que vai crescendo a partir do meio do filme, repleto de reviravoltas na história, dignos de um Shayamalan, “Lake Bodom” é um dos melhores filmes do gênero que assisti recentemente. Mesmo com alguns clichês, naturais para filmes de terror ( personagens estereotipados: o gostosão, a valente, a tímida, o nerd), o filme prende o espectador. A fotografia é totalmente climática, e ainda reserva uma bela cena de ação envolvendo um reboque e um carro, além de um dos mergulhos no lago mais assustadores que você já viu. O filme pode ser visto como uma homenagem aos clássicos “slashers” dos anos 80, como “Sexta feira 13” e “ O massacre da serra elétrica”. O filme é violento, cheio de sangue. Nos anos 60, 4 jovens foram acampar no Lago Bodom. Todos eles foram atacados por um assassino, sendo que 3 morreram e um sobreviveu. Até hoje, não se sabe o paradeiro do assassino, e inclusive o sobrevivente foi por um bom tempo visto como sendo o assassino. Nos dias de hoje, 4 amigos resolvem visitar o local do crime e reconstituir os fatos. Ao passarem a noite no local, descobrem que alguém os ronda. O maior mérito do filme foi evitar usar a linguagem do “found footage”, o que o tornaria muito similar `a “Bruxa de Blair”. Ao invés disso, o diretor simplesmente se utiliza dos recursos narrativos de um bom filme de terror tradicional e os incorpora no filme: personagens dúbios, floresta, noturna, lago, fogueira...e claro, na hora de correr, ninguém acha o carro. Para quem curte um terror, esse filme e mais do que recomendado. Não se deixem abalar pela nota baixa no Imdb. As duas atrizes são ótimas e rendem belos momentos.

El cinco

“El cinco de talleres”, de Adrián Biniez (2014) Dirigido e escrito pelo Cineasta argentino Adrián Biniez, mesmo realizador do excelente “Gigante”, “El cinco” narra a história real do capitão e cabeça de área do time de Talleres de Escalada, Patón Bonnassiolle (Esteban Lamothe) usando sempre o número 5, desde jovem. Agora, aos 35 anos, ele se vê em um grande obstáculo e dilema: ao ser punido por uma falta durante uma partida, e suspenso de outras, ele reflete sobre a vida e decide abandonar o futebol. Essa decisão repercutirá entre os fãs, os dirigentes do time, os jogadores e principalmente por sua esposa, Ale (Julieta Zylberberg – de “Relatos selvagens”, e esposa na vida real de Esteban Lamothe). Eu particularmente não gosto de futebol, e metade do filme se passa dentro desse ambiente. Mas é um filme honesto, com ótimas atuações da dupla principal, e as cenas do casal discutindo o futuro e a rotina do dia a dia, além das tentativas de Patón estudar e arrumar trabalho, são muito boas. Para os faz do esporte, é uma ótima oportunidade de se discutir a curta vida útil de um esportista, ainda mais quando ele, dedicando sua vida toda ao esporte, não alcança fama nem fortuna.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Amor.com

“Amor.com”, de Anita Barbosa (2017) Não importa como, quando, onde e porque, seja sempre você mesmo. Essa é a mensagem que pode ser tirada da deliciosa Comédia romântica dirigida por Anita Barbosa, estreando em longa-metragem, que recupera o espírito das produções adocicadas que faziam a alegria de toda a família e claro, os casais apaixonados. Com uma qualidade técnica impecável (fotografia, figurino, direção de arte, trilha sonora), o filme surpreende por falar com a mesma linguagem dos adolescentes, que facilmente se verão retratados com realidade na história: tem festa Cosplay, tem canais de Youtube, tem eventos repletos de influenciadores, tem games e claro, os haters e hackers de plantão. A linguagem da internet que pulula nas telas é bem moderna e ágil. A história narra o romance cheio de altos e baixos entre Katrina (Isis Valverde) e Fernando. Ela uma youtuber de moda e comportamento, que faz mega sucesso e cheia de seguidores. Ele, um youtuber de games, hacker e com uma quantidade de seguidores bem pífia. Quando eles se encontram, é amor `a primeira vista. Mas as diferenças logo se fazem sentir, e um dos 2 precisará ceder para que a historia continue. O filme aproveita para alfinetar a cultura das celebridades vazias, que nada tem a acrescentar, e dignifica os Nerds (geeks), que graças a Deus, não são ridicularizados aqui. Mérito do roteiro escrito a 6 mãos ( Leandro Matos, Bruno Garotti e Saulo Aride). Isis Valverde e Gil Coelho brilham nos papéis.O elenco de apoio é muito bom: Alessandra Richter, Joao Cortes, Cesar Cardadeiro, Carol Portes são destaques em um filme repleto de participações.

Antes que eu vá

"Before I fall", de Ry Russo-Young (2017) Escrito e dirigido por mulheres, "Antes que eu vá" é um filme que fala sobre amizade, perda de virgindade, bullying, suicídio, reconciliação. Parece a sinopse da série da Netflix, “13 reasons why”, mas ele vai além: o filme se utiliza da premissa do clássico “Feitiço do tempo”, de Harold Ramis. Todos os dias, a personagem Samantha Kingston ( a excelente Zoey Dutsch) acorda e repete as mesmas ações. Ela percebeu que, por algum motivo, ela faz parte de um ciclo de um dia que não se fecha, e todos os dias são iguais para os que a rodeiam. Incomodada no início, ela logo toma proveito da situação, até entender que nessa repetição, ela precisa resolver os seus problemas e assim, poder seguir adiante em sua vida. Sim, tudo isso existe em “Feitiço do tempo”. Mas ao invés da comédia, o filme aposta no drama fantasioso e no romance. Os pontos positivos são o ótimo elenco jovem, todos dando conta do recado, a fotografia meio sombria, quase que como um pesadelo e a trilha sonora pop. A direção é bem ágil, dinâmica, e provavelmente esse filme fará sucesso entre os adolescentes. O desfecho é inusitado, e acredito que muita gente ficará chateada.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

O ventre

"El vientre", de Daniel Rodriguez Risco (2014) O filme de suspense "O ventre" foi a terceira maior bilheteria de um filme nacional da historia do Pais, com mais de 200 mil espectadores. Pegando como mote o batido tema da mulher que deseja o bebe de outra, o filme diverte através das inúmeras referencias a tantos clássicos do gênero, como "A mão que balança o berço". Escrito e dirigido por Daniel Rodriguez Risco, narra a história de Mercedes, uma jovem órfã que trabalha em um matadouro. Um dia, uma senhora rica, Silvia, vai até o matadouro e resolve contratar Mercedes para que seja sua empregada, trabalhando em sua mansão. Feliz com o novo emprego, Mercedes acaba se envolvendo com Jaime, o jovem empregado da casa. Ela engravida, e logo depois, descobre que tudo foi armado por Silvia, em um diabólico plano para ficar com a criança. Com ótimas atuações de Mayella Lloclla, como Mercedes, e Vanessa Saba, uma maravilhosa vilã no estilo da governanta de "Rebecca", de Hitchcock, "O ventre" apenas quer divertir o espectador, mesmo que a trama seja das mais óbvias.

Norman: Confie em mim

"Norman: The Moderate Rise and Tragic Fall of a New York Fixer", de Joseph Cedar (2016) Tragicomédia dirigida e escrita pelo Cineasta israelense Joseph Cedar, o mesmo do excelente "Notas de rodapé". Aqui, ele cria uma complexa e elaborada trama sobre pessoas que querem se dar bem de alguma forma, nem que seja mentindo, na capitalista Nova York. Norman (Richard Gere), é um veterano e decadente profissional de estratégias políticas, cuja função é unir pessoas poderosas que não se conhecem para criar uma aliança e ele tirar partido disso. Norman trabalha sozinho, com o seu inseparável celular, e perambula pelas ruas. Um dia, ele cruza com Misha Eschel (Lior Ashkenazi), vice-primeiro ministro Israelense, e nesse encontro de interesses, ele lhe compra um par de sapatos caríssimos. 3 anos depois, Misha se torna primeiro ministro de Israel e um homem poderoso. O que ninguém esperava, é que os sapatos ganhos por Norman, seriam usados como crime contra o Governo, acusado de suborno. Com um excelente elenco que inclui Charlotte Gainsbourg, Michael Sheen e Steve Buscemi, "Norman" tem bela direção de elenco, mas confesso que o roteiro e a edição me deixaram totalmente confusos. Chegou uma hora que nao consegui mais acompanhar a narrativa, me perdendo quase que por completo da historia, justamente porque eu estava vendo tudo por um lado fantasioso. E' o tipo de filme que precisa ser visto mais de uma vez, mas isso vai levar tempo, pois o filme se tornou uma experiência cansativa devido a sua longa duração, de quase 2 horas, que parecia ter pelo menos meia hora a mais. O que faz valer a pena assistir ao filme, é o belo elenco em boas atuações.

Carne fresca

"Beefcake", de Thom Fitzgerald (1998) Divertido docudrama sobre os fotógrafos de nus masculinos nos Estados Unidos ultra conservadores dos anos 30 a 60. O filme foca atenção especial ao fotógrafo Bob Mizer, que criou a Revista AMG (Athletic Modeling guide). A revista, assim como a "Physique pictorial", foram criadas inicialmente para o publico que era fa de corpos de fisiculturistas, mas logo tornou-se alvo do publico gay, que consumia as revistas para ver os corpos desnudos. Era uma forma de driblar a censura da época. As revistas fizeram muito sucesso, assim como seus modelos, que em sua maioria, eram desempregados, atores frustrados e garotos de programa. Bob Mizer e sua mãe chegaram a criar alojamentos em sua casa, onde hospedavam os rapazes, e ali mesmo ele montou um estúdio fotográfico. No entanto, ele sofreu grave processo por parte dos garotos, que o acusaram de obrigar a fazer sexo com eles. Mizer faleceu em 1992, e se vangloriou de jamais ter realizado filmes de sexo explicito, o que foi desmentido logo depois. Com Direção de Thom Fitzgerald ( que dirigiu os bons dramas "Cloudburst", com Olympia Dukakis interpretando uma lésbica, e "Unidos pelo sangue" , o filme junta cenas ficcionadas com cenas reais de arquivo. Criativo, divertido e com uma bela direção de arte e fotografia vintage, "Carne fresca" é um filme ousado, repleto de imagens explicitas de nus masculinos. Curioso assistir a esse filme e pensar como a sociedade ficou careta. Bob Mizer foi um artista `a frente de sua época, que lutou contra a censura e a sociedade que o criticava por suas fotos. Um filme que vale ser visto pela sua originalidade e pelos curiosos depoimentos de modelos remanescentes da época, como o muso de Andy Warhol, Joe Dalessandro.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Sobre viagens e amores

“L'estate addosso”, de Gabriele Muccino (2016) O Cineasta italiano é um grande artesão do sentimentalismo. Seus filmes geralmente giram em torno de personagens as voltas com futuro incerto, conflitos de relacionamento, indecisão acerca da vida, medo de morte iminente. Foi assim em “Para sempre em nossas vidas”, “ O primeiro beijo” e depois na fase americana, com “ A procura da felicidade”, com Will Smith. Agora, com “Sobre viagens e amores”, Muccino abrilhanta ainda mais a sua filmografia, com esse verdadeiro “Coming of age” de 2 adolescentes, Marco e Maria, brilhantemente interpretados por Brando Pacitto e Matilda Anna Ingrid Lutz. Os 2, que mal se falam no colégio, aceitam o convite de um amigo para passar as férias nos Estados Unidos. Antes de seguirem para NY, eles passam 8 dias na casa de um casal gay amigos de Vulcano. E é essa convivência com esse casal gay que fará com que Marco e Maria descubram o significado do verdadeiro Amor, e também, a aceitação das diferenças. Os atores americanos Joseph Haro e Taylor Frey, nos papéis de Paul e Matt, são extremamente carismáticos e talentosos. Juntos, esses 4 atores foram uma grande e grata surpresa para mim, e que delicia é assistir a esse filme! Ele é um Ode `a amizade, ao amor, as diferenças, `a paixão, ao prazer de curtir os bons momentos com pessoas que fazem a diferença. Rodado em Roma, São Francisco, Cuba e Nova York, essa viagem a 4 cantos do mundo faz pensar como a vida é curta e como todos merecemos ser felizes. Linda fotografia, e trilha sonora sensacional! Saí melancólico do filme, de tão lindo que ele é. Impossível não me lembrar de “Houve uma vez um verão”, com certeza, uma grande influência para Muccino.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Uma família de dois

"Demain tout commence", de Hugo Gelin (2016) Refilmagem francesa do grande sucesso de bilheteria mexicano “Não se aceitam devoluções”, de Eugenio Derbez. Protagonizado pelo astro Omar Sy, de “Intocáveis”, “Uma família de dois” altera elementos importantes do original. O produtor de cinema Bernie nessa versão é gay, e a mãe de Gloria, que no original se revelava lésbica, aqui se mantem hetero. O filme ficou mais careta, porém mantém a dramaticidade que tornou esse filme um grande sucesso mundo afora. Sam (Omar Sy) é um paquerador incorrigível. Ele trabalha como piloto de lancha turística, e entre um e outro passeio, namora as turistas. Um dia, uma jovem inglesa, Kristin (Clémence Poésy), chega de surpresa e deixa um bebe para que Sam tome conta. Desesperado, ele tenta devolver a criança, mas Kristin já retornou para Londres. Sam resolve ir até Londres devolver a criança, mas cai na real que será uma missão impossível. No entanto, durante um evento, ele age de forma heroica, e Bernie (Antoine Bertrand, ótimo), um produtor de cinema, o contrata como duble de ação. Os anos se passam, Sam está famoso como duble, Gloria ( a adorável Gloria Colston) cresceu e tudo vai bem, até que Kristin retorna e deseja tomar a guarda de Gloria. Sam se desespera, pois aprendeu a amar a filha. O filme tem o grande mérito de mesclar comédia e drama, principalmente na terça parte final, quando toma de assalto o espectador em sua virada na história. As locações, tanto em Londres quanto em Nice e Paris são deslumbrantes. Omar Sy mostra a sua grande versatilidade fazendo um personagem divertido e muito humano.

Uma dama de óculos escuros com uma arma no carro

"La dame dans l'auto avec des lunettes et un fusil", de Joann Sfar (2015) O cineasta Joann Sfar dirigiu a cinebiografia de Serge Gainsbourg e também as animações "O profeta" e "O gato do rabino". Tendo como base o romance escrito por Sébastien Japrisot, que já foi adaptado para o cinemas nos anos 70, Joann Sfar une na mesma narrativa, homenagem aos Cinemas de Tarantino, Hitchcock e Brian de Palma. Femme fatale, o homem errado ( no caso, a mulher errada), cultura pop, dupla identidade, todos esses temas caros aos filmes dos cineastas citados, se misturam em um liquidificador de referencias que Joan Sfar realizou divinamente. Noir até o último fotograma, ele ainda brinca com as trilhas de Bernard Hermann, além de incluir sintetizadores típico dos anos 80. Como não se lembrar de “Psicose”, “ Duble de corpo” e “Vestida para matar” ? Nessa verdadeira salada, ele ainda escala uma jovem atriz escocesa, Freya Mavor, para interpretar Dany, uma secretaria francesa, sem grandes ambições na vida, a não ser, o de ver o mar. E é por causa dessa obsessão que ela se mete em uma grande enrascada. Dany vai fazer serviço de datilografia extra para seu patrão, por quem ela nutre um certo tesão. Mas ele é casado com sua amiga de adolescência, Anita. O casal precisa viajar para a Suiça e pedem para que Dany leve o potente carro Thumderbird de volta para a casa deles. Tentada, Dany acaba “pegando emprestado” o carro por um final de semana para poder viajar atá a praia. Ai que começa o seu pesadelo, pois ela é confundida com uma mulher misteriosa, e ainda encontra um cadáver no porta-malas. Muitos críticos torceram o nariz para o filme, considerando a trama mirabolante demais. Ora, boa parte dos filmes de Hitchcock também eram, e o espectador comprava a história. Não me incomodei com o desfecho explicativo. E ainda amei a estética que Joann Sfar imprimiu ao filme, repleto de estilização moderninha na edição. Para mim, uma das grandes surpresas do ano de 2017. Amei a trilha sonora, a fotografia. E o charme e encantamente dessa atriz, Freya Mavor, que me remeteu o tempo todo a Liv Ulmann na flor de sua juventude.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Kaili Blues

"Lu bian ye can", de Bi Gan (2015) Ao terminar de assistir a esse extraordinário filme independente chinês, fiquei duplamente surpreso. Primeiro, porque o Roteirista e Diretor Bi Gan tinha apenas 26 anos de idade quando realizou o filme. Segundo, pelo magistral plano-sequencia de mais de 40 minutos de duração, que envolve cena com moto, escadaria, barco, ponte e um sobe e desce de casas inacreditáveis. "Kaili Blues" é um drama melancólico, que lembra bastante a temática dos filmes de Jia Zheng Ke, por tratar de memória: passado, presente e futuro conectados. Com uma fotografia e câmera exemplares, o filme ainda tem um pezinho na literatura, através da leitura dos poemas declamados pelo seu protagonista. Chen é um ex-presidiário, preso por 9 anos para acobertar um crime de seu chefe. Solto, ele se tornou médico em sua cidade, Kaili, além de poeta. O irmão de Chen é viciado em jogos, e tem um filho pequeno, Weiwei, que Chen trata como se fosse seu filho. Irritado com a presença do filho, o irmão de Chen o vende. Esse, desesperado, vai até a cidade para onde o garoto foi, para tentar resgatá-lo. Com um roteiro repleto de cenas tristes e cruas, "Kaili Blues" deixa no espectador uma dor no coração. Os personagens são todos loosers, sofredores, abatidos pela letargia que a vida dura lhes proporcionou. Mas o que importa mesmo é o enorme plano-sequencia. Fico imaginando a grande dificuldade de realizar a sequencia, pois ela envolve uma geografia complexa, uma enorme quantidade de atores, figurantes e ações paralelas, alem do corte do cabelo do protagonista!!!!! Fico imaginando se alguém tivesse errado algo no meio do caminho, a grande confusão que seria. Por esse momento brilhante no filme, "Kaili Blues" ja merecia ser visto. O filme recebeu inúmeros prêmios internacionais, incluindo o prestigiado Locarno.

domingo, 14 de maio de 2017

Alien Covenant

"Alien Covenant", de Ridley Scott (2017) Ai, que tristeza terminar de assistir a esse filme e imediatamente, perguntar porque Ridley Scott não deixou o prequel da franquia "Alien" apenas com "Prometheus". Não achei o filme ruim como muita gente tem alardeado por aí, mas o que de fato me irritou profundamente, foi conceber os personagens da forma mais ridícula possível. Teoricamente bem treinados para missão de guerra, eles agem por impulso, fazem muita merda e tomam as decisões mais erradas e óbvias. Pior: sabe quando você anda em grupo, sabe que está sendo ameaçado, mas resolve se separar e cada um seguir isoladamente? e o que dizer de um casal que testemunhou a morte de vários colegas, e na cena seguinte, tomam um banho e transam? Bom, pelo menos existe o Michael Fassbender para segurar a onda, em um papel interessante, repetindo o David do filme anterior e tendo papel duplo com um outro androide, Walter. Metade do filme parece deja vu dos outros filmes da franquia. As cenas idênticas, mesma atmosfera. Sai do filme pelo menos sabendo a origem do Alien. Por isso, valeu a pena. E aguardemos a inevitável continuação.

sábado, 13 de maio de 2017

Colossal

"Colossal", de Nacho Vigalondo (2016) Escrito e dirigido pelo Cineasta espanhol Nacho Vigalondo, é impossível não ficar pensando em Spike Jonze ou Charlie Kauffman durante todo filme. Bizarro, estranho, surreal, essa comédia dramática de ficção cientifica , protagonizado por uma Anne Hathaway sensacional, pode deixar muitos espectadores furiosos, pois o trailer vende um tipo de filme que ele decididamente não é. O Monstro que aparece no trailer, é uma metáfora da condição psicológica e temperamental de Gloria, personagem de Hathaway, que perdeu o emprego e o casamento por causa de seu alcoolismo. Morando em Nova York, Gloria se desentende com seu namorado Tim, que a expulsa de casa. Ele retorna para a sua cidade natal, e lá, reencontra um amigo de infância, Oscar. Ele é dono de um bar local e ela vai trabalha como garçonete. ela descobre que um monstro gigante está atacando a cidade de Seul, na Coréia do Sul, e pior, descobre que ela está conectada `a aparição do monstro, e somente ela pode faze-lo sumir. O filme, atenção, não é um filme de ação, apesar das cenas de ataque do monstro. E' um filme independente, co-produção Espanha e Canadá, e se não fosse uma ou outra aparição do monstro, poderia ser perfeitamente a tragicomédia de uma bêbada que perde tudo e tenta se reconstruir. Com ótima direção de atores, Nacho Vigalondo merece atenção especial somente pelo fato de convencer os produtores a investir em um filme tão estranho. O ritmo é lento, mas vale assistir. Anne Hathaway tem cada vez mais se mostrado uma atriz polivalente e repleta de nuances ( vide " O casamento de Rachel" e "Os Miseráveis"). Por ela, esse filme vale super a pena ser visto.

Punhal

"Punhal", de Luiza Lubiana (2015) Longa do Espirito Santo, escrito e dirigido por Luiza Lubiana, é um raro exemplar de Cinema fantástico brasileiro. A sua trama se assemelha bastante ao filme concorrente ao Oscar estrangeiro de 2017, "Tanna", da Austrália. Em uma região remota nas montanhas, distante do centro urbano, vive uma comunidade religiosa. Com uma prática muito próxima ao budismo, os seus adeptos acreditam que os espíritos sentem fome e desejo. Prana (Isabella Camero) é a jovem escolhida pela comunidade para alimentar os espíritos. Ela está prestes a se casar com Ozu (Romulo Braga) , o poderoso do local. Tudo vai bem até que um dia, um jovem poeta e músico, Kaiki (Miguel Roncato) surge na região. Prana e Kaiki imediatamente se apaixonam. Com uma clássica trama de triângulo amoroso que termina em tragédia, "Punhal" tem seguido uma bela carreira em Festivais, muito por conta de sua trama inusitada e pela beleza das imagens e da trilha sonora. De baixo orçamento, o filme procura desvencilhar as questões orçamentárias através do elemento do lúdico na trama. Alguns efeitos surgem bastante ingénuos na tela, mas não chega a prejudicar a qualidade do filme. Os 3 atores principais estão bem em seus papéis, com destaque para o excelente Romulo Braga, que evita a caricatura do vilão. O ritmo, bastante lento, pode ser um empecilho para que o filme atinja uma platéia maior. Mas vale a curiosidade. O desfecho lembra bastante um conto de fadas, e a fotografia ajuda a dar essa atmosfera mágica.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Conceição: Autor bom é autor morto

"Conceição: Autor bom é autor morto", de Daniel Caetano, Samantha Ribeiro, Andre Sampaio, Guilherme Sarmiento e Cynthia Sims (2007) Primeiro longa realizado por alunos de Cinema da Uff, totalmente financiado pela Faculdade e pelo Ctav, sem recursos públicos, é um verdadeiro samba do crioulo doido. Gostar ou não do filme, depende única e exclusivamente do estado de espirito de quem o vê. Anárquico, fugindo completamente de qualquer convenção de uma narrativa clássica, "Conceição" é um filme realizado em formato de cooperativa. Durante uma mesa de bar, alunos de cinema divagam sobre historias possíveis de ser filmadas. Assim, os personagens vão ganhando corpo. No entanto, os personagens fictícios resolvem se rebelar contra os seus criadores. Tosco ao extremo e com muitas cenas de mau gosto, o filme é um deleite para quem busca um filme sem regras. As suas historias são descontinuas, tecnicamente filmada de forma rudimentar e com um elenco cult atuando em cenas absolutamente podres. Augusto Madeira, Thelmo Fernandes, Djin Sganzerla, Jards Macalé e outros devem ter se divertido bastante durante a realização do filme. O desfecho é um verdadeiro baile digno do Teatro Oficina do Zé Celso, com direito a mulher pelada, músicos, sangue, tosqueira e muito mais. Mas nenhuma cena é tão top quanto a de um casal transando e a mulher cortando o pau dele e depois moendo no moedor de carne. Antológica!

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Man vs

"Man vs", de Adam Massey (2015) Escrito e dirigido pelo cineasta canadense Adam Massey, "Man vs" é um filme em formato de narrativa "found footage". Mescla de filme de suspense e de ação, "Man vs" se apropria da história de "Predador". Um apresentador de um reality show de sucesso, Doug, estilo "No limite", é deixado pela sua equipe em um lugar remo na floresta, distante de tudo e de todos. Ele é obrigado a sobreviver com o que encontrar na região. No entanto, uma nave espacial cai no local, e logo ele descobre que um perigoso alienígena se prepara para caçá-lo. Descaradamente chupado de "predador", inclusive no visual do monstro, "Man vs" não tem um segundo de suspense. Sem ritmo, o monstro somente aparece lá pelos 20 minutos finais, e mesmo assim, sem oferecer qualquer tipo de perigo. Os atores são medianos e os efeitos, bem toscos, padrão filme baixo orçamento. Para assistir somente quando não tiverem absolutamente nada para fazer.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Vermelho russo

"Vermelho russo", de Charlie Braun (2016) Mesclando uma linguagem documental com ficcional, "Vermelho russo" é um belo drama sobre a arte da atuação. Duas amigas atrizes, vindas de Sao Paulo (Martha Nowill e Maria Manuella, em personagens ficcionais mas usando seus nomes), resolvem ir ate Moscou para um curso tendo como base o método de Stanislavski. Elas estao em um momento de crise pessoal e profissional e desejam se reinventar. Durante o curso, elas sofrem com a questão cultural e linguistica. Aos poucos, no entanto, os adventos de suas vidas pessoais acabam se misturando aos personagens que elas interpretam. Com excelente atuação de Martha e Maria, "Vermelho russo" atinge melhor um publico mais antenado com as artes mais precisamente com a atuação. O professor de interpretação vai desfilando frases de efeito sobre o que é ser Ator, e as cenas da interação das amigas com atores de outras nacionalidades é bem divertida. No mais, é aquele desejo louco de querer conhecer a capital da Russia, repleto de locações extraordinárias. O filme tem uma pegada meio "Encontros e desencontros", mostrando uma curiosa e cómica diferença cultural. e Participações de Michel Melamed e de Fernando Alves Pinto.

domingo, 7 de maio de 2017

Mina

"Mine", de Fabio Guaglione e Fabio Resinaro (2016) Escrito e dirigido pelos italianos Fabio Guaglione e Fabio Resinaro, "Mina" é uma co-produção Espanha/Itália e Estados Unidos. Filme de ação e suspense, narra o drama de Mike (Armie Hammer), soldado americano em missão no Norte da Africa para matar um terrorista no deserto. Por conta de uma ação fracassada, Mike e o outro soldado Tom fogem pelo deserto, perseguidos pelos terroristas. Em determinado local do deserto, os 2 descobrem que estão em uma região repleta de minas, até que ambos pisam em minas e não podem se mover, correndo o risco de explodir. Com uma narrativa `as vezes bastante tensa, principalmente no final, "Mina" poderia ter sido um filme incrível de ação psicológica, se não fosse tão longo e se também não ficasse o tempo todo recorrendo a flashbacks do protagonista, que aproveita esse momento de tensão para repensar a sua vida, com relação a seus pais e sua namorada. O filme acaba se tornando uma metáfora de um homem em luta consigo mesmo, com sua guerra interna. De positivo, a atuação de Armie Hammer, que atua praticamente 90 por cento do filme sozinho, e a maquiagem, muito realista. O filme foi todo rodado na Espanha. Curiosidade: o filme lembra muito, mas muito mesmo, o suspense inglês "Mine goes click", de 2015, que tem o mesmo mote de um homem que pisa em falso em uma mina e passa o filme todo sem poder se mexer.

sábado, 6 de maio de 2017

A filha

"The daughter", de Simon Stone (2015) Escrito e dirigido por Simon Stone, esse poderoso drama australiano impressiona pela sua alta qualidade dramática e de interpretação. Livremente inspirado na obra de Henrik Ibsen, "O pato selvagem", narra a história de 2 famílias que habitam uma cidade pequena na Austrália. Oliver (Ewen Leslie), trabalha para um poderoso dono de uma madeireira, que anuncia falência. Oliver é casado com Charlotte (Miranda Otto), professora do colegial, e pais de Hedvig (Odessa Young). Henry (Geofrey Rush), dono da madeireira, está prestes a se casar com uma jovem 30 anos mais nova do que ele ( sua esposa se suicidou). Christian (Paul Schneider), volta para a cidade, para o casamento de Henry, seu pai. Christian e Oliver foram amigos na época de colégio. e esse reencontro irá revelar segredos que culminarão com o desmoronamento dessas famílias. O que mais impressiona no filme, é a narrativa elipsada e estranha que o Diretor Simon Stone imprimiu ao filme, principalmente no inicio, com a apresentação dos personagens. Com ótimo domínio da narrativa, ele conta a sua história em tom de suspense, até culminar na revelação do grande segredo. Os atores estão todos excelentes, também se destacando Sam Neil, no papel do pai de Oliver, que teve sua vida destruída por Henry.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A próxima pele

"La propera pell", de Isa Campo e Isaki Lacuesta (2016) Drama de mistério, premiado em vários festivais na Europa, narra a história de Gabriel, um adolescente que havia dado como morto pelo sumiço de 8 anos, e acaba sendo encontrado pela sua mãe, Ana, ao ver fotos de um abrigo para jovens delinquentes. Retornando para casa, paira uma dúvida se ele é realmente Gabriel, ou algum impostor querendo tomar proveito da situação. O filme , narrado em um tom de constante mistério e sedução, caminha por um desfecho inusitado, onde surgem temas como homossexualismo e violência doméstica. Bem dirigido pela dupla de cineastas/roteiristas, e com ótimas atuações do elenco, " A próxima pele" é uma grata surpresa. Excelente fotografia e trilha sonora.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Corra!

"Get up", de Jordan Peele (2017) Filme de estréia do Cineasta Jordan Peele, é, mal comparando, o "Moonlight" dos filmes de terror. Explico: producao independente que rendeu bastante nas bilheterias, aclamado pela crítica, escrito e dirigido por um jovem cineasta negro e que toca no tema do preconceito racial de forma explosiva. Dificilmente esse filme poderia ter sido filmado por um Cineasta branco, pois com certeza teria sido acusado de racismo. Sério, seu tema é totalmente polemico. Chris (Daniel Kaluuya, excelente) é um jovem negro que namora uma mulher branca, Rose. Rose quer levar Chris para conhecer os seus pais, mas Chris teme o fato deles não saberem que ele é negro. Ao chegar numa distante cidade provinciana, onde moram os pais de Rose, Chris estranha de cara a família, composta pelos pais e um irmão, todos sinistros (Catherine Keener interpreta a mãe, diabólica). Para sua surpresa, todos o tratam bem. Os caseiros da casa são negros e agem de forma estranha. No dia seguinte, chegam os convidados de uma festa da família, e são todos negros. Chris resolve investigar suas suspeitas, e adentra em um mundo surreal onde nada é o que parece ser. Um roteiro repleto de reviravoltas, totalmente `a moda Shayamalan, "Corra!" foi uma das grandes sensações em Sundance desse ano de 2017, e fez uma bilheteria de quase 180 milhões de dólares, a um custo de 5 milhões. Com um elenco sintonizado com a proposta do filme e uma trama mirabolante que remete a filmes de terror dos anos 80. "Corra!" (Get up, no original) surpreende o tempo todo. O suspense é baixos teores, mas sempre instigante. a parte final vira uma verdadeira catarse, e o filme ainda consegue fazer divertir através do personagem de Rod, amigo policial de Chris, que tem ótimas tiradas.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Terra em transe

"Terra em transe", de Glauber Rocha (1967) Lançado em 1967, "Terra em transe" acaba de fazer 50 anos em 2017. Um dos filmes mais controversos do Cinema brasileiro, atacado pela Censura, pela direita e também pela esquerda dos intelectuais, o filme é, como em boa parte dos filmes de Glauber, uma alegoria política do Brasil, e mais até, da America Latina. O filme se passa na fictícias Eldorado e Alecrim. Paulo Martins (Jardel Filho) é um jornalista aspirante a poeta que trabalha para o senador Porfirio Diaz (Paulo Autran), um politico austero, conservador e que carrega a cruz por onde anda. Sentindo-se traído pelos ideais de Diaz, que abandonou o sonho socialista pelo Poder, Paulo segue para Alecrim, e se alia ao candidato a governador Felipe Vieira (Jose Lewgoy), um politico populista que adora fazer caminhadas com o povo, mas na verdade, os abomina. Ao seu lado, seguem um padre, um militar, um comunista e outros representantes do Poder. Paulo resolve instaurar uma luta armada para poder defender os seus ideais. Dito assim, o filme parece narrativamente coeso. Mas cercado de simbolismos, alguns bastante complexos, o filme é uma verdadeira metralhadora giratória, atirando para todos os lados. O seu experimentalismo narrativo, aliado `a fotografia de Luiz Carlos Barreto e a trilha sonora de Sergio Ricardo, lhe renderam o Premio Fipresci em Cannes, além de fãs assumidos como Martin Scorsese. "Terra em transe" é para ser visto várias vezes, e com certeza, a cada visão, o filme proporcionará uma novas leituras. Nota mais do que especial para um elenco gigantesco, eclético e totalmente antenado `as propostas de Glauber: além dos citados, temos Danuza Leao, Hugo Carvana, Paulo Cesar Pereio, Mauricio do Valle, Francisco Milani, Paulo Gracindo, Sonia Clara, Glauce Rocha, Flavio Migliaccio, Clovis Bornay, Mario Lago, entre outros.

O monstro do circo

"The unkown", de Tod Browning (1927) Realizado em 1927, "The unkown" é certamente um dos filmes com roteiro mais bizarros já escritos na história do cinema, e por isso mesmo, surpreendente e fascinante. Estrelado por Lon Chaney, um astro na época e que viria a interpretar o Fantasma da ópera e o corcunda de Notre Dame, e por uma jovem Joan Crowford, o filme se ambienta em Madrid, em um circo. A História: Alonzo (Chaney) é um homem sem os 2 braços, e trabalha no circo como atirador de facas com os pés. Ele é secretamente apaixonado por Nanon (Crawford), filha do dono do circo. Malabar, o homem forte, é apaixonado por Nanon, mas ela tem fobia a braços masculinos, e por isso, o evita. Alonzo acredita que por ela ter essa fobia, ela se apaixonará por ele, e ele faz de tudo para se aproximar dela. Na verdade, Alonzo é um fugitivo da policia, e possui os 2 braços, mas temendo que Nanon descubra e não ame ele, ele resolve remover os braços com cirurgia. E' impressionante como, 90 anos depois, essa história se mantenha tão moderna, vanguarda, e isso porque Tod Browning investiu em uma historia tão inverossímil mas ao mesmo tempo tão rica, que ninguém mais ousou escrever nada parecido. Chaney está brilhante, e John George, que interpreta o anão Cojo e seu fiel assistente, está assustador como a voz da consciência. Outro elemento interessante a destacar, é a extrema sensualidade do filme, principalmente na cena onde a personagem de Crowford tem o seu vestido arrancado a tiros e revelando o seu corpo. Acredito que essa cena tenha provocado um verdadeiro escândalo na época. Browning viria depois a dirigir outras 2 grandes obras-primas o cinema de terror: "Freaks" e "Dracula", com ela Lugosi. Ele tinha verdadeira obsessão por protagonistas marginalizados e desfigurados.

terça-feira, 2 de maio de 2017

XX

"XX", de Roxanne Benjamin, Karyn Kusama, St. Vincent e Jovanka Vuckovic (2017) Curiosa antologia de terror dividido em 4 episódios, escritos e dirigidos por mulheres. Sua primeira exibição aconteceu em Sundance 2017. 1o Ep: A caixa- Uma mãe e seu casal de filhos adolescentes estão em um metro durante o Natal. O filho, curioso, pergunta a um passageiro o que ele carrega dentro de uma caixa. Quando o homem abre a caixa para ele, o rapaz passa a não comer mais. 2o Ep: No dia de aniversário de sua filhos de 7 anos, uma mãe descobre que seu marido está morto. Para não estragar a festa, ela disfarça seu marido com uma roupa de urso para que ninguém perceba que ele está morto ( quem protagoniza o episódio é Melanie Lynskey, que foi a parceira de Kate Winslet em "Almas gêmeas" 3o Ep: 4 amigos fazem uma excursão até uma montanha isolada. Chegando lá, descobrem uma inscrição estranha numa rocha. Uma das amigas acaba sendo possuída por um demônio e tenta matar a todos. 4o Ep: 18 anos depois, o que aconteceu ao Bebe de Rosemary? Descubram assistindo a esse curta. Os filmes como um todo não assustam e não funcionam como terror genuíno. Um ou outro episódio tem um que de suspense, mas é totalmente light. Faltou uma mão pesada que entendesse o gênero terror como algo de fato assustador e sem medo de usar a violência. Me lembra a atmosfera e ingenuidade das antologias dos anos 80, tipo " Creep show". Dá pro gasto, para quem não esperar muita coisa. O primeiro episódio, o mais promissor de todos, acaba pessimamente.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Além das palavras

"A quiet passion", de Terence Davies (2016) Produção inglesa dirigida e escrita pelo esteta Cineasta inglês Terence Davies, "Além das palavras" é uma cinebiografia sobre a poetisa americana Emily Dickinson, que nasceu em Massachussets em 1830 e faleceu em 1886, de nefrite. Emily nunca conseguiu reconhecimento literário em vida, por conta do machismo que imperava na sociedade e nas publicações editoriais. Desde jovem, Emily se comportava de maneira diferente das mulheres da época: estudiosa e de família católica, ela se negava a aceitar a submissão aos preceitos cristãos. Fora isso, ela nunca se casou, se tornando reclusa em sua casa, dedicando sua vida aos poemas escritos e `a sua família: uma mãe depressiva, um pai autoritário ( Keith Carradine) , e a um casal de irmãos ( que atriz maravilhosa é Jennifer Ehle, que interpreta sua irmã Vinnie). O roteiro é repleto de frases de efeito e diálogos brilhantes, principalmente os dito pela sua amiga Vryling Buffam, uma mulher `a frente de seu tempo, pelo pensamento e comportamento bastante ousado para a época. O filme é uma verdadeira obra de arte: A fotografia extraordinária de Florian Hoffmeister ( os interiores noturnos todos `a luz de velas, belíssimo), a direção de arte, trilha sonora, figurinos...O elenco inteiro está soberbo. Cinthia Nixon, em nada lembrando a sua personagem Miranda em "Sex and the city", em seu papel mais vibrante e Bergmaniano. Os outros atores enchem os olhos com um talento surpreendente, lembrando as melhores produções inglesas ( apesar do elenco ser americano). E' um filme longo, de ritmo bastante lento, e que merece ser apreciado aos poucos, com detalhes. Vea com vontade e se deixe apaixonar por um filme que e' uma autentica obra de arte.